{"id":7230,"date":"2010-10-05T18:45:29","date_gmt":"2010-10-05T18:45:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7230"},"modified":"2010-10-05T18:45:29","modified_gmt":"2010-10-05T18:45:29","slug":"urina-para-aumentar-a-producao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/urina-para-aumentar-a-producao\/","title":{"rendered":"Urina para aumentar a produ\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 05\/10\/2010 &ndash; Diante da perda da fertilidade do solo e a consequente baixa produ\u00e7\u00e3o, agricultores ugandenses recorrem \u00e0 urina humana para reverter a situa\u00e7\u00e3o. A urina \u00e9 uma \u00f3tima fonte de nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, os elementos vitais para melhorar a resist\u00eancia das plantas \u00e0s doen\u00e7as, segundo especialistas. Seu uso como fertilizante ajudar\u00e1 a reabilitar solos afetados pela eros\u00e3o. Al\u00e9m disso, sai muito mais barato do que utilizar fertilizante qu\u00edmico e \u00e9 especialmente \u00fatil para os pequenos agricultores que n\u00e3o costumam ter dinheiro para comprar insumos. Um saco de fertilizante de 50 quilos custa US$ 70 em Uganda, enquanto a urina nada custa. <!--more--> A ideia de usar urina como fertilizante l\u00edquido foi promovida pelo Ecological Sanitation (EcoSan), fabricante de banheiro sem \u00e1gua, com ajuda do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha. Os banheiros separam a urina das fezes em diferentes compartimentos para depois aproveit\u00e1-los como fertilizante l\u00edquido e adubo. Por\u00e9m, a Cruz Vermelha s\u00f3 pode patrocinar uma quantidade limitada, pois custam entre US$ 320 e US$. 1.500. A maioria dos ugandenses\u2013 que ganham, em m\u00e9dia, US$ 300 ao ano, segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional \u2013, n\u00e3o podem pagar um.<\/p>\n<p>Os agricultores de mais de 30 distritos do pa\u00eds puseram toda a fam\u00edlia a urinar em baldes. A agricultora Rose Nabirye, do distrito de Mayuge, era c\u00e9tica porque n\u00e3o parecia higi\u00eanico. Mas, depois de testar o novo fertilizante, ficou muito contente com os resultados. \u201cAgora tenho recipientes atr\u00e1s da latrina para coletar urina pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde. Guardo em um dep\u00f3sito fechado por uma semana e misturo no adubo\u201d, explicou. O novo insumo permitiu aumento da produ\u00e7\u00e3o de milho e outros cultivos, disse Rose.<\/p>\n<p>O agricultor Steven Nabuyaka, do distrito de Buduba, costumava gastar US$ 20 para comprar v\u00e1rios quilos de fertilizante por temporada para cultivar cebola, at\u00e9 que soube que a urina humana poderia ser usada para esse fim. Depois que a Cruz Vermelha e a organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica beneficente Caritas come\u00e7aram a informar sobre os benef\u00edcios da urina, a not\u00edcia se espalhou rapidamente pelas comunidades agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u201cTestei e funciona\u201d, disse, encantado, Steven. \u201cN\u00e3o comprei mais nenhum fertilizante na temporada passada e a produ\u00e7\u00e3o foi boa. Testei com bananas e os resultados s\u00e3o promissores\u201d, acrescentou. Ele tamb\u00e9m descobriu que a urina ajuda a matar as pragas, especialmente da banana.<\/p>\n<p>Como para Steven, para a maioria dos agricultores a urina \u00e9 uma alternativa vi\u00e1vel para nutrir a terra. Uganda est\u00e1 entre os pa\u00edses que usam menos fertilizantes da \u00c1frica, com 0,37 quilos por hectare, abaixo dos seis quilos utilizados na Tanz\u00e2nia, os 16 de Malaui, ou dos 31,6 do Qu\u00eania e os 51 de \u00c1frica do Sul, segundo estudo feito em 2006 pelo Departamento de Agricultura. A causa desse baixo uso de fertilizantes \u00e9 seu pre\u00e7o excessivo, sua m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o em \u00e1reas rurais e a percep\u00e7\u00e3o dos agricultores de que o solo n\u00e3o precisa de reabastecimento, indica a pesquisa.<\/p>\n<p>O esgotamento e a eros\u00e3o s\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas o principal problema em Uganda, o que levou \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de terras ar\u00e1veis e \u00e0 consequente inseguran\u00e7a alimentar. O solo perde nutrientes a uma velocidade alarmante enquanto os agricultores se esfor\u00e7am para produzir alimentos para uma popula\u00e7\u00e3o em crescimento. A produtividade agr\u00edcola ficou paralisada por falta de nutrientes no solo, confirmou o professor Matete Bekunda, especialista da Faculdade de Agricultura, da Universidade de Makerere, em Kampala.<\/p>\n<p>Um dos grandes problemas \u00e9 que os agricultores j\u00e1 n\u00e3o deixam a terra em descanso para que se recupere. \u201cO crescimento da popula\u00e7\u00e3o os obriga a cultivar temporada ap\u00f3s temporada. Assim, prejudicam os nutrientes e impedem o reabastecimento do solo. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa\u201d, explicou. A popula\u00e7\u00e3o de Uganda cresce \u00e0 taxa anual de 3,3%, acima da m\u00e9dia mundial de 1,1%, segundo informe de 2009 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Cerca de 80% dos habitantes deste pa\u00eds dependem da agricultura e dos recursos lacustres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 05\/10\/2010 &ndash; Diante da perda da fertilidade do solo e a consequente baixa produ\u00e7\u00e3o, agricultores ugandenses recorrem \u00e0 urina humana para reverter a situa\u00e7\u00e3o. A urina \u00e9 uma \u00f3tima fonte de nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, os elementos vitais para melhorar a resist\u00eancia das plantas \u00e0s doen\u00e7as, segundo especialistas. Seu uso como fertilizante ajudar\u00e1 a reabilitar solos afetados pela eros\u00e3o. Al\u00e9m disso, sai muito mais barato do que utilizar fertilizante qu\u00edmico e \u00e9 especialmente \u00fatil para os pequenos agricultores que n\u00e3o costumam ter dinheiro para comprar insumos. 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