{"id":6968,"date":"2010-08-04T14:22:44","date_gmt":"2010-08-04T14:22:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6968"},"modified":"2010-08-04T14:22:44","modified_gmt":"2010-08-04T14:22:44","slug":"preocupam-os-efeitos-de-longo-prazo-no-golfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/america-latina\/preocupam-os-efeitos-de-longo-prazo-no-golfo\/","title":{"rendered":"Preocupam os efeitos de longo prazo no Golfo"},"content":{"rendered":"<p>Gulfport, Estados Unidos, 04\/08\/2010 &ndash; Embora as \u00faltimas not\u00edcias da imprensa falem em uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o do Golfo do M\u00e9xico, cientistas e bi\u00f3logos se mostram \u201cprofundamente preocupados\u201d com os impactos do vazamento de \u00f3leo causado pela empresa British Petroleum (BP), que, provavelmente, v\u00e3o durar \u201cv\u00e1rias d\u00e9cadas\u201d. <!--more--> Foi o que disse \u00e0 IPS o ocean\u00f3grafo Ed Cake, que tamb\u00e9m \u00e9 bi\u00f3logo marinho e especialista em ostras. \u201cN\u00e3o estarei aqui para ver a recupera\u00e7\u00e3o\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Seu sombrio progn\u00f3stico tem origem, parcialmente, na compara\u00e7\u00e3o que estabeleceu entre o vazamento da BP e os anteriores, do petroleiro Exxon Valdez, em 1989, em \u00e1guas do Estado norte-americano do Alasca, e o da plataforma de explora\u00e7\u00e3o Ixtoc-1, da Petr\u00f3leos Mexicanos (Pemex), em 1979, na mexicana ba\u00eda de Campeche. \u201cOs impactos do vazamento do Exxon Valdez continuam, 21 anos depois, e os do Ixtoc-1, 31 anos mais tarde\u201d, afirmou Ed. \u201cConhe\u00e7o gente que estuda as ostras em ba\u00edas da pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n e estas ainda n\u00e3o voltaram ap\u00f3s 31 anos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quanto ao vazamento da BP, atualmente considerado o pior da hist\u00f3ria, o petr\u00f3leo come\u00e7ou a se espalhar pelo Golfo do M\u00e9xico no dia 20 de abril, quando a plataforma de explora\u00e7\u00e3o Deepwater Horizon, que a BP arrendava da su\u00ed\u00e7a Transocean, explodiu e, dois dias depois, afundou. Para Ed o que preocupa s\u00e3o os h\u00e1bitat de \u00e1guas profundas. Como a BP usou pelo menos 7,2 milh\u00f5es de litros de dispersantes qu\u00edmicos, a maior parte do petr\u00f3leo ficou sob a superf\u00edcie, depositando-se em boa parte no solo marinho.<\/p>\n<p>Como exemplo, citou \u201cum novo ecossistema de col\u00f4nias de corais\u201d em um raio de 16 quil\u00f4metros do lugar onde explodiu o po\u00e7o da BP. O bioma foi encontrado por uma empresa de oleodutos quando fazia um estudo de impacto ambiental seguindo a rota de sua canaliza\u00e7\u00e3o. Contudo, esses arrecifes, \u201ccuja exist\u00eancia ningu\u00e9m conhecia, agora estar\u00e3o cobertos de petr\u00f3leo e n\u00e3o se recuperar\u00e3o\u201d, lamentou o ocean\u00f3grafo.<\/p>\n<p>O ocean\u00f3grafo Stephen Cofer-Shabica, do Estado norte-americano da Carolina do Sul, estuda a biologia das ilhas-barreira, e fez um acompanhamento dos efeitos dos desastres de Ixtoc-1 na Costa Nacional da Ilha do Padre, no sul do Estado do Texas. Nessas areias ainda h\u00e1 petr\u00f3leo, informou \u00e0 IPS. Entretanto, sua principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o que faz agora a Louisiana em resposta a esse vazamento da BP. Seu governador, Bobby Jindal, autorizou a dragagem e constru\u00e7\u00e3o de barreiras de areia pr\u00f3ximas das ilhas-barreira de Louisiana, em um esfor\u00e7o para manter o petr\u00f3leo afastado da costa.