{"id":7229,"date":"2010-10-05T18:44:04","date_gmt":"2010-10-05T18:44:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7229"},"modified":"2010-10-05T18:44:04","modified_gmt":"2010-10-05T18:44:04","slug":"o-feijao-da-esperanca-para-a-africa-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/o-feijao-da-esperanca-para-a-africa-ocidental\/","title":{"rendered":"O feij\u00e3o da esperan\u00e7a para a \u00c1frica ocidental"},"content":{"rendered":"<p>Dakar, Senegal, 05\/10\/2010 &ndash; O feij\u00e3o de olho negro \u00e9 a nova estrela dos esfor\u00e7os para melhorar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das mulheres e de suas fam\u00edlias na \u00c1frica ocidental, afirmam pesquisadores. Cientistas reunidos na semana passada em Dakar, para a Quinta Confer\u00eancia Mundial sobre o Feij\u00e3o de Olho Negro concordaram que o produto tem potencial para impulsionar o desenvolvimento econ\u00f4mico e aliviar a pobreza na regi\u00e3o. Os participantes do encontro tamb\u00e9m destacaram o potencial desse feij\u00e3o para melhorar a condi\u00e7\u00e3o de camponeses, industriais e vendedores. <!--more--> A pesquisadora Miriam Otto, estudante de doutorado do Departamento de Economia Agr\u00edcola da Universidade Purdue, dos Estados Unidos, apresentou um estudo sobre a venda de rua de produtos \u00e0 base de feij\u00e3o de olho negro em N\u00edger e Gana. Sua pesquisa se concentrou na akara, uma torta frita feita com feij\u00e3o de olho negro, tamb\u00e9m conhecida como kossai. Este alimento \u00e9 quase sempre vendido por mulheres nas ruas.<\/p>\n<p>Miriam coletou informa\u00e7\u00e3o em Gana e N\u00edger em 2009 por meio de entrevistas pessoais com 336 vendedoras. Os resultados do estudo indicaram que a produ\u00e7\u00e3o da akara \u00e9 muito importante para o desenvolvimento econ\u00f4mico por v\u00e1rias raz\u00f5es. Por exemplo, a pesquisa concluiu que as vendedoras ganhavam entre quatro a 16 vezes acima do sal\u00e1rio m\u00ednimo em N\u00edger e Gana, respectivamente, gra\u00e7as a esse produto.<\/p>\n<p>As vendedoras, a maioria sem instru\u00e7\u00e3o formal, se serviam dessa renda para melhorar a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o e para outras necessidades b\u00e1sicas de suas fam\u00edlias. Al\u00e9m disso, geram uma demanda anual superior a 1,2 milh\u00e3o de quilos de feij\u00e3o de olho negro apenas em Niamey, a capital de N\u00edger, e assim criam um din\u00e2mico mercado para os produtores locais. \u201cAs vendedoras de rua utilizam grande quantidade de feij\u00e3o de olho negro, e, apesar disso, t\u00eam sido um setor bastante ignorado pelos pesquisadores\u201d, disse Miriam \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, destacou a necessidade de melhorar o acesso dessas mulheres a cr\u00e9ditos, a espa\u00e7os nos mercados e a melhores tecnologias de processamento para poder atender a crescente demanda dos consumidores. \u201cQuando as vendedoras de rua tiveram acesso ao cr\u00e9dito, houve um invej\u00e1vel recorde de \u00eaxitos em suas empresas\u201d, disse o estudo. Al\u00e9m disso, atualmente h\u00e1 pouqu\u00edssimos pa\u00edses africanos nos quais grupos da sociedade civil trabalhem para dar empr\u00e9stimo \u00e0s vendedoras. O estudo, portanto, recomendou a interven\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>Aissatou Diagne Deme possui um moinho que produz 800 quilos de farinha de feij\u00e3o de olho negro por m\u00eas. \u201cForne\u00e7o aos padeiros e \u00e0s pessoas que a usam para preparar comida para as crian\u00e7as\u201d, disse a empres\u00e1ria \u00e0 IPS, durante uma visita ao moinho no cora\u00e7\u00e3o de Dakar. \u201cTenho bons pedidos, e gostaria de impulsionar o mercado, porque h\u00e1 um crescente interesse por essa farinha\u201d, afirmou. Aissatou come\u00e7ou seu neg\u00f3cio em casa, em 1994, com investimento de US$ 12 mil, e agora emprega 52 mulheres e exporta para a Europa.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), mais de quatro milh\u00f5es de toneladas de farinha de feij\u00e3o de olho negro s\u00e3o consumidas em todo o mundo por ano, 70% delas na \u00c1frica. Esta leguminosa, ignorada por muitos anos devido \u00e0 sua escassa produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o, volta como \u201ccultivo maravilha\u201d por seu alto conte\u00fado de prote\u00ednas, sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e seu uso como forragem para o gado na \u00c1frica.<\/p>\n<p>O Instituto de Tecnologia Aliment\u00edcia em Dakar, que trabalha em colabora\u00e7\u00e3o com o governo do Senegal, desenvolve um p\u00e3o fortificado para reduzir a defici\u00eancia de prote\u00ednas entre as crian\u00e7as em idade escolar. O p\u00e3o \u00e9 feito com farinha, feij\u00e3o de olho negro e amendoim. Apesar do renovado interesse por este feij\u00e3o, sua oferta ainda \u00e9 pequena para uso comercial. Uma das raz\u00f5es \u00e9 seu alto custo de produ\u00e7\u00e3o e por ser sens\u00edvel a insetos e enfermidades. \u201cA quantidade produzida neste momento \u00e9 insuficiente para seu consumo\u201d, disse \u00e0 IPS Christian Fatokun, do IITA.<\/p>\n<p>Bussie Maziya-Dixon, outro especialista do IITA, concorda. \u201cQuanto \u00e0 farinha de feij\u00e3o de olho negro, temos muito pouco, simplesmente por n\u00e3o termos suficiente produ\u00e7\u00e3o para criar um excedente para outros usos. Quando h\u00e1, n\u00e3o basta para a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos tradicionais aos quais as pessoas est\u00e3o acostumadas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por sua vez, o pesquisador Larry Murdock, disse \u00e0 IPS que havia uma possibilidade de cultivar variedades melhoradas do feij\u00e3o, que dessem melhores qualidades para seu processamento em farinha. \u201cTalvez, algumas variedades sejam melhores para os moinhos, e isto tamb\u00e9m seria uma oportunidade para os produtores\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dakar, Senegal, 05\/10\/2010 &ndash; O feij\u00e3o de olho negro \u00e9 a nova estrela dos esfor\u00e7os para melhorar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das mulheres e de suas fam\u00edlias na \u00c1frica ocidental, afirmam pesquisadores. Cientistas reunidos na semana passada em Dakar, para a Quinta Confer\u00eancia Mundial sobre o Feij\u00e3o de Olho Negro concordaram que o produto tem potencial para impulsionar o desenvolvimento econ\u00f4mico e aliviar a pobreza na regi\u00e3o. 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