{"id":7212,"date":"2010-09-29T19:58:22","date_gmt":"2010-09-29T19:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7212"},"modified":"2010-09-29T19:58:22","modified_gmt":"2010-09-29T19:58:22","slug":"china-invoca-o-passado-para-internar-se-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/africa\/china-invoca-o-passado-para-internar-se-na-africa\/","title":{"rendered":"China invoca o passado para internar-se na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Londres, Inglaterra, 29\/09\/2010 &ndash; Irritada por ser acusada de ser a nova pot\u00eancia colonial da \u00c1frica, a China lan\u00e7a m\u00e3o da penetra\u00e7\u00e3o cultural e de evid\u00eancias de v\u00ednculos ancestrais com esse continente para justificar seu avan\u00e7o econ\u00f4mico sobre ele. Arque\u00f3logos da \u00c1frica e da China buscam em \u00e1guas do Qu\u00eania um navio afundado no come\u00e7o do S\u00e9culo 15 e outras provas do com\u00e9rcio entre ambos. Acredita-se que este barco fez parte de uma frota comandada pelo almirante Zheng He, um eunuco mu\u00e7ulmano da dinastia Ming que, segundo os chineses, chegou \u00e0 \u00c1frica oriental antes do marinheiro portugu\u00eas Vasco da Gama. <!--more--> O projeto de explora\u00e7\u00e3o, que vai demorar tr\u00eas anos, come\u00e7ou em julho e \u00e9 um s\u00edmbolo dos esfor\u00e7os chineses para mostrar sua conquista atual da \u00c1frica como uma continua\u00e7\u00e3o da \u201cviagem de paz e amizade\u201d de Zheng. Os registros chineses indicam que sua frota tinha 300 embarca\u00e7\u00f5es e milhares de navegantes que sulcaram os oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico. A partir de 1405, o marinheiro fez sete viagens a \u00c1sia, \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Diz-se que chegou \u00e0 costa do Qu\u00eania em 1418, carregado com mercadorias e presentes do imperador chin\u00eas. Acredita-se que o barco, que os arque\u00f3logos buscam, naufragou quando voltava \u00e0 China, transportando uma girafa como presente do queniano sult\u00e3o de Malindi para os governantes chineses. \u201cA viagem \u00e9 verdadeiramente simb\u00f3lica sobre quais eram ent\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es da China na \u00c1frica e quais s\u00e3o as de agora\u201d, disse He Wenping, diretor de estudos africanos no Instituto de Estudos Sociais da \u00c1sia Ocidental e \u00c1frica da Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>Nesse \u00ednterim, Pequim se prepara para financiar mais pesquisas no continente, a fim de ajudar suas empresas e seus bancos a se expandirem ali. No m\u00eas passado, nasceu o Centro de Pesquisas China-\u00c1frica, na \u00f3rbita do Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio. O objetivo do Centro \u00e9 \u201cdar uma base te\u00f3rica para a tomada de decis\u00f5es do governo chin\u00eas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica\u201d, disse Huo Jianguo, presidente da Academia Chinesa de Com\u00e9rcio Internacional e Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica, na inaugura\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m vai assessorar as empresas com planos de expans\u00e3o de seus neg\u00f3cios na \u00c1frica, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cDurante muito tempo, nossa estrat\u00e9gia para a \u00c1frica se pareceu com nossa estrat\u00e9gia para o desenvolvimento econ\u00f4mico: cruzar o rio sentindo as pedras\u201d, afirmou He. \u201cN\u00e3o est\u00e1vamos preparados para ir \u00e0 \u00c1frica e tivemos de pagar um alto pre\u00e7o, aprendendo com nossos erros. Mas agora estamos consolidando nossa estrat\u00e9gia e nos centraremos em aprender sobre a \u00c1frica e falar por n\u00f3s mesmos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A China \u00e9 o principal importador de mat\u00e9rias-primas minerais da \u00c1frica. Alguns cr\u00edticos retratam sua incurs\u00e3o em pa\u00edses africanos como um \u201croubo\u201d, o que gerou rea\u00e7\u00f5es em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. O projeto arqueol\u00f3gico destaca o desejo da China de divulgar que sua florescente rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica tem uma hist\u00f3ria muito mais longa do