{"id":7168,"date":"2010-09-17T18:58:11","date_gmt":"2010-09-17T18:58:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7168"},"modified":"2010-09-17T18:58:11","modified_gmt":"2010-09-17T18:58:11","slug":"areas-marinhas-protegidas-combatem-espiral-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/areas-marinhas-protegidas-combatem-espiral-de-morte\/","title":{"rendered":"\u00c1reas marinhas protegidas combatem espiral de morte"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 17\/09\/2010 &ndash; Os pescadores de Belize, que em 1996 foram contra a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea protegida que proibia pescar em \u00e1guas do Parque Nacional Laughing Bird Caye, agora se beneficiam da abund\u00e2ncia de peixes e do auge do turismo que essa medida provocou. Os m\u00faltiplos benef\u00edcios de declarar \u00e1reas marinhas protegidas s\u00e3o destacados em uma s\u00e9rie de informes apresentados ontem pela organiza\u00e7\u00e3o Conservation International (CI). <!--more--> \u201cO oceano est\u00e1 em crise, mas n\u00e3o podemos ver com nossos pr\u00f3prios olhos, por isso n\u00e3o estamos conscientes do que est\u00e1 ocorrendo\u201d, afirmou Leah Bunce Karrer, coautora e diretora do Programa de \u00c1reas Marinhas Protegidas na CI. \u201cAs \u00e1reas marinhas protegidas oferecem uma solu\u00e7\u00e3o que pode reduzir de modo significativo a degrada\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, enquanto beneficia as comunidades locais\u201d, ressaltou Leah \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o de todas as esp\u00e9cies de tubar\u00f5es, arraias e corais correm o risco de extin\u00e7\u00e3o. \u201cA maior parte das pessoas n\u00e3o se d\u00e1 conta disso. Na medida em que as esp\u00e9cies desaparecem, ecossistemas inteiros sofrem altera\u00e7\u00f5es\u201d, disse Gregory Stone, cientista oce\u00e2nico que trabalha para a CI. Apenas uma fra\u00e7\u00e3o de 1% dos oceanos est\u00e1 efetivamente protegida, embora haja cada vez mais consenso cient\u00edfico sobre a necessidade de proteger pelo menos 20% dos mares.<\/p>\n<p>Em um esfor\u00e7o por mostrar que proteger partes dos oceanos tem sentido social, econ\u00f4mico e ecol\u00f3gico, a CI analisou estudos de 23 pa\u00edses, principalmente pobres, e concluiu que as \u00e1reas marinhas protegidas conseguem aumentar a popula\u00e7\u00e3o de peixes e melhorar os meios de sustento, informou Leah. As \u00e1reas marinhas protegidas se definem como zonas oce\u00e2nicas de m\u00faltiplos usos em torno de \u00e1reas menores, entre elas \u00e1reas onde \u00e9 proibida a pesca, onde h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o a determinadas atividades ou outras dedicadas a usos espec\u00edficos, como o ecoturismo, a pesca comercial ou a recrea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando s\u00e3o protegidas as zonas de arrecifes e mangues se proporciona \u00e0s comunidades costeiras prote\u00e7\u00e3o contra as tempestades. Estas \u00e1reas tamb\u00e9m t\u00eam um papel importante na regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, j\u00e1 que os mangues e os pastos marinhos absorvem grandes volumes de di\u00f3xido de carbono da atmosfera, disse Leah. Contudo, cada vez que se sugere alguma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 pesca, h\u00e1 hostilidade e resist\u00eancia, em parte devido \u00e0 err\u00f4nea cren\u00e7a de que a prodigalidade dos mares \u00e9 infinita e que essas restri\u00e7\u00f5es far\u00e3o com que algu\u00e9m fique com os peixes.