{"id":7215,"date":"2010-09-30T14:36:06","date_gmt":"2010-09-30T14:36:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7215"},"modified":"2010-09-30T14:36:06","modified_gmt":"2010-09-30T14:36:06","slug":"malawi-chefe-de-aldeia-lidera-luta-em-prol-da-saude-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/09\/africa\/malawi-chefe-de-aldeia-lidera-luta-em-prol-da-saude-materna\/","title":{"rendered":"MALAWI: Chefe de Aldeia Lidera Luta em Prol da Sa\u00fade Materna"},"content":{"rendered":"<p>LILONGWE, 30\/09\/2010 &ndash; Em Ntcheu, um distrito rural no centro do Malawi, os alde\u00f5es empenharam-se pessoalmente na luta contra a elevada taxa de mortalidade materna no pa\u00eds. Quase que conseguiram eliminar as mortes maternas na zona depois de apelarem \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas que dessem \u00e0 luz nos hospitais, sob supervis\u00e3o m\u00e9dica. <!--more--> O Chefe Kwataine, cuja autoridade tradicional abarca 89 aldeias em Ntcheu, lan\u00e7ou uma campanha de sa\u00fade materna que, numa fase inicial, abordou as populares cren\u00e7as culturais associadas \u00e0 gravidez como, por exemplo, o facto de o primeiro filho de uma mulher dever nascer em casa ou de os homens da fam\u00edlia decidirem quando \u00e9 que as mulheres precisam de cuidados m\u00e9dicos. Kwataine tamb\u00e9m proibiu todos as parteiras tradicionais nas suas aldeias, obrigando as mulheres a darem \u00e0 luz nos hospitais. <\/p>\n<p>Estas medidas s\u00e3o acompanhadas de uma campanha generalizada de educa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade materna. Em cada uma das 89 aldeias, entre dois e cinco conselheiros especializados em sa\u00fade materna registam todos os nascimentos e informam as m\u00e3es sobre as melhores pr\u00e1ticas de sa\u00fade materna. Mensagens alegres pintadas nas paredes das casas dos alde\u00f5es constituem uma forma consp\u00edcua de chamar a aten\u00e7\u00e3o para importantes mensagens de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m monitorizamos as visitas aos hospitais. Cada vez que v\u00e3o fazer um exame pr\u00e9-natal, trazem os seus passaportes m\u00e9dicos para que possamos registar o que foi feito no hospital,\u201d explica Pilirano Nkhoma, um dos conselheiros de sa\u00fade materna. <\/p>\n<p>Os resultados t\u00eam sido palp\u00e1veis. Entre 2000 e 2005, antes do chefe ter come\u00e7ado a iniciativa de sa\u00fade materna, a zona registou 52 mortes maternas. Mas nem uma \u00fanica mulher nas 89 aldeias sob a autoridade do Chefe Kwataine morreu durante o parto nos \u00faltimos tr\u00eas anos. <\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem precedentes no Malawi, onde morrem 510 mulheres por 100.000 nados-vivos, de acordo com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Para a Popula\u00e7\u00e3o (UNFPA). Apesar deste n\u00famero ter decrescido das 807 mortes por 100.000 nados-vivos em 2006, o Malawi n\u00e3o vai atingir o 5\u00b0 Objectivo do Desenvolvimento do Mil\u00e9nio (ODM) de melhorar a sa\u00fade materna. <\/p>\n<p>Para concretizar o 5\u00b0 Objectivo de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio, o pa\u00eds teria de reduzir este n\u00famero para 155 mortes maternas por 100.000 nados-vivos at\u00e9 2015, o que o governo do pa\u00eds admite ser\u00e1 imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar. <\/p>\n<p>No entanto, a iniciativa de sa\u00fade materna de Kwataine enfrenta uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos, uma vez que as medidas s\u00f3 podem ser bem sucedidas a longo termo se forem acompanhadas por recursos humanos e financeiros suficientes no sector da sa\u00fade p\u00fablica. O hospital mais perto da zona sob a autoridade tradicional de Kwataine, por exemplo, agora recebe quase duas vezes mais mulheres gr\u00e1vidas que a sala de partos tem capacidade de aceitar e sente dificuldade em prestar assist\u00eancia a todas