{"id":7000,"date":"2010-08-11T15:43:56","date_gmt":"2010-08-11T15:43:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7000"},"modified":"2010-08-11T15:43:56","modified_gmt":"2010-08-11T15:43:56","slug":"libano-racismo-legitimado-por-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/direitos-humanos\/libano-racismo-legitimado-por-lei\/","title":{"rendered":"L\u00cdBANO: Racismo legitimado por lei"},"content":{"rendered":"<p>Beirute, L\u00edbano, 11\/08\/2010 &ndash; O L\u00edbano tem certa reputa\u00e7\u00e3o de abertura devido \u00e0 relativa liberdade que gozam suas mulheres em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. Por\u00e9m, muitas estrangeiras sofrem uma grande discrimina\u00e7\u00e3o. <!--more--> \u00c9 comum ver em Beirute mulheres dirigindo caros ve\u00edculos, acompanhadas de uma asi\u00e1tica ou uma africana no assento de tr\u00e1s. S\u00e3o suas empregadas dom\u00e9sticas, a maioria procedente de lugares como Eti\u00f3pia, Filipinas, Nepal e Sri Lanka.<\/p>\n<p>Estas n\u00e3o s\u00e3o apenas maltratadas por seus empregadores, que ret\u00eam seus passaportes e as obrigam a trabalhar sete dias por semana, como tamb\u00e9m sofrem discrimina\u00e7\u00e3o em lugares p\u00fablicos. Nos balne\u00e1rios podem ser vistas bab\u00e1s estrangeiras completamente vestidas apesar do calor, enquanto as crian\u00e7as sob seus cuidados brincam felizes na piscina. \u201cReservei um quarto para a bab\u00e1 da minha filha no ano passado em um dos balne\u00e1rios do norte do L\u00edbano. Fiquei indignada quando soube que ela n\u00e3o poderia ir \u00e0 piscina conosco\u201d, contou Nayla Saab, que emprega uma filipina.<\/p>\n<p>Pr\u00e1ticas racistas tamb\u00e9m s\u00e3o vistas em clubes e restaurantes. No come\u00e7o deste m\u00eas, Hussam Oueini foi impedido de entrar em um clube por causa da cor da pele de um amigo afro-norte-americano que estava de passagem pelo L\u00edbano. \u201cReservei uma mesa para dez pessoas, mas o porteiro olhou para meu amigo negro e disse que a mesa estava completa, mesmo quando s\u00f3 haviam chegado sete pessoas\u201d, contou Oueini, que se queixou ao gerente, mas este respondeu que o porteiro estava autorizado a impedir a entrada de clientes que n\u00e3o tivessem \u201ccerta apar\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental IndyAct concluiu que, nos 20 balne\u00e1rios pesquisados, as trabalhadoras dom\u00e9sticas asi\u00e1ticas e africanas eram impedidas de usar suas instala\u00e7\u00f5es. \u201cEste \u00e9 um sintoma do propagado racismo que existe no L\u00edbano\u201d, disse o diretor de comunica\u00e7\u00f5es do grupo, Ali Fakhri. Nenhum destes incidentes constituiu um crime, porque no L\u00edbano n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o contra o racismo. \u201cA Constitui\u00e7\u00e3o estabelece que todos os libaneses s\u00e3o iguais perante a lei, mas nada fala sobre direitos dos estrangeiros\u201d, explicou o advogado Amal Takiedine. Segundo Ali, a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 socialmente aceita no pa\u00eds, e est\u00e1 presente at\u00e9 mesmo no governo.<\/p>\n<p>O ativista contou que a IndyFact teve problemas com as autoridades quando pretendeu realizar uma confer\u00eancia com a participa\u00e7\u00e3o de profissionais asi\u00e1ticos. \u201cPediram aos participantes, m\u00e9dicos da \u00cdndia, do Nepal e das Filipinas, que assinassem um acordo se comprometendo a n\u00e3o trabalhar ilegalmente nem se casar no pa\u00eds. Foi um insulto\u201d, afirmou Ali.<\/p>\n<p>No L\u00edbano n\u00e3o s\u00f3 existe racismo para os estrangeiros, como tamb\u00e9m ocorre discrimina\u00e7\u00e3o de classe e cultura, disse Ali. Por exemplo, uma mulher jovem que vestia \u201chijab\u201d, tradicional v\u00e9u isl\u00e2mico, foi impedida de entrar em um show de m\u00fasica eletr\u00f4nica. \u201cNa emissora de r\u00e1dio que organizava a apresenta\u00e7\u00e3o disseram que n\u00e3o eram vendidos ingressos para pessoas com certo perfil\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns dias, uma patrulha da Seguran\u00e7a Geral libanesa fez uma blitz em um sal\u00e3o de baile em Ouzai, sub\u00farbio da capital, onde cerca de 150 refugiados de diferentes nacionalidades africanas realizavam uma reuni\u00e3o para arrecadar fundos contra o c\u00e2ncer. Os policiais teriam maltratado um grupo de sudaneses, v\u00e1rios deles sem autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia. No L\u00edbano, s\u00e3o muitos os imigrantes africanos ilegais, principalmente da Eti\u00f3pia e do Sud\u00e3o. \u201cAs penitenci\u00e1rias t\u00eam fama de tratar brutalmente os prisioneiros, especialmente os imigrantes africanos, que, no geral, ficam presos por mais tempo do que estabelece a senten\u00e7a, e tamb\u00e9m s\u00e3o obrigados a limpar as instala\u00e7\u00f5es policiais\u201d, denunciou Ali.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sofrer discrimina\u00e7\u00e3o, os estrangeiros n\u00e3o gozam dos mesmos direitos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade. H\u00e1 um limite para o que podem comprar. Os palestinos enfrentam restri\u00e7\u00f5es mais severas. N\u00e3o podem ter bens de raiz nem herdar propriedades, mesmo de um familiar liban\u00eas. Amal afirmou que a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 mantida devido \u00e0 falta de uma lei civil unificada. \u201cO sistema legal liban\u00eas contempla diferentes regras para as diferentes comunidades. Esta situa\u00e7\u00e3o naturalmente leva \u00e0 desigualdade\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beirute, L\u00edbano, 11\/08\/2010 &ndash; O L\u00edbano tem certa reputa\u00e7\u00e3o de abertura devido \u00e0 relativa liberdade que gozam suas mulheres em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. 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