que se pensava, e que n\u00e3o se trata apenas de neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m de um legado hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 poucos anos, os funcion\u00e1rios chineses gostavam de enfatizar o apoio da China aos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o africanos em sua luta pela independ\u00eancia e seu patrim\u00f4nio comum. Mas agora os acad\u00eamicos chineses consideram que os 60 anos de rela\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas com a \u00c1frica n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura da presen\u00e7a do Ocidente nesse continente desde o S\u00e9culo 15.<\/p>\n<p>Muitos acad\u00eamicos chineses destacam que a China carece da riqueza de conhecimento sobre a \u00c1frica que os pa\u00edses do Ocidente acumularam ao longo dos s\u00e9culos. Sem os antecedentes religiosos compartilhados que vinculam os pa\u00edses africanos com os europeus, a China teve de lan\u00e7ar m\u00e3o da hist\u00f3ria antiga em seus esfor\u00e7os para justificar sua expans\u00e3o na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Consciente da necessidade de dar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o da hist\u00f3ria e do desenvolvimento entre os dois continentes, Pequim vem incentivando a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo de Pesquisas China-\u00c1frica que possa apoiar institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos em mat\u00e9ria de estudos africanos. Boa parte do que realizam atualmente os acad\u00eamicos chineses \u00e9 financiada por institui\u00e7\u00f5es internacionais e doadores do Ocidente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se considera que os estudantes africanos ter\u00e3o um papel importante na formula\u00e7\u00e3o do novo discurso da China sobre a \u00c1frica. Nos \u00faltimos anos, o governo chin\u00eas incentivou mais estudantes africanos a estudarem no pa\u00eds, oferecendo milhares de bolsas de estudo. Em 2009, a China teve 120 mil estudantes africanos, dez vezes mais do que em 2000. Educados como as elites que governar\u00e3o no futuro, a estes estudantes \u00e9 ensinado chin\u00eas, engenharia, ci\u00eancia e agricultura.<\/p>\n<p>Tudo isto n\u00e3o passou despercebido na Europa, que a China ainda considera a \u00c1frica como seu \u201cquintal dos fundos\u201d. Segundo um informe de Chatham House de Londres, permite-se que recursos e conhecimentos sobre a \u00c1frica se desvane\u00e7am nos governos, na academia e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Ocidente.<\/p>\n<p>\u201cSob a ret\u00f3rica da import\u00e2ncia da \u00c1frica, os recursos diplom\u00e1ticos e comerciais dedicados a ela ainda s\u00e3o reduzidos em muitas capitais ocidentais, o que leva a uma espiral descendente de ignor\u00e2ncia e, portanto, de marginaliza\u00e7\u00e3o na conscientiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d, escreveu o autor do informe, Tom Cargill. Se esta tend\u00eancia n\u00e3o for revista, eliminar\u00e1 a vantagem comparativa dos paises ocidentais sobre a China na compreens\u00e3o pol\u00edtica e acad\u00eamica da \u00c1frica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, Inglaterra, 29\/09\/2010 &ndash; Irritada por ser acusada de ser a nova pot\u00eancia colonial da \u00c1frica, a China lan\u00e7a m\u00e3o da penetra\u00e7\u00e3o cultural e de evid\u00eancias de v\u00ednculos ancestrais com esse continente para justificar seu avan\u00e7o econ\u00f4mico sobre ele. Arque\u00f3logos da \u00c1frica e da China buscam em \u00e1guas do Qu\u00eania um navio afundado no come\u00e7o do S\u00e9culo 15 e outras provas do com\u00e9rcio entre ambos. Acredita-se que este barco fez parte de uma frota comandada pelo almirante Zheng He, um eunuco mu\u00e7ulmano da dinastia Ming que, segundo os chineses, chegou \u00e0 \u00c1frica oriental antes do marinheiro portugu\u00eas Vasco da Gama. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/africa\/china-invoca-o-passado-para-internar-se-na-africa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[19],"class_list":["post-7212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","tag-arte-y-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}