{"id":7195,"date":"2010-09-24T18:09:17","date_gmt":"2010-09-24T18:09:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7195"},"modified":"2010-09-24T18:09:17","modified_gmt":"2010-09-24T18:09:17","slug":"estados-mais-vulneraveis-reclamam-outra-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/ultimas-noticias\/estados-mais-vulneraveis-reclamam-outra-atencao\/","title":{"rendered":"Estados mais vulner\u00e1veis reclamam outra aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dili, Timor Leste, 24\/09\/2010 &ndash; Os chamados \u201cEstados fr\u00e1geis\u201d, que reclamavam mais aten\u00e7\u00e3o na C\u00fapula Mundial sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), foram praticamente ignorados no documento final. Mas, ao menos, tiveram a possibilidade de erguer sua voz diante dos doadores. Os pa\u00edses que integram o grupo conhecido como g7+, entre os quais se destacam Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Serra Leoa, sofrem as consequ\u00eancias de prolongados conflitos armados, tentam conseguir a pacifica\u00e7\u00e3o nacional e a constru\u00e7\u00e3o do Estado. <!--more--> \u201c\u00c9 dif\u00edcil mobilizar o sistema internacional, mas o fato de os principais atores dentro da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Banco Mundial e doadores importantes mencionarem o g7+ significa que foi causado um impacto\u201d, afirmou Asbjorn Wee, administrador da Rede Internacional para Conflitos e Situa\u00e7\u00f5es de Fragilidade da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico, que re\u00fane pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Timor Leste organizou, em abril, a primeira reuni\u00e3o de Estados fr\u00e1geis para analisar a portas fechadas as causas pelas quais milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de assist\u00eancia internacional n\u00e3o cumprem seu objetivo nos pa\u00edses benefici\u00e1rios, apesar do acordo das partes sobre como entregar a ajuda, como a Declara\u00e7\u00e3o de Paris sobre Assist\u00eancia Efetiva e a Agenda para a A\u00e7\u00e3o de Acra.<\/p>\n<p>Ao fim dessa reuni\u00e3o, os Estados fr\u00e1geis divulgaram um duro comunicado. A mensagem para os doadores foi claro: trabalhem conosco, n\u00e3o contra n\u00f3s, ou nunca ser\u00e3o alcan\u00e7ados os ODM. As metas s\u00e3o reduzir pela metade o n\u00famero de pessoas que sofrem pobreza e fome, em rela\u00e7\u00e3o a 1990; garantir a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal; promover a igualdade de g\u00eanero e reduzir a mortalidade infantil e a materna; combater o HIV e a aids, a mal\u00e1ria e outras enfermidades; assegurar a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associa\u00e7\u00e3o mundial para o desenvolvimento. Tudo isto at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>A C\u00fapula realizada em Nova York esta semana tinha o prop\u00f3sito de avaliar os progressos realizados no cumprimento dos ODM. Faltam cinco anos para vencer o prazo e nenhum pa\u00eds considerado fr\u00e1gil ou em conflito cumpriu algum deles, apesar das cifras astron\u00f4micas destinadas a esse fim. Em 2007, US$ 37,2 bilh\u00f5es de ajuda oficial ao desenvolvimento foram entregues a essas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA assist\u00eancia \u00e9 concedida seguindo crit\u00e9rios vinculados aos ODM. Nossa experi\u00eancia mostra que antes de alcan\u00e7ar as metas temos de conseguir certas coisas. Temos que alcan\u00e7ar a paz e a estabilidade\u201d, afirmou \u00e0 IPS a ministra de Finan\u00e7as de Timor Leste, Emilia Pires. \u201cPrimeiro conseguir a pacifica\u00e7\u00e3o e em seguida construir um Estado para manejar tudo. Isso tem que vir antes dos ODM. Se olharmos tudo o que se escreveu sobre o assunto, veremos que nada se disse desse assunto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Timor Leste, rico em petr\u00f3leo, lidera o g7+ ao ter conseguido primeiro a estabilidade, ap\u00f3s sofrer v\u00e1rios epis\u00f3dios de viol\u00eancia a cada dois anos ap\u00f3s sua independ\u00eancia em 2002, que se seguiu a 24 anos de ocupa\u00e7\u00e3o militar pela Indon\u00e9sia e outros dois sob administra\u00e7\u00e3o da ONU. A ajuda destinada \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses muito vulner\u00e1veis costuma ser entregue de acordo com as prioridades fixadas pelos doadores, resultando em uma carga enorme sobre os benefici\u00e1rios, o que impede que consolidem a paz e a estabilidade, explicou Emilia.