{"id":714,"date":"2005-06-21T00:00:00","date_gmt":"2005-06-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=714"},"modified":"2005-06-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-21T00:00:00","slug":"direitos-humanos-refugiados-e-imigrantes-ilegais-em-grave-risco-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/direitos-humanos-refugiados-e-imigrantes-ilegais-em-grave-risco-na-europa\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Refugiados e imigrantes ilegais em grave risco na Europa"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 21\/06\/2005 &ndash; O direito dos refugiados e dos imigrantes corre grave risco a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, advertiu nesta segunda-feira, em Madri o diretor para a Espanha da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Anistia Internacional, Esteban Beltr&aacute;n. Nesse sentido, P&iacute;a Oberoi, especialista em ref&uacute;gio e asilo da entidade. P&iacute;a disse a IPS que &quot;os governos da UE e de outras na&ccedil;&otilde;es do ocidente est&atilde;o mais preocupados em enviar aqueles que chegam em busca de ref&uacute;gio para outros pa&iacute;ses, em lugar de proteg&ecirc;-los&quot;. Essa pol&iacute;tica n&atilde;o leva em conta que muitos deles s&atilde;o enviados a pa&iacute;ses com governos ditatoriais e nos quais s&atilde;o violados os mais elementares direitos humanos, acrescentou a especialista no ato de comemora&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial do Ref&uacute;gio, realizado na capital espanhola.<br \/> <!--more--> <br \/> Oberoi acrescentou que o recurso de qualificar como ilegais os imigrantes que chegam sem documentos ou atrav&eacute;s de vias de acesso irregulares &quot;&eacute; um pretexto que prejudica os mais vulner&aacute;veis, em especial mulheres e crian&ccedil;as&quot;. Beltr&aacute;n e Oberoi encabe&ccedil;aram a apresenta&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio &quot;Fronteira Sul&quot;, em Madri, onde ainda n&atilde;o se calaram os ecos da trag&eacute;dia do dia 13, quando seis mulheres com um filho pequeno, cada uma procedente da &Aacute;frica subsaariana, morreram quando naufragou uma &quot;patera&quot; (fr&aacute;gil embarca&ccedil;&atilde;o) nos arredores do porto marroquino de Tanger, regi&atilde;o do estreito de Gibraltar.<\/p>\n<p> Tr&ecirc;s dias mais tarde, outros 13 imigrantes extenuados foram resgatados por uma equipe de mergulhadores da militarizada Guarda Civil espanhola, ap&oacute;s ficarem 10 dias &aacute; deriva sem &aacute;gua pot&aacute;vel nem alimentos. Na embarca&ccedil;&atilde;o havia outras 11 pessoas, cujos corpos foram jogados ao mar &aacute; medida em que faleciam. Os sobreviventes, 12 homens e uma mulher procedentes de Gana e Mal&iacute;, foram avistados a cerca de 120 milhas de dist&acirc;ncia da ilha de Gran Can&aacute;ria por tripulantes do navio mercante &quot;Khalifeh Livestock&quot;, que prenderam a &quot;patera&quot; em sua embarca&ccedil;&atilde;o e avisaram o Salvamento Mar&iacute;timo, que depois trataram de lev&aacute;-los para terra e de dar-lhes os primeiros socorros.<\/p>\n<p> Poucos dias antes destes fatos, a Guarda Civil interceptou nessa regi&atilde;o outra &quot;patera&quot; com 59 &quot;harragas&quot;, termo &aacute;rabe que equivale a &quot;costas molhadas&quot;, como s&atilde;o chamados os imigrantes latino-americanos que entram nos Estados Unidos pela fronteira mexicana. A confirma&ccedil;&atilde;o de que 33 dos 59 imigrantes eram menores de 18 anos refor&ccedil;a a previs&atilde;o de que este ano seja superado o n&uacute;mero de pessoas dessa faixa et&aacute;ria que desembarcaram irregularmente na Espanha e foram detidas. Em 2004, somaram 1.575.