{"id":6998,"date":"2010-08-11T15:38:36","date_gmt":"2010-08-11T15:38:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6998"},"modified":"2010-08-11T15:38:36","modified_gmt":"2010-08-11T15:38:36","slug":"indigenas-australianos-dizem-basta-ao-uranio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/politica\/indigenas-australianos-dizem-basta-ao-uranio\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas australianos dizem basta ao ur\u00e2nio"},"content":{"rendered":"<p>Kalgoorlie-Boulder, Austr\u00e1lia, 11\/08\/2010 &ndash; Mineradoras da Austr\u00e1lia come\u00e7ar\u00e3o a escavar em uma mina de ur\u00e2nio no oeste do pa\u00eds no ano que vem. No entanto, s\u00e3o cada vez maiores os protestos para que o governo volte a proibir a extra\u00e7\u00e3o de minerais radioativos. <!--more--> \u201cN\u00e3o precisamos de ur\u00e2nio\u201d, disse Geoggrey Stokes, l\u00edder e pastor do cl\u00e3 wongatha, para quem este territ\u00f3rio \u00e9 seu lar. \u201cTemos sol, vento e gente. Por que vamos contaminar o pa\u00eds em troca de dinheiro?\u201d, perguntou.<\/p>\n<p>A Austr\u00e1lia tem a maior quantidade desse mineral, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nuclear Mundial, com 23% da reserva global. Das tr\u00eas minas existentes, dez mil toneladas de \u00f3xido de ur\u00e2nio s\u00e3o exportadas por ano. O valor anual das exporta\u00e7\u00f5es chegou a US$ 892 milh\u00f5es nos dois \u00faltimos anos, segundo a entidade. Os maiores clientes s\u00e3o Coreia do Sul, Estados Unidos e Jap\u00e3o, que o usam para produzir energia nuclear. A maior quantidade de ur\u00e2nio deste pa\u00eds fica no oeste. Entre 2002 e 2008, foi proibida a extra\u00e7\u00e3o, mas a medida foi levantada quando o Partido Liberal chegou ao poder.<\/p>\n<p>Mais de cem empresas nacionais e estrangeiras buscam ur\u00e2nio na regi\u00e3o, informou a Alian\u00e7a Antinuclear da Austr\u00e1lia Ocidental. A companhia local BHP Billiton prev\u00ea explorar o ur\u00e2nio de Yeelirrie em 2011. O projeto chega a US$ 15,6 bilh\u00f5es. A mina, que estar\u00e1 operacional em 2014, produzir\u00e1 3.500 toneladas do mineral por ano. Karlgoorlie-Boulder fica em uma \u00e1rea chamada Goldfiels, 600 quil\u00f4metros a oeste de Perth, a capital estadual. Esta localidade de 30 mil habitantes depende totalmente da minera\u00e7\u00e3o. Mas muitos prefeririam n\u00e3o ter nada a ver com o ur\u00e2nio<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos a extra\u00e7\u00e3o do mineral nem deixar para as futuras gera\u00e7\u00f5es um ambiente degradado\u201d, disse Kade Muir, antrop\u00f3loga nascida em Karlgoorlie. O governante Partido Trabalhista, que concorda com esta aprecia\u00e7\u00e3o, proibiu a extra\u00e7\u00e3o em tr\u00eas localidades quando esteve \u00e0 frente do governo federal nos anos 80. \u201cSabemos que a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa, mas a extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio \u00e9 ainda mais. Representa um risco inaceit\u00e1vel para os trabalhadores, as futuras gera\u00e7\u00f5es e para o bem-estar das comunidades abor\u00edgines, al\u00e9m de uma terr\u00edvel amea\u00e7a para o meio ambiente da regi\u00e3o\u201d, disse Sally Talbot, ministra do Meio Ambiente, \u00e0s pessoas que protestaram diante de uma das minas, em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio \u00e9 um assunto sens\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena h\u00e1 d\u00e9cadas. Centenas de abor\u00edgines foram deslocados nos anos 50 e 60, quando os governos australiano e brit\u00e2nico realizaram testes at\u00f4micos. Muitas pessoas sofreram graves problemas de sa\u00fade, como c\u00e2ncer e outras doen\u00e7as inexplic\u00e1veis. \u00c9 uma ind\u00fastria que tem impacto devastador, concluiu um estudo feito no parlamento australiano em 1997, mencionando a mina Rum Jungle, no Territ\u00f3rio Norte, cujos efluentes \u00e1cidos acabaram no Rio Finnis e \u201cdestru\u00edram plantas e animais ao longo de dez quil\u00f4metros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio teve consequ\u00eancias nefastas para os ind\u00edgenas. Experi\u00eancias como a de Rum Jungle deixaram \u00e1reas t\u00e3o degradadas que seus moradores tradicionais n\u00e3o puderam mais us\u00e1-las\u201d, diz o documento. A mina Olympic Dam, da BHP, retira 30 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua por dia da Grande Bacia Artesiana, segundo a Funda\u00e7\u00e3o Australiana para a Conserva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se sabe de planos para manejar os 60 milh\u00f5es de toneladas de lixo radioativo lan\u00e7ados na reserva subterr\u00e2nea. N\u00e3o existem minas de ur\u00e2nio reabilitadas, assegurou Gavin Mudd, engenheiro e professor da Universidade de Monash.<\/p>\n<p>A Austr\u00e1lia se assegura de que o ur\u00e2nio que exporta n\u00e3o seja usado para fabricar armas nucleares, mas a prolifera\u00e7\u00e3o destas e o lixo radioativo deveriam ser raz\u00f5es suficientes para acabar com a extra\u00e7\u00e3o do mineral. Contudo, nem todas as comunidades ind\u00edgenas s\u00e3o contra as minas de ur\u00e2nio. Os martu colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o seu territ\u00f3rio de 130 mil quil\u00f4metros quadrados neste mesmo Estado. A empresa Western Desert Lands Aboriginal Corp, que representa esta comunidade, assinou acordos de explora\u00e7\u00e3o na \u00e1rea com pelo menos duas companhias.<\/p>\n<p>Os povos ind\u00edgenas costumam receber compensa\u00e7\u00f5es pelo uso de suas terras. O valor depende da localiza\u00e7\u00e3o, do tipo e da dimens\u00e3o da mina. Entretanto, parece que para os wongatha nenhuma oferta da BHP vale o risco que representa um projeto minerador. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kalgoorlie-Boulder, Austr\u00e1lia, 11\/08\/2010 &ndash; Mineradoras da Austr\u00e1lia come\u00e7ar\u00e3o a escavar em uma mina de ur\u00e2nio no oeste do pa\u00eds no ano que vem. 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