{"id":715,"date":"2005-06-21T00:00:00","date_gmt":"2005-06-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=715"},"modified":"2005-06-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-21T00:00:00","slug":"ambiente-aquecimento-global-acelera-seu-impacto-na-cordilheira-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/ambiente-aquecimento-global-acelera-seu-impacto-na-cordilheira-branca\/","title":{"rendered":"Ambiente: Aquecimento global acelera seu impacto na Cordilheira Branca"},"content":{"rendered":"<p>Huaraz,  Peru, 21\/06\/2005 &ndash; &quot;Antes a neve chegava at&eacute; abaixo. Agora est&aacute; menor, est&aacute; diminuindo cada vez mais&quot;, diz em qu&eacute;chua, seu idioma nativo, Karina, uma camponesa de 20 anos. Estamos a mais de quatro mil metros de altura e aparentemente ouvirmos atr&aacute;s de n&oacute;s, silencioso, o nevado Huarapasca, um dos belos maci&ccedil;os da Cordilheira Branca. O testemunho de Karina &eacute; preocupante, pois em sua pouca idade, e com seu imagin&aacute;rio andino, j&aacute; percebe a gravidade do retrocesso glacial, um drama que se acelera nestas alturas, onde se encontram as montanhas mais altas do Peru, vestidas de neve e gelo. Da&iacute; seu nome de Cordilheira Branca, parte da serra pr&oacute;xima &agrave; costa do oceano Pac&iacute;fico e cerca de 450 quil&ocirc;metros ao norte de Lima.<br \/> <!--more--> <br \/> Esta cadeia montanhosa &eacute; a serra nevada mais alta do mundo em zona tropical e ainda possui 611 quil&ocirc;metros quadrados de glaciais, alojados em imponentes picos que variam de cinco mil a 6.768 metros de altura acima do n&iacute;vel do mar. O monte mais alto desta regi&atilde;o e do pa&iacute;s &eacute; o nevado Hascar&aacute;n, que no dia 31 de maio de 1970 provocou espantosa trag&eacute;dia na cidade de Yungay, ao despejar sobre ela milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de gelo em raz&atilde;o de um terremoto, matando, pelo menos 20 mil pessoas e levando ao desaparecimento dessa bela cidade. A preocupa&ccedil;&atilde;o atual da popula&ccedil;&atilde;o local, entretanto, n&atilde;o &eacute; a possibilidade desse tipo de desastre, mas pelo inexor&aacute;vel desaparecimento das geleiras.<\/p>\n<p> Em conversa com a IPS, Marco Zapata, chefe da Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena), afirmou que &quot;&eacute; um processo que se acelera e em car&aacute;ter irrevers&iacute;vel&quot;. As observa&ccedil;&otilde;es dos especialistas confirmam esta tend&ecirc;ncia. &quot;Entre 1948 e 1976, a m&eacute;dia de retrocesso da Cordilheira Branca era de 12 metros por ano, mas a partir de 1977 e at&eacute; o ano passado j&aacute; chega a 20 metros ao ano&quot;, explicou Zapata, e um simples olhar pelos arredores de Huaraz, capital do departamento de Anchash, corrobora esta afirma&ccedil;&atilde;o. Diante desta bela cidade ainda se avistam v&aacute;rios picos nevados, como o Ranrapalca, o Vallunaraju (&quot;raju&quot; significa gelo em qu&eacute;chua) e o Chinchay.<\/p>\n<p> Mas como adverte Porf&iacute;rio Cacha Macedo, um guia experiente de montanhas altas, outros picos nevados como o C&aacute;rhuac e o Rima Rima, que antes tinham geleiras, hoje s&oacute; mostram uma &quot;superf&iacute;cie pelada&quot;. Antes, &quot;eu vinha contente quando escalava, mas agora, &agrave;s vezes fico deprimido. &Eacute; imperdo&aacute;vel o que estamos fazendo &agrave; natureza&quot;, disse. Por sua vez, C&eacute;sar Portocarrero, engenheiro civil que tamb&eacute;m realizou medi&ccedil;&otilde;es nas geleiras da Cordilheira Branca, falou &agrave; IPS da incid&ecirc;ncia neste fen&ocirc;meno do aquecimento global, associado, por sua vez, com o aumento da emiss&atilde;o de gases que ret&ecirc;m o calor na atmosfera (efeito estufa), entre eles o di&oacute;xido de carbono, pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis.