{"id":7275,"date":"2010-10-19T13:45:15","date_gmt":"2010-10-19T13:45:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7275"},"modified":"2010-10-19T13:45:15","modified_gmt":"2010-10-19T13:45:15","slug":"reportagem-viver-da-madeira-sem-acabar-com-a-selva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/reportagem-viver-da-madeira-sem-acabar-com-a-selva\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Viver da madeira sem acabar com a selva"},"content":{"rendered":"<p>RIO BRANCO, Acre, Brasil, 19\/10\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O manejo florestal permitiu multiplicar por 20 o valor das florestas nativas do Estado do Acre. Por\u00e9m, como vivem aqueles que se dedicam \u00e0 extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da madeira?  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7275\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/497_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7275\" class=\"size-medium wp-image-7275\" title=\"Madeira de Antimary pronta para ser carregada - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/497_1.jpg\" alt=\"Madeira de Antimary pronta para ser carregada - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7275\" class=\"wp-caption-text\">Madeira de Antimary pronta para ser carregada - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A fam\u00edlia Zolinger, t\u00edpico exemplo das que emigraram do sul do Brasil para a Amaz\u00f4nia em busca de terras e fortuna, agora tem uma segunda oportunidade como extratora de madeira, ap\u00f3s contribuir para a devasta\u00e7\u00e3o da floresta de Rond\u00f4nia, onde se estabeleceram em 1979. \u201cAqui temos trabalho para, pelo menos, 15 anos\u201d, disse S\u00e9rgio Zolinger, de 39 anos, 23 deles dedicados \u00e0 atividade, referindo-se \u00e0 Floresta Estatal de Antimary, no Estado do Acre, cuja explora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita, desde 2005, de acordo com um manejo certificado. A madeira extra\u00edda dessa \u00e1rea \u00e9 considerada sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Antes, no vizinho Estado de Rond\u00f4nia, os propriet\u00e1rios \u201cnos davam apenas um ano para retirar a madeira\u201d de suas extensas \u00e1reas, porque queriam desmat\u00e1-las logo e liberar o terreno para o gado ou a planta\u00e7\u00e3o, disse S\u00e9rgio ao Terram\u00e9rica. Alguns propriet\u00e1rios, considerando muito baixo o pre\u00e7o da madeira, \u201cpreferiam queimar toda a floresta\u201d e destruir inclusive mogno e outras esp\u00e9cies de grande valor comercial, acrescentou. A extra\u00e7\u00e3o de mogno, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o pelo corte excessivo, acabou sendo proibida. As demais tamb\u00e9m desapareceram do mercado legal.<\/p>\n<p>Este desperd\u00edcio obriga a buscar madeira de interesse comercial cada dia mais longe, lamentou S\u00e9rgio. Agora, mais de 1.300 quil\u00f4metros a oeste de sua casa em Vilhena, munic\u00edpio do extremo leste de Rond\u00f4nia, ele, seu pai e o irm\u00e3o mais velho participam de uma nova experi\u00eancia no Acre. Antimary, oficializada como \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o e aproveitamento sustent\u00e1vel em 1997, \u00e9 pioneira no uso controlado de seus frutos, inclusive n\u00e3o madeireiros, como castanha, borracha e v\u00e1rias sementes, adiantando-se \u00e0 Lei de Concess\u00f5es Florestais, que o Congresso aprovou em 2006 e s\u00f3 em 2008 come\u00e7ou a gerar os primeiros contratos de at\u00e9 40 anos.<\/p>\n<p>\u00c0 empresa familiar dos Zolinger coube extrair madeira segundo o plano de manejo de uma selva de 47 mil hectares, sob gest\u00e3o da Secretaria Estadual Florestal do Acre. Este ano podem cortar \u00e1rvores identificadas com precis\u00e3o em at\u00e9 quatro mil hectares. Tamb\u00e9m tinham esse limite em 2009, mas s\u00f3 cobriram pouco mais da metade, pois contam com uma equipe reduzida de 12 trabalhadores, al\u00e9m dos tr\u00eas patr\u00f5es que tamb\u00e9m trabalham duro, al\u00e9m de as chuvas terem se prolongado at\u00e9 o come\u00e7o de junho. Neste ano puderam come\u00e7ar a cortar em maio.