{"id":7021,"date":"2010-08-17T13:51:27","date_gmt":"2010-08-17T13:51:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7021"},"modified":"2010-08-17T13:51:27","modified_gmt":"2010-08-17T13:51:27","slug":"destaques-quebra-cabecas-do-uruguai-florestal-e-papeleiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/america-latina\/destaques-quebra-cabecas-do-uruguai-florestal-e-papeleiro\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Quebra-cabe\u00e7as do Uruguai florestal e papeleiro"},"content":{"rendered":"<p>MONTEVID\u00c9U, Uruguai, 17\/08\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O reflorestamento industrial \u00e9 um setor produtivo s\u00f3lido no Uruguai, mas suas extensas planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201ccomo uma noite\u201d, afirmam ecologistas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7021\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/488_494.2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7021\" class=\"size-medium wp-image-7021\" title=\"Maquin\u00e1rio agr\u00edcola em planta\u00e7\u00e3o uruguaia de eucalipto - Cortesia WRM\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/488_494.2.jpg\" alt=\"Maquin\u00e1rio agr\u00edcola em planta\u00e7\u00e3o uruguaia de eucalipto - Cortesia WRM\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7021\" class=\"wp-caption-text\">Maquin\u00e1rio agr\u00edcola em planta\u00e7\u00e3o uruguaia de eucalipto - Cortesia WRM<\/p><\/div>  \u201cUm uruguaio consome 40 quilos de papel por ano, contra os 400 quilos consumidos por um finland\u00eas. Produzimos madeira para alimentar o consumo estrangeiro\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a soci\u00f3loga Mar\u00eda Selva Ortiz, representante da organiza\u00e7\u00e3o ecologista Redes &#8211; Amigos da Terra. \u201cE a mochila ecol\u00f3gica desse consumo \u00e9 carregada por nossa \u00e1gua, nosso solo, nossos produtores\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s das centenas de milhares de toneladas de \u201crolos\u201d de madeira produzidas, como mat\u00e9ria-prima da ind\u00fastria papeleira, existe uma paisagem de estradas danificadas, monoculturas estendidas, recursos h\u00eddricos exigidos e solos degradados, afirmam os ecologistas. Para Mar\u00eda, a expans\u00e3o florestal traz consigo deslocamento de pequenos produtores, estrangeiriza\u00e7\u00e3o da propriedade agr\u00e1ria e danos a uma cultura de produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Retratar a transforma\u00e7\u00e3o que o mapa natural uruguaio sofreu entre 1965 e 2009 \u00e9 um dos prop\u00f3sitos do informe \u201cAm\u00e9rica Latina e Caribe: Atlas de nosso mutante meio ambiente\u201d, elaborado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com base em imagens tiradas por sat\u00e9lites ao longo de d\u00e9cadas. Uma pr\u00e9via desse estudo foi apresentada na XVII Reuni\u00e3o do F\u00f3rum de Ministros do Meio Ambiente da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, realizada de 26 a 30 de abril no Panam\u00e1.<\/p>\n<p>A \u00e1rea reflorestada uruguaia passou de 45 mil hectares em 1990 para 900 mil em 2009, informa o Atlas. Isto representou perda de biodiversidade, altera\u00e7\u00e3o do ciclo da \u00e1gua e degrada\u00e7\u00e3o do solo, de acordo com o Pnuma. Segundo o senador oficialista Ernesto Agazzi, ex-ministro da Pecu\u00e1ria, Agricultura e Pesca, o pa\u00eds tem 1,5 milh\u00e3o de hectares de \u00e1rvores e apenas 750 mil correspondem a florestas nativas. Quase todo o resto \u00e9 de planta\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies estrangeiras, das quais o eucalipto ocupa 70% e o pinheiro 30%. E s\u00e3o mais de tr\u00eas milh\u00f5es de hectares de prioridade florestal em uma \u00e1rea total de 17,6 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>A lei florestal 15.939 de 1987 promoveu estas monoculturas em \u00e1reas de baixa produtividade de l\u00e3 e carne \u2013 nesse pa\u00eds pecuarista \u2013 mediante subs\u00eddios, devolu\u00e7\u00e3o de impostos e cr\u00e9ditos brandos. As planta\u00e7\u00f5es foram assentadas em pradarias, o ecossistema mais abundante e de maior biodiversidade deste pa\u00eds, e em \u00e1reas onde existiram florestas. \u201cFoi uma lei apresentada para os proxenetas da celulose\u201d, disse o ex-ministro ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Quando a esquerdista Frente Ampla chegou ao governo em 2005, foram eliminadas as subven\u00e7\u00f5es \u00e0 atividade, que j\u00e1 era \u201ceconomicamente madura e, para investir, agora \u00e9 preciso elaborar um projeto que deve ser analisado econ\u00f4mica, social e ambientalmente\u201d, disse Ernesto. Diante do alerta dos ambientalistas sobre o dano destas monoculturas ao solo e \u00e0 \u00e1gua, o senador respondeu que \u201cos riscos se apresentam em \u00e1reas de recargas de len\u00e7ois fre\u00e1ticos e solos arenosos, o resto