{"id":7039,"date":"2010-08-19T15:43:46","date_gmt":"2010-08-19T15:43:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7039"},"modified":"2010-08-19T15:43:46","modified_gmt":"2010-08-19T15:43:46","slug":"o-feminismo-nao-morde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/america-latina\/o-feminismo-nao-morde\/","title":{"rendered":"\u201cO feminismo n\u00e3o morde\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 19\/08\/2010 &ndash; Com pouco mais de um s\u00e9culo de exist\u00eancia, o feminismo perdura na Am\u00e9rica Latina e no mundo, mas sua vida, como ideologia reivindicadora das mulheres, simula um efeito de ondas encrespadas, com pontos elevados e vertiginosas quedas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7039\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/79639.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7039\" class=\"size-medium wp-image-7039\" title=\"Tem momentos em que se perde a mem\u00f3ria hist\u00f3rica do feminismo, disse Marcela Lagarde. - Dalia Acosta\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/79639.jpg\" alt=\"Tem momentos em que se perde a mem\u00f3ria hist\u00f3rica do feminismo, disse Marcela Lagarde. - Dalia Acosta\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7039\" class=\"wp-caption-text\">Tem momentos em que se perde a mem\u00f3ria hist\u00f3rica do feminismo, disse Marcela Lagarde. - Dalia Acosta\/IPS<\/p><\/div>  Essa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o da antrop\u00f3loga e feminista mexicana Marcela Lagarde, \u201ccr\u00edtica persistente da modernidade\u201d, que no come\u00e7o do S\u00e9culo 21 vive um momento incomum pela diversidade de gera\u00e7\u00f5es de seus militantes, e sua extens\u00e3o, pelos estudos de g\u00eanero, a outros espa\u00e7os sociais, acad\u00eamicos e de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201cO feminismo n\u00e3o morde\u201d, ressalta Marcela, professora da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico e uma das promotoras da Lei Geral de Acesso das Mulheres \u00e0 Vida Livre de Viol\u00eancia, vigente desde 2 de fevereiro de 2007, e da introdu\u00e7\u00e3o do delito de feminic\u00eddio no C\u00f3digo Penal. Marcela, presidente da Rede de Pesquisadoras pela Vida e a Liberdade das Mulheres, conversou com a IPS durante uma visita a Cuba.<\/p>\n<p>IPS: Quais as causas da perman\u00eancia dos preconceitos com o feminismo, inclusive entre os pr\u00f3prios movimentos de mulheres ou em pa\u00edses como Cuba, que promovem pol\u00edticas a favor da popula\u00e7\u00e3o feminina?<\/p>\n<p>MARCELA LAGARDE: N\u00e3o houve uma continuidade na transmiss\u00e3o do papel do feminismo na cultura moderna. Parece que houve etapas nas quais se perde a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e depois \u00e9 preciso recuper\u00e1-la. Como o feminismo \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0 sociedade patriarcal, foi visto como perigoso pelos que concordam ou assumem como inevit\u00e1vel a sociedade, a cultura e o poder patriarcais. O feminismo faz a cr\u00edtica do patriarcado como uma constru\u00e7\u00e3o metapol\u00edtica que atravessa sociedades e \u00e9pocas, e prop\u00f5e alternativas concretas. O poder patriarcal \u00e9 um poder monopolizado pelos homens. Existem tamb\u00e9m outros valores e alternativas que podem ser vistos como perigosos, que mordem, porque est\u00e3o destinados a eliminar a domina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Os que n\u00e3o concordam fazem o que sempre se faz na luta pol\u00edtica: idealizam o inimigo, neste caso, mulheres e feministas. A elas d\u00e3o atributos e caracter\u00edsticas perigosas e muita falsidade. Por\u00e9m, antes, tem uma cultura bastante mis\u00f3gina, sexista, machista. A essa misoginia social soma-se a misoginia pol\u00edtica, que \u00e9 o antifeminismo.