{"id":7226,"date":"2010-10-04T19:28:46","date_gmt":"2010-10-04T19:28:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7226"},"modified":"2010-10-04T19:28:46","modified_gmt":"2010-10-04T19:28:46","slug":"o-eterno-dilema-entre-alimento-e-biocombustivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/o-eterno-dilema-entre-alimento-e-biocombustivel\/","title":{"rendered":"O eterno dilema entre alimento e biocombust\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Dakar, Senegal, 04\/10\/2010 &ndash; O Senegal trabalha para equilibrar as crescentes demandas de alimentos e biocombust\u00edveis, embora pesquisadores e agricultores ainda estejam divididos em torno dos benef\u00edcios de cultivar para produzir agrocombust\u00edveis enquanto a \u00c1frica lida com a inseguran\u00e7a alimentar. O Senegal, que usa mais de 500 milh\u00f5es de litros de g\u00e1s combust\u00edvel por ano, desenvolve um ambicioso programa de biocombust\u00edveis para ser autossuficiente em mat\u00e9ria de energia e alimentos at\u00e9 2012. <!--more--> Uma pesquisa do Imperial College de Londres mostrou que a bioenergia n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 compat\u00edvel com a produ\u00e7\u00e3o alimentar como tamb\u00e9m pode beneficiar muito a agricultura na \u00c1frica, mas nem todos concordam. Durante anos, o Senegal trabalhou com investimentos em biocombust\u00edveis, agricultores, pesquisadores e o setor privado, para promover o cultivo de pinh\u00e3o manso (Jathropha curcas). Esta \u00e9 uma planta oleaginosa comumente usada para separar as casas do gado, que tamb\u00e9m tem propriedades medicinais.<\/p>\n<p>O diretor-geral do Instituto de Pesquisas Agr\u00edcolas do Senegal, Macoumba Diouf, disse \u00e0 IPS que a energia barata \u00e9 importante para modernizar a agricultura e impulsionar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds. Esta na\u00e7\u00e3o africana j\u00e1 desenvolveu um plano quinquenal de bioenergia at\u00e9 2012, que prev\u00ea o plantio, nos pr\u00f3ximos dois anos, de um bilh\u00e3o de p\u00e9s de pinh\u00e3o manso, usando viveiros e at\u00e9 reprodu\u00e7\u00e3o in vitro.<\/p>\n<p>Atualmente, o pa\u00eds est\u00e1 difundindo material para complementar as plantas silvestres e espera-se que cerca de um quarto dessa quantidade seja plantada at\u00e9 o final do ano. O Senegal cultivar\u00e1 321 mil hectares de terra com esta oleaginosa em 321 distritos, \u00e0 raz\u00e3o de mil plantas por hectare. \u201cProjetamos que, a partir dos 300 mil hectares dessa planta, em cinco anos poderemos produzir tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas de combust\u00edvel para termos um bilh\u00e3o de litros de biodiesel que nos tornar\u00e3o autossuficientes em mat\u00e9ria de energia\u201d por muito tempo, disse Macoumba, cujo instituto coordena o programa.<\/p>\n<p>Estima-se que o programa custar\u00e1 US$ 140 milh\u00f5es e criar\u00e1 cem mil empregos diretos, al\u00e9m de aumentar a renda dos agricultores. Por\u00e9m, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil para o Senegal encontrar aliados que apostem no sonho da bioenergia, j\u00e1 que existem os que afirmam que este tipo de projeto incentiva o confisco de propriedades e for\u00e7a agricultores marginalizados a abandonarem suas terras ancestrais.<\/p>\n<p>Isto ocorre apesar de um estudo, datado de maio e apresentado em junho pelo Imperial College de Londres, sobre a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel em seis pa\u00edses, ter determinado que existe terra dispon\u00edvel suficiente para aumentar significativamente o cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar, sorgo e pinh\u00e3o manso para elaborar biocombust\u00edveis sem reduzir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de bioenergia pode gerar investimentos em terras, infraestrutura e recursos humanos que podem ajudar a liberar o potencial latente da \u00c1frica e aumentar positivamente a produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d, diz no estudo \u201cMapping Food and Bioeenrgy in Africa\u201d (Tra\u00e7ando um Mapa de Alimentos e Bioenergia na \u00c1frica) sua autora principal, Roc\u00edo D\u00edaz-Chavez.