{"id":7172,"date":"2010-09-17T19:03:34","date_gmt":"2010-09-17T19:03:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7172"},"modified":"2010-09-17T19:03:34","modified_gmt":"2010-09-17T19:03:34","slug":"politica-e-mulher-combinam-no-cone-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/politica-e-mulher-combinam-no-cone-sul\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica e mulher combinam no Cone Sul"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 17\/09\/2010 &ndash; Se os brasileiros elegerem, no pr\u00f3ximo m\u00eas, uma mulher como presidente, o que parecia casualidade ou fato isolado na Argentina e no Chile ganhar\u00e1 o selo de tend\u00eancia no Cone Sul da Am\u00e9rica. <!--more--> No dia 3 de outubro o Brasil poder\u00e1 passar a ser o terceiro pa\u00eds da regi\u00e3o a eleger uma presidente com poucos anos de diferen\u00e7a. A candidata do PT, Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, tem 20 pontos de vantagem sobre seu advers\u00e1rio, Jos\u00e9 Serra, do PSDB, e a inc\u00f3gnita agora \u00e9 se vencer\u00e1 no primeiro turno ou se haver\u00e1 segundo.<\/p>\n<p>Contudo, uma mulher chegar no ponto mais alto do governo n\u00e3o implica protagonismo da agenda de g\u00eanero, com temas como participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica equitativa, sa\u00fade sexual e reprodutiva, igualdade de oportunidades ou distribui\u00e7\u00e3o das tarefas familiares, ressaltaram pol\u00edticas e especialistas da \u00e1rea \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cO corpo de mulher n\u00e3o garante preocupa\u00e7\u00e3o pelos assuntos das mulheres\u201d, afirmou Natalia Gherardi, da Equipe Latino-Americana de Justi\u00e7a e G\u00eanero na Argentina. \u201cNa verdade, o que assegura \u00e9 uma melhor qualidade da democracia\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a chegada de mulheres \u00e0 Presid\u00eancia \u201cvai criando a ideia de que as lideran\u00e7as femininas em pol\u00edtica podem ser iguais \u00e0s masculinas, e isso \u00e9 bom porque se naturaliza como algo j\u00e1 instalado\u201d, comemorou.<\/p>\n<p>Luiza Erundina, deputada federal pelo PSB e ex-prefeita de S\u00e3o Paulo (1982-1992), disse que uma presidente \u201cn\u00e3o \u00e9 suficiente para impulsionar mudan\u00e7as com vistas a um equil\u00edbrio de g\u00eanero, por mais capaz que seja. \u00c9 necess\u00e1rio o apoio dos homens e da sociedade organizada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ainda assim, a prevista chegada de Dilma \u00e0 Presid\u00eancia \u201c\u00e9 por si s\u00f3 um sinal de mudan\u00e7as na pol\u00edtica machista do Brasil\u201d, acrescentou Erundina.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno come\u00e7ou com Michelle Bachelet, primeira presidente do Chile (2006-2010) e primeira a formar um gabinete com paridade de g\u00eanero na Am\u00e9rica Latina. Sua gest\u00e3o impulsionou numerosas medidas para reduzir a discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p>Seu trabalho, de fato, fez com que, no dia 14 deste m\u00eas, fosse designada chefe da Entidade para a Igualdade entre os G\u00eaneros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU-Mulheres), a nova ag\u00eancia da ONU que a partir de janeiro promover\u00e1 os discriminados direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s Bachelet, foi a vez da atual presidente argentina, Cristina Fern\u00e1ndez, uma legisladora de destaque em v\u00e1rias mandatos. Seu triunfo foi preparado pela gest\u00e3o de seu antecessor \u2013 e marido \u2013, N\u00e9stor Kirchner (2003-2007).<\/p>\n<p>Estas conquistas s\u00e3o resultado de um processo de participa\u00e7\u00e3o muito mais amplo do que a simples aplica\u00e7\u00e3o das leis de cotas em muitos pa\u00edses latino-americanos h\u00e1 20 anos, para facilitar o acesso feminino.<\/p>\n<p>A Argentina foi pioneira mundial em uma lei de cotas e ocupa o segundo lugar, ap\u00f3s a Costa Rica, entre as na\u00e7\u00f5es latino-americanas com maior propor\u00e7\u00e3o de mulheres no parlamento: 38,5% na C\u00e2mara dos Deputados e 35% no Senado.<\/p>\n<p>Entretanto, as a\u00e7\u00f5es afirmativas n\u00e3o explicam a ascens\u00e3o de Bachelet no Chile, porque nesse pa\u00eds n\u00e3o h\u00e1 lei de cotas e a atual participa\u00e7\u00e3o feminina no parlamento \u00e9 baixa: 14% de deputadas e 13% de senadoras.<\/p>\n<p>E mais, o pa\u00eds onde as cotas s\u00e3o um fracasso \u00e9 o Brasil, onde as deputadas somam 8,8% do total e as senadoras 12,3%, e nos governos estaduais e prefeituras \u00e9 ainda pior.