{"id":7287,"date":"2010-10-20T14:24:26","date_gmt":"2010-10-20T14:24:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7287"},"modified":"2010-10-20T14:24:26","modified_gmt":"2010-10-20T14:24:26","slug":"america-latina-educacao-nao-sexista-e-mais-do-que-numeros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/america-latina-educacao-nao-sexista-e-mais-do-que-numeros\/","title":{"rendered":"AM\u00c9RICA LATINA: Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista \u00e9 mais do que n\u00fameros"},"content":{"rendered":"<p>Lima, Peru, 20\/10\/2010 &ndash; Na Am\u00e9rica Latina, as mulheres quebraram barreiras quantitativas em educa\u00e7\u00e3o e em v\u00e1rios pa\u00edses agora h\u00e1 mais mulheres formadas do que homens. Por\u00e9m, falta conseguir que essa educa\u00e7\u00e3o reduza e n\u00e3o alimente a desigualdade entre ambos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7287\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82415.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7287\" class=\"size-medium wp-image-7287\" title=\"Moriana Hern\u00e1ndez durante o semin\u00e1rio A Educa\u00e7\u00e3o Al\u00e9m das Metas. - Milagros Salazar\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82415.jpg\" alt=\"Moriana Hern\u00e1ndez durante o semin\u00e1rio A Educa\u00e7\u00e3o Al\u00e9m das Metas. - Milagros Salazar\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7287\" class=\"wp-caption-text\">Moriana Hern\u00e1ndez durante o semin\u00e1rio A Educa\u00e7\u00e3o Al\u00e9m das Metas. - Milagros Salazar\/IPS<\/p><\/div>  Representantes de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e de direitos humanos de mais de 20 pa\u00edses, na maioria latino-americanos, debateram em Lima sobre como alcan\u00e7ar uma educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o discrimine e n\u00e3o reproduza estere\u00f3tipos dentro e fora dos centros de ensino.<\/p>\n<p>\u201cDizer que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sexista e discriminat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica, pois tem uma demonstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d, afirmou a uruguaia Moriana Hern\u00e1ndez, do Comit\u00ea da Am\u00e9rica Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), diante de um audit\u00f3rio de 60 participantes de 14 pa\u00edses da regi\u00e3o e de delegadas da \u00c1frica e da \u00c1sia.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio internacional \u201cA educa\u00e7\u00e3o: al\u00e9m das metas\u201d, realizado na semana passada na capital peruana, colocou em xeque os avan\u00e7os do segundo e do terceiro Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, referentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal at\u00e9 2015 e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p>\u201cUma coisa \u00e9 o acesso \u00e0 escola e outra \u00e9 garantir a conclus\u00e3o do prim\u00e1rio e do secund\u00e1rio\u201d, disse \u00e0 IPS Moriana, respons\u00e1vel pela Campanha por uma Educa\u00e7\u00e3o N\u00e3o Sexista e Antidiscriminat\u00f3ria, lan\u00e7ada pelo Cladem este ano em muitos pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUma terceira coisa \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o seja pertinente, que permita ao ser humano ter um pensamento cr\u00edtico e aut\u00f4nomo. E isso pode ser demonstrado pela revis\u00e3o das estat\u00edsticas e planos escolares\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Em quest\u00e3o de n\u00fameros, a Am\u00e9rica Latina avan\u00e7ou 90%, em m\u00e9dia, na garantia do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e em pa\u00edses como Argentina, Cuba, M\u00e9xico e Peru a meta j\u00e1 foi alcan\u00e7ada. A educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria foi no que menos a regi\u00e3o avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel mundial, as proje\u00e7\u00f5es mais otimistas dizem que a meta de toda a popula\u00e7\u00e3o infantil do mundo ser escolarizada e completar a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria vai demorar uma d\u00e9cada a mais depois de 2015, ano em que os governos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) se comprometeram a alcan\u00e7\u00e1-lo em 2002.<\/p>\n<p>Em 2015, ainda haver\u00e1 47 milh\u00f5es de crian\u00e7as sem ir \u00e0 escola e 47 pa\u00edses que n\u00e3o cumprir\u00e3o a meta, informou o costarriquenho Vernor Mu\u00f1oz, ex-relator especial da ONU sobre o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da brecha entre meninas e meninos avan\u00e7a lentamente. Da popula\u00e7\u00e3o mundial em idade escolar, 56% vive em pa\u00edses que n\u00e3o conseguiram a igualdade na educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e 87% na secund\u00e1ria. Apenas 92 dos 149 Estados j\u00e1 atingiram essa meta.