{"id":7102,"date":"2010-09-02T14:15:54","date_gmt":"2010-09-02T14:15:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7102"},"modified":"2010-09-02T14:15:54","modified_gmt":"2010-09-02T14:15:54","slug":"destaques-uma-porcao-de-selva-peruana-sob-a-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/destaques-uma-porcao-de-selva-peruana-sob-a-agua\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Uma por\u00e7\u00e3o de selva peruana sob a \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p>PUNO, Peru, 02\/09\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A represa de Inambari, um projeto brasileiro em territ\u00f3rio peruano, pode inundar quase 40 mil hectares de selvas amaz\u00f4nicas e florestas nebulosas andinas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7102\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/490_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7102\" class=\"size-medium wp-image-7102\" title=\"Estas florestas na regi\u00e3o de Cusco ficar\u00e3o debaixo da \u00e1gua se for constru\u00edda a represa de Inambari - Milagros Salazar\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/490_2.jpg\" alt=\"Estas florestas na regi\u00e3o de Cusco ficar\u00e3o debaixo da \u00e1gua se for constru\u00edda a represa de Inambari - Milagros Salazar\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7102\" class=\"wp-caption-text\">Estas florestas na regi\u00e3o de Cusco ficar\u00e3o debaixo da \u00e1gua se for constru\u00edda a represa de Inambari - Milagros Salazar\/IPS<\/p><\/div>  Visto do alto, o caminho para chegar a Puente Inambari parece uma serpente verde, robusta, longa e sinuosa. As florestas amaz\u00f4nicas que dominam a paisagem ficar\u00e3o debaixo d\u2019\u00e1gua se for constru\u00edda uma das maiores hidrel\u00e9tricas do Peru e da Am\u00e9rica Latina. Em Puente Inambari confluem as regi\u00f5es de Puno, Cusco e Madre de Dios, no sudeste peruano, onde cerca de 70 povoados ser\u00e3o reassentados se o governo peruano der a concess\u00e3o definitiva \u00e0 empresa Gera\u00e7\u00e3o El\u00e9trica Amazonas Sul (Egasur), de capital brasileiro, para construir a hidrel\u00e9trica e uma represa de 37.800 hectares, segundo o estudo viabilidade da companhia.<\/p>\n<p>Trinta e dois centros povoados de Puno, 28 de Cusco e dez de Madre de Dios teriam de ser reassentados pelo projeto Inambari, localizado entre a plan\u00edcie amaz\u00f4nica e os Andes cobertos de florestas nebulosas, que se estendem em parte da \u00e1rea de amortiza\u00e7\u00e3o do Parque Nacional Bajuaja-Sonene, rico em flora e fauna. Esse c\u00e1lculo faz parte de uma pesquisa que est\u00e1 sendo realizada pela engenheira Rosario Linares, da Sociedade Civil pela Constru\u00e7\u00e3o da Estrada Transoce\u00e2nica de Puno, para quem s\u00f3 nessa regi\u00e3o seriam dez mil pessoas afetadas. A Egasur afirma que os n\u00fameros s\u00e3o menores, mas n\u00e3o os fornece.<\/p>\n<p>Inambari \u00e9 uma das cinco hidrel\u00e9tricas com constru\u00e7\u00e3o projetada como parte do acordo firmado em 16 de junho entre Brasil e Peru para a gera\u00e7\u00e3o de seis mil megawatts. No dia 24 deste m\u00eas, o presidente peruano, Alan Garc\u00eda, apresentou a empres\u00e1rios brasileiros uma proposta energ\u00e9tica e de irriga\u00e7\u00e3o que tem como fonte o Rio Mara\u00f1\u00f3n. Organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas insistem que a obra beneficiar\u00e1 sobretudo o Brasil, pois o Peru dever\u00e1 entregar uma propor\u00e7\u00e3o permanente de energia, ainda n\u00e3o determinada, por 30 anos, e n\u00e3o poder\u00e1 aumentar sua participa\u00e7\u00e3o, embora necessite disso para abastecer sua demanda interna.<\/p>\n<p>A maioria dos moradores \u00e9 contra o projeto, enquanto um setor minorit\u00e1rio aceitou conversar com a empresa. No entanto, os dois grupos concordam que o Estudo de Impacto Ambiental \u00e9 um \u201ctrabalho superficial\u201d, segundo o material j\u00e1 apresentado em paineis informativos. O expediente 21160308, com mais de 300 folhas, da Dire\u00e7\u00e3o de Concess\u00f5es El\u00e9tricas do Minist\u00e9rio de Energia e Minas, informa sobre os avan\u00e7os acelerados do plano. Em Puerto Manoa, um dos primeiros locais de Puno que seria reassentado, as paredes gritam \u201cN\u00e3o ao Projeto Inambari\u201d em cartazes colocados diante das casas, a maioria de madeira e teto de zinco.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e3o afetadas as florestas e n\u00e3o haver\u00e1 oxig\u00eanio. E a empresa s\u00f3 fala em benef\u00edcios. As pessoas est\u00e3o preocupadas\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a moradora Lucy Chuquimamani, de 28 anos. A desconfian\u00e7a diante de quem chega de fora \u00e9 evidente nos olhares disfar\u00e7ados e nos rostos que chegam \u00e0s janelas. Em Puerto Manoa, a Egasur fez um dos dois paineis programados, com muitos vazios de informa\u00e7\u00e3o, segundo os moradores. O Terram\u00e9rica tentou por dez vezes em uma semana obter resposta do gerente de Rela\u00e7\u00f5es Comunit\u00e1rias da empresa, Mauricio Millones, e n\u00e3o teve sucesso.