{"id":7283,"date":"2010-10-19T14:59:27","date_gmt":"2010-10-19T14:59:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7283"},"modified":"2010-10-19T14:59:27","modified_gmt":"2010-10-19T14:59:27","slug":"mais-de-13-milhao-de-haitianos-ainda-sem-teto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/desenvolvimento\/mais-de-13-milhao-de-haitianos-ainda-sem-teto\/","title":{"rendered":"Mais de 1,3 milh\u00e3o de haitianos ainda sem teto"},"content":{"rendered":"<p>Grand Goave, Haiti, 19\/10\/2010 &ndash; Rosie Benjamin \u00e9 uma entre as mais de 1,3 milh\u00e3o de pessoas que vivem nos 1.354 acampamentos para desabrigados pelo terremoto de janeiro no Haiti.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7283\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82350.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7283\" class=\"size-medium wp-image-7283\" title=\"Residentes do acampamento de Sentra Park. - Haiti Grassroots Watch\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82350.jpg\" alt=\"Residentes do acampamento de Sentra Park. - Haiti Grassroots Watch\" width=\"200\" height=\"158\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7283\" class=\"wp-caption-text\">Residentes do acampamento de Sentra Park. - Haiti Grassroots Watch<\/p><\/div>  Ela e outras 1.200 pessoas lotam 300 barracas de campanha e outras de pl\u00e1stico em um campo de futebol na cidade de Grand Goave. Como ocorre com cerca de 70% dos acampamentos neste pa\u00eds, os residentes em Grand Goave est\u00e3o largados \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fornecimento de \u00e1gua, nada recebem do governo nem de organiza\u00e7\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 comida, n\u00e3o h\u00e1 emprego e nem not\u00edcias sobre seu futuro. \u201cFomos \u00e0 cidade, e n\u00e3o conseguimos saber nada. Fomos \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o Terre des Hommes, e nada\u201d, queixou-se Rosie. \u201cAt\u00e9 agora n\u00e3o recebemos nada. Estamos aqui assentados sem saber o que est\u00e3o pensando fazer\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela e seus vizinhos vivem do dinheiro enviado por familiares no exterior, dividem a comida e, de tempos em tempos, recebem trigo ou \u00f3leo de alguma organiza\u00e7\u00e3o, mas isso \u00e9 tudo. Algumas crian\u00e7as, muitas das quais n\u00e3o frequentam a escola este ano, apresentam uma pigmenta\u00e7\u00e3o alaranjada no cabelo.<\/p>\n<p>Consultada sobre este \u00f3bvio sinal de desnutri\u00e7\u00e3o, Deborah Hyde, do Grupo de Ref\u00fagio \u2013 equipe com mandato da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para coordenar a tarefa de dar abrigo aos afetados \u2013 informou que a maioria das iniciativas de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos das ONGs se deteve em mar\u00e7o por ordem do governo haitiano. \u201cA desnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que, lamentavelmente, est\u00e1 aqui desde a d\u00e9cada de 1980\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Deborah afirmou que muitos residentes contavam com outro lugar para viver, ou podiam encontrar um, mas preferem ficar no acampamento. \u201cPara ser franca, t\u00eam medo de perder uma (eventual) distribui\u00e7\u00e3o\u201d de comida ou ajuda, disse. Mas Rosie e seus vizinhos asseguram que nada poderia estar mais longe da verdade. Alguns moradores t\u00eam sua pr\u00f3pria casa, mas n\u00e3o contam com meios para retirar os escombros deixados pelo terremoto ou reconstruir as partes destru\u00eddas. Outros s\u00e3o inquilinos.<\/p>\n<p>Rosie, como quase dois ter\u00e7os dos haitianos, mora em casa alugada. Isto significa que n\u00e3o poder\u00e1 voltar a ela at\u00e9 que o propriet\u00e1rio fa\u00e7a os reparos. Esta mulher assegura que ningu\u00e9m est\u00e1 no acampamento por escolha pr\u00f3pria. E isso seria estranho, considerando os informes sobre um crescente n\u00famero de crimes, casos de explora\u00e7\u00e3o sexual e condi\u00e7\u00f5es de vida insalubres no acampamento.<\/p>\n<p>A maioria dos haitianos afetados pelo tremor do dia 12 de janeiro est\u00e1 hoje no mesmo lugar em que se encontrava no dia posterior \u00e0 trag\u00e9dia, apesar das doa\u00e7\u00f5es recebidas pelas ag\u00eancias humanit\u00e1rias, tanto de parte de privados como de governos. O terremoto, de sete graus na escala Richter, matou cerca de 300 mil pessoas e devastou a capital e outras importantes cidades haitianas. Os desabrigados vivem amontoados em barracas de papel\u00e3o, lona e pl\u00e1stico, expostos ao ardente sol e frequentes tempestades nas infames temporadas de chuvas do Haiti.