{"id":7180,"date":"2010-09-24T16:54:31","date_gmt":"2010-09-24T16:54:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7180"},"modified":"2010-09-24T16:54:31","modified_gmt":"2010-09-24T16:54:31","slug":"brasileira-e-exemplo-da-pequena-agricultura-de-palma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/brasileira-e-exemplo-da-pequena-agricultura-de-palma\/","title":{"rendered":"Brasileira \u00e9 exemplo da pequena agricultura de palma"},"content":{"rendered":"<p>20\/9\/2010, 24\/09\/2010 &ndash; \u201cN\u00e3o \u00e9 trabalho para mulheres\u201d, diziam. Mas Benedita Nascimento se destaca agora como o melhor exemplo de sucesso de um programa de agricultura familiar vinculado ao cultivo de palma na parte oriental da Amaz\u00f4nia brasileira. <!--more--> \u201cH\u00e1 oito anos n\u00e3o conhecia o dend\u00ea (a palma africana), e vendia a pre\u00e7os injustos farinha de mandioca para intermedi\u00e1rios\u201d, recordou a camponesa, cujo testemunho foi o mais aplaudido na II Confer\u00eancia Latino-Americana da Mesa Redonda do \u00d3leo de Palma Sustent\u00e1vel, realizada entre 24 e 27 de agosto, em Bel\u00e9m, a capital do Estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Ganhava cerca de US$ 170 por m\u00eas, \u201cno m\u00e1ximo\u201d. A palma garante sete vezes mais. Incr\u00e9dula, Benedita mostrou uma nota fiscal de julho registrando a venda para a empresa Agropalma de uma quantia equivalente a US$ 2.500 desta oleaginosa da qual se extrai o \u00f3leo.<\/p>\n<p>A empresa, que controla dois ter\u00e7os da produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de palma no Brasil, desconta de cada pagamento o adubo antecipado, a amortiza\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo banc\u00e1rio e outros insumos e servi\u00e7os, como parte do programa de pequenos agricultores que realiza junto com o governo do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o \u201cal\u00edvio do trabalho\u201d \u00e9 algo que Benedita valoriza mais do que a renda, assegurada por um contrato de 25 anos com a empresa.<\/p>\n<p>A tarefa anual de cortar mato, queim\u00e1-lo, preparar a terra, semear mandioca, limpar e colher, em um ciclo sem fim e sem perspectivas, a levara ao des\u00e2nimo. \u201cPensava em ir embora\u201d, como muitos fizeram, confessou \u00e0 IPS durante uma visita \u00e0 sua casa na zona rural do munic\u00edpio de Moju, a 200 quil\u00f4metros de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>A palma exige dela, de seu novo marido e de um filho de 18 anos, apenas dois ou tr\u00eas dias a cada quinzena para cortar e transportar os frutos. Tamb\u00e9m a cada seis meses \u00e9 preciso podar as \u00e1rvores e limpar e fertilizar o solo.<\/p>\n<p>Com isso, os agricultores familiares como Benedita superam o rendimento dos 39 mil hectares de palma que a Agropalma cultiva diretamente, de 22 toneladas anuais por hectare.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas primeiros anos foram duros. Sem colheita e com um trabalho \u00e1rduo para cuidar do crescimento das palmas, al\u00e9m dos gastos em sementes, adubos e equipamentos, que foram financiados pela empresa e pelo Banco da Amaz\u00f4nia, institui\u00e7\u00e3o estatal de fomento.<\/p>\n<p>E antes havia a incerteza de saber se a companhia aceitaria contratar uma mulher sozinha, com duas filhas adolescentes, que agora vivem fora, e o mais mo\u00e7o, na \u00e9poca com dez anos. Do primeiro marido n\u00e3o tem not\u00edcias. O segundo, pai do filho que a ajuda e faz o curso secund\u00e1rio, foi assassinado em um barco que transportava madeira. O terceiro veio depois da palma.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o nasci para servir de burro a homem algum\u201d, afirma Benedita, e alerta para sua \u201cintoler\u00e2ncia diante dos desaforos masculinos, para azar dos meus maridos\u201d, diz, dando um sorriso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m precisou vencer a desconfian\u00e7a sobre o neg\u00f3cio que lhe ofereciam. \u201cA Agropalma tomar\u00e1 suas terras, os converter\u00e1 em escravos, isso n\u00e3o \u00e9 cultivo para pobres\u201d, diziam membros de sindicatos agr\u00edcolas contr\u00e1rios ao programa.