{"id":7186,"date":"2010-09-24T17:01:59","date_gmt":"2010-09-24T17:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7186"},"modified":"2010-09-24T17:01:59","modified_gmt":"2010-09-24T17:01:59","slug":"o-artico-preso-em-um-circulo-vicioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/mundo\/o-artico-preso-em-um-circulo-vicioso\/","title":{"rendered":"O \u00c1rtico preso em um c\u00edrculo vicioso"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1,, 24\/09\/2010 &ndash; Cada vez mais quente, o Oceano \u00c1rtico emite enormes volumes de calor adicional na atmosfera, alterando os padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos do hemisf\u00e9rio Norte, afirmam v\u00e1rios cientistas clim\u00e1ticos. As emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono derivadas da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis derretem os gelos do Mar \u00c1rtico, alterando perigosamente o equil\u00edbrio energ\u00e9tico de todo o planeta, acrescentam. <!--more--> \u201cO gelo do \u00c1rtico alcan\u00e7ou seu quarto n\u00edvel estival mais baixo nos \u00faltimos quatro anos\u201d, disse Mark Serreze, diretor do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve em Boulder, no Estado norte-americano do Colorado. O volume de gelo que resta no \u00c1rtico provavelmente tenha alcan\u00e7ado este m\u00eas o menor registro da hist\u00f3ria, afirmou Mark \u00e0 IPS. \u201cReitero minhas declara\u00e7\u00f5es anteriores de que a cobertura gelada do Mar \u00c1rtico no ver\u00e3o experimenta uma espiral de morte. E n\u00e3o se recuperar\u00e1\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode haver recupera\u00e7\u00e3o porque a cada ver\u00e3o somam-se \u00e0 regi\u00e3o enormes quantidades de calor extra, enquanto mais de 2,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados do Oceano \u00c1rtico ficam expostos ao calor do Sol de ver\u00e3o durante 24 horas. E um Oceano \u00c1rtico mais quente n\u00e3o s\u00f3 demora mais para congelar como tamb\u00e9m emite enormes volumes de calor adicional na atmosfera, alterando os padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos do hemisf\u00e9rio Norte, confirmaram os cientistas.<\/p>\n<p>\u201cO inverno excepcionalmente frio e nevado de 2009-2010 na Europa, \u00c1sia oriental e no leste da Am\u00e9rica do Norte est\u00e1 vinculado com os processos f\u00edsicos \u00fanicos que se produzem no \u00c1rtico\u201d, disse \u00e0 IPS James Overland, do Laborat\u00f3rio Marinho Ambiental do Pac\u00edfico da Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos, em entrevista exclusiva concedida em junho em Oslo.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, um \u00c1rtico mais quente significa que \u201cfuturos invernos frios e nevados ser\u00e3o a regra e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o\u201d nestas regi\u00f5es, acrescentou. Cada vez h\u00e1 mais evid\u00eancias dos impactos generalizados de um \u00c1rtico mais quente, concorda Mark. \u201cCapturar todo esse calor adicional tem que ter impactos, que aumentar\u00e3o no futuro\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um efeito local que j\u00e1 se faz sentir \u00e9 o r\u00e1pido aquecimento das regi\u00f5es costeiras do \u00c1rtico, onde as temperaturas m\u00e9dias agora est\u00e3o entre tr\u00eas e cinco graus mais elevadas do que h\u00e1 30 anos. Se a temperatura m\u00e9dia mundial aumentar do atual registro de 0,8 grau para dois graus, como parece prov\u00e1vel, toda a regi\u00e3o do \u00c1rtico se aquecer\u00e1 pelo menos entre quatro e seis graus, e possivelmente oito, devido a uma s\u00e9rie de processos conhecidos como \u201camplifica\u00e7\u00e3o\u201d da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Se o \u00c1rtico ficar seis graus mais quente, ent\u00e3o metade do permafrost (gelo permanente) do mundo provavelmente derreter\u00e1 v\u00e1rios metros, liberando a maior parte do carbono e metano ali acumulados durante milhares de anos, disse Vladimir Romanovsky, da Universidade do Alasca em Fairbanks e especialista mundial em permafrost. O metano \u00e9 um g\u00e1s-estufa aproximadamente 25 vezes mais potente do que o di\u00f3xido de carbono. Isso seria catastr\u00f3fico para a civiliza\u00e7\u00e3o humana, afirmam os especialistas.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o do permafrost ocupa 13 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de Alasca, Canad\u00e1, Sib\u00e9ria e partes da Europa, e cont\u00e9m pelo menos o dobro do carbono agora presente na atmosfera: 1.672 gigatoneladas, segundo um estudo publicado em 2009 na revista Nature. \u00c9 tr\u00eas vezes mais carbono do que o contido em todas as florestas do mundo. \u201cO derretimento do permafrost \u00e9 observado consistentemente em toda a regi\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1980\u201d, disse Vladimir em uma entrevista.<\/p>\n<p>Um estudo de 2009, realizado no Canad\u00e1, documentou que nos \u00faltimos 50 anos o limite mais meridional do permafrost diminuiu 130 quil\u00f4metros na regi\u00e3o da ba\u00eda de James, na prov\u00edncia de Quebec. Em seu limite norte, pela primeira vez em uma d\u00e9cada, o calor do Oceano \u00c1rtico se estendeu para al\u00e9m da \u00e1rea continental neste ver\u00e3o, acrescentou Vladimir.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 estimativas certeiras sobre quanto di\u00f3xido de carbono e metano emite o permafrost ao derreter ou o permafrost submarino, que atua como cobertura sobre quantidades desconhecidas de hidratos de metano (um tipo de metano congelado) ao longo da plataforma do \u00c1rtico, afirmou este especialista. \u201cO metano sempre est\u00e1 em qualquer parte onde se perfure o permafrost\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Na primavera passada, no hemisf\u00e9rio Norte, os colegas de Vladimir informaram que anualmente cerca de oito milh\u00f5es de toneladas de metano saem \u00e0 superf\u00edcie na forma de bolhas, das plan\u00edcies \u00e1rticas do leste da Sib\u00e9ria, segundo as primeiras medi\u00e7\u00f5es feitas ali. Se apenas 1% do metano submarino do \u00c1rtico chegar \u00e0 atmosfera, poder\u00e1 quadruplicar a quantidade de metano que atualmente existe nela.<\/p>\n<p>O atual derretimento do permafrost, relativamente lento, pode acelerar em poucas d\u00e9cadas, liberando enormes quantidades de gases-estufa, disse Vladimir. Tanto ele como outro especialista em permafrost, Ted Schuur, da Universidade da Fl\u00f3rida, conclu\u00edram que \u201cem quest\u00e3o de d\u00e9cadas poderemos perder boa parte do permafrost\u201d.<\/p>\n<p>Nem as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono nem as de metano derivadas do derretimento do permafrost s\u00e3o consideradas nos modelos do clima mundial, e passar\u00e3o v\u00e1rios anos antes que isso possa ser razoavelmente bem aceito, disse Ted \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1,, 24\/09\/2010 &ndash; Cada vez mais quente, o Oceano \u00c1rtico emite enormes volumes de calor adicional na atmosfera, alterando os padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos do hemisf\u00e9rio Norte, afirmam v\u00e1rios cientistas clim\u00e1ticos. 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