{"id":7242,"date":"2010-10-08T19:04:32","date_gmt":"2010-10-08T19:04:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7242"},"modified":"2010-10-08T19:04:32","modified_gmt":"2010-10-08T19:04:32","slug":"temores-de-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/economia\/temores-de-identidade\/","title":{"rendered":"Temores de identidade"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, Israel, 08\/10\/2010 &ndash; A reclama\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no sentido de os palestinos reconhecerem Israel, e inclusive aceitarem, como \u201cEstado judeu\u201d, fez ressurgir o debate sobre a identidade, em meio aos renovados esfor\u00e7os para construir uma paz duradoura no Oriente M\u00e9dio. Tanto a secret\u00e1ria de Estado norte-americana, Hillary Clinton, como o enviado do presidente Barack Obama para essa regi\u00e3o, senador George Mitchell, expressaram cauteloso otimismo sobre o rein\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es entre israelenses e palestinos. <!--more--> J\u00e1 desde que declarou seu apoio, com retic\u00eancias, \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, Netanyahu condicionou qualquer acordo a que os palestinos n\u00e3o s\u00f3 reconhe\u00e7am Israel (com na realidade j\u00e1 fizeram nos acordos de Oslo, de 1993) como tamb\u00e9m o aceitem como \u201cEstado judeu\u201d. Alguns veem esta reclama\u00e7\u00e3o como uma maneira de o primeiro-ministro evitar adaptar-se \u00e0s demandas palestinas quanto aos refugiados terem \u201cdireito de regressar\u201d ao que agora \u00e9 o Estado de Israel.<\/p>\n<p>Alguns dizem que seria preciso levar Netanyahu a s\u00e9rio. E isto porque, segundo a maioria dos judeus israelenses, se for permitido que centenas de milhares de palestinos voltem \u00e0s suas casas originais, ent\u00e3o Israel n\u00e3o continuar\u00e1 contando com uma esmagadora maioria de cidad\u00e3os judeus (80% dos israelenses), o que poria em risco a pr\u00f3pria identidade de seu Estado.<\/p>\n<p>Para Netanyahu, a identidade judia de Israel \u00e9 t\u00e3o crucial como a quest\u00e3o dos refugiados o \u00e9 para os palestinos. Na ess\u00eancia, o l\u00edder israelense est\u00e1 transformando o tema do \u201cEstado judeu\u201d em outro ponto central na mesa de negocia\u00e7\u00f5es, junto com os assuntos fundamentais das fronteiras e col\u00f4nias, Jerusal\u00e9m, a seguran\u00e7a e os refugiados. Por outro lado, estas propostas voltam a gerar profunda preocupa\u00e7\u00e3o entre os \u00e1rabes israelenses, que constituem 20% dos 7,6 milh\u00f5es de habitantes de Israel.<\/p>\n<p>Em tentativas anteriores de paz, os \u00e1rabes israelenses foram vistos como uma ponte para a reconcilia\u00e7\u00e3o com os palestinos. Agora, alguns os veem como uma futura carga. Assim, o novo enfoque de Netanyahu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paz n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 cr\u00edtico para o destino dos refugiados palestinos como tamb\u00e9m para o lugar que ocupa a minoria \u00e1rabe dentro do \u201cEstado judeu\u201d.<\/p>\n<p>Quem afirma isto claramente \u00e9 o chanceler israelense, Avigdor Lieberman. Seu partido ultranacionalista Israel Beiteinu (integrante-chave do governo de Netanyahu) fez sua campanha sob o lema \u201csem lealdade n\u00e3o h\u00e1 cidadania\u201d. Este conceito foi crucial em sua agenda pol\u00edtica, reclamando que todos os israelenses (inclusive os \u00e1rabes) jurassem lealdade ao Estado. Agora, Lieberman volta a insistir para que as negocia\u00e7\u00f5es de paz abordem diretamente a quest\u00e3o da \u201clealdade\u201d dos cidad\u00e3os \u00e1rabes-israelenses.