<\/p>\n<p> &quot;Fronteira Sul&quot;, o relat&oacute;rio apresentado nesta segunda-feira pela Anistia Internacional, reflete a tensa situa&ccedil;&atilde;o que se vive no sul da Espanha, tanto no litoral continental do Mar Mediterr&acirc;neo quanto nas Ilhas Can&aacute;rias, pela incessante chegada de estrangeiros em p&eacute;ssimas embarca&ccedil;&otilde;es que colocam em risco suas vidas. Al&eacute;m disso, alerta sobre os maus-tratos a que s&atilde;o submetidos, em muitos casos por membros da Guarda Civil, antes de serem devolvidos, sem antes mesmo se certificar se s&atilde;o exilados pol&iacute;ticos, aos seus pa&iacute;ses de origem. Sobre este assunto, a Anistia Internacional assegura que as pol&iacute;ticas migrat&oacute;rias da Espanha e de outros pa&iacute;ses-membros da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, bem como a promovida em pa&iacute;ses como o Marrocos, &quot;impedem as pessoas que fogem de graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos de chegarem &agrave; Espanha, pedir asilo e obter prote&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> A Anistia, com sede em Londres, reconhece o direito do Estado espanhol controlar a imigra&ccedil;&atilde;o e regular a entrada de estrangeiros em seu territ&oacute;rio. No entanto, critica que &quot;isto fa&ccedil;a com que o direito de solicitar asilo esteja em risco de extin&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a Espanha apresenta uma das taxas mais baixas de toda a UE em n&uacute;mero de pedidos (um em cada 10 mil residentes)&quot;, cifras que, diz a organiza&ccedil;&atilde;o, &quot;diminuem ano ap&oacute;s ano&quot;. Beltr&aacute;n insistiu em que tanto as autoridades quanto os meios de comunica&ccedil;&atilde;o &quot;tornem invis&iacute;veis os refugiados, j&aacute; que enquanto se faz refer&ecirc;ncia ao fluxo de &quot;ilegais&quot; oculta-se a realidade dos que fogem de persegui&ccedil;&otilde;es e graves abusos em seus pa&iacute;ses de origem&quot;, uma situa&ccedil;&atilde;o que consta do &quot;Fronteira Sul&quot;.<\/p>\n<p> Por outro lado, a Anistia fez um detalhado estudo da situa&ccedil;&atilde;o dos refugiados e imigrantes na Europa, mostrando que em praticamente todos os pa&iacute;ses seus direitos s&atilde;o violados, embora mais em uns do que em outros. Assim, na &Aacute;ustria, apesar de no final de 2004 o Tribunal Constitucional ter declarado inconstitucionais tr&ecirc;s artigos da Lei de Asilo, que permitiam a expuls&atilde;o antes de se examinar o recurso de apela&ccedil;&atilde;o, &quot;continua sendo preocupante que as autoridades desse pa&iacute;s ignorem que o governo da na&ccedil;&atilde;o receptora cumpra as garantias oferecidas antes da extra&ccedil;&atilde;o&quot;. Como exemplo, a Anistia lembra o ocorrido em fevereiro de 2004 a uma pessoa que solicitou asilo na cidade de Traiskirchen, que foi v&iacute;tima de maus-tratos, que inclu&iacute;ram queimaduras com cigarro no ombro quando se negou a deixar o campo de refugiados para ser expulso.<\/p>\n<p> Na B&eacute;lgica, prossegue o relat&oacute;rio, tamb&eacute;m se inflige &quot;maus-tratos, tratamentos desumanos ou degradantes e se faz uso de uma for&ccedil;a excessiva&quot; para expulsar cidad&atilde;os estrangeiros. Mas no caso da Fran&ccedil;a, o estudo reconhece avan&ccedil;os na situa&ccedil;&atilde;o dos menores que chegam sozinhos ao pa&iacute;s e destaca como fato positivo a confirma&ccedil;&atilde;o das den&uacute;ncias da Defensoria das Crian&ccedil;as, que expressou sua &quot;profunda preocupa&ccedil;&atilde;o pela situa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as desacompanhadas detidas em zonas de espera antes de serem expulsas?. A esta acusa&ccedil;&atilde;o, somaram-se v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais que deixaram claro que, em v&aacute;rios casos, &quot;impediu-se que as crian&ccedil;as se reunissem com seus pa&iacute;s, que j&aacute; se encontravam no pa&iacute;s&quot;.<\/p>\n<p> Ap&oacute;s comprovar estes fatos, o Tribunal de Apela&ccedil;&atilde;o de Paris decidiu que as zonas de deten&ccedil;&atilde;o devem ser consideradas territ&oacute;rio franc&ecirc;s, o que permite aos ju&iacute;zes terem compet&ecirc;ncia para analisar os casos que ali ocorrem, afirma a Anistia Internacional. Os maus-tratos tamb&eacute;m acontecem na Gr&eacute;cia, onde em dezembro de 2004 foi denunciado que cerca de 60 solicitantes de asilo procedentes do Afeganist&atilde;o, dos quais pelo menos 17 eram menores de 18 anos, &quot;foram torturados e maltratados por agentes da pol&iacute;cia&quot;. J&aacute; na Irlanda, chegou-se ao extremo de, em 2004, eliminar-se a garantia constitucional de cidadania para as pessoas nascidas nesse pa&iacute;s e cujos pais carecessem da cidadania. Com base nessa norma, em outubro do ano passado, foram expulsas 32 pessoas que tinham filhos de nacionalidade irlandesa e foi expedida ordem de expuls&atilde;o contra outras 352.