{"id":7264,"date":"2010-10-18T14:05:25","date_gmt":"2010-10-18T14:05:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7264"},"modified":"2010-10-18T14:05:25","modified_gmt":"2010-10-18T14:05:25","slug":"corais-resistem-em-bonaire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/corais-resistem-em-bonaire\/","title":{"rendered":"Corais resistem em Bonaire"},"content":{"rendered":"<p>Bonaire, Antilhas Holandesas, 18\/10\/2010 &ndash; Uma equipe de cientistas examinou minuciosamente os arrecifes desta ilha localizada ao norte da Venezuela para determinar o motivo de sobreviverem \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o de 85% dos corais do Caribe desde a d\u00e9cada de 1970.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7264\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82279.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7264\" class=\"size-medium wp-image-7264\" title=\"Neste arrecife de Bonaire, o coral verde oliva est\u00e1 vivo, e o de manchas cinza est\u00e1 morto. - Living Oceans Foundation\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82279.jpg\" alt=\"Neste arrecife de Bonaire, o coral verde oliva est\u00e1 vivo, e o de manchas cinza est\u00e1 morto. - Living Oceans Foundation\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7264\" class=\"wp-caption-text\">Neste arrecife de Bonaire, o coral verde oliva est\u00e1 vivo, e o de manchas cinza est\u00e1 morto. - Living Oceans Foundation\/IPS<\/p><\/div>  S\u00f3 nos \u00faltimos 30 anos, a cobertura coralina do Caribe passou de saud\u00e1veis 65% para aproximadamente 20%. Novas doen\u00e7as e invas\u00f5es de algas mataram boa parte dos corais que se estendem do Estado norte-americana da Fl\u00f3rida, onde essa coberta \u00e9 diminuta, at\u00e9 Bonaire, onde fica boa parte dos 20% remanescentes. A costa caribenha da Am\u00e9rica Central est\u00e1 igualmente danificada.<\/p>\n<p>Se for comprovada a previs\u00e3o de oceanos mais quentes e mais \u00e1cidos devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o futuro ser\u00e1 ainda mais devastador para os corais sobreviventes. Quando a \u00e1gua esquenta muito, os corais descolorem e, em geral, morrem. Embora o Golfo P\u00e9rsico tenha sofrido um destino semelhante, principalmente por culpa da contamina\u00e7\u00e3o com petr\u00f3leo, o Caribe \u00e9, de longe, a maior regi\u00e3o a perder a maior parte de seus corais. Estes s\u00e3o col\u00f4nias de animais individuais e diminutos que se alimentam de algas igualmente diminutas.<\/p>\n<p>\u201cIsto significa que milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o perdendo um abundante fornecimento de peixes baratos e nutritivos\u201d, explicou Andrew Bruckner, chefe da equipe cient\u00edfica da Khaled Bin Sultan Living Oceans Foundation, com sede em Washington. Al\u00e9m disso, os corais d\u00e3o prote\u00e7\u00e3o contra as ondas e atraem turistas, disseram ele e outros cientistas. Por contraste, Bonaire tem \u00e1guas excepcionalmente claras, o que, desde a d\u00e9cada de 1970, converteu esta ilha em para\u00edso dos mergulhadores. Em um cl\u00e1ssico c\u00edrculo virtuoso, o governo local restringiu com sucesso a pesca para manter peixes e arrecifes em bom estado e fazer com que continuem chegando mergulhadores para se divertir e gastar dinheiro.<\/p>\n<p>Entretanto, enfermidades prevalentes em todo o Caribe quase erradicaram os corais chifre de alce e chifre de cervo, que antes cobriram as zonas mais rasas de Bonaire, junto \u00e0 costa, proporcionando h\u00e1bitat para muitos peixes e crust\u00e1ceos comest\u00edveis. Em \u00e1guas um pouco mais profundas, muitos dos enormes corais estrela, chaves na hora de construir os arrecifes, n\u00e3o tiveram a mesma sorte. Poucos continuam vivos.<\/p>\n<p>Utilizando um tanque para mergulho e aparelhos para medi\u00e7\u00f5es, entre outros implementos, Andrew entrou uma manh\u00e3 nas \u00e1guas de Taylor Made, uma das desertas praias da ilha. O fez na qualidade de l\u00edder de uma dezena de cientistas que durante uma semana realizaram uma expedi\u00e7\u00e3o para contar os corais mortos e os sadios, junto com as popula\u00e7\u00f5es de peixes. Debaixo d\u2019\u00e1gua, observou alguns dos \u00faltimos chifres de cervo. Ent\u00e3o, a equipe que este jornalista acompanhava chegou a alguns corais estrela gigantes, de at\u00e9 seis metros de altura, com idade entre 500 e mil anos, e Andrew fez um sinal de positivo com o polegar: eram verde-oliva e estavam s\u00e3os.