<\/p>\n<p>IPS: Como define o antifeminismo? Quanto se estendeu?<\/p>\n<p>ML: \u00c9 a deslegitimiza\u00e7\u00e3o do que o feminismo proporcionou \u00e0 humanidade. Agora \u00e9 transmitida em mulheres e homens, porque nas sociedades patriarcais as mulheres s\u00e3o educadas e socializadas para funcionar patriarcalmente. Algumas s\u00e3o feministas, e isso implica um conhecimento distinto para criticar nossa pr\u00f3pria cultura, identidade e condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, que tem um enorme estigma patriarcal. Toda essa ignor\u00e2ncia generalizada contribui para o antifeminismo. Partindo do poder dominante, constantemente h\u00e1 uma pol\u00edtica antifeminista estendida e extensiva. Repetimos preconceitos com os quais nunca corroboramos, mas os temos como parte de nossas ideologias e cultura em que vivemos. O humor est\u00e1 carregado de misoginia e de misoginia pol\u00edtica, com as compara\u00e7\u00f5es permanentes, que as pessoas repetem, e \u00e9 parte da cultura de massas. Tampouco temos a for\u00e7a cultural para nos contrapormos a cada passo com um discurso pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>IPS: O representa para as mulheres contempor\u00e2neas a invisibilidade do feminismo?<\/p>\n<p>ML: Determinados grupos de mulheres v\u00e3o nascendo ou se desenvolvendo com avan\u00e7os j\u00e1 obtidos pelo feminismo desde o S\u00e9culo 18, mas n\u00e3o os ponderam nem valorizam porque j\u00e1 os t\u00eam: educa\u00e7\u00e3o, acesso ao mundo do trabalho, emprego, ingresso ou participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Tivemos que aprender, sobre o feminismo, pesquisando por nossa conta para saber o que ocorreu, porque n\u00e3o o ensinavam na escola nem nas universidades. N\u00e3o se transmite de uma gera\u00e7\u00e3o a outra, como os conhecimentos de engenharia ou ci\u00eancia da f\u00edsica. Este esquema muito androc\u00eantrico provoca uma ignor\u00e2ncia enorme por parte de mulheres e homens sobre o feminismo e sua contribui\u00e7\u00e3o para a modernidade. Agora, j\u00e1 estamos conseguindo que este saber seja incorporado nas universidades, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, nem na secund\u00e1ria. Em muitos pa\u00edses, s\u00f3 em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o oferecidos materiais, semin\u00e1rios, c\u00e1tedras de g\u00eanero e feminismo.<\/p>\n<p>IPS: E na pr\u00e1tica? Poder\u00edamos falar do feminismo como uma mudan\u00e7a de vida e alian\u00e7a entre mulheres?<\/p>\n<p>ML: Ajuda a vencer a misoginia contra as outras mulheres, favorece a aproxima\u00e7\u00e3o e o interc\u00e2mbio de ideias, sobre o que cada uma avan\u00e7ou em sua pr\u00f3pria vida. As feministas aprendem muito sobre outras mulheres por nosso m\u00e9todo de trabalho. Al\u00e9m do acad\u00eamico, temos muitos espa\u00e7os de encontros \u00edntimos entre mulheres, onde aprendemos umas sobre as outras e nos apoiamos. Todo esse apoio formid\u00e1vel nos d\u00e1 poder porque desenvolve uma fortaleza interior e depois social muito importante: uma fortaleza de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero que te autoriza e valoriza como mulher em um mundo que nos ataca o tempo todo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 19\/08\/2010 &ndash; Com pouco mais de um s\u00e9culo de exist\u00eancia, o feminismo perdura na Am\u00e9rica Latina e no mundo, mas sua vida, como ideologia reivindicadora das mulheres, simula um efeito de ondas encrespadas, com pontos elevados e vertiginosas quedas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/america-latina\/o-feminismo-nao-morde\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-7039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7039\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}