{"id":7273,"date":"2010-10-19T13:39:34","date_gmt":"2010-10-19T13:39:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7273"},"modified":"2010-10-19T13:39:34","modified_gmt":"2010-10-19T13:39:34","slug":"destaques-uma-estrada-construida-para-ser-inundada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/destaques-uma-estrada-construida-para-ser-inundada\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Uma estrada constru\u00edda para ser inundada"},"content":{"rendered":"<p>PUNO, Peru, 19\/10\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Um trecho do Corredor Vi\u00e1rio Interoce\u00e2nico Sul na Amaz\u00f4nia peruana ser\u00e1 inundado por uma represa hidrel\u00e9trica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7273\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/497_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7273\" class=\"size-medium wp-image-7273\" title=\"Trecho da estrada bioce\u00e2nica em uma \u00e1rea que ser\u00e1 inundada pela represa de Inambari, em Puno, no Peru - Milagros Salazar\/IP\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/497_2.jpg\" alt=\"Trecho da estrada bioce\u00e2nica em uma \u00e1rea que ser\u00e1 inundada pela represa de Inambari, em Puno, no Peru - Milagros Salazar\/IP\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7273\" class=\"wp-caption-text\">Trecho da estrada bioce\u00e2nica em uma \u00e1rea que ser\u00e1 inundada pela represa de Inambari, em Puno, no Peru - Milagros Salazar\/IP<\/p><\/div>  Alguns oper\u00e1rios trabalham contra o rel\u00f3gio no \u00faltimo trecho do Corredor Vi\u00e1rio Interoce\u00e2nico Sul, no sudeste do Peru, sem saber que cerca de cem quil\u00f4metros dessa estrada que faz liga\u00e7\u00e3o com o Brasil ser\u00e3o cobertos pela represa hidrel\u00e9trica de Inambari. Os moradores duvidam que possa haver uma rota alternativa a esta estrada pela qual lutaram durante anos. O maquin\u00e1rio pesado vai dar lugar a outro com toneladas de terra removida. Alguns jovens de capacete e macac\u00e3o controlam o tr\u00e2nsito com letreiros de m\u00e3o que dizem \u201cPare\u201d, \u201cSiga\u201d.<\/p>\n<p>O projeto, que faz parte da Iniciativa para a Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), avan\u00e7a a todo vapor para que seja cumprida a promessa governamental de conclu\u00ed-lo em abril de 2011. O Corredor Vi\u00e1rio \u00e9 uma rede de v\u00e1rias estradas para unir tr\u00eas portos peruanos no Pac\u00edfico com a localidade de I\u00f1apari, no departamento de Madre de Dios, fronteiri\u00e7a com o Brasil. Os trechos quatro e tr\u00eas ligam uma at\u00e9 agora isolada regi\u00e3o do sul, de Anz\u00e1garo, no departamento de Puno, at\u00e9 I\u00f1apari.<\/p>\n<p>O projeto de Inambari, a cargo da Empresa de Gera\u00e7\u00e3o El\u00e9trica Amazonas Sul (Egasur), incluir\u00e1 uma central e uma represa de 37.800 hectares no cora\u00e7\u00e3o da selva, que inundar\u00e1 43,5 quil\u00f4metros do trecho dois da estrada, em Cusco, 61,5 quil\u00f4metros do trecho quatro, em Puno, e um quil\u00f4metro do trecho tr\u00eas, em Madre de Dios. O Terram\u00e9rica comprovou que grande parte da estrada j\u00e1 est\u00e1 terminada. Os moradores e t\u00e9cnicos duvidam que os cem quil\u00f4metros que ficariam sob a \u00e1gua possam ser recuperados, pois o tra\u00e7ado alternativo proposto incluiria uma \u00e1rea muito acidentada e tamb\u00e9m implicaria em cortar florestas prim\u00e1rias.<\/p>\n<p>A Egasur, de capital brasileiro, apresentou em janeiro de 2010 ao Minist\u00e9rio de Transporte e Comunica\u00e7\u00f5es um projeto para modificar os trechos dois e quatro da estrada, tal como aparece em uma carta da empresa \u00e0 qual o Terram\u00e9rica teve acesso. Segundo a proposta, o tra\u00e7ado alternativo, de 98 quil\u00f4metros, exigir\u00e1 investimento de US$ 377 milh\u00f5es da empresa, segundo uma vers\u00e3o preliminar do estudo de viabilidade de Inambari.<\/p>\n<p>\u201cQuem nos garante a nova estrada? H\u00e1 montanhas e \u00e1rvores onde dizem que v\u00e3o construir. E se n\u00e3o puderem?