{"id":722,"date":"2005-06-23T00:00:00","date_gmt":"2005-06-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=722"},"modified":"2005-06-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-23T00:00:00","slug":"comrcio-ue-aprofunda-reforma-na-poltica-do-setor-aucareiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/comrcio-ue-aprofunda-reforma-na-poltica-do-setor-aucareiro\/","title":{"rendered":"Com&eacute;rcio: UE aprofunda reforma na pol&iacute;tica do setor a&ccedil;ucareiro"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 23\/06\/2005 &ndash; Pa&iacute;ses produtores de a&ccedil;&uacute;car da &Aacute;frica, do Caribe e do Pac&iacute;fico consideram que a reforma proposta pelo executivo da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para a pol&iacute;tica comercial do bloco nesse setor &eacute; extremamente profunda e acelerada. A iniciativa, apresentada esta semana pela Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, &oacute;rg&atilde;o executivo da UE, implica uma redu&ccedil;&atilde;o de 39% no pre&ccedil;o m&iacute;nimo de refer&ecirc;ncia do a&ccedil;&uacute;car branco importado pelo bloco de suas ex-col&ocirc;nias na &Aacute;frica no Caribe e Pac&iacute;fico, denominados pa&iacute;ses ACP. Por outro lado, o pre&ccedil;o do a&ccedil;&uacute;car de beterraba ser&aacute; reduzido em 42%. As duas redu&ccedil;&otilde;es acontecer&atilde;o entre 2006 e 2008, e dever&atilde;o ser aprovadas antes de sua implementa&ccedil;&atilde;o pelo conselho de ministros de Agricultura e pelo Parlamento Europeu.<br \/> <!--more--> <br \/> O pacote de reformas inclui um esquema de compensa&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias para produtores expulsos do neg&oacute;cio por causa da baixa nos pre&ccedil;os. Ao anunciar a iniciativa, a comiss&aacute;ria de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, disse que &quot;n&atilde;o h&aacute; alternativa. A op&ccedil;&atilde;o mais f&aacute;cil teria sido cruzar os bra&ccedil;os, o que significaria uma lenta e dolorosa morte para o setor a&ccedil;ucareiro europeu&quot;, afirmou. &quot;Estamos oferecendo um horizonte de longo prazo, planejado e est&aacute;vel, com um generoso fundo de reestrutura&ccedil;&atilde;o para incentivar os produtores menos competitivos a deixarem o setor e enfrentar o impacto social e ambiental&quot;, do processo, acrescentou Boel. &quot;Manteremos as prefer&ecirc;ncias para nossos fornecedores tradicionais no mundo em desenvolvimento. Nosso mercado continuar&aacute; sendo um lugar atraente para que vendam seu a&ccedil;&uacute;car&quot;, acrescentou a comiss&aacute;ria.<\/p>\n<p> Os que mais perder&atilde;o ser&atilde;o os pa&iacute;ses ACP cujas economias dependem do alto pre&ccedil;o de refer&ecirc;ncia do a&ccedil;&uacute;car fixado para eles pela UE. O acesso preferencial dessas na&ccedil;&otilde;es ao mercado do bloco europeu representa cerca de 70% da renda de seus setores a&ccedil;ucareiros, mas esse regime foi sentenciado a morte em outubro passado, quando a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) deu ganho de causa a uma demanda apresentada por v&aacute;rios pa&iacute;ses encabe&ccedil;ados pelo Brasil. A perda de privil&eacute;gios que sup&otilde;e o pagamento de pre&ccedil;os mais pr&oacute;ximos aos do mercado ter&aacute;, segundo se prev&ecirc;, um enorme impacto na economia de muitos pa&iacute;ses ACP. A proposta a&ccedil;ucareira desta semana &eacute; a &uacute;ltima de uma longa s&eacute;rie iniciada em 2003 para acomodar o regime do bloco &agrave;s regras comerciais internacionais.<\/p>\n<p> Os programas de subs&iacute;dios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola europ&eacute;ia, que remontam aos anos 50, comp&otilde;em quase a metade do or&ccedil;amento da UE. Como parte de sua pol&iacute;tica de desenvolvimento internacional, criticada por discriminar produtores de a&ccedil;&uacute;car do Sul, o bloco paga pre&ccedil;os acima dos de mercado a v&aacute;rios pa&iacute;ses ACP. Mas, teve de mudar sua pol&iacute;tica depois da vit&oacute;ria, em outubro, de uma demanda apresentada por Brasil e Austr&aacute;lia, entre outros pa&iacute;ses, junto &agrave; OMC. O comiss&aacute;rio de Desenvolvimento e Ajuda Humanit&aacute;ria da UE, Louis Michel, admitiu que a reforma proposta pela Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; um &quot;desafio s&eacute;rio&quot; para v&aacute;rias na&ccedil;&otilde;es ACP. Mas &quot;o esquema de assist&ecirc;ncia proposto os ajudar&aacute; a garantir uma transi&ccedil;&atilde;o suave no contexto de estrat&eacute;gias locais de desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;, acrescentou Michel.