{"id":7222,"date":"2010-10-04T19:17:26","date_gmt":"2010-10-04T19:17:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7222"},"modified":"2010-10-04T19:17:26","modified_gmt":"2010-10-04T19:17:26","slug":"a-obesidade-tambem-e-problema-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/a-obesidade-tambem-e-problema-na-africa\/","title":{"rendered":"A obesidade tamb\u00e9m \u00e9 problema na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 04\/10\/2010 &ndash; A obesidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um problema confinado \u00e0s na\u00e7\u00f5es ricas. Na \u00c1frica, um crescente n\u00famero de pessoas tamb\u00e9m sofre dessa enfermidade. Segundo pesquisas, a tend\u00eancia vai contra as fr\u00e1geis economias do continente. Zandile Mchiza, do Conselho de Pesquisa em Ci\u00eancias Humanas (HSRC), da \u00c1frica do Sul, descobriu que tanto a falta como o excesso de alimentos s\u00e3o evidentes em comunidades pobres africanas, e que os dois fen\u00f4menos est\u00e3o interrelacionados. <!--more--> \u201cA obesidade pode causar todo tipo de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes, hipertens\u00e3o, artrite, problemas card\u00edacos e v\u00e1rios tipos de c\u00e2ncer. Isto pode ter diversas implica\u00e7\u00f5es nas economias dos pa\u00edses\u201d, explicou Zandile. A especialista liderou um projeto que estudou o alcance do problema da obesidade na \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cUm trabalhador agr\u00edcola obeso n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o produtivo como um com n\u00edvel de peso saud\u00e1vel. Essa pessoa n\u00e3o ser\u00e1 capaz de se deslocar por longas dist\u00e2ncias ou ficar parado em um lugar por um per\u00edodo longo de tempo enquanto faz suas tarefas. A falta de produtividade devido \u00e0 obesidade pode, portanto, prejudicar a economia de um pa\u00eds\u201d, disse Zandile.<\/p>\n<p>A enfermidade tamb\u00e9m pode causar falta no trabalho, acrescentou a especialista. \u201cSe algu\u00e9m \u00e9 obeso, provavelmente ir\u00e1 ao m\u00e9dico mais vezes em compara\u00e7\u00e3o com as pessoas s\u00e3s, especialmente se sofrer de doen\u00e7as relacionadas. Isto tamb\u00e9m afeta a produtividade, e afetar\u00e1 a economia se ocorrer em grande escala\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para determinar se algu\u00e9m \u00e9 obeso ou tem sobrepeso utiliza-se o \u00edndice de massa corporal (IMC), que \u00e9 calculado dividindo o peso, em quilograma, de uma pessoa por sua altura, em metros, ao quadrado. Uma pessoa tem sobrepeso quando seu IMC passa de 30. Uma alta preval\u00eancia da obesidade pode exercer press\u00e3o extra sobre os j\u00e1 sobrecarregados sistemas de sa\u00fade p\u00fablica do continente, alertou Zandile. Muitas na\u00e7\u00f5es africanas sofrem escassez de pessoal m\u00e9dico e dinheiro para hospitais e cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>\u201cSe mais pessoas usarem o sistema sobrecarregado de sa\u00fade por problemas relacionados com obesidade, os governos poderiam ser for\u00e7ados a gastar mais em tratamentos de doen\u00e7as para as quais h\u00e1 preven\u00e7\u00e3o. Isto poderia levar a ter menos dinheiro para moradias, educa\u00e7\u00e3o e outras prioridades\u201d, segundo Zandile.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe exatamente o n\u00famero de africanos obesos, j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o feitas muitas pesquisas a respeito. \u201cA maior parte da informa\u00e7\u00e3o existente tem a ver com a situa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul. Isto se deve \u00e0 boa qualidade da infraestrutura das comunica\u00e7\u00f5es e da tecnologia desse pa\u00eds, e como se organizam os diferentes departamentos do governo\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEste n\u00e3o \u00e9 o caso da maioria dos outros pa\u00edses, onde \u00e9 dif\u00edcil obter informa\u00e7\u00e3o sobre obesidade\u201d, disse Zandile. Sua pesquisa, feita em 2008 e 2009, se baseou principalmente em uma revis\u00e3o das pesquisas sobre demografia e sa\u00fade nos pa\u00edses africanos publicadas entre 2003 e 2007. Zandile descobriu que a obesidade \u00e9 mais comum entre as mulheres e as adolescentes. \u201cS\u00e3o muito mais vulner\u00e1veis a serem obesas, j\u00e1 que os corpos grandes s\u00e3o associados com a beleza e com o status em muitas culturas africanas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, o Egito \u00e9 o pa\u00eds africano com maior problema de obesidade (35,7% das mulheres adultas), seguido por \u00c1frica do Sul (27,4%), Suazil\u00e2ndia (23,1%), Maurit\u00e2nia (16,4%), Lesoto (16,1%) e Nam\u00edbia (11,7%). Mais abaixo aparecem Gana (9,3%), Rep\u00fablica do Congo (7,5%) e Zimb\u00e1bue (7,2%).