as mulheres que dela precisam. <\/p>\n<p>\u201cSob todos os pontos de vista, a campanha na zona de Kwataine \u00e9 uma abordagem brilhante. Mas estamos quase a vergar aqui agora porque n\u00e3o temos os recursos necess\u00e1rios,\u201d disse \u00e0 IPS um funcion\u00e1rio de sa\u00fade que preferiu ficar an\u00f3nimo. <\/p>\n<p>Falta de capacidade<\/p>\n<p>Os especialistas receiam que as conquistas obtidas na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna possam ser invertidas devido \u00e0 falta de pessoal m\u00e9dico especializado e de capacidade hospitalar. <\/p>\n<p>O departamento nacional de sa\u00fade n\u00e3o tem conseguido resolver o problema. Em 2005, prometeu recrutar mais parteiras e melhorar as instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, com o objectivo de promover a sa\u00fade materna mas, cinco anos mais tarde, o pessoal m\u00e9dico especializado ainda \u00e9 muito reduzido e as instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade est\u00e3o insuficientemente apetrechadas. <\/p>\n<p>A Rede Para a Igualdade na Sa\u00fade do Malawi (MHEN), uma alian\u00e7a independente de organiza\u00e7\u00f5es e particulares sediada em Lilongwe que promove a igualdade e a qualidade da sa\u00fade, critica especificamentge o governo na \u00e1rea da distribui\u00e7\u00e3o or\u00e7amental. Um relat\u00f3rio seu que analisa o or\u00e7amento nacional de sa\u00fade indica que, nos \u00faltimos quatro anos, o departamento de sa\u00fade atribu\u00edu entre 50 a 60 por cento do seu or\u00e7amento anual a actividades levadas a cabo nos escrit\u00f3rios centrais do minist\u00e9rio da sa\u00fade em vez de usar estes fundos para modernizar as instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de dinheiro gasto em despesas de representa\u00e7\u00e3o e ve\u00edculos de trac\u00e7\u00e3o \u00e0s quatro rodas que andam a alta velocidade pelas ruas da capital, enquanto que 80 por cento dos cidad\u00e3os no Malawi vivem em zonas rurais onde os problemas de sa\u00fade est\u00e3o sempre presentes de forma intensa,\u201d queixa-se a directora executiva da MHEN, Martha Kwataine. <\/p>\n<p>Mostrar iniciativa <\/p>\n<p>Estando ciente das discut\u00edveis prioridades no que diz respeito aos gastos do departamento nacional de sa\u00fade, o chefe Kwataine e a sua comunidade decidiram n\u00e3o esperar que o governo proporcionasse todos os servi\u00e7os. <\/p>\n<p>O chefe acredita que a popula\u00e7\u00e3o do Malawi, apesar de ser maioritariamente pobre, tem o poder de encontrar as suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es para os problemas da sa\u00fade materna. Acompanhando a iniciativa impulsionada pela comunidade em prol de uma maternidade segura, conseguiu mobilizar a comunidade a doar o dinheiro para construir a sua pr\u00f3pria cl\u00ednica, que ir\u00e1 oferecer servi\u00e7os b\u00e1sicos e urgentes de obstetr\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a cl\u00ednica ir\u00e1 reduzir a press\u00e3o sobre o hospital principal, permitindo que um maior n\u00famero de mulheres tenha acesso a melhores servi\u00e7os no hospital e garantindo tamb\u00e9m uma aten\u00e7\u00e3o mais c\u00e9lere aqui,\u201d explicou o chefe. <\/p>\n<p>Kwataine tamb\u00e9m espera que o governo se aperceba do \u00eaxito que obteve nas suas aldeias e que disponibilize os fundos necess\u00e1rios para que outras comunidades reproduzam a mesma abordagem. \u201cSe as comunidades em todo o pa\u00eds se empenharem em implementar programas desta natureza, e se o governo apoiar essas iniciativas, o Malawi ter\u00e1 uma hist\u00f3ria mais positiva para contar em 2015.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LILONGWE, 30\/09\/2010 &ndash; Em Ntcheu, um distrito rural no centro do Malawi, os alde\u00f5es empenharam-se pessoalmente na luta contra a elevada taxa de mortalidade materna no pa\u00eds. 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