{"id":721,"date":"2005-06-23T00:00:00","date_gmt":"2005-06-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=721"},"modified":"2005-06-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-23T00:00:00","slug":"iraque-o-povo-paga-pelas-dvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/iraque-o-povo-paga-pelas-dvidas\/","title":{"rendered":"Iraque: O povo paga pelas d&iacute;vidas"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 23\/06\/2005 &ndash; Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais internacionais exortaram a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas a suspender o pagamento de milh&otilde;es de d&oacute;lares gerados pelo petr&oacute;leo iraquiano a empresas e pessoas do Kuwait a t&iacute;tulo de indeniza&ccedil;&atilde;o de guerra. &quot;Os cidad&atilde;os do Iraque n&atilde;o devem ser responsabilizados pelas a&ccedil;&otilde;es de Saddam Hussein e seu regime&quot;, afirmou o grupo norte-americano Voice in the Wilderness (Vozes do Deserto), numa refer&ecirc;ncia &agrave; invas&atilde;o do Kuwait pelo Iraque h&aacute; 15 anos. &quot;As cont&iacute;nuas reclama&ccedil;&otilde;es de indeniza&ccedil;&otilde;es de guerra s&atilde;o outra forma de viol&ecirc;ncia contra os iraquianos&quot;, afirmou a organiza&ccedil;&atilde;o Jubileu\/Iraque, com sede na Gr&atilde;-Bretanha.<br \/> <!--more--> <br \/> Esses dois grupos divulgaram uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta &agrave;s v&eacute;speras de uma reuni&atilde;o da ONU, em Genebra, na pr&oacute;xima semana, que decidir&aacute; quais compensa&ccedil;&otilde;es de guerra o Iraque deve pagar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o do Kuwait (1990-1991), e quais os valores. At&eacute; agora, a Comiss&atilde;o de Indeniza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, &oacute;rg&atilde;o criado em 1991 como subsidi&aacute;rio do Conselho de Seguran&ccedil;a, pagou indeniza&ccedil;&otilde;es superiores a US$ 52 bilh&otilde;es a pessoas e empresas do Kuwait que apresentaram demandas por perdas durante a guerra. Apesar da atual ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque pelos Estados Unidos e seus aliados, a Comiss&atilde;o imp&ocirc;s a Bagd&aacute; o pagamento de mais US$ 33 bilh&otilde;es em compensa&ccedil;&otilde;es, que ainda devem ser pagas.<\/p>\n<p> As Ongs que acompanham este processo afirmam que as reclama&ccedil;&otilde;es pendentes de decis&atilde;o se relacionam principalmente com empresas estatais de petr&oacute;leo, companhias multinacionais e governos. Sob press&atilde;o dos Estados Unidos e de outros pa&iacute;ses ocidentais, a ONU imp&ocirc;s severas san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas ao Iraque logo que terminou a invas&atilde;o do Kuwait, com a Primeira Guerra do Golfo (1991). O embargo durou 13 anos, at&eacute; que os Estados Unidos invadiram o Iraque em mar&ccedil;o de 2003. Diante dos efeitos catastr&oacute;ficos das san&ccedil;&otilde;es sobre a popula&ccedil;&atilde;o civil iraquiana, o Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas estabeleceu, em abril de 1994, o programa Petr&oacute;leo por Alimentos, que permitia ao Iraque vender quantidades limitadas de petr&oacute;leo para comprar alimentos, rem&eacute;dios e outros bens humanit&aacute;rios, sob supervis&atilde;o da ONU.<\/p>\n<p> Sob esse programa, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas separaram 25% da renda obtida com o petr&oacute;leo iraquiano para indeniza&ccedil;&otilde;es de guerra. Entretanto, esses pagamentos n&atilde;o pararam quando o Conselho p&ocirc;s fim ao programa, em maio de 2003, por ter determinado que 5% da renda do petr&oacute;leo iraquiano continuaria sendo destinado ao pagamento de compensa&ccedil;&otilde;es. Os cr&iacute;ticos do programa de indeniza&ccedil;&otilde;es agora querem que a ONU suspenda imediatamente todos esses pagamentos e elimine as &quot;d&iacute;vidas odiosas&quot; em que incorreu o regime do deposto presidente Saddam Hussein. &quot;At&eacute; que ponto o povo iraquiano ter&aacute; de pagar pelas a&ccedil;&otilde;es injustas do governo de Saddam?