<\/p>\n<p>O auge da palma, sobretudo para produzir agrocombust\u00edveis, sofre muitas cr\u00edticas de insustentabilidade social e ambiental, pelo desmatamento que provocou em pa\u00edses asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Benedita n\u00e3o desanimou e ganhou um dos primeiros 50 lotes, distribu\u00eddos em 2002. Sua lideran\u00e7a a levou \u00e0 Presid\u00eancia, entre 2007 e 2009, da Associa\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Comunit\u00e1rio do Ramal do Araua\u00ed, que representa, junto \u00e0 Agropalma, parte das 185 fam\u00edlias que plantam dend\u00ea em \u00e1reas de dez hectares.<\/p>\n<p>Seu exemplo deu resultado, e agora a produ\u00e7\u00e3o de 36 lotes \u00e9 encabe\u00e7ada por mulheres, que se ajudam entre si, \u201cporque todas temos fam\u00edlias por tr\u00e1s e queremos ser as melhores para nossos filhos, e assim trocamos conhecimento e apoio\u201d.<\/p>\n<p>O programa inclui moradores rurais pobres, cuja renda dependa da agricultura em pelo menos 70%. Depois de 25 anos, a m\u00e9dia de idade produtiva da palma, a propriedade passar\u00e1 para seu nome e com uso livre.<\/p>\n<p>Para as tr\u00eas primeiras etapas do programa, entre 2002 e 2005, o governo do Par\u00e1 entregou terras \u00e0s 50 fam\u00edlias beneficiadas em cada uma, vizinhas da fazenda da Agropalma.<\/p>\n<p>A quarta etapa incorporou 35 fam\u00edlias assentadas pelo Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Agr\u00e1rio, a 20 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Outra mulher, Raimunda da Costa, preside a Associa\u00e7\u00e3o de Pequenos Agricultores de \u00c1gua Preta, que re\u00fane os produtores desta fase.<\/p>\n<p>\u201cQuando temos apoio, n\u00f3s mulheres n\u00e3o temos freio. Quero que meu exemplo sirva para outras\u201d, disse Raimunda \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Hilda Paiva da Silva, de 44 anos, ainda enfrenta problemas em seu lote. Consegue cerca de US$ 580 por m\u00eas, mas quase a metade vai para pagar empr\u00e9stimos. E com o que resta n\u00e3o pode subsistir com seus seis filhos.<\/p>\n<p>A terra estava em nome de seu ex-marido, que \u201cnunca gostou do dend\u00ea\u201d porque para ele \u201cs\u00f3 gerava d\u00edvidas\u201d e acabou descuidando, afirmou Hilda \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Quando ele se foi, em 2008, transferiu o contrato para sua irm\u00e3, Benedita, que a ajudou a produzir um ano depois. Hilda est\u00e1 em plena luta para n\u00e3o cair nos 10% de fracassos que o programa registra.<\/p>\n<p>Entretanto, herdou o lote sem ferramentas nem um burro para transportar a produ\u00e7\u00e3o, por isso, quando a colheita cai, sua renda volta a depender da farinha de mandioca, que d\u00e1 muito mais trabalho e pouco dinheiro, queixou-se.<\/p>\n<p>A palma exige um \u201ctrabalho intensivo\u201d, permanente de combate \u00e0s pragas e alto rendimento para cobrir os empr\u00e9stimos que se acumulam e cuja amortiza\u00e7\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica na venda dos frutos \u00e0 Agropalma, que obt\u00e9m biodiesel e tamb\u00e9m abastece a ind\u00fastria aliment\u00edcia e de cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Em 2009, a crise financeira mundial reduziu pela metade o pre\u00e7o internacional do \u00f3leo, refer\u00eancia para os pagamentos da Agropalma, disse Benedita, que vive em sua propriedade \u00e0s margens de um riacho e a um quil\u00f4metro de Araua\u00ed, um povoado de 30 casas.<\/p>\n<p>A Agropalma tem 4.748 empregados, dos quais 830 s\u00e3o mulheres, a maioria colhedora dos frutos que caem no solo quando se separam dos cachos de alturas de at\u00e9 12 metros.<\/p>\n<p>Elas \u201c\u00e0s vezes ganham mais do que os homens\u201d que cortam os cachos, porque os colhedores recebem por produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do sal\u00e1rio m\u00ednimo, explicou Fl\u00e1vio Trindade, gerente de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da empresa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20\/9\/2010, 24\/09\/2010 &ndash; \u201cN\u00e3o \u00e9 trabalho para mulheres\u201d, diziam. 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