\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a presidente da Frente de Organiza\u00e7\u00f5es do Rio Inambari, Olga Cutipa, uma dos muitos moradores que lutaram pela constru\u00e7\u00e3o dessa via por 40 anos. De forma simult\u00e2nea, a Egasur apresentou ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia, na primeira semana deste m\u00eas, uma vers\u00e3o final do estudo de viabilidade da hidrel\u00e9trica, que se mant\u00e9m em sigilo, segundo soube o Terram\u00e9rica. Dirigentes sociais de Puno, que chegaram a Lima no dia 12 para protestar contra Inambari, exigiram que as autoridades o tornem p\u00fablico.<\/p>\n<p>Os capitais das empresas que executam estas obras que se superp\u00f5em t\u00eam algo em comum: s\u00e3o brasileiros. A Egasur \u00e9 formada pela construtora OAS e pela Eletrobr\u00e1s Furnas, ambas do Brasil. Os trechos dois e tr\u00eas da estrada foram entregues ao Cons\u00f3rcio Concession\u00e1rio Interoce\u00e2nico, encabe\u00e7ado pela construtora Norberto Odebrecht S.A., do Brasil, que realiza as principais obras de infraestrutura no Peru. O trecho quatro \u00e9 executado pelo cons\u00f3rcio Intersur Concess\u00f5es S.A., da Andrade Guti\u00e9rrez, Camargo Corr\u00eaa e Queiroz Galv\u00e3o. Estas empresas, junto com a Odebrecht, formam um oligop\u00f3lio da constru\u00e7\u00e3o de grandes obras na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica, normalmente financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>Inambari \u00e9 uma das cinco hidrel\u00e9tricas que se pretende construir na Amaz\u00f4nia peruana como parte do acordo assinado entre Peru e Brasil em junho, para gera\u00e7\u00e3o de seis mil megawatts. Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais garantem que o acordo beneficiar\u00e1 principalmente o Brasil, pois o Peru dever\u00e1 entregar ao pa\u00eds vizinho uma porcentagem permanente de energia sem poder elevar sua participa\u00e7\u00e3o para uso interno durante 30 anos.<\/p>\n<p>A engenheira Rosario Linares, da Sociedade Civil pela Constru\u00e7\u00e3o da Estrada Transoce\u00e2nica de Puno, disse ao Terram\u00e9rica que o projeto da estrada alternativa \u00e9 invi\u00e1vel por ficar uma \u00e1rea de deslizamentos. Tamb\u00e9m questionou que a proposta da Egasur apresentada em janeiro n\u00e3o incluiu um estudo ambiental e social. N\u00e3o foi poss\u00edvel conseguir a posi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Transportes para este artigo, apesar de duas semanas de gest\u00f5es.<\/p>\n<p>A via alternativa contempla sete pontes em Cusco e outras seis em Puno. Uma delas, sobre o Rio Inambari, preocupa Rosario por sua dimens\u00e3o: 640 metros de comprimento e 220 metros de altura. Em uma resposta por e-mail, uma fonte da Egasur disse ao Terram\u00e9rica que \u201co importante \u00e9 que os novos tra\u00e7ados ser\u00e3o estradas de n\u00edvel 1 e manter\u00e3o os eixos conectados\u201d. A Intersur, que trabalha no trecho de Puno, respondeu que a Egasur n\u00e3o a informou sobre seus planos de inunda\u00e7\u00e3o e que a empresa continuar\u00e1 trabalhando para terminar o asfalto.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o revela falta de planejamento da infraestrutura em um ecossistema fr\u00e1gil como a Amaz\u00f4nia, disse o advogado Mariano Castro, da n\u00e3o governamental Sociedade Peruana de Direito Ambiental. \u201cEstes projetos t\u00eam impactos sociais e ambientais que devem ser considerados com rigor, porque n\u00e3o s\u00e3o executados em territ\u00f3rios vazios\u201d, ressaltou Mariano ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PUNO, Peru, 19\/10\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Um trecho do Corredor Vi\u00e1rio Interoce\u00e2nico Sul na Amaz\u00f4nia peruana ser\u00e1 inundado por uma represa hidrel\u00e9trica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/destaques-uma-estrada-construida-para-ser-inundada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-7273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}