{"id":7243,"date":"2010-10-08T19:08:04","date_gmt":"2010-10-08T19:08:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7243"},"modified":"2010-10-08T19:08:04","modified_gmt":"2010-10-08T19:08:04","slug":"universidades-nao-saem-dos-escombros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/ultimas-noticias\/universidades-nao-saem-dos-escombros\/","title":{"rendered":"Universidades n\u00e3o saem dos escombros"},"content":{"rendered":"<p>Paris, Fran\u00e7a, 08\/10\/2010 &ndash; Tristeza e enfado se misturam na voz da haitiana Angelique, ao contar sua hist\u00f3ria. Ela estuda na vibrante Universidade Paris 8 da capital francesa, mas sempre se lembra de sua fam\u00edlia e de seu pa\u00eds. A jovem de 28 anos perdeu sua casa e sua faculdade no terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 de janeiro. Angelique estava em seu trabalho de meio per\u00edodo, nas colinas de Porto Pr\u00edncipe, quando ocorreu o terremoto. Ela saiu ilesa, mas ao chegar \u00e0 sua casa descobriu que haviam morrido tr\u00eas das pessoas com as quais vivia. <!--more--> A estatal Universidade do Haiti, onde estudava sociologia e se formaria em junho, ficou em p\u00e9ssimo estado. Angelique pensou que seu futuro havia sucumbido sob os escombros, at\u00e9 que alguns amigos da Fran\u00e7a ofereceram ajuda. Um de seus benfeitores \u00e9 o presidente do Museu de Montparnasse, Jean Digne, que se dedicou a ajudar artistas e estudantes haitianos com exibi\u00e7\u00f5es e semin\u00e1rios, entre outras atividades.<\/p>\n<p>Angelique prev\u00ea se formar em junho do pr\u00f3ximo ano. Depois gostaria de fazer mestrado em comunica\u00e7\u00f5es. \u201cFalou-se muito em bolsas de estudos para haitianos, mas n\u00e3o recebi nada, nem do governo franc\u00eas nem do haitiano, ao qual s\u00f3 interessam as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. S\u00f3 falam disso\u201d, afirmou a jovem.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Universidade do Haiti j\u00e1 deixava a desejar antes mesmo do terremoto, lamentou Angelique. \u201cFaltavam livros na biblioteca e muitos funcion\u00e1rios n\u00e3o pareciam interessados nos alunos\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cO governo n\u00e3o fez muito, nem depois do terremoto\u201d, acrescentou. Ela espera que a comunidade internacional concentre sua ajuda na entrega de alimentos e em garantir a seguran\u00e7a de seus compatriotas. Muitos de seus amigos n\u00e3o tiveram sorte igual \u00e0 sua, de continuar estudando. Alguns foram trabalhar e outros optaram por ir embora.<\/p>\n<p>O ensino superior atravessa s\u00e9rias dificuldades no Haiti, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). H\u00e1 uma universidade estatal e cerca de 200 institui\u00e7\u00f5es particulares que, antes do terremoto, cobravam bastante caro. Menos de 50 delas eram reconhecidas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Capacita\u00e7\u00e3o Vocacional.<\/p>\n<p>\u201cMuitas universidades e institui\u00e7\u00f5es de ensino superior perderam estudantes, professores, instala\u00e7\u00f5es e equipamentos\u201d, disse Bechir Lamine, representante da Unesco em Porto Pr\u00edncipe. \u201cDificilmente exista alguma estat\u00edstica que quantifique esta perda\u201d, afirmou. Uma das principais universidades privadas ficou praticamente sem instala\u00e7\u00f5es, nem mesmo sua \u00faltima aquisi\u00e7\u00e3o, \u201cinaugurada apenas um m\u00eas antes do terremoto\u201d, disse Bechir \u00e0 IPS em entrevista por correio eletr\u00f4nico. Algumas oferecem alguns cursos em barracas de campanha.