<\/p>\n<p>Os crescentes n\u00edveis de obesidade t\u00eam a ver, em parte, com a mudan\u00e7a dos padr\u00f5es de vida diante da influ\u00eancia da cultura ocidental, como a op\u00e7\u00e3o pela chamada \u201ccomida r\u00e1pida\u201d em lugar dos pratos tradicionais. Os pre\u00e7os dos alimentos tamb\u00e9m s\u00e3o fator importante. \u201cUm prato de batata frita \u00e9, em geral, mais barato do que uma refei\u00e7\u00e3o equilibrada\u201d, disse Zandile. \u201cOs africanos se afastam das dietas tradicionais para se dedicar aos alimentos de conveni\u00eancia (de f\u00e1cil preparo) e ao fast food\u201d.<\/p>\n<p>Um dos pa\u00edses onde a obesidade \u00e9 um problema, apesar de n\u00e3o estar na lista de Zandile, \u00e9 Botsuana. Segundo estudo da Universidade de Botsuana, cerca de 20,3% dos adolescentes do pa\u00eds, entre 11 e 19 anos, s\u00e3o obesos ou t\u00eam sobrepeso. \u201cCerca de 21,5% dos estudantes classificados como obesos ou com sobrepeso eram mulheres\u201d, disse Segametsi Maruapula, conferencista no Departamento de Educa\u00e7\u00e3o na Economia do Lar da Universidade e diretora da pesquisa. \u201cApenas 18% eram homens\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria aliment\u00edcia \u00e9 parcialmente respons\u00e1vel pelo problema em Botsuana, explicou Segametsi. \u201cHoje, as pessoas comem alimentos mais refinados, ricos em gordura e a\u00e7\u00facar. N\u00e3o falamos apenas de fast food, como hamb\u00farguer e cachorro-quente, mas tamb\u00e9m de salgadinhos e alimentos comprados em lojas de conveni\u00eancia\u201d. \u201cMetade dos jovens que entrevistamos disseram que consumiam esse tipo de comida regularmente. Cerca de 26% afirmaram que a comiam uma vez por dia e 18% uma vez por semana. O problema com esses alimentos e os de conveni\u00eancia \u00e9 que s\u00e3o muito acess\u00edveis, divulgados e baratos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segametsi disse que a ind\u00fastria do fast food deveria assumir a responsabilidade pela esmagadora obesidade na for\u00e7a trabalhista. \u201cA ind\u00fastria precisa trabalhar mais de perto com profissionais da sa\u00fade para ver como fazer com que seus produtos sejam mais saud\u00e1veis\u201d, disse. \u201cA sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 apenas uma tarefa para trabalhadores do setor. Tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade da ind\u00fastria aliment\u00edcia\u201d, afirmou. Zandile reconheceu que a comida fast food \u00e9 um fator do problema, mas n\u00e3o o \u00fanico. \u201c\u00c9 o consumidor que escolhe. Empresas como o McDonald\u2019s apresentam novos produtos mais saud\u00e1veis, mas muitas pessoas preferem os mais gordurosos\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 04\/10\/2010 &ndash; A obesidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um problema confinado \u00e0s na\u00e7\u00f5es ricas. Na \u00c1frica, um crescente n\u00famero de pessoas tamb\u00e9m sofre dessa enfermidade. Segundo pesquisas, a tend\u00eancia vai contra as fr\u00e1geis economias do continente. Zandile Mchiza, do Conselho de Pesquisa em Ci\u00eancias Humanas (HSRC), da \u00c1frica do Sul, descobriu que tanto a falta como o excesso de alimentos s\u00e3o evidentes em comunidades pobres africanas, e que os dois fen\u00f4menos est\u00e3o interrelacionados. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/a-obesidade-tambem-e-problema-na-africa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":143,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,7],"tags":[],"class_list":["post-7222","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}