<\/p>\n<p>\u201cCom os palestinos se negando a reconhecer Israel como Estado judeu, as negocia\u00e7\u00f5es devem reavaliar toda a quest\u00e3o dos direitos de cidadania da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe\u201d, disse Lieberman. Os \u00e1rabes israelenses que forem desleais deveriam levar a cidadania palestina, sugeriu. A reclama\u00e7\u00e3o de Netanyahu para que se reconhe\u00e7a seu pa\u00eds como unicamente judeu tamb\u00e9m disparou um acalorado debate entre os intelectuais israelenses, tanto judeus como \u00e1rabes, sobre o que deveria encarnar o conceito de \u201cisraelense\u201d.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico Shlomo Avineri, da Universidade Hebreia de Jerusal\u00e9m, retratou um futuro quase apocal\u00edptico para Israel. Em um artigo semelhante a uma par\u00e1bola insistiu que Israel deve continuar preservando seu car\u00e1ter e seus s\u00edmbolos tradicionais judeus e resistir \u00e0s demandas de alguns intelectuais \u00e1rabes-israelenses para emendar a qualidade de judeu do Estado, criando em seu lugar uma \u00fanica identidade nacional \u201cisraelense\u201d que n\u00e3o seja judia nem \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Avineri previu que, se os judeus israelenses concordarem, inevitavelmente Israel se converter\u00e1 em uma segunda \u201cPalestina\u201d. De concreto, o cientista alerta que os \u00e1rabes-israelenses est\u00e3o abusando de seus direitos democr\u00e1ticos como cidad\u00e3os plenos ao tentarem negar \u00e0 maioria o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o como judeus. Para Avineri, se os israelenses judeus consentirem nisso, essencialmente estar\u00e3o concordando em abandonar o principal motivo pelo qual foi criado o Estado: a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo judeu em sua \u201cp\u00e1tria nacional\u201d.<\/p>\n<p>Dois conferencistas da Universidade de Haifa op\u00f5em-se de maneira veemente \u00e0 tese de Avineri. Asad Ghanem e Ilan Saban afirmam que os argumentos de Avineri representam \u201cum padr\u00e3o de pensamento entre os israelenses que est\u00e1 levando Israel a colocar-se por si mesmo \u00e0 beira de um abismo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPara Avineri, a principal amea\u00e7a que Israel enfrenta n\u00e3o \u00e9 em absoluto o crescimento das for\u00e7as antidemocr\u00e1ticas em seu interior, nem o que Israel tem feito durante 43 anos de ocupa\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o. Tampouco \u00e9 a severa discrimina\u00e7\u00e3o nem as pol\u00edticas de exclus\u00e3o do Estado contra seus cidad\u00e3os \u00e1rabes. N\u00e3o. A principal amea\u00e7a que ele v\u00ea \u00e9 que os judeus israelenses se comprometam com direitos igualit\u00e1rios plenos para os cidad\u00e3os \u00e1rabes\u201d, escreveram com sarcasmo.<\/p>\n<p>A d\u00favida de como confrontar as reclama\u00e7\u00f5es em conflito em mat\u00e9ria de filia\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, identidade nacional, igualdade, aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua e democracia acompanha Israel desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 1948. O que fica cada vez mais claro que \u00e9, mesmo tendo \u00eaxito, a paz entre israelenses e palestinos pode n\u00e3o resolver de fato esta d\u00favida. Pode, simplesmente, complicar ainda mais os ancestrais problemas da identidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, Israel, 08\/10\/2010 &ndash; A reclama\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no sentido de os palestinos reconhecerem Israel, e inclusive aceitarem, como \u201cEstado judeu\u201d, fez ressurgir o debate sobre a identidade, em meio aos renovados esfor\u00e7os para construir uma paz duradoura no Oriente M\u00e9dio. 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