<\/p>\n<p>Um dos maiores problemas das universidades haitianas \u00e9 a perda de estudantes. A fuga de c\u00e9rebros j\u00e1 era um problema para esse pa\u00eds antes do terremoto. Estima-se que 85% dos universit\u00e1rios foram para o estrangeiro por causa de instabilidade pol\u00edtica, pobreza, viol\u00eancia e outros problemas sociais.<\/p>\n<p>\u201cMuitos pais mandam seus filhos para a vizinha Rep\u00fablica Dominicana ou a outros pa\u00edses para que possam prosseguir seus estudos\u201d, disse Bechir. \u201cIsso significa uma amea\u00e7a para a maioria das universidades privadas, pois perdem estudantes, renda e, portanto, professores\u201d, explicou. Outra quest\u00e3o \u00e9 substituir as instala\u00e7\u00f5es e os equipamentos perdidos. Algumas institui\u00e7\u00f5es recebem ajuda do estrangeiro.<\/p>\n<p>\u201cOs doadores n\u00e3o enviam dinheiro e as universidades t\u00eam dificuldades para garantir as aulas no atual ano letivo. Est\u00e3o sendo usadas barracas e outros abrigos com materiais leves, mas as autoridades temem que a temporada de furac\u00f5es coloque em risco esses esfor\u00e7os\u201d, disse Bechir.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o terremoto houve ofertas de bolsas de estudo e assist\u00eancia econ\u00f4mica por parte de Brasil, Canad\u00e1, Estados Unidos e outras na\u00e7\u00f5es europeias e caribenhas. Mas a falta de documentos impediu que se concretizasse a maioria dos convites, afirmou Samuel Pierre, professor haitiano da canadense \u00c9cole Polytechnique de Montreal.<\/p>\n<p>Samuel, que dirige um programa de ajuda a estudantes haitianos no Canad\u00e1, disse que \u00e9 preciso fazer mais, coordenar esfor\u00e7os e realizar um acompanhamento das doa\u00e7\u00f5es. \u201cDeve ser feito um apelo aos pa\u00edses que se comprometeram em dar assist\u00eancia a cumprirem suas promessas\u201d, disse \u00e0 IPS. A maior parte das grandes universidades n\u00e3o cobrou a matr\u00edcula dos estudantes haitianos no \u00faltimo ano letivo. Cerca de 200 pessoas gozam desse beneficio em Quebec, acrescentou Pierre.<\/p>\n<p>A Universidade das \u00cdndias Ocidentais aceitou 79 estudantes haitianos para este ano na Jamaica, disse Matthew Smith, professor de hist\u00f3ria e coordenador da assist\u00eancia ao Haiti. Numerosas universidades dos Estados Unidos ofereceram seus servi\u00e7os, mas a barreira do idioma foi um problema porque poucos estudantes haitianos falam ingl\u00eas. O Brasil, que tem muitas vagas em suas universidades, ofereceu 500 bolsas de estudo.<\/p>\n<p>O governo haitiano destinou ao ensino superior apenas 1% dos US$ 5,3 bilh\u00f5es prometidos pelos doadores. Os especialistas reclamam maior aten\u00e7\u00e3o para as universidades para que os estudantes fiquem no Haiti e ajudem na reconstru\u00e7\u00e3o. Eles sabem que possivelmente muitos dos que partiram n\u00e3o voltar\u00e3o Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, Fran\u00e7a, 08\/10\/2010 &ndash; Tristeza e enfado se misturam na voz da haitiana Angelique, ao contar sua hist\u00f3ria. Ela estuda na vibrante Universidade Paris 8 da capital francesa, mas sempre se lembra de sua fam\u00edlia e de seu pa\u00eds. A jovem de 28 anos perdeu sua casa e sua faculdade no terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 de janeiro. Angelique estava em seu trabalho de meio per\u00edodo, nas colinas de Porto Pr\u00edncipe, quando ocorreu o terremoto. 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