{"id":7261,"date":"2010-10-15T18:35:15","date_gmt":"2010-10-15T18:35:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7261"},"modified":"2010-10-15T18:35:15","modified_gmt":"2010-10-15T18:35:15","slug":"o-peixe-leao-passa-de-predador-a-presa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/ambiente\/o-peixe-leao-passa-de-predador-a-presa\/","title":{"rendered":"O peixe-le\u00e3o passa de predador a presa"},"content":{"rendered":"<p>Kingston, Jamaica, 15\/10\/2010 &ndash; Ansioso por impedir o colapso da pesca marinha, o Minist\u00e9rio de Agricultura e Pesca da Jamaica promove o consumo do peixe-le\u00e3o para controlar sua crescente popula\u00e7\u00e3o. Segundo as autoridades, est\u00e3o em risco a biodiversidade marinha, a seguran\u00e7a alimentar e o bem-estar econ\u00f4mico da na\u00e7\u00e3o. \u201cA situa\u00e7\u00e3o na Jamaica \u00e9 urgente\u201d, disse Nelsa English, coordenadora nacional do componente jamaicano de um Projeto de Esp\u00e9cies Invasoras no Caribe na Ag\u00eancia Nacional de Meio Ambiente e Planejamento (Nepa). <!--more--> \u201cA falta de predadores naturais suficientes sugere que esse peixe pode ser uma amea\u00e7a potencialmente significativa para a biodiversidade jamaicana e o ecossistema em geral\u201d, acrescentou Nelsa. Os recursos do pa\u00eds est\u00e3o chegando a um ponto sem volta. Seus arrecifes sofrem pesca excessiva e degrada\u00e7\u00e3o devido a pr\u00e1ticas pesqueiras pouco amig\u00e1veis com o meio ambiente, como uso de explosivos, venenos e redes com tamanho inferior ao permitido por lei.<\/p>\n<p>Os cientistas coincidem em que muitos dos arrecifes est\u00e3o reduzidos a apenas comunidades coralinas e j\u00e1 n\u00e3o funcionam como ecossistemas vitais porque sua biodiversidade est\u00e1 severamente degradada. Alguns estudos sugerem que apenas 2% de alguns arrecifes s\u00e3o corais vivos e que as estruturas pr\u00f3prias sofrem eros\u00e3o mais rapidamente do que podem se regenerar. \u201cAtualmente, nossa ind\u00fastria pesqueira sobrevive da captura de adultos jovens. Esta pr\u00e1tica n\u00e3o permite que uma quantidade suficiente de peixes amadure\u00e7a e se reproduza, o que pressiona a fecundidade do ecossistema\u201d, disse Nelsa \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para ela, a presen\u00e7a do peixe-le\u00e3o (cujas cores v\u00e3o do laranja at\u00e9 o gren\u00e1) em um \u00e1rea marinha t\u00e3o esgotada pode aniquilar a ind\u00fastria da pesca. O Minist\u00e9rio de Agricultura e Pesca estima que s\u00e3o mais de 30 mil pescadores na ilha. O peixe-le\u00e3o (Pterois volitans e Pterois miles) foi visto pela primeira vez em \u00e1guas jamaicanas em 2008, e se propagou rapidamente por toda a ilha. Os especialistas afirmam que pode ser reduzida em at\u00e9 80% a propor\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia dos pequenos peixes dos arrecifes.<\/p>\n<p>S\u00e3o poucos os predadores para esta esp\u00e9cie nativa do Pac\u00edfico al\u00e9m dos meros, dos quais n\u00e3o restam muitos nestas \u00e1guas onde \u00e9 praticada a pesca excessiva. O Parque Marinho de Montego Bay, reserva e santu\u00e1rio de peixes na costa norte da ilha, est\u00e1 sacrificando o peixe-le\u00e3o para reduzir sua quantidade. \u201cDurante os estudos submarinos era normal encontrar pelo menos tr\u00eas exemplares dessa esp\u00e9cie em uma jornada de mergulho. Nas horas do anoitecer e amanhecer, este n\u00famero podia facilmente triplicar ou quadruplicar\u201d, disse Brian Zane, diretor-executivo do Parque.