<\/p>\n<p>Um pouco mais distante, outros corais estrela eram metade verdes, metade marrons, separados por uma linha esbranqui\u00e7ada. Sofriam da doen\u00e7a da praga branca, pertencente a uma fam\u00edlia de patologias que dizimam corais do Caribe. Andrew fez sinal de negativo. No entanto, sobre muitos dos corais mortos havia pequenos sinais de corais vivos. De regresso do mar, o cientista destacou que \u201co que vemos aqui \u00e9 um arrecife que sofreu enfermidades e descolora\u00e7\u00e3o, mas os novos corais nos dizem que o arrecife est\u00e1 se recuperando rapidamente\u201d.<\/p>\n<p>Isso se deve ao fato de ainda haver suficientes peixes que comem algas em seu entorno, para manter limpa a superf\u00edcie dos corais mortos. Tamb\u00e9m ajuda o fato de no lugar chover pouco e n\u00e3o serem comuns furac\u00f5es, que danificam os arrecifes. No restante do Caribe, os corais mortos logo ficam cobertos de algas e as larvas coralinas n\u00e3o t\u00eam onde se assentar. Depois de um furac\u00e3o, muito pouco volta a crescer. Mas em Bonaire, Andrew disse que, desde 2005, quando investigou pela \u00faltima vez os arrecifes da ilha, houve uma degrada\u00e7\u00e3o muito menor do que no restante do Caribe no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Pescadores e contaminantes s\u00e3o apenas os assassinos mais tang\u00edveis dos corais. Mas na medida em que a Terra fica mais quente os per\u00edodos de \u00e1guas quentes arrasam corais inteiros. A primeira eleva\u00e7\u00e3o de temperatura importante aconteceu em 1998, e a maioria dos arrecifes caribenhos nunca se recuperou. Este ano promete ser o mais quente desde 1998 no Caribe, e j\u00e1 se observa que alguns corais est\u00e3o morrendo. E se n\u00e3o bastarem as \u00e1guas mais quentes, uma falta de seres que se alimentam de algas e a contamina\u00e7\u00e3o, h\u00e1 outra inimiga: a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos.<\/p>\n<p>Enquanto nos \u00faltimos dois s\u00e9culos aumentou um ter\u00e7o o di\u00f3xido de carbono na atmosfera, um ter\u00e7o desse aumento foi absorvido pelos oceanos. Assim, a \u00e1gua oce\u00e2nica agora est\u00e1 mais \u00e1cida do que antes, o que dificulta a forma\u00e7\u00e3o dos esqueletos coralinos. E os efeitos j\u00e1 s\u00e3o sentidos. \u201cNa Grande Barreira de Coral, o ritmo de calcifica\u00e7\u00e3o diminuiu 15% desde 1990\u201d, afirmou Ove Hoegh-Gulberg, bi\u00f3logo especialista em corais da Australiana Universidade de Queensland.<\/p>\n<p>\u201cPouqu\u00edssimos corais sobreviver\u00e3o neste s\u00e9culo, e os que sobreviverem estar\u00e3o em muito mal estado\u201d, acrescentou Ken Caldeira, da Carnegie Institution. Andrew se mostrou mais otimista. \u201cOs antecedentes hist\u00f3ricos mostram que os corais s\u00e3o muito adapt\u00e1veis\u201d, disse. \u201cSe pudermos restringir a pesca e a contamina\u00e7\u00e3o, e criar mais reservas marinhas, poderemos salvar alguns dos arrecifes de coral do Caribe. E, mesmo se n\u00e3o o fizermos, em lugares como as remotas ilhas do Pac\u00edfico, as esp\u00e9cies de corais mais vulner\u00e1veis morrer\u00e3o e ser\u00e3o substitu\u00eddas por outras mais fortes. Simplesmente, n\u00e3o creio que desaparecer\u00e3o totalmente\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie de reportagens sobre biodiversidade produzida por IPS, CGIAR\/Bioversity International, IFEJ e Pnuma\/CDB, membros da Alian\u00e7a de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (www.complusalliance.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bonaire, Antilhas Holandesas, 18\/10\/2010 &ndash; Uma equipe de cientistas examinou minuciosamente os arrecifes desta ilha localizada ao norte da Venezuela para determinar o motivo de sobreviverem \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o de 85% dos corais do Caribe desde a d\u00e9cada de 1970. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/corais-resistem-em-bonaire\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":219,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21],"class_list":["post-7264","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/219"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7264\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}