<\/p>\n<p>O trabalho deve se concentrar no \u201cver\u00e3o\u201d amaz\u00f4nico, os quatro ou cinco meses em que chove pouco. Qualquer chuva impede o transporte das pesadas toras por estradas de terra escorregadias em uma superf\u00edcie de ladeiras. Um mapa detalhado da \u00e1rea identifica com n\u00famero as \u00e1rvores de esp\u00e9cies comerciais e tamanho adequado. E n\u00e3o podem ser derrubadas as localizadas na faixa azul, uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente de 30 metros de largura nas margens dos rios e riachos, explicou o pai, Oscar Zolinger, de 67 anos, que iniciou o neg\u00f3cio madeireiro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Essa faixa preservada pode ser reduzida pela metade se passar no Congresso uma proposta de revis\u00e3o do C\u00f3digo Florestal, \u00e0 qual se op\u00f5e o movimento ambientalista. Isto aumentaria em 25% a madeira extra\u00edda em Antimary, porque permitiria \u201ccortar mais \u00e1rvores e justamente as de melhor qualidade e mais altas\u201d, disse Chico Zolinger, o filho mais velho. Ele estima que a produtividade atual da selva seja de sete a oito metros c\u00fabicos de madeira por hectare, e chega a dez metros c\u00fabicos nas melhores \u00e1reas.<\/p>\n<p>A suma\u00fama (Ceiba pendadra), uma enorme \u00e1rvore de madeira branca e crescimento r\u00e1pido, conhecida como ceiba e pau santo em outros pa\u00edses, \u00e9 a mais aproveitada em Antimary, onde tamb\u00e9m s\u00e3o cortadas esp\u00e9cies antes descartadas \u201cpor seu baixo valor comercial\u201d, como o tauari (Couratari oblongifolia), que agora t\u00eam valor de mercado diante da escassez de outras \u201cmais nobres\u201d, contou Chico. O manejo tamb\u00e9m obriga a preservar grandes \u00e1rvores para garantir a boa heran\u00e7a gen\u00e9tica das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Apesar disso, h\u00e1 especialistas florestais c\u00e9ticos sobre a sustentabilidade do manejo no longo prazo, devido \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que causa o corte do melhor exemplar de cada \u00e1rea. Antimary \u00e9 uma \u201cexperi\u00eancia \u00fanica\u201d no Brasil, seu manejo \u00e9 comunit\u00e1rio, pois a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 concedida a uma empresa, mas a uma associa\u00e7\u00e3o de moradores da floresta, \u201cde maneira n\u00e3o onerosa\u201d, com os ganhos provenientes da venda da madeira divididos entre as 56 fam\u00edlias residentes, explicou o secret\u00e1rio estadual de Florestas, Carlos Duarte, conhecido como \u201cResende\u201d, sua cidade de origem.<\/p>\n<p>Raimundo Tavares da Silva, de 34 anos e h\u00e1 seis vivendo na floresta, \u00e9 um dos beneficiados, junto com sua mulher e dois filhos pequenos, como membros de uma das tr\u00eas associa\u00e7\u00f5es. No ano passado, ganhou R$ 3,2 mil (US$ 1,85 mil) e neste j\u00e1 recebeu uma primeira parte de R$ 2,172 mil (US$ 1,28 mil). Al\u00e9m disso, cada fam\u00edlia disp\u00f5e de cem hectares de floresta onde colhem castanha, outros frutos e borracha, com permiss\u00e3o para desmatar at\u00e9 20% da superf\u00edcie, ao ritmo de um hectare por ano, para plantar e criar at\u00e9 30 bovinos, detalhou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m contam com escolas. E, o melhor, a extra\u00e7\u00e3o de madeira for\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o de uma estrada de 30 quil\u00f4metros que \u2013 mesmo de terra, convertida em barro quando chove \u2013 permite que se chegue \u00e0 pavimentada BR-364. \u201cAntes, demorava nove dias para chegar \u00e0 cidade mais pr\u00f3xima\u201d a p\u00e9, disse Raimundo ao Terram\u00e9rica. No Acre n\u00e3o h\u00e1 \u201cconcess\u00f5es florestais privadas\u201d, destacou Resende. Estender a experi\u00eancia de Antimary \u00e0s outras tr\u00eas florestas p\u00fablicas estaduais existentes, e a outras duas a serem implantadas, exige capacita\u00e7\u00e3o dos moradores e conseguir que superem a inseguran\u00e7a alimentar, para evitar que desmatem.<\/p>\n<p>O Acre tem 88% de suas \u00e1reas de selva preservadas, que ser\u00e1 ampliada com a planta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas e produtivas, como a seringueira, a castanheira e o a\u00e7a\u00ed, informou o secret\u00e1rio de Florestas. O manejo florestal permitiu multiplicar por 20 o valor patrimonial das florestas nativas do Acre, que h\u00e1 12 anos era de apenas R$ 35 (US$ 20,50) por hectare. E isso \u00e9 importante para evitar o desmatamento, concluiu Resende.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO BRANCO, Acre, Brasil, 19\/10\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O manejo florestal permitiu multiplicar por 20 o valor das florestas nativas do Estado do Acre. 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