<\/p>\n<p> A perda de privil&eacute;gios nos pre&ccedil;os para os pa&iacute;ses ACP ter&aacute;, segundo especialistas e ativistas, um enorme impacto em na&ccedil;&otilde;es como Mauricio, Swazil&acirc;ndia, Fiji, Guiana e Jamaica, cujas economias dependem em grande parte de suas exporta&ccedil;&otilde;es de a&ccedil;&uacute;car. Ministros dos pa&iacute;ses ACP asseguram que a reforma, se for aprovada, ter&aacute; um custo estimado para eles de US$ 487,6 bilh&otilde;es anuais, uma soma de grandes propor&ccedil;&otilde;es considerando-se que a renda per capita dessas na&ccedil;&otilde;es &eacute; inferior a US$ 2,4 por dia. A reforma pode ser &quot;uma for&ccedil;a poderosa pelo bem na luta para sair da pobreza abjeta&quot;, mas a proposta se concentra em resolver os problemas internos da pr&oacute;pria Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, segundo o Grupo A&ccedil;&uacute;car de Pa&iacute;ses Menos Desenvolvidos.<\/p>\n<p> &quot;Um mercado digitado com pre&ccedil;os remunerativos e com uma reforma modesta, gradual e previs&iacute;vel em um longo per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o&quot; seria uma boa base para lan&ccedil;ar as modifica&ccedil;&otilde;es do sistema, segundo o Grupo A&ccedil;&uacute;car considerou em um comunicado divulgado quarta-feira. O a&ccedil;&uacute;car representa 17% do produto interno bruto da Guiana, onde o setor emprega 35 mil pessoas, disse &agrave; IPS o ministro de Com&eacute;rcio Exterior desse pa&iacute;s, Clement Rohee. &quot;&Eacute; imposs&iacute;vel subestimar o impacto devastador da redu&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os e do cronograma proposto pela Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia nos pa&iacute;ses ACP. A reforma &eacute; extremamente r&aacute;pida e extremamente profunda&quot;, advertiu Rohee.<\/p>\n<p> O chanceler jamaicano, Keith D. Knight, disse &agrave; IPS que seu pa&iacute;s perder&aacute; at&eacute; US$ 90 milh&otilde;es ao ano se o pre&ccedil;o do a&ccedil;&uacute;car cair para US$ 451,5 por tonelada. &quot;Queremos evitar a repeti&ccedil;&atilde;o de erros j&aacute; cometidos com a banana, o rum, e o coco, setores em que o apoio financeiro da UE teve pouco ou nenhum efeito&quot;, afirmou. &quot;Para os pa&iacute;ses da ACP, a solu&ccedil;&atilde;o deve incluir uma redu&ccedil;&atilde;o menor e um cronograma mais amplo, acompanhados por medidas que garantam a sustentabilidade do setor a longo prazo&quot;, disse &agrave; IPS o vice-ministro de Finan&ccedil;as de Z&acirc;mbia, Feliz Mutati. Por sua vez, a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Oxfam pretende que a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia pague aos produtores ACP compensa&ccedil;&otilde;es de aproximadamente US$ 605 milh&otilde;es. A proposta em estudo pela UE implica uma compensa&ccedil;&atilde;o de US$ 48,4 milh&otilde;es para 18 pa&iacute;ses em 2006. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 23\/06\/2005 &ndash; Pa&iacute;ses produtores de a&ccedil;&uacute;car da &Aacute;frica, do Caribe e do Pac&iacute;fico consideram que a reforma proposta pelo executivo da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para a pol&iacute;tica comercial do bloco nesse setor &eacute; extremamente profunda e acelerada. A iniciativa, apresentada esta semana pela Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, &oacute;rg&atilde;o executivo da UE, implica uma redu&ccedil;&atilde;o de 39% no pre&ccedil;o m&iacute;nimo de refer&ecirc;ncia do a&ccedil;&uacute;car branco importado pelo bloco de suas ex-col&ocirc;nias na &Aacute;frica no Caribe e Pac&iacute;fico, denominados pa&iacute;ses ACP. Por outro lado, o pre&ccedil;o do a&ccedil;&uacute;car de beterraba ser&aacute; reduzido em 42%. As duas redu&ccedil;&otilde;es acontecer&atilde;o entre 2006 e 2008, e dever&atilde;o ser aprovadas antes de sua implementa&ccedil;&atilde;o pelo conselho de ministros de Agricultura e pelo Parlamento Europeu.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/comrcio-ue-aprofunda-reforma-na-poltica-do-setor-aucareiro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-722","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/722\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}