{"id":7210,"date":"2010-09-29T19:55:42","date_gmt":"2010-09-29T19:55:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7210"},"modified":"2010-09-29T19:55:42","modified_gmt":"2010-09-29T19:55:42","slug":"argentinas-mobilizadas-pela-despenalizacao-do-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/argentinas-mobilizadas-pela-despenalizacao-do-aborto\/","title":{"rendered":"Argentinas mobilizadas pela despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 29\/09\/2010 &ndash; Incentivadas pela san\u00e7\u00e3o de uma lei de casamento entre pessoas do mesmo sexo, organiza\u00e7\u00f5es de mulheres da Argentina reclamaram a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, no dia latino-americano em favor da despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez. <!--more--> Cerca de mil integrantes do Coletivo de Mulheres Juana Azurduy, mais conhecido com Las Juanas, apresentaram, em diferentes tribunais do pa\u00eds, um pedido de habeas corpus \u201ccoletivo e preventivo\u201d para que a penaliza\u00e7\u00e3o do aborto seja declarada inconstitucional.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pediram que se exorte o Poder Legislativo a adequar a lei vigente que penaliza o aborto com a norma internacional que reconhece o direito das mulheres decidirem sobre seu corpo.<\/p>\n<p>\u201cEscolhemos o habeas corpus porque \u00e9 a figura que protege a liberdade das pessoas e, de forma preventiva, pedimos que a justi\u00e7a nos ampare se ficarmos gr\u00e1vidas e quisermos abortar\u201d, explicou \u00e0 IPS Gabriela Sosa, do Las Juanas.<\/p>\n<p>Gabriela, que \u00e9 coordenadora da organiza\u00e7\u00e3o na prov\u00edncia de Santa F\u00e9 e uma das signat\u00e1rias do pedido, explicou que o contexto pol\u00edtico-social \u00e9 muito adequado no momento para avan\u00e7ar em uma lei que despenalize o aborto.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 algum tempo n\u00e3o pod\u00edamos imaginar que a Argentina teria uma lei de casamento igualit\u00e1rio e este ano se conseguiu porque h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o social para debater estes temas e os pol\u00edticos a reconhecem\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Entretanto, admitiu um fator contr\u00e1rio. Em 2011 haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es gerais e \u201cnenhum candidato vai querer pegar a batata quente do aborto\u201d, ironizou a ativista se referindo \u00e0 retic\u00eancia dos pol\u00edticos em se pronunciarem sobre assuntos controvertidos durante as campanhas.<\/p>\n<p>Na Argentina, o aborto \u00e9 ilegal e punido com pris\u00e3o, salvo quando a gravidez \u00e9 fruto de uma viola\u00e7\u00e3o, quando a m\u00e3e corre risco de morte ou se a gestante \u201c\u00e9 idiota ou demente\u201d.<\/p>\n<p>Apesar desta lei, anualmente acontecem entre 460 mil e 600 mil interrup\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias da gravidez, segundo o informe \u201cEstimativa da magnitude do aborto induzido na Argentina\u201d, elaborado por especialistas da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Centro de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina apenas Cuba \u2013 al\u00e9m do Estado livre associado de Porto Rico e o Distrito Federal do M\u00e9xico \u2013 n\u00e3o o penalizam. O restante se divide entre pa\u00edses que o criminalizam sem nenhuma exce\u00e7\u00e3o (Chile, El Salvador e Nicar\u00e1gua) e os que o permitem de maneira muito restrita.<\/p>\n<p>No entanto, na regi\u00e3o s\u00e3o feitos quatro milh\u00f5es de abortos por ano, segundo diversas fontes, e 13% das mortes maternas est\u00e3o associadas a esta pr\u00e1tica feita de maneira insegura. Na Argentina, o aborto clandestino e inseguro \u00e9 a primeira causa de mortalidade materna, recordaram as ativistas do Las Juanas.<\/p>\n<p>Diante dessa realidade, as organiza\u00e7\u00f5es argentinas lan\u00e7aram ontem, dia 28, sua iniciativa junto ao Poder Judici\u00e1rio, dia que o movimento feminista da Am\u00e9rica Latina e do Caribe instituiu h\u00e1 20 anos como Dia pela Despenaliza\u00e7\u00e3o do Aborto.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional uniu-se a esta campanha com um duro pronunciamento sobre as consequ\u00eancias da criminaliza\u00e7\u00e3o. \u201cDevem ser revogadas as leis que punem ou permitem o encarceramento de mulheres e meninas que buscam ou t\u00eam um aborto sob qualquer circunst\u00e2ncia\u201d, pediu Guadalupe Marengo, diretora-adjunta da organiza\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a Anistia, a restri\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres latino-americanas a um aborto legal e seguro faz com que \u201cseus direitos humanos estejam em grave perigo\u201d.