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, uma tempestade atingiu Porto Pr\u00edncipe, matando seis pessoas e destruindo oito mil barracas de campanha. A aparente paralisa\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os para reassentar os afetados levou muitos moradores, como Rosie, a assumir que n\u00e3o havia planos concretos para eles. Por\u00e9m, existem. Uma investiga\u00e7\u00e3o feita durante tr\u00eas semanas pelo grupo Ayiti Kale Je\/Haiti Grassroots Watch, dedicado a acompanhar os esfor\u00e7os de reconstru\u00e7\u00e3o, descobriu um. Contudo, n\u00e3o foi divulgado ao p\u00fablico, est\u00e1 mal coordenado e n\u00e3o \u00e9 supervisionado por nenhum Minist\u00e9rio haitiano.<\/p>\n<p>Elaborado por ag\u00eancias da ONU e grupos da sociedade civil, o plano \u00e9 formado por tr\u00eas partes: levar de volta um grupo de afetados aos seus bairros de origem, mas em casas melhor constru\u00eddas e localizadas, convencer outros a se mudarem para o campo e colocar o restante em novas casas em outros lugares. No papel, o plano parece s\u00f3lido. Enquanto s\u00e3o constru\u00eddas as novas estruturas, as fam\u00edlias seriam colocadas em abrigos provis\u00f3rios, de madeira ou pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>No entanto, o plano enfrenta muitos desafios, incluindo o fato de que, at\u00e9 agora, n\u00e3o foi aprovado oficialmente pelo governo. Gehard Tauscher, coordenador de abrigos no Haiti, disse que a falta de conex\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional \u00e9 o principal obst\u00e1culo, e indicou que desejava que \u201ctodos os estratos do governo se unissem e falassem com uma \u00fanica voz\u201d. \u201cDesejaria que fossem colocados em um belo lugar por um fim de semana \u2013 a ONU e o governo nacional \u2013 e n\u00e3o pudessem sair at\u00e9 que tomassem decis\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>E existem muitos outros obst\u00e1culos. Quase todos os passos do plano parecem dif\u00edceis, ou imposs\u00edveis de implementar. S\u00e3o mais de 300 mil fam\u00edlias que necessitariam de abrigos tempor\u00e1rios, mas as ag\u00eancias e as ONGs planejam construir apenas 135 mil. Tampouco est\u00e1 claro onde se localizariam. Isto leva a outro inconveniente: o \u201cproblema da terra\u201d no Haiti. O sistema de posse de terras neste pa\u00eds \u201c\u00e9 um bordel, uma completa desordem que j\u00e1 tem 200 anos\u201d, disse Bernard Etheart, diretor do Instituto Nacional de Reforma Agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Desde a independ\u00eancia haitiana, em 1804, muitos governantes roubaram, venderam ou presentearam terras a familiares ou aliados. Muitos \u201cpropriet\u00e1rios\u201d n\u00e3o contam com as correspondentes escrituras, e outras parcelas t\u00eam dois ou tr\u00eas donos com documenta\u00e7\u00e3o \u201clegal\u201d. Al\u00e9m do problema da terra existe outro obst\u00e1culo, bastante literal: estima-se que h\u00e1 entre 20 e 30 milh\u00f5es de toneladas c\u00fabicas de escombros na capital e em pequenas cidades afetadas pelo terremoto. Segundo especialistas, vai demorar anos para remov\u00ea-las. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Leia a s\u00e9rie completa, veja os v\u00eddeos que a acompanham e ou\u00e7a os \u00e1udios em Haiti Grassroots Watch (http:\/\/www.haitigrassrootswatch.org). A Ayiti Kale Je\/Haiti Grassorrots Watch \u00e9 uma iniciativa de colabora\u00e7\u00e3o de duas organiza\u00e7\u00f5es de m\u00eddia comunit\u00e1ria haitianas: Groupe Medialternatif\/Alterpresse (http:\/\/www.alterpresse.org) e Sociedade para a Anima\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o Social (Saks \u2013 http:\/\/www.saks-haiti.org), junto com a rede de emissoras de r\u00e1dios comunit\u00e1rias de mulheres (Refraka) e a Associa\u00e7\u00e3o de M\u00eddias Comunit\u00e1rias Haitianas (Ameka).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grand Goave, Haiti, 19\/10\/2010 &ndash; Rosie Benjamin \u00e9 uma entre as mais de 1,3 milh\u00e3o de pessoas que vivem nos 1.354 acampamentos para desabrigados pelo terremoto de janeiro no Haiti. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/desenvolvimento\/mais-de-13-milhao-de-haitianos-ainda-sem-teto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[14],"class_list":["post-7283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}