{"id":701,"date":"2005-06-16T00:00:00","date_gmt":"2005-06-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=701"},"modified":"2005-06-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-16T00:00:00","slug":"naes-unidas-a-china-no-cede-lugar-ao-japo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/naes-unidas-a-china-no-cede-lugar-ao-japo\/","title":{"rendered":"Na&ccedil;&otilde;es Unidas: A China n&atilde;o cede lugar ao Jap&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 16\/06\/2005 &ndash; A forte oposi&ccedil;&atilde;o da China aos planos apresentados para reformar a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas se deve somente &agrave; sua resist&ecirc;ncia em ceder um lugar no privilegiado clube do Conselho de Seguran&ccedil;a ao Jap&atilde;o, seu hist&oacute;rico rival. Os governantes chineses &quot;sentem que s&atilde;o parte de um clube muito exclusivo e que o merecem. N&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio estarem dispostos a compartilhar com rec&eacute;m-chegados. Opondo-se ao Jap&atilde;o, encontraram uma forma adequada de proteger sua posi&ccedil;&atilde;o|, disse &agrave; IPS um diplomata brasileiro em Pequim. A China &eacute; um dos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU com poder de veto, junto com Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia.<br \/> <!--more--> <br \/> Na semana passada, Pequim criticou os esfor&ccedil;os do chamado Grupo dos Quatro, formado por Brasil, Alemanha, &Iacute;ndia e Jap&atilde;o, para ampliar o Conselho de Seguran&ccedil;a e qualificou a iniciativa de &quot;imatura&quot;, bem como de amea&ccedil;a &agrave;s tentativas de reforma das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. &quot;Por culpa de uns poucos pa&iacute;ses que pressionam com uma proposta imatura, a reforma do Conselho de Seguran&ccedil;a sai dos trilhos e o avan&ccedil;o potencial da reforma da ONU &eacute; minado&quot;, afirmou o porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Jianchao, em entrevista coletiva. Os pa&iacute;ses do G-4 buscam um lugar permanente no Conselho, mas enfrentam a resist&ecirc;ncia do movimento Unidos por Consenso, coaliz&atilde;o de partidos liderados pela It&aacute;lia que pretendem uma mera amplia&ccedil;&atilde;o da categoria de membros rotativos.<\/p>\n<p> O movimento integrado, entre outros, por Argentina, China, Cor&eacute;ia do Sul, M&eacute;xico e Paquist&atilde;o, trabalha para conseguir um consenso antes que seja tomada qualquer decis&atilde;o sobre o tamanho e a forma do novo Conselho de Seguran&ccedil;a. Em um documento divulgado na semana passada, Pequim assinalou que a reforma da ONU deve ser determinada atrav&eacute;s de um amplo consenso antes da vota&ccedil;&atilde;o, pois se trata de um assunto important&iacute;ssimo para o f&oacute;rum mundial. O documento defende a amplia&ccedil;&atilde;o do Conselho em favor dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, especialmente os pequenos, mas apenas admitindo novos membros rotativos, e adverte que Pequim &quot;se opor&aacute; a qualquer prazo para impor o voto sobre um plano de reforma a respeito do qual os membros ainda discordam&quot;. <\/p>\n<p> Os pa&iacute;ses da ONU debatem sobre a reforma do Conselho de Seguran&ccedil;a h&aacute; mais de 10 anos. O secret&aacute;rio-geral da organiza&ccedil;&atilde;o, Kofi Annan, apresentou em mar&ccedil;o dois projetos para aumentar de 15 para 24 o n&uacute;mero de membros do Conselho, e exortou a Assembl&eacute;ia Geral a escolher um antes de sua reuni&atilde;o no pr&oacute;ximo m&ecirc;s de setembro. Annan afirma que o &oacute;rg&atilde;o deve ser ampliado para que efetivamente reflita os interesses de toda a comunidade internacional. O primeiro projeto que apresentou prop&otilde;e a entrada de seis novos pa&iacute;ses permanentes, mas sem poder de veto, e outros tr&ecirc;s rotativos pelo per&iacute;odo de dois anos. Os assentos seriam divididos de maneira a dar uma representa&ccedil;&atilde;o eq&uuml;itativa a todos os continentes. O segundo modelo proposto mant&eacute;m os atuais cinco membros permanentes e cria uma nova categoria de oito pa&iacute;ses que integrariam o Conselho pelo per&iacute;odo de quatro anos, e um por dois anos.<\/p>\n<p> &quot;Por que a China diz &quot;n&atilde;o&quot; neste momento crucial?