{"id":7096,"date":"2010-09-01T14:59:05","date_gmt":"2010-09-01T14:59:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7096"},"modified":"2010-09-01T14:59:05","modified_gmt":"2010-09-01T14:59:05","slug":"modelo-de-controle-da-energia-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/modelo-de-controle-da-energia-nuclear\/","title":{"rendered":"Modelo de controle da energia nuclear"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 01\/09\/2010 &ndash; Um sistema de controle m\u00fatuo, criado h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas por Brasil e Argentina para verificar in loco os fins pac\u00edficos do desenvolvimento nuclear dos dois pa\u00edses, se apresenta como modelo internacional de transpar\u00eancia e promo\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a nesta \u00e1rea t\u00e3o sens\u00edvel. <!--more--> \u201cEste modelo criado entre duas na\u00e7\u00f5es que alguma vez competiram nesta \u00e1rea pode ajudar muito em outras partes do mundo, no Oriente M\u00e9dio, nas Coreias do Norte e do Sul, entre \u00cdndia e Paquist\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS Antonio Oliveira, secret\u00e1rio argentino da Ag\u00eancia Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares.<\/p>\n<p>Criada em 1991, a ag\u00eancia, conhecida pela sigla Abacc, j\u00e1 realizou 1.200 inspe\u00e7\u00f5es em minas, dep\u00f3sitos e centrais nucleares dos dois pa\u00edses. Somente em 2009, foram 58 visitas de especialistas brasileiros a instala\u00e7\u00f5es argentinas e 60 de inspetores argentinos no Brasil.<\/p>\n<p>O sistema \u00e9 resultado de uma gest\u00e3o iniciada em meados dos anos 80, quando os presidentes da Argentina, Ra\u00fal Alfons\u00edn (1983-1989), e do Brasil, Jos\u00e9 Sarney (1985-1990), \u201centenderam que deviam caminhar juntos e de forma transparente na \u00e1rea nuclear\u201d, recordou Antonio. At\u00e9 aquele momento, o desenvolvimento nuclear dos dois pa\u00edses se mantinha paralelo, em um ambiente de desconfian\u00e7a e rivalidade, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, Brasil e Argentina s\u00e3o os \u00fanicos pa\u00edses onde se alcan\u00e7ou o ciclo nuclear completo, desde a mina de ur\u00e2nio, a convers\u00e3o do mineral em combust\u00edvel nuclear e a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica por duas centrais em cada pa\u00eds e uma terceira em processo de constru\u00e7\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas se op\u00f5em a esse desenvolvimento por consider\u00e1-lo caro e de risco, insistindo em investimentos nas fontes alternativas, como e\u00f3lica e solar. Nos \u00faltimos anos, em parte devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a energia nuclear voltou a ganhar relev\u00e2ncia internacional devido \u00e0 sua baixa contribui\u00e7\u00e3o para emiss\u00f5es de gases-estufa, com o di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>Alfons\u00edn e Sarney assentaram as bases da integra\u00e7\u00e3o bilateral, que depois derivou no Mercosul, tamb\u00e9m integrado por Paraguai e Uruguai, e a Venezuela, que est\u00e1 em processo de ades\u00e3o plena. Ap\u00f3s anos de negocia\u00e7\u00f5es, os dois pa\u00edses assinaram, em 1991, o Acordo para o Uso Exclusivamente Pac\u00edfico da Energia Nuclear.<\/p>\n<p>Esse conv\u00eanio estabeleceu um Sistema Comum de Contabilidade e Controle dos Materiais Nucleares nos dois pa\u00edses, para verificar que estes n\u00e3o sejam desviados para a constru\u00e7\u00e3o de armas ou outros dispositivos explosivos. Foi estabelecido que o \u00f3rg\u00e3o encarregado de verificar o cumprimento do sistema seria a Abacc.<\/p>\n<p>Depois, o acordo foi ampliado para a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), que tamb\u00e9m envia seus inspetores em um trabalho conjunto de coopera\u00e7\u00e3o. \u201cDesta forma, a comunidade internacional pode constatar nosso compromisso efetivo com o uso pac\u00edfico da energia nuclear\u201d, disse Antonio.