{"id":7170,"date":"2010-09-17T19:00:23","date_gmt":"2010-09-17T19:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7170"},"modified":"2010-09-17T19:00:23","modified_gmt":"2010-09-17T19:00:23","slug":"a-recuperacao-passa-pela-forca-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/africa\/a-recuperacao-passa-pela-forca-interior\/","title":{"rendered":"A recupera\u00e7\u00e3o passa pela for\u00e7a interior"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su\u00ed\u00e7a, 17\/09\/2010 &ndash; As perspectivas de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para a \u00c1frica s\u00e3o animadoras, ao contr\u00e1rio do mundo industrializado, que tem mais dificuldades para superar os efeitos da crise financeira global nascida nos Estados Unidos, afirma a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Com\u00e9rcio e o Desenvolvimento (Unctad). Os especialistas da ag\u00eancia tamb\u00e9m especulam sobre o fim do modelo de crescimento econ\u00f4mico de exporta\u00e7\u00e3o, em especial nesse continente. <!--more--> O crescimento baseado nas vendas externas, principalmente fomentando investimentos em ind\u00fastrias baratas intensivas, n\u00e3o tem futuro, pois os grandes pa\u00edses do Norte j\u00e1 n\u00e3o consomem no mesmo ritmo de antes da crise de 2008. As na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, especialmente as africanas, devem fomentar o consumo interno e promover o aumento de sal\u00e1rios em conson\u00e2ncia com o crescimento da produtividade, recomenda a Unctad, em seu informe deste ano, &#8220;Emprego, globaliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n<p>A crise mundial significou o fim do modelo capitalista neoliberal de abertura da economia, que imperou nos anos 1990 impulsionado pelos organismos multilaterais de cr\u00e9dito e conhecido como Consenso de Washington, sustenta a Unctad. Para que esse modelo funcione, &#8220;deve haver algu\u00e9m que importe e algu\u00e9m que exporte&#8221;, declarou o secret\u00e1rio-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, na apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, no dia 14, em Genebra.<\/p>\n<p>Agora que retrocedeu o consumo baseado no endividamento nos Estados Unidos, o pa\u00eds n\u00e3o poder\u00e1 ser o motor do crescimento econ\u00f4mico mundial. Tamb\u00e9m parece pouco prov\u00e1vel que a China, os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e o Jap\u00e3o o substituam no futuro pr\u00f3ximo. \u201cO consumo interno da China representa apenas um oitavo do norte-americano\u201d, disse Supachai. \u201cMesmo que a China procure aumentar seu com\u00e9rcio interno, n\u00e3o poder\u00e1 compensar a menor demanda dos Estados Unidos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cAconselhamos as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento a se afastarem do crescimento baseado nas exporta\u00e7\u00f5es, que implica comprimir os sal\u00e1rios, porque diminuir\u00e1 a demanda interna e a gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d, acrescentou. \u201c\u00c9 preciso pensar na renda da popula\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maior produtividade, como motor da demanda\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cTudo depende da estrat\u00e9gia econ\u00f4mica de cada Estado\u201d, respondeu o diretor da divis\u00e3o Globaliza\u00e7\u00e3o e Estrat\u00e9gias de Desenvolvimento da Unctad, Heiner Flassbeck, ao ser consultado sobre como aumentar os sal\u00e1rios quando as empresas multinacionais deixam um pa\u00eds e reinvestem em outros com legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas menos r\u00edgidas. \u201cSe acreditar que um mercado com flexibilidade trabalhista \u00e9 o melhor do mundo, n\u00e3o se esfor\u00e7ar\u00e1 para criar institui\u00e7\u00f5es que estabilizem a demanda interna. \u00c9 o paradigma que impera nos \u00faltimos 20 a 30 anos, e por isto n\u00e3o existem estas institui\u00e7\u00f5es\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio mudar o modelo, disse Heiner. E a Unctad, junto com institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, deve convencer os governos sobre a import\u00e2ncia dos acordos tripartites para discutir estrat\u00e9gias nacionais. \u201c\u00c9 um enfoque totalmente diferente para muitos pa\u00edses, especialmente os do mundo em desenvolvimento\u201d, destacou. Os acordos tripartites incluem o governo, empres\u00e1rios e sindicatos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) alertou sobre a fragilidade da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pois foram criados muitos postos de trabalho no setor informal. As pol\u00edticas destinadas a aumentar os sal\u00e1rios devem objetivar os setores formal e informal, diz a Unctad, e \u00e9 necess\u00e1rio haver um v\u00ednculo entre ambos.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia aplica-se especialmente \u00e0 \u00c1frica, onde \u201cmais de 20 anos de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas ortodoxas (neoliberais) n\u00e3o tiveram muito \u00eaxito em criar condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para um r\u00e1pido crescimento sustent\u00e1vel\u201d, acrescenta o informe da Unctad. At\u00e9 o final dos anos 1990, \u201ca estrutura produtiva foi uma reminisc\u00eancia do per\u00edodo colonial, baseada quase totalmente na agricultura e na minera\u00e7\u00e3o\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, os postos de trabalho cresceram em termos absolutos, mas a produtividade \u00e9 pouca e faltam empregos decentes, alerta a Unctad. A agricultura ainda absorve mais de 60% da for\u00e7a de trabalho. O emprego aumentou nos servi\u00e7os urbanos, mas principalmente no setor informal e no com\u00e9rcio de pequena escala. O trabalho assalariado formal representa apenas 13% do total e 60% dos empregados continuam abaixo da linha de pobreza.<\/p>\n<p>\u201cVemos que surge um tipo diferente de pol\u00edtica de investimento, uma mescla de medidas liberais e maiores regulamenta\u00e7\u00f5es, especialmente nos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, disse Supachai, referindo-se ao Informe Mundial de Investimentos 2010, da Unctad. Os governos entendem que deixar que os investimentos se autorregulem leva \u00e0 realoca\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias, por isso come\u00e7aram a dirigi-las a regi\u00f5es geogr\u00e1ficas, sociais e econ\u00f4micas espec\u00edficas. A China, por exemplo, leva sua pol\u00edtica de investimentos na ind\u00fastria baseada na for\u00e7a de trabalho barata para as de alta tecnologia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 Unctad preocupa a fragilidade e desigualdade da recupera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Supachai. \u201cExiste um risco real para as na\u00e7\u00f5es que retiram muito cedo seu apoio \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o. A press\u00e3o sobre algumas delas, em especial as industrializadas, de equilibrar seus or\u00e7amentos muito cedo pode fazer retroceder as medidas de est\u00edmulo e gerar um crescimento fr\u00e1gil\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, a Unctad \u00e9 otimista a respeito da \u00c1frica. \u201cN\u00e3o foi registrada nenhuma queda dr\u00e1stica da produ\u00e7\u00e3o em 2009 e em muitos pa\u00edses foi registrada uma recupera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Heiner. \u201cPensamos que o crescimento do produto interno bruto pode continuar em 4,5%, na m\u00e9dia, este ano\u201d, ressaltou a organiza\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su\u00ed\u00e7a, 17\/09\/2010 &ndash; As perspectivas de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para a \u00c1frica s\u00e3o animadoras, ao contr\u00e1rio do mundo industrializado, que tem mais dificuldades para superar os efeitos da crise financeira global nascida nos Estados Unidos, afirma a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Com\u00e9rcio e o Desenvolvimento (Unctad). 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