{"id":7058,"date":"2010-08-24T14:18:29","date_gmt":"2010-08-24T14:18:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7058"},"modified":"2010-08-24T14:18:29","modified_gmt":"2010-08-24T14:18:29","slug":"efeitos-de-chernobyl-podem-durar-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/energia\/efeitos-de-chernobyl-podem-durar-seculos\/","title":{"rendered":"Efeitos de Chernobyl podem durar s\u00e9culos"},"content":{"rendered":"<p>Kiev, Ucr\u00e2nia, 24\/08\/2010 &ndash; Quase 25 anos depois do pior acidente nuclear da hist\u00f3ria, novas descobertas cient\u00edficas sugerem que os efeitos da explos\u00e3o em Chernobyl foram subestimadas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7058\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/79864.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7058\" class=\"size-medium wp-image-7058\" title=\"Vista a\u00e9rea da central nuclear de Chernobyl. - Greenpeace\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/79864.jpg\" alt=\"Vista a\u00e9rea da central nuclear de Chernobyl. - Greenpeace\" width=\"200\" height=\"136\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7058\" class=\"wp-caption-text\">Vista a\u00e9rea da central nuclear de Chernobyl. - Greenpeace<\/p><\/div>  Especialistas publicaram, no m\u00eas passado, uma s\u00e9rie de estudos indicando que, contrariando conclus\u00f5es anteriores, as popula\u00e7\u00f5es de animais diminu\u00edram na \u00e1rea de exclus\u00e3o em torno do lugar onde funcionava a antiga central nuclear sovi\u00e9tica, e que os efeitos da contamina\u00e7\u00e3o radioativa depois da explos\u00e3o foram \u201cassombrosos\u201d. Cada vez mais javalis com altos n\u00edveis de c\u00e9sio s\u00e3o encontrados no lugar.<\/p>\n<p>Esta informa\u00e7\u00e3o foi divulgada meses depois que m\u00e9dicos na Ucr\u00e2nia e Bielor\u00fassia detectaram aumento nas taxas de c\u00e2ncer, muta\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as do sangue, que pensam estar relacionado com Chernobyl. Por outro lado, uma pesquisa norte-americana publicada em abril constatou aumento nos defeitos de nascen\u00e7a, aparentemente devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o continuada a doses de radia\u00e7\u00e3o de baixo n\u00edvel.<\/p>\n<p>Para ativistas contr\u00e1rios \u00e0 energia at\u00f4mica, esses estudos demonstram que os moradores da regi\u00e3o afetada sofrer\u00e3o consequ\u00eancias devastadoras, talvez por s\u00e9culos. \u201cEste \u00e9 um problema que n\u00e3o acabar\u00e1 em poucos anos. Estar\u00e1 ali por centenas de anos\u201d, disse \u00e0 IPS Rianne Teule, da organiza\u00e7\u00e3o Greenpeace. \u201cAs novas pesquisas confirmam que os problemas s\u00e3o maiores do que disseram em 2006 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), e continuar\u00e3o existindo e aparecendo em outros estudos. N\u00e3o \u00e9 algo que acaba logo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe aconteceu em abril de 1986 quando explodiu um dos blocos da central localizada na atual Ucr\u00e2nia. Estima-se que a radioatividade total de Chernobyl foi 200 vezes maior do que as libera\u00e7\u00f5es combinadas das bombas nucleares lan\u00e7adas pelos Estados Unidos em 1945 sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A explos\u00e3o e os inc\u00eandios geraram uma gigantesca nuvem radioativa que se espalhou por toda a Europa, obrigando \u00e0 evacua\u00e7\u00e3o de 350 mil pessoas de \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 usina.<\/p>\n<p>Anos depois, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), OMS, AIEA e outros organismos uniram-se aos governos de R\u00fassia, Bielor\u00fassia e Ucr\u00e2nia para criar o chamado F\u00f3rum Chernobyl, a fim de realizar um grande estudo sobre os efeitos do desastre e divulgar suas conclus\u00f5es em 2006. A pesquisa concluiu que houve apenas 56 mortes diretas (47 socorristas e nove crian\u00e7as com c\u00e2ncer de tireoide), e estimadas quatro mil mortes indiretas.