{"id":7249,"date":"2010-10-11T19:26:49","date_gmt":"2010-10-11T19:26:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7249"},"modified":"2010-10-11T19:26:49","modified_gmt":"2010-10-11T19:26:49","slug":"o-japao-pinta-a-asia-de-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/ambiente\/o-japao-pinta-a-asia-de-verde\/","title":{"rendered":"O Jap\u00e3o pinta a \u00c1sia de verde"},"content":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 11\/10\/2010 &ndash; Pode n\u00e3o ser f\u00e1cil imaginar o industrializado e tecnol\u00f3gico Jap\u00e3o como um incentivador de pol\u00edticas verdes. Por\u00e9m, v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es da \u00c1sia desenvolvem projetos ambientais gra\u00e7as \u00e0 sua ajuda. Desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, o Jap\u00e3o se envolveu em v\u00e1rias iniciativas verdes em toda a \u00c1sia, fundamentalmente por meio de sua ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA), empr\u00e9stimos e transfer\u00eancia de tecnologia. <!--more--> Uma das mais recentes aborda os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica na agricultura, e levou alguns dos principais especialistas japoneses no setor a trabalhar no norte da Tail\u00e2ndia. Segundo Masato Oda, o projeto que supervisionou nesse pa\u00eds no ano passado permite que os agricultores tailandeses aproveitem melhor a \u00e1gua para suas planta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 que n\u00e3o exige muito dinheiro nem alta tecnologia, pode ser replicado no restante da Tail\u00e2ndia ou em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Masato afirmou que a metodologia \u00e9 aplic\u00e1vel em na\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas como Camboja, onde as constantes secas obrigam os camponeses a realizarem grandes esfor\u00e7os de irriga\u00e7\u00e3o. \u201cO bom de todo o projeto \u00e9 que os agricultores n\u00e3o precisam ser cientistas para ter \u00eaxito\u201d, destacou. \u201cTudo o que devem saber \u00e9 trabalhar mais duro nas planta\u00e7\u00f5es e outras poucas condi\u00e7\u00f5es importantes, como sele\u00e7\u00e3o de sementes de alta qualidade, todas coisas que n\u00e3o est\u00e3o longe de seu alcance\u201d, disse.<\/p>\n<p>O solo no norte da Tail\u00e2ndia \u00e9 arenoso. As chuvas ali variam entre 800 e mil mil\u00edmetros durante seis meses, mas no resto do ano geralmente h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de seca. A situa\u00e7\u00e3o agravou-se com o aquecimento global. Entretanto, muitos agricultores mant\u00eam suas \u00e1reas de cana-de-a\u00e7\u00facar com m\u00e9todos de irriga\u00e7\u00e3o intensa, duas vezes ao dia. Segundo Masato, 12 fam\u00edlias aplicaram um novo sistema de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva financiado pelo Jap\u00e3o, que as ajudou a conservar pelo menos mil mililitros.<\/p>\n<p>\u201cAgora os produtores irrigam apenas uma vez por semana, e ainda obt\u00eam boa colheita\u201d, disse Masato, acrescentando que tamb\u00e9m come\u00e7aram a cultivar tomates, e que o projeto concentra-se em maior aproveitamento da terra plantando mais e cobrindo toda superf\u00edcie. Isto, explicou, reduz a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Al\u00e9m disso, os agricultores n\u00e3o precisam gastar tanto diesel para as m\u00e1quinas que bombeiam \u00e1gua. Masato destacou que isto ajuda a mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, j\u00e1 que s\u00e3o liberados menos gases-estufa.<\/p>\n<p>Com a ajuda ambiental de T\u00f3quio, v\u00e1rios \u00eaxitos nos \u00faltimos 20 anos foram alcan\u00e7ados. Em 2006, por exemplo, ofereceu um cr\u00e9dito de US$ 6,82 milh\u00f5es \u00e0 China para combater as tempestades de areia e o di\u00f3xido de sulfureto propagado em cultivos pela chuva \u00e1cida. No mesmo ano, o Jap\u00e3o estendeu sua ajuda ambiental \u00e0s Filipinas, para desenvolvimento da ind\u00fastria local de reciclagem, bem como para conscientizar sobre a prote\u00e7\u00e3o dos rios.<\/p>\n<p>Projetos ambientais relacionados representaram cerca de 4% da ODA japonesa nos anos 1990. Em 2008, cresceram mais de 20%. T\u00f3quio explicou que esta era uma forma de reduzir a \u00eanfase da ajuda \u201ctradicional\u201d ao Sul em infraestrutura, e destacou que se baseava em sua pr\u00f3pria experi\u00eancia de combate \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o quando se desenvolveu economicamente. Nos anos 1960 e 1970, o Jap\u00e3o construiu refinarias petroqu\u00edmicas para atender sua crescente demanda energ\u00e9tica no contexto de suas ambi\u00e7\u00f5es industriais.<\/p>\n<p>Quando se converteu em uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, pagou seu \u00eaxito com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o: a grave contamina\u00e7\u00e3o do ar causou problemas respirat\u00f3rios a milhares de japoneses. Em 2004, o Fundo Japon\u00eas para o Meio Ambiente Mundial come\u00e7ou a ajudar organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que trabalhavam em n\u00edvel de base. Seu porta-voz, Takuya Kimura, disse que, em 2008, US$ 2 milh\u00f5es financiaram 27 projetos ambientais, a maioria relacionada com preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em n\u00edvel comunit\u00e1rio. Destes projetos, 22 foram aplicados na \u00c1sia, especificamente na Birm\u00e2nia, \u00cdndia e no Delta do Mekong.<\/p>\n<p>Entretanto, especialistas afirmam que a ajuda verde japonesa poderia ser maior n\u00e3o fosse a falta de pol\u00edticas claras e pelas recentes redu\u00e7\u00f5es da ODA. Como consequ\u00eancia, segundo um informe da Escola de Economia de Estocolmo, a ajuda ambiental japonesa se politizou e se baseia simplesmente nos pedidos dos benefici\u00e1rios, sem estrat\u00e9gias definidas. A melhor ajuda ambiental do Jap\u00e3o \u00e9 a que leva em conta a ecologia e o desenvolvimento humano, segundo o diretor da Academia Ambiental de Waseda, Takeshi Hara. \u201cO que vemos agora \u00e9 um forte enfoque em pol\u00edticas de ajuda orientadas pelo mercado, baseadas na transfer\u00eancia de tecnologia verde. Isto n\u00e3o \u00e9 o que o Jap\u00e3o deveria fazer\u201d, disse Takeshi. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo da IPS \u00e9 parte de uma s\u00e9rie apoiada pela Rede de Conhecimentos sobre Clima e Desenvolvimento (http:\/\/www.cdkn.org\/).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 11\/10\/2010 &ndash; Pode n\u00e3o ser f\u00e1cil imaginar o industrializado e tecnol\u00f3gico Jap\u00e3o como um incentivador de pol\u00edticas verdes. Por\u00e9m, v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es da \u00c1sia desenvolvem projetos ambientais gra\u00e7as \u00e0 sua ajuda. 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