<\/p>\n<p>\u201cO Timor Leste recebeu US$ 8 bilh\u00f5es entre 1999 e 2007. A pobreza duplicou nesse per\u00edodo, segundo o Banco Mundial\u201d, disse a ministra. \u201cSei quanto dinheiro injetei na economia, cerca de US$ 1,5 bilh\u00e3o. Outro informe do Banco Mundial diz que a pobreza aumentou 9% entre 2007 e 2009, ent\u00e3o algo est\u00e1 acontecendo\u201d, afirmou Emilia, que assumiu o cargo em 2008 no contexto do governo de coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p>O g7+ dirigiu-se aos doadores em uma declara\u00e7\u00e3o conjunta lida pelo presidente timorense, Jos\u00e9 Ramos-Horta, na C\u00fapula Mundial sobre os ODM. \u201cCom quase 350 milh\u00f5es de pessoas, este grupo \u00e9 a \u00fanica assembl\u00e9ia independente concentrada em sua dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Ramos-Horta, anunciando que seu pa\u00eds destinar\u00e1 US$ 500 mil ao grupo,<\/p>\n<p>\u201cAs prioridades devem incluir a pacifica\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do Estado como mecanismos para conseguir os ODM\u201d, acrescentou o mandat\u00e1rio. O documento final da c\u00fapula de Nova York n\u00e3o fez men\u00e7\u00e3o alguma \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de conflitos nem \u00e0s situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, apesar do chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Ramos-Horta.<\/p>\n<p>Outro pa\u00eds que n\u00e3o foi considerado foi Serra Leoa, onde a guerra civil de uma d\u00e9cada terminou em 2002. \u201c\u00c9 claro que este pa\u00eds avan\u00e7ou na dire\u00e7\u00e3o errada na primeira d\u00e9cada de implementa\u00e7\u00e3o dos ODM\u201d, afirmou seu presidente, Ernest Bai Koroma. Concentrar-se diretamente no desenvolvimento humano, em lugar de garantir a paz e a seguran\u00e7a, n\u00e3o contribuiu para conseguir os ODM, ressaltou. \u201cPara alcan\u00e7ar as metas em 2015, n\u00e3o basta apenas aumentar o investimento. \u00c9 preciso criar e executar rapidamente programas inovadores e pol\u00edticas para melhorar a economia e transformar a sociedade\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O fracasso dos ODM n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo \u00e0 falta de recursos nem de conhecimentos e experi\u00eancia, afirmou a diretora do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Helen Clark. \u201cO desafio \u00e9 que as palavras se convertam em a\u00e7\u00f5es no terreno, conseguir as mudan\u00e7as positivas para milhares de milh\u00f5es de pessoas que necessitam que os ODM prometidos h\u00e1 uma d\u00e9cada se concretizem\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A comunidade internacional poder\u00e1 falar sobre os ODM, mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que estes \u201cn\u00e3o sejam alcan\u00e7ados no prazo previsto\u201d nas na\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e nas que lidam com conflitos internos, disse Ramos-Horta \u00e0 Assembleia Geral da ONU. \u201cO quanto antes aceitarmos a realidade e come\u00e7armos a fazer mudan\u00e7as para tomar medidas urgentes, melhor ser\u00e1\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dili, Timor Leste, 24\/09\/2010 &ndash; Os chamados \u201cEstados fr\u00e1geis\u201d, que reclamavam mais aten\u00e7\u00e3o na C\u00fapula Mundial sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), foram praticamente ignorados no documento final. Mas, ao menos, tiveram a possibilidade de erguer sua voz diante dos doadores. 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