<\/p>\n<p>Erundina explicou que, no Brasil, as cotas \u201cs\u00e3o apenas uma conquista formal\u201d porque, ao contr\u00e1rio da Argentina, o cumprimento \u00e9 volunt\u00e1rio. S\u00f3 a partir destas elei\u00e7\u00f5es os partidos ser\u00e3o castigados se n\u00e3o tiverem 30% de candidatas mulheres, mas n\u00e3o existem listas fechadas e sua elei\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>De todo modo, \u201cos partidos t\u00eam de apostar nas mulheres, n\u00e3o dificultar-lhes o acesso, e capacit\u00e1-las, porque s\u00f3 assim as cotas ser\u00e3o efetivas\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Rangel, do brasileiro Centro Feminista de Estudos e Assessoria, disse que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica entre \u201cmais mulheres no poder, mais direitos para a coletividade feminina\u201d, e destacou que \u201cn\u00e3o basta apenas eleger mais mulheres, mas eleger mulheres com consci\u00eancia de g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p>A deputada argentina Marcela Rodr\u00edguez, da opositora Coaliz\u00e3o C\u00edvica, concorda com essa afirma\u00e7\u00e3o, e destaca que quanto mais mulheres participarem, mais provavelmente ser\u00e3o incorporados temas fundamentais para elas.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o das legisladoras \u00e9 f\u00e1cil quando se trata de direitos das mulheres. Por\u00e9m, em temas como o or\u00e7amento, embora se tenha um olhar de g\u00eanero, muitas legisladoras votam com \u201cdisciplina partid\u00e1ria\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Erundina mostrou outro lado dessa quest\u00e3o: \u201co encastelamento das mulheres em termas sociais\u201d quando chegam ao governo ou ao parlamento, \u201ccomo se n\u00e3o tivessem aptid\u00e3o para pol\u00edticas mais estrat\u00e9gicas\u201d, como as econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>\u201cIsso reflete um d\u00e9ficit da democracia e da sociedade e limita as mulheres a contribu\u00edrem com sua especial capacidade para combinar a economia com o social\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em outros pa\u00edses sul-americanos o panorama \u00e9 diferente, mas todos mostram avan\u00e7os em participa\u00e7\u00e3o e igualdade nas candidaturas.<\/p>\n<p>Desde janeiro, a Bol\u00edvia \u00e9 o segundo pa\u00eds com um gabinete parit\u00e1rio e uma mulher, Ana Mar\u00eda Romero, presidente da bicameral Assembleia Plurinacional, o segundo cargo institucional do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres controlam in\u00e9ditos 28% das bancadas e a maioria delas se comprometeu formalmente a promover uma agenda de g\u00eanero pactuada com a n\u00e3o governamental Coordenadoria da Mulher, recordou sua respons\u00e1vel de Incid\u00eancia, M\u00f3nica Novillo.<\/p>\n<p>No Uruguai, a lei de cotas ser\u00e1 aplicada a partir de 2014 e atualmente conta com 15,2% de mulheres na C\u00e2mara de Deputados e 12,9% no Senado. Apesar disso, as legisladoras encontraram um atalho para empurrar a agenda de g\u00eanero: uma Bancada Bicameral Feminina, criada em 2000.<\/p>\n<p>A lei no Paraguai fixa em 20% a cota feminina, desde 1996. Mas as deputadas s\u00e3o apenas 12,5% do total e as senadoras 15,6%.<\/p>\n<p>A ministra da Mulher, Gloria Rubin, disse que em seu pa\u00eds ainda \u201cs\u00e3o os homens que decidem, inclusive se uma mulher vai constar, ou n\u00e3o, da lista de candidatos\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, destacou que as mulheres conquistaram maior participa\u00e7\u00e3o e protagonismo pol\u00edtico nos \u00faltimos anos e recordou que nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2008 o ent\u00e3o governante Partido Colorado concorreu com uma mulher, Blanca Ovelar. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com a colabora\u00e7\u00e3o de Mario Osava (Rio de Janeiro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 17\/09\/2010 &ndash; Se os brasileiros elegerem, no pr\u00f3ximo m\u00eas, uma mulher como presidente, o que parecia casualidade ou fato isolado na Argentina e no Chile ganhar\u00e1 o selo de tend\u00eancia no Cone Sul da Am\u00e9rica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/politica-e-mulher-combinam-no-cone-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[24],"class_list":["post-7172","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7172\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}