<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea onde ainda est\u00e1 em curso a dragagem s\u00e3o as Ilhas Chandeleur. Este projeto \u201c\u00e9 totalmente in\u00fatil e um desperd\u00edcio de dinheiro\u201d, disse Stephen. \u201cIsso \u00e9 o que considero totalmente incompreens\u00edvel. H\u00e1 petr\u00f3leo flutuando abaixo da superf\u00edcie e se dispersou. E estas ilhas-barreira n\u00e3o ter\u00e3o nenhum efeito e, de um ponto de vista oceanogr\u00e1fico s\u00e3o biologicamente destrutivas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cEm todo caso, a Louisiana est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, pelo afundamento que ocorre no delta, e tamb\u00e9m h\u00e1 uma eleva\u00e7\u00e3o mundial do n\u00edvel do mar, por isso h\u00e1 dois fatores f\u00edsicos que conspiram contra seus p\u00e2ntanos. Assim, n\u00e3o tem sentido construir ilhas-barreira para impedir a passagem do petr\u00f3leo\u201d, afirmou. A isto se soma o fato de que os impactos biol\u00f3gicos de criar essas ilhas \u201cs\u00e3o maiores do que os impactos f\u00edsicos\u201d, segundo Stephen. \u201cS\u00e3o \u00e1guas rasas, ricas em vermes, ameijoas\u00b8e bact\u00e9rias que ser\u00e3o arrancados e destru\u00eddos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para Ed tamb\u00e9m \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o o petr\u00f3leo contaminar as ostras. Tanto a BP quanto a Guarda Costeira s\u00e3o acusados de usar muito dispersante, solvente industrial empregado para que o petr\u00f3leo des\u00e7a abaixo da superf\u00edcie. Por exemplo, o dispersante Corexit 9527 \u201cdecomp\u00f5e o petr\u00f3leo em microgl\u00f3bulos. Essa \u00e9 a parte prejudicial para as ostras, que se alimentam de part\u00edculas entre tr\u00eas e 12 milion\u00e9simas partes de metro\u201d, informou. Os microgl\u00f3bulos ser\u00e3o ingeridos, mas quando o organismo absorver parte desse petr\u00f3leo sofrer\u00e1 les\u00f5es, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Ed, as equipes que participam de sua pesquisas realizam um acompanhamento das \u00e1reas afetadas pelo vazamento da BP. \u201cNo m\u00eas passado, em Breton e Chandeleur Sounds, o petr\u00f3leo estava ali durante o dia, se jogava Corexit \u00e0 noite e no dia seguinte havia sumido. Para onde? Para o fundo, junto \u00e0s fazendas de ostras. Assim, nesse ponto h\u00e1 muito menos \u00e1gua onde esse Corexit pode se dispersar, e isso pode ter impacto nas ostras\u201d, disse. Para ele, a BP quis \u201cafundar\u201d o petr\u00f3leo para tir\u00e1-lo da vista do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Chasidy Fisher Hobbs, da organiza\u00e7\u00e3o Emerald Coastkeeper, com sede em Pensacola, no Estado norte-americano da Fl\u00f3rida, integra a Junta de Assessoramento Ambiental da cidade e o Comit\u00ea Ambiental Cidad\u00e3o do condado de Escambia, al\u00e9m de dirigir a firma de lit\u00edgios ambientais Geography &#038; Environment. \u201cEstamos envenenando toda a cadeia alimentar do Golfo do M\u00e9xico. \u00c9 uma loucura, \u00e9 criminoso. Preocupa profundamente o impacto ecol\u00f3gico e humano no longo prazo\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Segundo Ed, o petr\u00f3leo que est\u00e1 no fundo do Golfo do M\u00e9xico \u201c\u00e9 ingerido por bact\u00e9rias\u201d, e na medida em que estas crescem consomem o oxig\u00eanio existente nessa \u00e1rea, o que criar\u00e1 zonas mortas. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gulfport, Estados Unidos, 04\/08\/2010 &ndash; Embora as \u00faltimas not\u00edcias da imprensa falem em uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o do Golfo do M\u00e9xico, cientistas e bi\u00f3logos se mostram \u201cprofundamente preocupados\u201d com os impactos do vazamento de \u00f3leo causado pela empresa British Petroleum (BP), que, provavelmente, v\u00e3o durar \u201cv\u00e1rias d\u00e9cadas\u201d. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/america-latina\/preocupam-os-efeitos-de-longo-prazo-no-golfo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[14,21],"class_list":["post-6968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6968\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}