<\/p>\n<p>A Egasur, um cons\u00f3rcio formado pelo grupo privado OAS e a estatal Eletrobras Furnas, solicitou uma concess\u00e3o tempor\u00e1ria em maio de 2008 que foi concedida at\u00e9 abril de 2010. Vencido o prazo, a empresa pediu amplia\u00e7\u00e3o at\u00e9 outubro do mesmo ano, com a inten\u00e7\u00e3o de conseguir a autoriza\u00e7\u00e3o definitiva, e hoje tenta fazer com que o prazo chegue a junho de 2011, pois ainda n\u00e3o conta com a licen\u00e7a social para iniciar as obras. O investimento previsto \u00e9 de US$ 5 bilh\u00f5es, com uma capacidade instalada de 2.200 megawatts, segundo uma vers\u00e3o preliminar do estudo de viabilidade.<\/p>\n<p>No escrit\u00f3rio da Egasur em Mazuco, capital do distrito de Inambari, em Madre de Dios, pessoal da Ger\u00eancia de Rela\u00e7\u00f5es Comunit\u00e1rias informou ao Terram\u00e9rica que a comunidade nativa de San Lorenzo, localizada entre este departamento e Cusco, apoia o projeto. Por\u00e9m, o presidente da comunidade, Alejandro R\u00edos, desmentiu a afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQueremos um informe cabal de nosso territ\u00f3rio\u201d, disse Alejandro ao Terram\u00e9rica. \u201cNo estudo de impacto ambiental n\u00e3o foi inclu\u00edda a variedade de nossos peixes e \u00e1rvores. Temos animais como a anta, o veado, o tigre e a paca. Tamb\u00e9m temos terrenos sem vegeta\u00e7\u00e3o onde bandos de araras se alimentam da argila, formando um espet\u00e1culo de grande atrativo tur\u00edstico\u201d, alertou. \u201cSe a hidrel\u00e9trica for constru\u00edda, esses animais morrer\u00e3o. Queremos saber como v\u00e3o remediar isso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que ocorre nos povoados de Puno, os moradores de San Lorenzo t\u00eam t\u00edtulo de propriedade sobre as terras, e por isso acreditam possu\u00edrem melhores armas para dialogar com a empresa. Mas a pergunta \u00e9 a mesma: \u201cQuem nos garante que a empresa cumprir\u00e1?\u201d. O bi\u00f3logo Ernesto R\u00e1ez, diretor do Centro para a Sustentabilidade Ambiental da Universidade Cayetano Heredia, alerta que projetos dessa envergadura causam um \u201cefeito domin\u00f3\u201d na Amaz\u00f4nia, pois quebram os ciclos hidrobiol\u00f3gicos, como diz o informe \u201cRepresas e Desenvolvimento\u201d, elaborado em 2000 pela Comiss\u00e3o Mundial de Represas.<\/p>\n<p>Detendo o curso dos rios, os sedimentos v\u00e3o se acumulando no fundo das represas, o que reduz o traslado de material org\u00e2nico necess\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o de praias e novas florestas rio abaixo. Com a hidrel\u00e9trica, a biodiversidade depender\u00e1 das demandas energ\u00e9ticas e n\u00e3o mais do ciclo sazonal natural, que \u00e9 t\u00e3o importante, disse Ernesto ao Terram\u00e9rica. Em \u00e9poca de cheia ou chuva, os rios entram na floresta arrastando sedimentos, que fertilizam os solos, e peixes que buscam seu alimento, enquanto na temporada de \u00e1guas baixas as tartarugas p\u00f5em seus ovos nas praias, mas deixar\u00e3o de se reproduzir se n\u00e3o puderem desovar.<\/p>\n<p>Nos rios amaz\u00f4nicos mais de dez esp\u00e9cies de bagres migrat\u00f3rios fornecem 90% do pescado consumido pela popula\u00e7\u00e3o local, disse o bi\u00f3logo. \u201cA gest\u00e3o ambiental deve considerar a bacia toda, porque n\u00e3o vai afetar apenas a regi\u00e3o da represa\u201d, explicou Ernesto. Al\u00e9m disso, a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica bloqueada pelas \u00e1guas da represa liberar\u00e1 importantes quantidades de metano, g\u00e1s que tem 23 vezes mais poder de efeito estufa do que o di\u00f3xido de carbono. E a hidrel\u00e9trica exigir\u00e1 que a \u00e1gua seja elevada a 225 metros. A regi\u00e3o j\u00e1 tem problemas ambientais. A Egasur e alguns funcion\u00e1rios apontam como fonte de contamina\u00e7\u00e3o a minera\u00e7\u00e3o informal praticada em Inambari.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PUNO, Peru, 02\/09\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A represa de Inambari, um projeto brasileiro em territ\u00f3rio peruano, pode inundar quase 40 mil hectares de selvas amaz\u00f4nicas e florestas nebulosas andinas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/destaques-uma-porcao-de-selva-peruana-sob-a-agua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,10],"tags":[21],"class_list":["post-7102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}