<\/p>\n<p> No s&eacute;culo XX, a temperatura do planeta aumentou 0,6 graus cent&iacute;grados, e &quot;se aumentar ainda mais, de um a quatro graus como est&aacute; previsto, o retrocesso das geleiras andinas ocorrer&aacute; mais rapidamente&quot;, alertou. Pierre Soler, representante no Peru do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, da Fran&ccedil;a, que colabora com o Estado peruano na observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de geleiras, disse &agrave; IPS que &quot;h&aacute; um consenso cient&iacute;fico de que a a&ccedil;&atilde;o do homem agrava o problema do aquecimento global e isso afeta as geleiras tropicais&quot;. Soler, que leva adiante um conv&ecirc;nio com o Inrena para fazer um novo invent&aacute;rio de geleiras no Peru, concorda com Zapata de que a conseq&uuml;&ecirc;ncia maior da perda de geleiras andinas &eacute; o esgotamento do recurso h&iacute;drico na costa e na serra. &quot;Inicialmente, haver&aacute; uma oferta maior de &aacute;gua, mas depois ir&aacute; se esgotando&quot;, explicou.<\/p>\n<p> Em Ancash, pelo menos 90% das &aacute;guas do rio Santa, que tamb&eacute;m abastece regi&otilde;es vizinhas, prov&ecirc;m, na &eacute;poca da seca, do degelo na Cordilheira Branca. A &aacute;gua do Santa tamb&eacute;m faz funcionar a vizinha central hidrel&eacute;trica do c&acirc;nion do Pato e chega at&eacute; Chavimochic, uma gigantesca obra de engenharia hidr&aacute;ulica e hidroenerg&eacute;tica para transformar &aacute;reas des&eacute;rticas em terrenos produtivos. Inclusive, a &aacute;gua consumida na cidade de Lima tem, em grande parte, origem glacial. Se se considerar que nas 18 cordilheiras nevadas do Peru se perdeu 446 quil&ocirc;metros quadrados de gelo nos &uacute;ltimos 30 anos, pode se ver a gravidade do problema e as m&aacute;s perspectivas que se abrem em mat&eacute;ria de abastecimento de &aacute;gua.<\/p>\n<p> Segundo Julio Garc&iacute;a, funcion&aacute;rio do Conselho Nacional do Meio Ambiente, a perda de geleiras no Peru j&aacute; equivale a 10 anos de consumo de &aacute;gua em Lima. &quot;&Eacute; preciso impulsionar j&aacute; uma pol&iacute;tica de gest&atilde;o do desenvolvimento, para neutralizar nossa vulnerabilidade &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, que j&aacute; est&aacute; entre n&oacute;s&quot;, disse &agrave; IPS. O problema &eacute; mundial, mas nesta bela regi&atilde;o peruana est&aacute; atingindo propor&ccedil;&otilde;es alarmantes. Igualmente triste &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o da Cordilheira Real da Bol&iacute;via, no vulc&atilde;o Cotopaxi do Equador ou no nevado colombiano de Tolima. Uma antiga lenda ancashina diz que a lagoa de Orconcocha se formou com as l&aacute;grimas de Huascar&aacute;n, que agora podem correr at&eacute; se esgotar. <\/p>\n<p> (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Huaraz,  Peru, 21\/06\/2005 &ndash; &quot;Antes a neve chegava at&eacute; abaixo. Agora est&aacute; menor, est&aacute; diminuindo cada vez mais&quot;, diz em qu&eacute;chua, seu idioma nativo, Karina, uma camponesa de 20 anos. Estamos a mais de quatro mil metros de altura e aparentemente ouvirmos atr&aacute;s de n&oacute;s, silencioso, o nevado Huarapasca, um dos belos maci&ccedil;os da Cordilheira Branca. O testemunho de Karina &eacute; preocupante, pois em sua pouca idade, e com seu imagin&aacute;rio andino, j&aacute; percebe a gravidade do retrocesso glacial, um drama que se acelera nestas alturas, onde se encontram as montanhas mais altas do Peru, vestidas de neve e gelo. Da&iacute; seu nome de Cordilheira Branca, parte da serra pr&oacute;xima &agrave; costa do oceano Pac&iacute;fico e cerca de 450 quil&ocirc;metros ao norte de Lima.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/ambiente-aquecimento-global-acelera-seu-impacto-na-cordilheira-branca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1912,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-715","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1912"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/715\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}