<\/p>\n<p> Situa&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica ocorre no sul da It&aacute;lia, onde milhares de imigrantes e solicitantes de asilo continuam chegando por mar e centenas morrem na tentativa, destaca o relat&oacute;rio. Muitas dessas embarca&ccedil;&otilde;es partem da L&iacute;bia, na costa norte da &Aacute;frica, pa&iacute;s para o qual &eacute; devolvida grande quantidade deles. Esta situa&ccedil;&atilde;o, afirma a Anistia, viola o Estatuto dos Refugiados da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, porque n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses de origem dessas pessoas, como ocorreu em 17 de mar&ccedil;o passado, quando as autoridades italianas devolveram 180 delas &agrave; L&iacute;bia, &quot;onde podem ser alvo de torturas&quot;.<\/p>\n<p> Por fim, a investiga&ccedil;&atilde;o mostra que na Su&iacute;&ccedil;a, um dos pa&iacute;ses considerados mais desenvolvidos da Europa, a legisla&ccedil;&atilde;o permite o uso de armas de eletrochoque, entre elas as pistolas Taser, contra imigrantes e refugiados. Estas pistolas s&atilde;o armas paralisantes de eletrochoque concebidas para provocar a incapacidade instant&acirc;nea de pessoas. Com elas pode-se efetuar descargas de at&eacute; 50 mil volts atrav&eacute;s dos dardos que disparam. Estes dardos, em forma de anzol, permanecem unidos &agrave; pistola por cabos de cobre que transmitem descargas de alta voltagem e baixa amperagem. Seu alcance &eacute; de aproximadamente seis metros e meio e os dardos podem penetrar at&eacute; cinco cent&iacute;metros na roupa ou na pele da pessoa contra o qual &eacute; disparado. Al&eacute;m disso, as pistolas tamb&eacute;m podem ser usadas sem os dardos, a queima-roupa, como armas paralisantes de eletrochoque. <\/p>\n<p> No caso da &Aacute;ustria, a Anistia Internacional tamb&eacute;m expressa sua preocupa&ccedil;&atilde;o &quot;porque n&atilde;o habilitou os mecanismos necess&aacute;rios para garantir a supervis&atilde;o e uma presta&ccedil;&atilde;o de contas adequadas no tocante aos centros de recolhimento dos que solicitam asilo, j&aacute; que a responsabilidade do funcionamento di&aacute;rio destes centros foi repassada a empresas do setor privado em 2003&quot;. Tamb&eacute;m preocupa &quot;o fato de as autoridades austr&iacute;acas n&atilde;o se certificarem de que o pa&iacute;s receptor cumpra as garantias oferecidas antes da extradi&ccedil;&atilde;o&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> Foto: Jos&eacute; Manuel Vidal<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 21\/06\/2005 &ndash; O direito dos refugiados e dos imigrantes corre grave risco a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, advertiu nesta segunda-feira, em Madri o diretor para a Espanha da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Anistia Internacional, Esteban Beltr&aacute;n. Nesse sentido, P&iacute;a Oberoi, especialista em ref&uacute;gio e asilo da entidade. P&iacute;a disse a IPS que &quot;os governos da UE e de outras na&ccedil;&otilde;es do ocidente est&atilde;o mais preocupados em enviar aqueles que chegam em busca de ref&uacute;gio para outros pa&iacute;ses, em lugar de proteg&ecirc;-los&quot;. Essa pol&iacute;tica n&atilde;o leva em conta que muitos deles s&atilde;o enviados a pa&iacute;ses com governos ditatoriais e nos quais s&atilde;o violados os mais elementares direitos humanos, acrescentou a especialista no ato de comemora&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial do Ref&uacute;gio, realizado na capital espanhola.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/direitos-humanos-refugiados-e-imigrantes-ilegais-em-grave-risco-na-europa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-714","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=714"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/714\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}