&quot;, perguntaram ativistas do Jubileu, recordando que quando Saddam assumiu o poder, em 1979, o Iraque n&atilde;o tinha d&iacute;vidas de longo prazo e al&eacute;m disso possu&iacute;a reservas no valor de US$ 36 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p> Mas &agrave;s v&eacute;speras da invas&atilde;o norte-americana, o Iraque devia US$ 125 bilh&otilde;es a credores estrangeiros, inclusive US$ 42 bilh&otilde;es ao Clube de Paris, formado por pa&iacute;ses ricos. Em novembro passado, o Clube de Paris aceitou reduzir suas reclama&ccedil;&otilde;es em 80%, mas n&atilde;o sem impor uma s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es. Apenas 30% do perd&atilde;o da d&iacute;vida foram incondicionais. Outros 30% se concretizar&atilde;o depois que o Iraque realizar &quot;mudan&ccedil;as estruturais significativas&quot; em sua economia. O Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) deixou claro que, nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos, o Iraque deve demonstrar que cumpriu as condi&ccedil;&otilde;es para a redu&ccedil;&atilde;o final de 20%.<\/p>\n<p> Quanto aos restantes US$ 83 bilh&otilde;es de d&iacute;vida, mais de US$ 67 bilh&otilde;es s&atilde;o reclamados por pa&iacute;ses que n&atilde;o integram o Clube de Paris, e US$ 15 bilh&otilde;es por credores privados. Em resposta ao Clube de Paris no ano passado, o governo interino do Iraque considerou &quot;odiosa&quot; a maior parte da d&iacute;vida e reclamou uma redu&ccedil;&atilde;o de 95%, bem como o fim das indeniza&ccedil;&otilde;es de guerra. Na pr&oacute;xima semana, os Estados Unidos e a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia discutir&atilde;o a d&iacute;vida do Iraque em Bruxelas. Participar&atilde;o da reuni&atilde;o chanceleres de 80 pa&iacute;ses, incluindo a secret&aacute;ria de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, al&eacute;m do secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan.<\/p>\n<p> Com o objetivo de exercer press&atilde;o sobre a Comiss&atilde;o de Indeniza&ccedil;&atilde;o, ativistas dos Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha, Iraque e outros pa&iacute;ses se dirigem &agrave; Genebra. Alguns j&aacute; come&ccedil;aram a jejuar diante dos escrit&oacute;rios da ONU.&quot;Usar o petr&oacute;leo do Iraque para pagar empresas do Kuwait &eacute; uma injusti&ccedil;a&quot;, disse Kathy Kelly, da Voices in the Wilderness. &quot;O povo iraquiano j&aacute; sofreu muito, desde as san&ccedil;&otilde;es at&eacute; os bombardeios e a ocupa&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou. &quot;A Comiss&atilde;o n&atilde;o pode existir com legitimidade nem mais um dia. N&atilde;o &eacute; uma pot&ecirc;ncia colonial&quot;, disse Hans von Sponeck, que em 2000 renunciou ao seu cargo de coordenador humanit&aacute;rio da ONU e na semana passada se reuniu com manifestantes em Genebra. A Comiss&atilde;o vai se reunir por tr&ecirc;s dias, a partir do pr&oacute;ximo dia 28. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 23\/06\/2005 &ndash; Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais internacionais exortaram a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas a suspender o pagamento de milh&otilde;es de d&oacute;lares gerados pelo petr&oacute;leo iraquiano a empresas e pessoas do Kuwait a t&iacute;tulo de indeniza&ccedil;&atilde;o de guerra. &quot;Os cidad&atilde;os do Iraque n&atilde;o devem ser responsabilizados pelas a&ccedil;&otilde;es de Saddam Hussein e seu regime&quot;, afirmou o grupo norte-americano Voice in the Wilderness (Vozes do Deserto), numa refer&ecirc;ncia &agrave; invas&atilde;o do Kuwait pelo Iraque h&aacute; 15 anos. &quot;As cont&iacute;nuas reclama&ccedil;&otilde;es de indeniza&ccedil;&otilde;es de guerra s&atilde;o outra forma de viol&ecirc;ncia contra os iraquianos&quot;, afirmou a organiza&ccedil;&atilde;o Jubileu\/Iraque, com sede na Gr&atilde;-Bretanha.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/iraque-o-povo-paga-pelas-dvidas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-721","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=721"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/721\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}