<\/p>\n<p>Essas atitudes levaram \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, na qual a pesca em excesso est\u00e1 esvaziando os oceanos e destruindo ecossistemas marinhos, matando a galinha dos ovos de ouro. O adequado manejo das reservas pesqueiras poderia ter impedido a desnutri\u00e7\u00e3o de quase 20 milh\u00f5es de pessoas em pa\u00edses pobres e gerado at\u00e9 US$ 36 bilh\u00f5es a mais com produtos comercializados, segundo uma nova s\u00e9rie de estudos econ\u00f4micos recopilados nos \u00faltimos tr\u00eas anos e publicados esta semana em uma edi\u00e7\u00e3o especial do Journal of Bioeconomics. Estas estimativas refletem que a sobrepesca causa uma espiral de morte na qual cada vez h\u00e1 menos peixe.<\/p>\n<p>Para oferecer uma nova perspectiva, o economista Rashid Sumaila, do Centro de Pesca da Universidade de Columbia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, e seus colegas decidiram investigar qual poderia ser o m\u00e1ximo rendimento dos oceanos em caso de ser praticado um manejo sustent\u00e1vel em seus recursos pesqueiros. Os pesquisadores analisaram as capturas mundiais em 2000 e calcularam que, sem sobrepesca, 20 milh\u00f5es de pessoas desnutridas poderiam ter ingerido as prote\u00ednas vitais que necessitavam. Tamb\u00e9m determinaram que os peixes capturados em mar aberto proporcionam entre US$ 225 bilh\u00f5es e US$ 240 bilh\u00f5es anuais \u00e0 economia mundial.<\/p>\n<p>O uso que os mergulhadores fazem dos ecossistemas oce\u00e2nicos, bem como os observadores de baleias e os que se dedicam \u00e0 pesca esportiva, contribui anualmente com US$ 47 bilh\u00f5es para as economias nacionais em todo o mundo, gerando quase 1,1 bilh\u00e3o de postos de trabalho. Estas atividades de impacto relativamente baixo s\u00e3o as de mais r\u00e1pido crescimento. Por exemplo, o turismo dedicado ao avistamento de baleias aumentou 10% por ano nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A cada ano, os governos pagam US$ 27 bilh\u00f5es em subs\u00eddios \u00e0 pesca. A maior parte \u2013 US$ 16 bilh\u00f5es \u2013 vai diretamente para a sobrepesca, segundo os estudos. \u201cEstes subs\u00eddios s\u00e3o ruins para as exist\u00eancias pesqueiras, maus para a economia, para a seguran\u00e7a alimentar e para o neg\u00f3cio da pesca no longo prazo\u201d, alertou Rashid. Entretanto, isso significa que no sistema h\u00e1 dinheiro que poderia ser destinado ao manejo das reservas pesqueiras de modo sustent\u00e1vel. Manter os bancos de pesca sadios \u00e9 bom para a economia, mas a pesca excessiva \u201csimplesmente \u00e9 um mau neg\u00f3cio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As comunidades locais s\u00e3o as mais beneficiadas por um adequado manejo de seus recursos marinhos costeiros, conclu\u00edram os cientistas da CI em seus estudos, que se centraram em Belize, Brasil, Fiji, Panam\u00e1 e Equador. Outra descoberta das pesquisas \u00e9 que as \u00e1reas marinhas protegidas podem ajudar a pesca esgotada e os ecossistemas degradados a se recuperarem<\/p>\n<p>Os corais das ilhas Phoenix e Line, no Oceano Pac\u00edfico, sofreram um grave descoloramento entre 1997 e 1998. Os cientistas descobriram que as ilhas que estavam melhor protegidas criaram um entorno que permitiu que os arrecifes se regenerassem \u201ccom um vigor extraordin\u00e1rio\u201d, segundo o informe. \u201cAssim, a mensagem para as comunidades costeiras \u00e9 que, se querem ter acesso a esses recursos amanh\u00e3, t\u00eam de cuidar de seu quintal hoje\u201d, disse Gregory, da CI. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 17\/09\/2010 &ndash; Os pescadores de Belize, que em 1996 foram contra a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea protegida que proibia pescar em \u00e1guas do Parque Nacional Laughing Bird Caye, agora se beneficiam da abund\u00e2ncia de peixes e do auge do turismo que essa medida provocou. 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