&quot;, dizia uma manchete, quinta-feira, passada, do peri&oacute;dico Southern Weekend, da cidade de Guangzhou. &quot;N&atilde;o h&aacute; forma de a China permitir que um Jap&atilde;o, ainda por cima desrespeitoso com a hist&oacute;ria, seja admitido em um &oacute;rg&atilde;o de tomada de decis&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&quot;, respondeu o jornal. O Jap&atilde;o tenta um assento permanente argumentando que &eacute; um dos principais contribuintes financeiros das opera&ccedil;&otilde;es de paz da ONU e que constantemente fornece assist&ecirc;ncia econ&ocirc;mica a pa&iacute;ses em desenvolvimento atrav&eacute;s da ajuda oficial ao desenvolvimento. Mas a pretens&atilde;o japonesa n&atilde;o caiu bem em Pequim nem em Seul. Os dois governos acusam T&oacute;quio de ter distorcido os fatos hist&oacute;ricos de seu passado imperialista nos livros escolares.<\/p>\n<p> Entre outras coisas, os textos dizem que o Jap&atilde;o &quot;possui&quot; as ilhas de Takeshima, no Mar do Jap&atilde;o, disputadas com a Cor&eacute;ia do Sul. O arquip&eacute;lago foi ocupado nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX pelo outrora imp&eacute;rio japon&ecirc;s, que lan&ccedil;ou uma campanha colonialista na &Aacute;sia oriental, cometendo todo tipo de crimes contra a popula&ccedil;&atilde;o civil. O Shouthern Weekend disse que a China tenta deter os planos de reforma agora para n&atilde;o ter de usar seu poder de veto quando a emendada Carta da ONU for enviada ao Conselho de Seguran&ccedil;a para sua aprova&ccedil;&atilde;o. &quot;Todos os olhos do mundo est&atilde;o fixos na China neste momento&quot;, disse ao peri&oacute;dico Lin Guojiong, diplomata chin&ecirc;s aposentado e com muitos anos de experi&ecirc;ncia nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. &quot;Temos de ser firmes e fi&eacute;is &agrave; nossa posi&ccedil;&atilde;o sobre a pretens&atilde;o japonesa de ingressar no Conselho de Seguran&ccedil;a. Se cedermos nisto, a autoridade internacional da China, que trabalhamos todos estes anos para construir, ser&aacute; seriamente prejudicada&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A candidatura japonesa &eacute; a mais forte dentro do G-7, especialmente gra&ccedil;as &agrave;s suas contribui&ccedil;&otilde;es financeiras para institui&ccedil;&otilde;es da ONU. Mas em abril, suas pretens&otilde;es foram minadas por v&aacute;rios protestos na China e na Cor&eacute;ia do Sul, quando manifestantes criticaram T&oacute;quio por n&atilde;o se desculpar pelas atrocidades cometidas pelo seu ex&eacute;rcito durante a era de coloniza&ccedil;&otilde;es na &Aacute;sia, entre 1910 e 1945. O primeiro-ministro chin&ecirc;s, Wen Jiabao, disse, em visita &agrave; &Iacute;ndia no m&ecirc;s de abril, que o Jap&atilde;o deve enfrentar seu passado antes de se candidatar a um cargo de tamanha import&acirc;ncia. Por outro lado, apoiou as aspira&ccedil;&otilde;es da &Iacute;ndia, pa&iacute;s com o qual a China est&aacute; criando cada vez mais v&iacute;nculos. &quot;Entendemos e apoiamos plenamente as aspira&ccedil;&otilde;es indianas para ter um papel mais importante nos assuntos internacionais, inclusive nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas&quot;, disse Wen Jiabao.<\/p>\n<p> Analistas dizem que a forte oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; candidatura japonesa poderia causar uma quebra no G-4. &quot;O Jap&atilde;o leva toda a culpa pela rejei&ccedil;&atilde;o da China &agrave; proposta de reforma da ONU&quot;, disse Wu Miaofa, pesquisador do Instituto Chin&ecirc;s de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. &quot;Desde que os governantes chineses deixaram clara sua posi&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m sido mais ativos do que qualquer outro no sudeste da &Aacute;sia e na &Aacute;frica, fornecendo assist&ecirc;ncia financeira e procurando garantir votos&quot;, acrescentou. Somente com a aprova&ccedil;&atilde;o de dois ter&ccedil;os dos 191 membros da Assembl&eacute;ia Geral, uma emendada Carta da ONU poderia ser enviada aos governos para sua ratifica&ccedil;&atilde;o. &quot;&Eacute; pouco prov&aacute;vel que o Jap&atilde;o ganhe votos no sudeste da &Aacute;sia e na &Aacute;frica, j&aacute; que ambas regi&otilde;es valorizam a amizade da China e far&atilde;o o que ela disser&quot;, afirmou Wu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 16\/06\/2005 &ndash; A forte oposi&ccedil;&atilde;o da China aos planos apresentados para reformar a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas se deve somente &agrave; sua resist&ecirc;ncia em ceder um lugar no privilegiado clube do Conselho de Seguran&ccedil;a ao Jap&atilde;o, seu hist&oacute;rico rival. Os governantes chineses &quot;sentem que s&atilde;o parte de um clube muito exclusivo e que o merecem. N&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio estarem dispostos a compartilhar com rec&eacute;m-chegados. Opondo-se ao Jap&atilde;o, encontraram uma forma adequada de proteger sua posi&ccedil;&atilde;o|, disse &agrave; IPS um diplomata brasileiro em Pequim. 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