<\/p>\n<p>Na Argentina, as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres realizam, h\u00e1 v\u00e1rios anos, campanhas a favor de despenalizar esta pr\u00e1tica, mas sempre encontram a resist\u00eancia dos setores mais conservadores.<\/p>\n<p>Este ano, o ambiente parece estar mais favor\u00e1vel. Desde mar\u00e7o, a C\u00e2mara dos Deputados analisa um projeto de lei para a despenaliza\u00e7\u00e3o, apoiado por meia centena de legisladores de diferentes partidos.<\/p>\n<p>A iniciativa, que poder\u00e1 ser debatida em outubro, foi apresentada pela legisladora Cecilia Merch\u00e1n, do movimento esquerdista Libres Del Sul, e prop\u00f5e legalizar a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez at\u00e9 12 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 ocorre no Distrito Federal do M\u00e9xico, que acolhe a maior parte da popula\u00e7\u00e3o da capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os quase 20 projetos anteriores sobre aborto nunca passaram de sua apresenta\u00e7\u00e3o ao longo dos anos, enquanto o atual j\u00e1 foi analisado em comiss\u00f5es, um passo pr\u00e9vio ao debate no plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Cecilia recordou \u00e0 IPS que seu projeto se fundamentou na alta quantidade de abortos realizados e principalmente nos mais de 70 mil casos de mulheres, em geral pobres, que acabam hospitalizadas por pr\u00e1ticas inseguras.<\/p>\n<p>\u201cNo ano passado, das mulheres que ingressaram em hospitais p\u00fablicos com aborto iniciado e complica\u00e7\u00f5es derivadas, 120 morreram, isto \u00e9, a cada dois dias morreu na Argentina uma mulher por esta causa\u201d, alertou.<\/p>\n<p>A legisladora ponderou que \u201co clima atual \u00e9 favor\u00e1vel\u201d no sentido de se avan\u00e7ar neste tema, pois \u201ca sociedade apresenta a necessidade de tratar no Congresso um assunto que tem severas consequ\u00eancias na vida de tantas mulheres\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAssim como ocorreu no debate sobre casamento homossexual, a sociedade em seu conjunto, mesmo os que s\u00e3o contra, n\u00e3o quer mais esconder uma realidade que envolve tantas pessoas\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, o tema n\u00e3o \u00e9 novo, mas notamos que agora a exig\u00eancia da sociedade obriga os legisladores a discuti-lo\u201d, ressaltou Cecilia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve pronunciamentos de setores em outra \u00e9poca contr\u00e1rios a se manifestar, como as universidades p\u00fablicas. Os decanos da UBA, para citar um caso, apoiaram em agosto a despenaliza\u00e7\u00e3o por 23 votos a favor e um contra.<\/p>\n<p>Houve, ainda, declara\u00e7\u00f5es a favor por parte de integrantes da Suprema Corte de Justi\u00e7a, como a ju\u00edza Carmen Argibay, que afirmou, este m\u00eas, o momento de debater mudan\u00e7as na lei sobre abortos \u201c\u00e9 agora\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, e diante da ofensiva que preparam os deputados para despenalizar a pr\u00e1tica, no Senado \u00e9 levado adiante outro projeto, limitado a ampliar as causas para os abortos sem puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia de algumas senadoras \u00e9 que a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez seja permitida quando estiver em risco a sa\u00fade da m\u00e3e, entendendo este conceito com um crit\u00e9rio amplo que inclui sua sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es de mulheres n\u00e3o t\u00eam o apoio da presidente Cristina Fern\u00e1ndez, que se manifestou contra a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Entretanto, Cecilia acredita que seu pensamento n\u00e3o interferir\u00e1 no debate legislativo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 29\/09\/2010 &ndash; Incentivadas pela san\u00e7\u00e3o de uma lei de casamento entre pessoas do mesmo sexo, organiza\u00e7\u00f5es de mulheres da Argentina reclamaram a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, no dia latino-americano em favor da despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/america-latina\/argentinas-mobilizadas-pela-despenalizacao-do-aborto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[24],"class_list":["post-7210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7210\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}