{"id":6962,"date":"2010-08-03T15:37:27","date_gmt":"2010-08-03T15:37:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6962"},"modified":"2010-08-03T15:37:27","modified_gmt":"2010-08-03T15:37:27","slug":"biodiversidade-a-terra-esta-anemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/mundo\/biodiversidade-a-terra-esta-anemica\/","title":{"rendered":"BIODIVERSIDADE: A terra est\u00e1 an\u00eamica"},"content":{"rendered":"<p>Viena, \u00c1ustria, 03\/08\/2010 &ndash; Os oceanos s\u00e3o o sangue da Terra, e o pl\u00e2ncton, os gl\u00f3bulos vermelhos. A presen\u00e7a destes organismos diminuiu mais de 40% desde 1950, especialmente devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, afirmam cientistas. <!--more--> \u201cO filopl\u00e2ncton \u00e9 uma parte fundamental de nosso sistema de apoio \u00e0 vida no planeta. Produz metade do oxig\u00eanio que respiramos absorve di\u00f3xido de carbono e mant\u00e9m nossos peixes\u201d, explicou Boris Worm, da Universidade de Dalhousie, do Canad\u00e1, e um dos mais destacados especialistas em oceanos.<\/p>\n<p>\u201cUm oceano com menos fitopl\u00e2ncton funcionar\u00e1 de forma diferente\u201d, explicou Boris, coautor de um novo estudo sobre o tema, publicado na semana passada na revista cient\u00edfica Nature. \u201cO pl\u00e2ncton \u00e9 equivalente ao pasto, \u00e0s arvores e a outras plantas na terra\u201d, ilustrou o ocean\u00f3grafo Marlon Lewis, tamb\u00e9m coautor do informe. \u201c\u00c9 perturbador se dar conta de que perdemos metade das zonas verdes dos oceanos. Parece que a taxa de redu\u00e7\u00e3o do pl\u00e2ncton est\u00e1 aumentando\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 aquecendo os oceanos \u00e0 m\u00e9dia de 0,2 grau centigrados por d\u00e9cada. A \u00e1gua mais quente tem menos nutrientes e, por ser leve, tende a ficar perto da superf\u00edcie, acima da mais fria. Esta estratifica\u00e7\u00e3o do oceano \u00e9 um problema para o pl\u00e2ncton, que precisa de luz e s\u00f3 sobrevive nos primeiros 100 a 200 metros de profundidade. O pl\u00e2ncton fica sem nutrientes para se alimentar, a menos que as \u00e1guas mais profundas se misturem com as que est\u00e3o na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, foi observado que a estratifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 um fen\u00f4meno que ocorre em \u00e1reas cada vez maiores. O fitopl\u00e2ncton \u00e9 um conjunto de pequenos organismos vegetais e animais, que vivem perto da superf\u00edcie dos oceanos e s\u00e3o a base alimentar de muitos peixes. Provavelmente, \u00e9 o grupo de organismos que mais trabalha no planeta, e n\u00e3o apenas se alimentam de quase tudo o que vive nos oceanos, como tamb\u00e9m absorvem e capturam CO\u00b2 da atmosfera. Al\u00e9m disso, desprendem dimetil sulfureto, subst\u00e2ncia qu\u00edmica que flutua na superf\u00edcie do oceano e evapora para contribuir com a forma\u00e7\u00e3o de nuvens. Sem o pl\u00e2ncton, a Terra seria um lugar muito diferente.<\/p>\n<p>Os pesquisadores passaram tr\u00eas anos analisando e resumindo uma cole\u00e7\u00e3o sem precedentes de informa\u00e7\u00e3o oceanogr\u00e1fica hist\u00f3rica e recente, incluindo quase meio milh\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es da transpar\u00eancia da \u00e1gua nos \u00faltimos 120 anos. Antes, a informa\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o do pl\u00e2ncton em n\u00edvel planet\u00e1rio ia s\u00f3 at\u00e9 1997, quando foram lan\u00e7ados sat\u00e9lites especiais. Boris, Marlon e seu colega Daniel Boyce conclu\u00edram que a maior parte da redu\u00e7\u00e3o do fitopl\u00e2ncton ocorreu em regi\u00f5es polares e tropicais, e em oceanos abertos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m constataram uma rela\u00e7\u00e3o direta entre as crescentes temperaturas da superf\u00edcie e a diminui\u00e7\u00e3o do fitopl\u00e2ncton na maior parte do planeta, sobretudo perto do Equador. \u201cNos perguntamos qual seria o impacto do aumento das temperaturas no oceano\u201d, disse Boris \u00e0 IPS em uma entrevista em Potsdam, na Alemanha. Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do pl\u00e2ncton, foi observada uma queda no n\u00famero de esp\u00e9cies em \u00e1guas tropicais e um aumento nas \u00e1guas temperadas. Como na terra, certas esp\u00e9cies marinhas s\u00e3o muito sens\u00edveis \u00e0 temperatura e v\u00e3o para outro lugar se a regi\u00e3o que habitam se torna muito quente.<\/p>\n<p>Outra importante mudan\u00e7a verificada nos oceanos \u00e9 o dr\u00e1stico aumento no n\u00famero e no tamanho de \u00e1reas mortas, isto \u00e9, com muito pouco oxig\u00eanio para que haja vida. O lan\u00e7amento de fertilizantes e esgotos contribuem com um grande crescimento do pl\u00e2ncton, que, no entanto, morre rapidamente e \u00e9 consumido por bact\u00e9rias que esgotam o oxig\u00eanio. O Golfo do M\u00e9xico tem uma zona morta de 22 mil quil\u00f4metros quadrados a cada primavera devido \u00e0 vaz\u00e3o do Rio Mississippi.<\/p>\n<p>A estratifica\u00e7\u00e3o marinha, quando a \u00e1gua mais quente fica acima da mais fria, rica em nutrientes, tamb\u00e9m cria zonas mortas e diminui o surgimento de pl\u00e2ncton, ressalta Boris. Essas \u00e1reas eram raras h\u00e1 40 anos, mas agora somam v\u00e1rias centenas. Se n\u00e3o houver uma a\u00e7\u00e3o urgente, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica continuar\u00e1 esquentando os oceanos, aumentando a estratifica\u00e7\u00e3o e produzindo mais e maiores zonas mortas, com um grande impacto na pesca, alerta um estudo, de 2009, na Nature Geoscience. Demorar\u00e1 milhares de anos para que os oceanos esfriem, por isso \u00e9 imperativo acionar um freio de emerg\u00eancia para deter as emiss\u00f5es que provocam o aquecimento global, concluiu o estudo.<\/p>\n<p>Os especialistas tamb\u00e9m alertaram sobre a crescente acidifica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua marinha por causa da libera\u00e7\u00e3o de CO\u00b2. A cada dia, os oceanos absorvem 30 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono, o que inevitavelmente aumenta sua acidez e reduz a quantidade de carbonato de c\u00e1lcio de que necessitam alguns tipos de pl\u00e2ncton e outras esp\u00e9cies para formarem suas carapa\u00e7as e seus esqueletos. N\u00e3o h\u00e1 discord\u00e2ncia sobre esta qu\u00edmica b\u00e1sica. O \u00fanico debate gira em torno do grau e do tempo do impacto. Recente pesquisa no \u00c1rtico \u2013 j\u00e1 informada pela IPS \u2013 sugere que dentro de dez anos v\u00e1rias partes desse oceano ser\u00e3o extremamente \u00e1cidas para a sobreviv\u00eancia da maioria das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Segundo Marlon, a acidifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma grande amea\u00e7a para algumas esp\u00e9cies de pl\u00e2ncton, mas afirmou que seu estudo n\u00e3o conseguiu especificar os impactos. A \u00fanica forma de reduzir a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 com redu\u00e7\u00f5es substanciais nas emiss\u00f5es de CO\u00b2, conclu\u00edram especialistas como o australiano Ove Hoegh-Guldberg, diretor do Instituto sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da australiana Universidade de Queensland. Ove \u00e9 coautor da uma revis\u00e3o de dezenas de estudos sobre o estado dos oceanos publicada na revista Science de 18 de junho. A pesquisa apresenta uma imagem perturbadora, e alerta para a imin\u00eancia de uma \u201cfundamental e irrevers\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, jamais vista em milh\u00f5es de anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viena, \u00c1ustria, 03\/08\/2010 &ndash; Os oceanos s\u00e3o o sangue da Terra, e o pl\u00e2ncton, os gl\u00f3bulos vermelhos. 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