<\/p>\n<p>Os sacrif\u00edcios acontecem em associa\u00e7\u00e3o com a Divis\u00e3o de Pesca do Minist\u00e9rio da Agricultura e a Nepa. Os funcion\u00e1rios examinam a viabilidade de instalar uma estrutura de arrecifes que se ramifiquem \u2013 j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o habit\u00e1veis pelo peixe-le\u00e3o \u2013 no Parque Nacional. A Nepa e seus s\u00f3cios elaboraram uma Estrat\u00e9gia Nacional e um Plano de A\u00e7\u00e3o para as esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras. O ministro de Agricultura e Pesca, Christopher Tufton, lidera uma agressiva campanha de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica para conseguir que os jamaicanos comam peixe-le\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 habitual ver programas de televis\u00e3o, v\u00eddeos de figuras conhecidas, como o primeiro-ministro Bruce Golding, saboreando pratos elaborados com essa variedade de pescado, e alguns dos chefes mais prestigiados preparam o que Christopher descreve como &#8220;boa comida&#8221;. &#8220;Creio que a maneira de controlar o peixe-le\u00e3o \u00e9 promover seu consumo&#8221;, disse no in\u00edcio da campanha. A Jamaica tem uma das maiores quantidades de esp\u00e9cies end\u00eamicas do Caribe, e tamb\u00e9m uma das maiores de esp\u00e9cies invasoras: 102.<\/p>\n<p>Isto a situa atr\u00e1s de Porto Rico e da Rep\u00fablica Dominicana, ilhas que tamb\u00e9m lutam contra o peixe-le\u00e3o. No ano passado, a Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos patrocinou uma viagem de cinco dias por Porto Rico com c\u00e9lebres cozinheiros, como parte de seus esfor\u00e7os para comercializar esta esp\u00e9cie. Em outras partes, pescadores que se arriscam s\u00e3o recompensados, como nas Bahamas, este peixe \u00e9 vendido por US$ 24 o quilo, at\u00e9 tr\u00eas vezes mais que outras variedades. Nas Ilhas Turcas e Caicos, o governo oferece um pr\u00eamio de US$ 3mil para o primeiro pescador que capturar tr\u00eas mil exemplares de peixe-le\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato de este peixe se adaptar aos mangues e aos pastos marinhos que servem de santu\u00e1rio para os peixes dos arrecifes, dificultar\u00e1 sua erradica\u00e7\u00e3o, segundo os cientistas. J\u00e1 foram vistos na Bogue Lagoon, principal \u00e1rea de mangue dentro do Parque Nacional de Montego Bay. Como s\u00e3o v\u00e1rios pa\u00edses afetados, os governos trabalham juntos para chegar a una solu\u00e7\u00e3o comum para o problema.<\/p>\n<p>O Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), financia um plano de mitiga\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras no projeto Insular Caribenho, para ajudar os cientistas da regi\u00e3o a elaborar estrat\u00e9gias a respeito. O programa quadrienal tem o objetivo de desenvolver um sistema de alerta, resposta e controle dessas esp\u00e9cies invasoras, bem como sistemas para impedir sua introdu\u00e7\u00e3o em cinco pa\u00edses e uma praga de peixe-le\u00e3o na Jamaica, Rep\u00fablica Dominicana e Bahamas.<\/p>\n<p>Segundo Brian, a resposta mais vi\u00e1vel no curto prazo \u00e9 sacrificar estes peixes. Tamb\u00e9m exigiu uma imediata proibi\u00e7\u00e3o das capturas de popula\u00e7\u00f5es predadoras, como o mero Goliat e o mero de Nassau, e a prote\u00e7\u00e3o dos corais ramificados. Estima-se que, em todo o mundo, o impacto, a preven\u00e7\u00e3o e o controle de esp\u00e9cies invasoras custam US$ 100 bilh\u00f5es, e que o dano que causam equivale a US$ 1,4 trilh\u00e3o, ou cerca de 5% do produto interno bruto mundial. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie de reportagens sobre biodiversidade produzida por IPS, CGIA\/Bioversity International, IFEJ e Pnuma\/CDB, membros da Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (http:\/\/www.comlusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kingston, Jamaica, 15\/10\/2010 &ndash; Ansioso por impedir o colapso da pesca marinha, o Minist\u00e9rio de Agricultura e Pesca da Jamaica promove o consumo do peixe-le\u00e3o para controlar sua crescente popula\u00e7\u00e3o. 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