<\/p>\n<p>Entretanto, agricultores como Phillip Karini, que \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores da \u00c1frica Oriental, discorda das conclus\u00f5es do informe. \u201cA impress\u00e3o de que na \u00c1frica sobram terras n\u00e3o \u00e9 correta\u201d, afirmou \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o considero poss\u00edvel chegar a uma situa\u00e7\u00e3o em que os cultivos de alimentos e os destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis possam coexistir em muitas partes da \u00c1frica. Os atores da ind\u00fastria dos biocombust\u00edveis n\u00e3o est\u00e3o apontando para a seguran\u00e7a alimentar local e \u00e9 prov\u00e1vel que privem de insumos, e mesmo de m\u00e3o-de-obra, os sistemas de seguran\u00e7a alimentar para dedic\u00e1-los aos biocombust\u00edveis, o que redundar\u00e1 na n\u00e3o produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A agricultora Lydia Sasu, de Gana, disse que muitos de seus colegas est\u00e3o desiludidos por n\u00e3o terem recebido dinheiro ap\u00f3s deixar suas terras para dar lugar a projetos de biocombust\u00edveis. Inclusive, o F\u00f3rum para as Pesquisas Agr\u00edcolas na \u00c1frica (Fara) e a Alian\u00e7a para uma Revolu\u00e7\u00e3o Verde na \u00c1frica (Agra), se mostram cautelosos na hora de priorizar os cultivos para biocombust\u00edveis sobre os alimentares.<\/p>\n<p>As duas institui\u00e7\u00f5es admitem que a pesquisa \u00e9 uma ferramenta vital do desenvolvimento, especialmente na agricultura, para garantir que os governos tomem decis\u00f5es informadas quando elaborarem pol\u00edticas sobre os agrocombust\u00edveis. \u201cA \u00c1frica conta com muitas inova\u00e7\u00f5es, mas est\u00e3o na gaveta\u201d, disse \u00e0 IPS Monty Jones, da Fara, com sede em Gana.<\/p>\n<p>O presidente da Agra, Namanga Ngongi, disse \u00e0 IPS que a \u00c1frica experimenta um d\u00e9ficit de alimentos e que deveria priorizar os alimentos sobre os combust\u00edveis. Em um estudo apresentado em 23 de julho pelo Green Business, Bryce Wolfe disse que um dos inconvenientes dos biocombust\u00edveis \u00e9 a grande quantidade de terra e \u00e1gua que esses cultivos consomem.<\/p>\n<p>\u201cConverter cultivos em etanol essencialmente nos tira alimento da boca para colocar combust\u00edvel em nossos carros\u201d, disse Bryce, reclamando m\u00e9todo mais eficiente para produzir agrocombust\u00edveis. Segundo o Instituto para as Pol\u00edticas Alimentares e o Desenvolvimento, dos Estados Unidos, nem todas as promessas positivas sobre os biocombust\u00edveis s\u00e3o certas. O argumento de que estes s\u00e3o limpos e verdes, que n\u00e3o causar\u00e3o desmatamento nem fome, que gerar\u00e3o desenvolvimento rural e dar\u00e3o lugar a melhores combust\u00edveis de segunda gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o passam de mitos, porque, na realidade, ocorre o oposto, afirma. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dakar, Senegal, 04\/10\/2010 &ndash; O Senegal trabalha para equilibrar as crescentes demandas de alimentos e biocombust\u00edveis, embora pesquisadores e agricultores ainda estejam divididos em torno dos benef\u00edcios de cultivar para produzir agrocombust\u00edveis enquanto a \u00c1frica lida com a inseguran\u00e7a alimentar. 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