<\/p>\n<p>\u201cOs ODM t\u00eam um efeito reducionista, e na Am\u00e9rica Latina, onde alguns pa\u00edses j\u00e1 ultrapassaram o objetivo, resulta perverso porque oculta outros temas importantes: os conte\u00fados, as pr\u00e1ticas docentes e as oportunidades iguais para todos\u201d, alertou Vernor \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para este especialista, h\u00e1 uma vis\u00e3o patriarcal do sistema educacional que reproduz a ideia de que os homens t\u00eam mais direitos do que as mulheres e que exclui ind\u00edgenas e pessoas com algum problema f\u00edsico.<\/p>\n<p>Vernor disse que estas assimetrias na educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o reflexo do que ocorre no \u00e2mbito pol\u00edtico, social e econ\u00f4mico da Am\u00e9rica Latina, considerada a regi\u00e3o mais desigual do mundo.<\/p>\n<p>\u201cNunca na hist\u00f3ria o patriarcado foi t\u00e3o imprescind\u00edvel ao sistema econ\u00f4mico neoliberal porque, entre outras coisas, permite que as mulheres se transformem em provedoras de servi\u00e7os gratuitos\u201d, destacou Moriana.<\/p>\n<p>A brasileira Camila Crosso, coordenadora da Campanha Latino-Americana pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, considerou que, em um plano economicista, hoje a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como um objetivo para obter \u201ctaxas de retorno\u201d e n\u00e3o como um direito humano.<\/p>\n<p>Desde a percep\u00e7\u00e3o feminista, a especialista espanhola Rosa Cobo assegurou que existe o chamado curr\u00edculo \u201coculto\u201d de g\u00eanero dado pelos professores com base em estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>\u201cEm todos os pa\u00edses do mundo, os homens t\u00eam um super\u00e1vit de direitos e as mulheres um d\u00e9ficit. Ao homem se reserva espa\u00e7o no p\u00fablico, \u00e0 mulher no dom\u00e9stico. A escola se encarrega de reproduzir estas ideias\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Rosa considera que este \u00e9 o momento prop\u00edcio para que as organiza\u00e7\u00f5es feministas trabalhem por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista, ap\u00f3s conseguir como primeiro passo que mais mulheres tenham educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 hora de perguntarmos que educa\u00e7\u00e3o queremos, e trabalhar para que o sistema educacional desative as hierarquias\u201d, disse Rosa. Nesse caminho, Vernor considera que \u00e9 vital pensar em uma educa\u00e7\u00e3o que seja \u00fatil e dignifique as pessoas considerando seus costumes e suas culturas.<\/p>\n<p>A peruana Tarcila Rivera, coordenadora da organiza\u00e7\u00e3o Enlace Continental de Mulheres Ind\u00edgenas, disse que a educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue n\u00e3o \u00e9 suficiente e nem garantia de respeito aos povos ind\u00edgenas. \u201cOs pobres continuam recebendo uma educa\u00e7\u00e3o pobre\u201d, acrescentou Vernor.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas \u00e9 outra pend\u00eancia. Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, apenas Brasil, Argentina e Costa Rica t\u00eam um n\u00edvel alto de leis espec\u00edficas sobre o assunto, segundo o ex-relator da ONU.<\/p>\n<p>Para Vernor, esta educa\u00e7\u00e3o poderia contribuir para reduzir a gravidez indesejada e prevenir doen\u00e7as como a aids e, por isso, a forma\u00e7\u00e3o de professores no assunto \u00e9 vital. Camila destacou que isto \u00e9 muito vi\u00e1vel em Estados laicos, onde as igrejas n\u00e3o interferem.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m h\u00e1 avan\u00e7os. A Argentina aprovou a lei de educa\u00e7\u00e3o sexual integral. O Brasil criou bolsas de estudo para que mulheres e homens afrodescendentes possam ter acesso \u00e0 faculdade.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico estabeleceu incentivos para que fam\u00edlias de \u00e1reas rurais enviem suas filhas \u00e0 escola. Na Col\u00f4mbia, o Tribunal Constitucional determinou que o Estado considere a gratuidade do ensino, j\u00e1 que \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds da regi\u00e3o que o estabelece em sua Constitui\u00e7\u00e3o. No Equador, os grupos feministas participam da revis\u00e3o dos textos escolares.<\/p>\n<p>Diante dos desafios, o Cladem realiza a Campanha por uma Educa\u00e7\u00e3o N\u00e3o Sexista e Antidiscriminat\u00f3ria com a\u00e7\u00f5es que incluem muitas medidas conjuntas e outras nacionais, como concurso de hist\u00f3rias, ou elabora\u00e7\u00e3o de guias de trabalho na aula.<\/p>\n<p>Entre os pr\u00f3ximos passos, ser\u00e3o buscadas alian\u00e7as com organiza\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e trabalhados casos emblem\u00e1ticos que possam ser denunciados internacionalmente no contexto da Conven\u00e7\u00e3o para a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, ainda n\u00e3o existe nenhuma den\u00fancia nos f\u00f3runs internacionais por uma educa\u00e7\u00e3o sexista. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, Peru, 20\/10\/2010 &ndash; Na Am\u00e9rica Latina, as mulheres quebraram barreiras quantitativas em educa\u00e7\u00e3o e em v\u00e1rios pa\u00edses agora h\u00e1 mais mulheres formadas do que homens. 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