{"id":7135,"date":"2010-09-10T14:00:30","date_gmt":"2010-09-10T14:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7135"},"modified":"2010-09-10T14:00:30","modified_gmt":"2010-09-10T14:00:30","slug":"mais-agricultores-indianos-optam-por-organicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/ambiente\/mais-agricultores-indianos-optam-por-organicos\/","title":{"rendered":"Mais agricultores indianos optam por org\u00e2nicos"},"content":{"rendered":"<p>Hyderabad, \u00cdndia, 10\/09\/2010 &ndash; Veera Narayana decidiu plantar melancia em sua pequena propriedade. Para isso preparou a \u00e1rida terra vermelha e colocou fogo nos sulcos. Este produtor indiano explicou que, arando a terra, as larvas ficam expostas ao calor do sol, enquanto o fogo age como pesticida.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7135\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/80667.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7135\" class=\"size-medium wp-image-7135\" title=\"Cooperativa org\u00e2nica em Andhra Pradesh. - Manipadama Jena\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/80667.jpg\" alt=\"Cooperativa org\u00e2nica em Andhra Pradesh. - Manipadama Jena\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7135\" class=\"wp-caption-text\">Cooperativa org\u00e2nica em Andhra Pradesh. - Manipadama Jena\/IPS<\/p><\/div>  Tamb\u00e9m vai misturar sementes de nim (\u00e1rvore origin\u00e1ria da \u00cdndia e da Birm\u00e2nia) com pimenta verde, pasta de alho e querosene, uma combina\u00e7\u00e3o que serve para proteger as plantas de doen\u00e7as, explicou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, usa uma pasta feita com esterco de vaca e \u201cjaggery\u201d (nome indiano para a forma natural do a\u00e7\u00facar, que pode ser consumido e tamb\u00e9m serve para pegar insetos), bem como p\u00f3 de nim fermentado em urina de vaca. \u201cSem d\u00favida, \u00e9 mais f\u00e1cil abrir uma lata de pesticida qu\u00edmico misturado proporcionalmente com \u00e1gua, derramar e pronto\u201d, disse Veera.<\/p>\n<p>Desde que este agricultor de 42 anos decidiu que toda sua produ\u00e7\u00e3o seria org\u00e2nica, deixou de armazenar pesticidas, e agora passa horas misturando beberagens tradicionais com ingredientes que pode encontrar em seu pr\u00f3prio terreno. A produ\u00e7\u00e3o de Veera n\u00e3o cont\u00e9m os t\u00f3xicos encontrados em cultivos tratados com pesticidas qu\u00edmicos. E n\u00e3o se trata de uma decis\u00e3o isolada.<\/p>\n<p>Cada vez mais consumidores indianos optam por alimentos org\u00e2nicos em busca de uma vida mais sadia, e por isso muitos produtores procuram adotar m\u00e9todos mais saud\u00e1veis para o meio ambiente e para seus pr\u00f3prios corpos. Os benef\u00edcios do cultivo org\u00e2nico s\u00e3o bastante claros. Em primeiro lugar, os pesticidas org\u00e2nicos n\u00e3o matam as larvas da terra e outros insetos que favorecem as planta\u00e7\u00f5es. Por outro lado, mant\u00eam a superf\u00edcie macia e absorvente, bem como livre de toxinas que acabam contaminando os recursos h\u00eddricos e a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os qu\u00edmicos tamb\u00e9m podem causar problemas respirat\u00f3rios e de pele nos produtores. Entretanto, como em outros casos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil romper os h\u00e1bitos, mesmo que sejam prejudiciais. Os agricultores indianos tiveram de esperar o desenvolvimento de um mercado de alimentos org\u00e2nicos antes mesmo de considerar a mudan\u00e7a dos m\u00e9todos de cultivo que herdaram de seus av\u00f3s.