<\/p>\n<p>A Abacc, com sede no Brasil, tem uma equipe est\u00e1vel de 20 pessoas, das quais 12 s\u00e3o profissionais especializados e o restante da \u00e1rea administrativa. Seu corpo principal \u00e9 formado por 45 inspetores de cada pa\u00eds, convocados para as tarefas de vigil\u00e2ncia nas diferentes atividades onde se concentra o material sens\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cNo ciclo do combust\u00edvel nuclear h\u00e1 ur\u00e2nio, plut\u00f4nio e t\u00f3rio, que, em determinado grau de pureza e enriquecimento, pode ser usado para armas nucleares\u201d, explicou Antonio. \u201cIsso deve ser monitorado para n\u00e3o haver desvios\u201d, acrescentou. Em seguida s\u00e3o feitos informes encaminhados \u00e0 chancelaria de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, Federico Merke, professor de Teoria das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, da Universidade Del Salvador, da Argentina, destacou que a Abacc \u201c\u00e9 um modelo original de controle\u201d, observada com interesse e admira\u00e7\u00e3o por especialistas de pa\u00edses em situa\u00e7\u00e3o de conflito, como, por exemplo, \u00cdndia e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs inspe\u00e7\u00f5es em dep\u00f3sitos, laborat\u00f3rios e centrais nucleares geram muita confian\u00e7a\u201d, ressaltou o professor. Esse mesmo esquema \u2013 prosseguiu \u2013 poderia servir para atender outros desafios do desenvolvimento que envolvam mais de um pa\u00eds, como os conflitos derivados de problemas ambientais.<\/p>\n<p>Antonio confirmou que n\u00e3o h\u00e1 no mundo uma ag\u00eancia de controle entre dois vizinhos como a Abacc. \u201c\u00c9 a \u00fanica bilateral de salvaguardas no mundo, \u00e9 um sistema singular e que funciona muito bem, porque a rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses \u00e9 muito boa e isso ajuda muito. N\u00e3o temos conflitos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na \u00faltima c\u00fapula do Mercosul, no come\u00e7o de agosto na prov\u00edncia de San Juna, os presidentes da Argentina, Cristina Fern\u00e1ndez, e do Brasil, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ressaltaram \u201cos progressos da coopera\u00e7\u00e3o\u201d no uso pac\u00edfico da energia nuclear no \u00e2mbito bilateral. Ambos consideram que a Ag\u00eancia constitui \u201cum pilar fundamental da coopera\u00e7\u00e3o bilateral em mat\u00e9ria nuclear\u201d e se comprometeram a \u201cfortalec\u00ea-la, aperfei\u00e7o\u00e1-la e refor\u00e7\u00e1-la em suas fun\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Essa vontade foi comemorada pela equipe t\u00e9cnica da Ag\u00eancia. \u201cFoi uma surpresa agrad\u00e1vel este apoio\u201d, disse Antonio, que atribuiu esse compromisso \u00e0 necessidade de mostrar que \u201cno Cone Sul h\u00e1 ideias que funcionam e merecem ser analisadas\u201d no plano internacional.<\/p>\n<p>Em sua \u00faltima declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica em maio, o secret\u00e1rio-adjunto da Abacc, o brasileiro Odilon Marcuzzo do Canto, disse que \u201ca melhor maneira de garantir um uso pac\u00edfico da energia nuclear \u00e9 promovendo a compreens\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses\u201d, dois fatores que s\u00e3o a base do trabalho da Ag\u00eancia. Odilon destacou que Brasil e Argentina \u201cj\u00e1 tomaram a clara decis\u00e3o de reativar seus respectivos programas nucleares\u201d, e esse contexto \u201cimplicar\u00e1 um papel ainda mais significativo da Abacc nos pr\u00f3ximos anos\u201d.<\/p>\n<p>O delegado destacou que no futuro se espera um uso maior de reatores nucleares para atender a demanda de energia, e prop\u00f4s enfrentar estes desafios com \u201csistemas regionais independentes e confi\u00e1veis\u201d, que possam ser aplicados em coordena\u00e7\u00e3o com a AIEA e tomando como exemplo o \u00eaxito obtido com a Abacc. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 01\/09\/2010 &ndash; Um sistema de controle m\u00fatuo, criado h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas por Brasil e Argentina para verificar in loco os fins pac\u00edficos do desenvolvimento nuclear dos dois pa\u00edses, se apresenta como modelo internacional de transpar\u00eancia e promo\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a nesta \u00e1rea t\u00e3o sens\u00edvel. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/modelo-de-controle-da-energia-nuclear\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,10,11],"tags":[],"class_list":["post-7096","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7096\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}