{"id":6953,"date":"2010-08-02T15:12:23","date_gmt":"2010-08-02T15:12:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6953"},"modified":"2010-08-02T15:12:23","modified_gmt":"2010-08-02T15:12:23","slug":"zimbabue-cuidados-de-saude-gratuitos-demasiado-dispendiosos-para-a-maioria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/africa\/zimbabue-cuidados-de-saude-gratuitos-demasiado-dispendiosos-para-a-maioria\/","title":{"rendered":"ZIMBABU\u00c9: Cuidados de sa\u00fade \u201cgratuitos\u201d demasiado dispendiosos para a maioria"},"content":{"rendered":"<p>BULAWAYO, 02\/08\/2010 &ndash; Enquanto os chefes de estado da Uni\u00e3o Africana discutem a sa\u00fade materno-infantil na cimeira de 2010 em Kampala, no Uganda, foi levantada no Zimbabu\u00e9 a quest\u00e3o recorrente do pagamento de taxas de utente. <!--more--> As taxas pagas pelos utentes por servi\u00e7os prestados est\u00e1 a criar uma lacuna crescente entre a pol\u00edtica e a implementa\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade materna neste pa\u00eds da \u00c1frica Austral.<\/p>\n<p> De acordo com a pol\u00edtica governamental, os cuidados prestados \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas, novas m\u00e3es e crian\u00e7as s\u00e3o gratuitos. Mas a r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada obrigou os estabelecimentos de sa\u00fade a aumentarem as suas receitas para conseguirem cobrir os custos. <\/p>\n<p>As mulheres queixam-se que lhes est\u00e1 a ser recusado o acesso \u00e0 sa\u00fade devido ao insucesso em fazer face aos custos de maternidade e outros custos hospitalares. Thandeka Mbewe, uma m\u00e3e que deu recentemente \u00e0 luz, diz que ela j\u00e1 passou por tudo isso, e tem d\u00favidas se pode ter outro filho. <\/p>\n<p>Mbewe, de 25 anos, n\u00e3o tinha dinheiro para pagar as taxas referentes \u00e0s reservas hospitalares ou at\u00e9 mesmo para pagar uma ambul\u00e2ncia que a transportasse para a cl\u00ednica. Um m\u00eas depois de ter dado \u00e0 luz, ainda n\u00e3o conseguiu juntar o dinheiro necess\u00e1rio para pagar as contas do hospital. <\/p>\n<p>&#8220;Foi dif\u00edcil ter este beb\u00e9,\u201d disse Mbewe, preocupada.<\/p>\n<p>Taxas demasiado elevadas para muitos<\/p>\n<p>As m\u00e3es gr\u00e1vidas t\u00eam de pagar uma taxa de 50 d\u00f3lares americanos para fazer uma reserva nas cl\u00ednicas e nos hospitais governamentais, mas esta quantia \u00e9 equivalente a cerca de um ter\u00e7o do sal\u00e1rio mensal de um funcion\u00e1rio p\u00fablico de baixa categoria, quantia que muitos n\u00e3o podem pagar. <\/p>\n<p>Nalguns casos, as novas m\u00e3es foram informadas pelos funcion\u00e1rios que n\u00e3o podiam sair do hospital at\u00e9 terem pago as suas contas; as mulheres responderam passando clandestinamente os seus beb\u00e9s para fora do hospital \u2013 uma m\u00e3e em Gweru escondeu o beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido debaixo de um casaco pesado e saiu da enfermaria. <\/p>\n<p>Noutros locais, as m\u00e3es que recusam pagar as taxas n\u00e3o recebem os documentos necess\u00e1rios para obterem as certid\u00f5es de nascimento para os filhos rec\u00e9m-nascidos. <\/p>\n<p>\u201cOs nossos filhos n\u00e3o se podem tornar cidad\u00e3os de pleno direito deste pa\u00eds at\u00e9 pagarmos. \u00c9 tudo muito injusto,\u201d queixou-se Mbewe, exprimindo aquilo que se tornou um importante ponto de discuss\u00e3o. <\/p>\n<p>As m\u00e3es como Mbewe dizem que at\u00e9 encontrarem o dinheiro para pagar as taxas por liquidar n\u00e3o recebem cuidados para os seus beb\u00e9s rec\u00e9m-nascidos. <\/p>\n<p>\u201cAs enfermeiras na cl\u00ednica recusaram cuidar do meu filho quando fez o exame m\u00e9dico obrigat\u00f3rio \u00e0s duas semanas,\u201d Mbewe disse \u00e0 IPS. <\/p>\n<p>Objectivos do desenvolvimento amea\u00e7ados <\/p>\n<p>De acordo com uma avalia\u00e7\u00e3o efectuada em 2009 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e Bem-Estar