<\/p>\n<p>Aparna Kumar, dona de uma loja que vende alimentos org\u00e2nicos pela Internet, chamada Adi Naturals, com sede na cidade de Bangalore, disse que chegou o momento. H\u00e1 apenas cinco anos, ela e sua cunhada tinham que dar de presente os produtos org\u00e2nicos que n\u00e3o conseguiam vender. Hoje, ainda administra seu neg\u00f3cio da garagem de casa, mas as vendas subiram astronomicamente. \u201cEm todo o ano de 2009, o faturamento da Adi Naturals foi de US$ 650. E este ano, apenas nos \u00faltimos seis meses, j\u00e1 se aproxima dos US$ 8,7 mil\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Embora tenha experimentado um crescimento de 200% nos \u00faltimos anos, o mercado indiano de produtos org\u00e2nicos ainda est\u00e1 engatinhando. Por isso, os produtores ainda n\u00e3o se voltaram maci\u00e7amente para a agricultura sem qu\u00edmicos. Naturalmente, alguns, como Veera, se animam a mudar. Embora ele trabalhe sozinho, outros optam por se associar, como os que formam a Sociedade Cooperativa de Ajuda M\u00fatua Dharani para a Agricultura e o Mercado.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma das maiores cooperativas da \u00cdndia e uma das fornecedoras de Aparna. Com apoio da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Coletivo Timbaktu, no Estado de Andhra Pradesh, produz milho, legumes e colza oleaginosa. A cooperativa tem 1.214 hectares destinados a planta\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas em Anantapur, a segunda \u00e1rea do pa\u00eds mais afetada pelas secas.<\/p>\n<p>Os 860 pequenos produtores que a integram est\u00e3o decididos a restabelecer pr\u00e1ticas tradicionais, ambientalmente sustent\u00e1veis e economicamente vi\u00e1veis em sua seca regi\u00e3o, onde as monoculturas e o excesso de aditivos qu\u00edmicos deixaram as terras est\u00e9reis e os agricultores sem renda. Segundo o presidente da Sociedade Dharani, B. C. Bommali, suas vendas dispararam. S\u00f3 no ano passado, somaram US$ 28 mil, e neste ano os produtores j\u00e1 fizeram neg\u00f3cios no valor de US$ 72 mil, afirmou.<\/p>\n<p>Cerca de 300 agricultores aguardam sua vez de entrar na Cooperativa, dispostos a dividir os gastos, que n\u00e3o s\u00e3o poucos. Por exemplo, a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica tem uma vida \u00fatil menor do que a tratada com produtos qu\u00edmicos. Isso se traduz em maior possibilidade de perdas, que s\u00f3 podem ser reduzidas mediante uma rede de comercializa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida como a fornecida pela Sociedade Dharani.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como disse o chefe-executivo da Cooperativa, Brahmeshwar Rao, \u201ca certifica\u00e7\u00e3o institucional para os produtos org\u00e2nicos tamb\u00e9m \u00e9 cara para o pequeno produtor, mas os consumidores a exigem\u201d. Por\u00e9m, a Cooperativa opta por um sistema menos caro de certifica\u00e7\u00e3o que se baseia na inspe\u00e7\u00e3o feita pelos pr\u00f3prios agricultores. Nos primeiros tr\u00eas anos, a produ\u00e7\u00e3o de um agricultor \u00e9 tratada como \u201cem fase de convers\u00e3o org\u00e2nica\u201d. A partir do quarto ano, recebe a certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.<\/p>\n<p>Veera disse que a agricultura sem subst\u00e2ncias qu\u00edmicas \u00e9 mais intensiva e exigente. E, at\u00e9 agora, os resultados econ\u00f4micos mostram que vale a pena. Sua terra produziu um caminh\u00e3o inteiro de melancias. Vendeu toda a carga por US$ 1 mil. Para cultiv\u00e1-las, investiu apenas US$ 130. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hyderabad, \u00cdndia, 10\/09\/2010 &ndash; Veera Narayana decidiu plantar melancia em sua pequena propriedade. Para isso preparou a \u00e1rida terra vermelha e colocou fogo nos sulcos. Este produtor indiano explicou que, arando a terra, as larvas ficam expostas ao calor do sol, enquanto o fogo age como pesticida. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/ambiente\/mais-agricultores-indianos-optam-por-organicos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":127,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12],"tags":[17],"class_list":["post-7135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/127"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7135\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}