n\u00e3o passa de especula\u00e7\u00e3o sem base t\u00e9cnica\u201d. Em sua opini\u00e3o, os ativistas \u201ccostumam ter medo de \u00e1rvore, como se fosse um inimigo\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, \u201co problema n\u00e3o \u00e9 a \u00e1rvore, mas os centenas de milhares de hectares plantados que s\u00e3o como uma noite, produzem pragas de javalis, raposas e maritacas e servem apenas para alimentar o consumo excessivo dos pa\u00edses do Norte\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a ativista Elizabeth D\u00edaz, do n\u00e3o governamental Grupo Guayubira. Elizabeth afirmou que \u201cpesquisas cient\u00edficas de todas as partes do mundo dizem que as nascentes de bacias n\u00e3o devem ser reflorestadas\u201d com essas esp\u00e9cies \u201cpara proteger o caudal das \u00e1guas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstamos reflorestando de forma maci\u00e7a nas nascentes da bacia do Rio Tacuaremb\u00f3 Grande, no norte, e Santa Luc\u00eda, no sul\u201d. O primeiro \u00e9 tribut\u00e1rio do Rio Negro, onde est\u00e3o instaladas tr\u00eas represas hidrel\u00e9tricas, e o segundo abastece de \u00e1gua pot\u00e1vel 70% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. De acordo com a \u201cCaracteriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores florestais\u201d, feita em 2009 pelo sindical Instituto Cuesta Duarte, mais de 90% dos 1.600 trabalhadores florestais uruguaios, concentrados nos departamentos de Paysand\u00fa, Rivera e Tacuaremb\u00f3, trabalham com subcontratos.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es \u201cmelhoraram muito nos \u00faltimos cinco anos a partir da instala\u00e7\u00e3o dos Conselhos de Sal\u00e1rios e da lei de terceiriza\u00e7\u00f5es, porque boa parte do trabalho \u00e9 feita a partir de companhias terceirizadas, sin\u00f4nimo de fraude permanente contra os trabalhadores\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o secret\u00e1rio-geral do Sindicato de Oper\u00e1rios da Ind\u00fastria da Madeira e Anexos, Fernando Oyanarte. Por\u00e9m, \u201cpelas pr\u00f3prias particularidades do trabalho florestal, \u00e9 dif\u00edcil organizar trabalhadores dispersos em lugares de dif\u00edcil acesso e que s\u00e3o n\u00f4mades. Hoje est\u00e3o com um patr\u00e3o, amanh\u00e3 com outro\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um desses trabalhadores \u00e9 Pablo Litrizon. Ele \u00e9 contratado da Nazca Servi\u00e7os Florestais, fornecedora da Florestal Oriental, que, por sua vez, abastece a f\u00e1brica de celulose da corpora\u00e7\u00e3o finlandesa UPM, assentada no Rio Uruguai. \u201cS\u00e3o duas as formas de relacionamento com as empresas. As multinacionais, que respeitam a legisla\u00e7\u00e3o vigente, e um monte de empresas pequenas que abastecem as unidades de energia e trabalham em regime de escravid\u00e3o, sem condi\u00e7\u00f5es dignas de moradia, com m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de defici\u00eancias\u201d, denunciou.<\/p>\n<p>\u201cO mameluco (roupa protetora) deve ser trocado a cada dez horas de aplica\u00e7\u00e3o de pesticidas, mas s\u00e3o usados at\u00e9 rasgar\u201d, disse Pablo, representante sindical em Paysand\u00fa. Segundo o gerente-geral da Sociedade de Produtores Florestais, Edgardo Cardozo, nos \u00faltimos 20 anos foram investidos mais de US$ 2,4 bilh\u00f5es no setor. \u201cHoje, a chave \u00e9 a cautela, j\u00e1 que nem todos os pa\u00edses superaram a crise de 2008\u201d, disse Edgardo ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>A chilena Arauco e a sueca-finlandesa Stora Enso se preparam para construir nova f\u00e1brica de celulose no sudoeste do Uruguai. Mas outros planos ainda s\u00e3o d\u00favida. O reflorestamento produz renda de US$ 600 milh\u00f5es ao ano, sem contar a produ\u00e7\u00e3o da UPM, disse ao Terram\u00e9rica o engenheiro Pedro Soust, diretor-geral florestal no Minist\u00e9rio da Pecu\u00e1ria, Agricultura e Pesca. Seu departamento controla 90% do setor, e os processos de certifica\u00e7\u00e3o, que imp\u00f5em normas trabalhistas e boas pr\u00e1ticas, s\u00e3o aliados valiosos na cadeia, afirmou.<\/p>\n<p>* * A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MONTEVID\u00c9U, Uruguai, 17\/08\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O reflorestamento industrial \u00e9 um setor produtivo s\u00f3lido no Uruguai, mas suas extensas planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201ccomo uma noite\u201d, afirmam ecologistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/america-latina\/destaques-quebra-cabecas-do-uruguai-florestal-e-papeleiro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":702,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-7021","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/702"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7021\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}