<\/p>\n<p>Entretanto, o informe foi duramente criticado por outros grupos, para os quais foi enormemente subestimado o n\u00famero de mortes e o potencial do acidente. Alguns questionaram a postura da AIEA, que apoiou por d\u00e9cadas o uso de energia nuclear com fins pac\u00edficos. Estudos alternativos contradiziam algumas das conclus\u00f5es do F\u00f3rum Chernobyl e alertavam que os efeitos na sa\u00fade seriam muito mais devastadores.<\/p>\n<p>O informe Torch, publicado em 2006 pelos cientistas brit\u00e2nicos Ian Fairlie e David Summer, menciona a incerteza sobre os efeitos na sa\u00fade pelas exposi\u00e7\u00f5es a baixas doses de radia\u00e7\u00e3o ou a radia\u00e7\u00e3o interna por ingest\u00e3o de alimentos contaminados. Tamb\u00e9m indicaram que foi subestimada, pelo menos em 30%, a quantidade de part\u00edculas radioativas liberadas pela explos\u00e3o no meio ambiente.<\/p>\n<p>Cifras oficiais dos pa\u00edses afetados tamb\u00e9m contradizem as conclus\u00f5es do F\u00f3rum Chernoby. A Ag\u00eancia Internacional para a Pesquisa sobre o C\u00e2ncer, da ONU, concluiu que o n\u00famero mais prov\u00e1vel de mortes relacionadas com o desastre seria de 16 mil, enquanto a Academia Russa de Ci\u00eancias calculou que at\u00e9 agora ocorreram 140 mil mortes na Ucr\u00e2nia e na Bielor\u00fassia e 60 mil na R\u00fassia. A ucraniana Comiss\u00e3o Nacional de Radia\u00e7\u00e3o elevou esse n\u00famero para 500 mil.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos ucranianos e bielorussos informaram \u00e0 imprensa da Ucr\u00e2nia, no come\u00e7o deste ano, que houve crescimento nos casos de c\u00e2ncer, na mortalidade infantil e em rela\u00e7\u00e3o a outros problemas de sa\u00fade que, est\u00e3o convencidos, s\u00e3o efeitos do desastre. \u201cOs n\u00fameros apresentados pela ONU e AIEA n\u00e3o coincidem com os que outras ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas prognosticam em termos de mortes por c\u00e2ncer\u201d, disse Oksana Kostikova, do Hospital para o C\u00e2ncer Infantil, de Minsk. Por outro lado, as 16 mil mortes apontadas pela Ag\u00eancia Internacional para a Pesquisa sobre o C\u00e2ncer \u00e9 uma \u201cavalia\u00e7\u00e3o mais correta do que a que vemos diariamente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico norte-americano Wladimir Wertelecki publicou em abril os resultados de uma ampla pesquisa sobre os efeitos em nascimentos na Ucr\u00e2nia, revelando maiores n\u00edveis de anomalias em certas regi\u00f5es do pa\u00eds. Segundo o especialista, este fen\u00f4meno estaria relacionado com a exposi\u00e7\u00e3o continuada a baixas doses de radia\u00e7\u00e3o. Wladimir afirmou que as descobertas do F\u00f3rum Chernobyl deveriam ser revisadas para que sejam conhecidos os reais efeitos do acidente at\u00f4mico. \u201cA posi\u00e7\u00e3o oficial \u00e9 que Chernobyl e os defeitos de nascen\u00e7a n\u00e3o est\u00e3o relacionados. Essa posi\u00e7\u00e3o deve ser reconsiderada\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kiev, Ucr\u00e2nia, 24\/08\/2010 &ndash; Quase 25 anos depois do pior acidente nuclear da hist\u00f3ria, novas descobertas cient\u00edficas sugerem que os efeitos da explos\u00e3o em Chernobyl foram subestimadas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/08\/energia\/efeitos-de-chernobyl-podem-durar-seculos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":175,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[18],"class_list":["post-7058","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7058","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7058"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7058\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}