Infantil sobre o progresso alcan\u00e7ado relativamente aos Objectivos de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio para a sa\u00fade materno-infantil, entre 1999 e 2006 a taxa de mortalidade infantil diminuiu de 65 mortes por 1000 nados-vivos para 60, mas isto fica aqu\u00e9m do alvo desejado de 22 por 1000 nados-vivos. <\/p>\n<p>Os trabalhadores de sa\u00fade avisam que o progresso ir\u00e1 abrandar devido \u00e0 insist\u00eancia do pagamento total pelas m\u00e3es faltosas antes de se prestarem os cuidados necess\u00e1rios aos filhos. <\/p>\n<p>&#8220;Agora at\u00e9 tenho medo de ir \u00e0 cl\u00ednica quando arranjar dinheiro, porque as enfermeiras v\u00e3o perguntar porque \u00e9 que eu mantive o meu filho afastado quando, em primeiro lugar, foram elas que recusaram o tratamento,\u201d disse Mbewe. <\/p>\n<p>No meio de crescentes preocupa\u00e7\u00f5es sobre a presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade pr\u00e9-natal e p\u00f3s-natal de m\u00e1 qualidade, as parteiras pediram ao governo que eliminasse completamente as taxas de maternidade. <\/p>\n<p>\u201cMuitas m\u00e3es culpam-nos a n\u00f3s, enfermeiras, por recusarmos o direito a cuidados de sa\u00fade aos filhos,\u201d disse Ntandokayise Ndebele, parteira que trabalha numa cl\u00ednica municipal num dos bairros da cidade com maior densidade populacional. \u201cMas recebemos ordens da municipalidade para as obrigar a pagar. No passado, muitas desapareciam depois de serem tratadas.\u201d <\/p>\n<p>Recorrer a alternativas perigosas<\/p>\n<p>O custo dos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica estimulou a prolifera\u00e7\u00e3o de comerciantes de medicina tradicional. <\/p>\n<p>\u201cQuando as m\u00e3es n\u00e3o conseguem ter acesso aos cuidados m\u00e9dicos formais, procuram as mulheres mais velhas, que reivindicam ter conhecimentos de ervas, para tratarem as crian\u00e7as. Mas isto nem sempre funciona, visto que exp\u00f5e as crian\u00e7as a condi\u00e7\u00f5es extremamente perigosas e desnecess\u00e1rias,\u201d disse Hilda Noko, enfermeira superior que trabalha na C\u00e2mara da Cidade de Bulawayo. <\/p>\n<p>O mercado de ervas \u00e9 extremamente vis\u00edvel no Terminal de Autocarros de Renkini, em Mkokoba, o bairro mais antigo da cidade. <\/p>\n<p>Aqui, homens e mulheres que declaram ser ervan\u00e1rios vendem ervas que dizem poder tratar de uma variedade de doen\u00e7as infantis ou que simplesmente fortalecem os beb\u00e9s. <\/p>\n<p>As profundas redu\u00e7\u00f5es na despesa social impostas pelos programas de ajustamento estrutural no final da d\u00e9cada de 90 afectaram negativamente o sistema de sa\u00fade do Zimbabu\u00e9, ao mesmo tempo que n\u00e3o conseguiram restabelecer a sa\u00fade da economia, embora o pa\u00eds n\u00e3o seja o \u00fanico a exigir taxas pelos servi\u00e7os prestados em cl\u00ednicas governamentais. <\/p>\n<p>Com algum apoio de doadores internacionais, os governos africanos, incluindo a Serra Leoa \u2013 que em 2010 introduziu cuidados de sa\u00fade gratuitos para mulheres gr\u00e1vidas, novas m\u00e3es e crian\u00e7as com menos de cinco anos de idade \u2013 est\u00e3o a explorar formas de eliminar o pagamento no ponto onde s\u00e3o prestados os servi\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BULAWAYO, 02\/08\/2010 &ndash; Enquanto os chefes de estado da Uni\u00e3o Africana discutem a sa\u00fade materno-infantil na cimeira de 2010 em Kampala, no Uganda, foi levantada no Zimbabu\u00e9 a quest\u00e3o recorrente do pagamento de taxas de utente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/africa\/zimbabue-cuidados-de-saude-gratuitos-demasiado-dispendiosos-para-a-maioria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":92,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6953","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/92"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6953\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}