{"id":7225,"date":"2010-10-04T19:27:27","date_gmt":"2010-10-04T19:27:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7225"},"modified":"2010-10-04T19:27:27","modified_gmt":"2010-10-04T19:27:27","slug":"capacitacao-de-parteiras-para-reduzir-mortalidade-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/capacitacao-de-parteiras-para-reduzir-mortalidade-materna\/","title":{"rendered":"Capacita\u00e7\u00e3o de parteiras para reduzir mortalidade materna"},"content":{"rendered":"<p>Kigali, Ruanda, 04\/10\/2010 &ndash; Ruanda conseguiu diminuir a mortalidade materna gra\u00e7as a um programa de capacita\u00e7\u00e3o de parteiras tradicionais, informou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Neste pa\u00eds, quase metade das mulheres d\u00e1 \u00e0 luz em casa. A maioria com ajuda de parteiras sem forma\u00e7\u00e3o profissional, que recorrem a conhecimentos aprendidos com as mulheres mais velhas da comunidade. Muitas delas usam equipamentos sem esteriliza\u00e7\u00e3o, o que pode causar mais mal do que bem. <!--more--> As mulheres pobres costumam recorrer a elas, pois n\u00e3o t\u00eam como ir at\u00e9 os servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica porque n\u00e3o possuem dinheiro para viajar at\u00e9 o hospital ou a cl\u00ednica mais pr\u00f3ximo. Laetitia Mureshyankwano, do distrito montanhoso de Gisagara, tem dois filhos. Essa m\u00e3e de 42 anos teve cinco partos com ajuda dessas parteiras, e apenas dois sobreviveram. Como ela. Numerosas mulheres de zonas rurais sofrem muito quando t\u00eam gravidez ou partos complicados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m temem se infectar com o v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana (HIV), causador da aids, por falta de higiene. \u201cUsam luvas e avental, mas n\u00e3o nos sentimos seguras porque n\u00e3o sabemos o quanto seus instrumentos est\u00e3o limpos\u201d, disse Laetitia. O programa de capacita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma iniciativa para melhorar a sa\u00fade materna em regi\u00f5es afastadas, segundo ela.<\/p>\n<p>Em 2008, a mortalidade materna foi de 750 mortes em cada cem mil nascidos vivos, de acordo com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade acredita que o pr\u00f3ximo relat\u00f3rio, previsto para 2011, mostre uma melhora da situa\u00e7\u00e3o. Ruanda foi aplaudida na C\u00fapula sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), realizada no m\u00eas passado na sede da ONU em Nova York, pelo \u201csignificativo avan\u00e7o\u201d que conseguiu no sentido de alcan\u00e7ar a meta de n\u00famero cinco, de reduzir as mortes maternas em tr\u00eas quartos, entre 1990 e 2015.<\/p>\n<p>Os oito ODM s\u00e3o reduzir pela metade o n\u00famero de pessoas que sofrem pobreza e fome, com rela\u00e7\u00e3o a 1990; garantir a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal; promover a igualdade de g\u00eanero e reduzir a mortalidade infantil e a materna; combater a aids, a mal\u00e1ria e outras enfermidades; assegurar a sustentabilidade ambiental; e fomentar uma associa\u00e7\u00e3o mundial para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul.<\/p>\n<p>\u201cO governo pretende que n\u00e3o morra nenhuma mulher porque n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es para isso\u201d, afirmou Agnes Binagwaho, secret\u00e1ria permanente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O programa de forma\u00e7\u00e3o de parteiras, lan\u00e7ado em agosto de 2008, fornece informa\u00e7\u00e3o sobre cuidados b\u00e1sicos e conhecimentos relacionados \u00e0 atividade. A iniciativa tamb\u00e9m permite minimizar a escassez de pessoas, em especial em \u00e1reas rurais. Ruanda tem menos de uma parteira para cada dez mil pessoas, segundo fontes oficiais.<\/p>\n<p>As parteiras que n\u00e3o fizeram o curso de capacita\u00e7\u00e3o s\u00e3o proibidas de fazer parto, mas ajudam a controlar a gravidez, incentivam as mulheres a fazerem exames peri\u00f3dicos e fornecem informa\u00e7\u00f5es. O Minist\u00e9rio entregou ainda telefones celulares a 432 trabalhadores comunit\u00e1rios, tamb\u00e9m respons\u00e1veis pela sa\u00fade materna nos distritos. Atrav\u00e9s deles, as parteiras podem comunicar casos dif\u00edceis, complica\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia \u00e0 cl\u00ednica ou hospital mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio tamb\u00e9m comprou 67 ambul\u00e2ncias, uma para cada hospital de distrito, para poder levar as mulheres de locais distantes aos hospitais em casos de emerg\u00eancia. Para que o programa de forma\u00e7\u00e3o se sustente no longo prazo, \u00e9 importante que as parteiras recebam uma remunera\u00e7\u00e3o que as motive a trabalhar em \u00e1reas rurais, em lugar de buscar trabalho em cl\u00ednicas e hospitais.<\/p>\n<p>Marie Rose Mujawamariya, do distrito de Kamonyi, ao sul de Kigali, participou de um dos programas de forma\u00e7\u00e3o de parteiras. Ainda n\u00e3o recebe nenhuma remunera\u00e7\u00e3o, mas espera melhorar sua renda gra\u00e7as ao curso. Marie agora prev\u00ea cobrar US$ 10 por parto por causa dos conhecimentos adquiridos. Antes, baseava seu trabalho nos conhecimentos herdados de sua av\u00f3, mas agora fala com orgulho de suas novas habilidades de parteira, como controlar a posi\u00e7\u00e3o do feto, garantir que o parto possa ser natural e avaliar a necessidade de recorrer ao m\u00e9dico. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kigali, Ruanda, 04\/10\/2010 &ndash; Ruanda conseguiu diminuir a mortalidade materna gra\u00e7as a um programa de capacita\u00e7\u00e3o de parteiras tradicionais, informou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Neste pa\u00eds, quase metade das mulheres d\u00e1 \u00e0 luz em casa. A maioria com ajuda de parteiras sem forma\u00e7\u00e3o profissional, que recorrem a conhecimentos aprendidos com as mulheres mais velhas da comunidade. 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