{"id":7289,"date":"2010-10-20T14:28:46","date_gmt":"2010-10-20T14:28:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7289"},"modified":"2010-10-20T14:28:46","modified_gmt":"2010-10-20T14:28:46","slug":"corporacoes-geram-crise-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/mundo\/corporacoes-geram-crise-alimentar\/","title":{"rendered":"Corpora\u00e7\u00f5es geram crise alimentar"},"content":{"rendered":"<p>Utrecht, Holanda, 20\/10\/2010 &ndash; Esque\u00e7am os especuladores e os agrocombust\u00edveis. A verdadeira causa da cont\u00ednua crise alimentar s\u00e3o as corpora\u00e7\u00f5es do setor, porque espremem a agricultura, disse o professor holand\u00eas Jan-Douwe van der Ploeg. <!--more--> A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) reuniu em setembro v\u00e1rios especialistas para discutir as causas do aumento do pre\u00e7o do trigo. \u201cA demanda mundial por cereais e a produ\u00e7\u00e3o parecem estar equilibradas. N\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de uma iminente crise alimentar\u201d, conclu\u00edram.<\/p>\n<p>\u201cArrazoado f\u00fatil\u201d, disse o professor de sociologia rural da holandesa Universidade de Wageningen. \u201cQuase um bilh\u00e3o de pessoas passam fome, outro bilh\u00e3o sofre desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e mais um bilh\u00e3o de pessoas est\u00e3o obesas\u201d, disse Jan-Douwe. \u201cPor acaso, isso n\u00e3o \u00e9 uma crise alimentar?\u201d, perguntou. \u201cSempre houve fome, mas h\u00e1 50 anos o fen\u00f4meno \u00e9 global e permanente\u201d, e por tr\u00e1s da crise alimentar h\u00e1 outra agr\u00edcola, acrescentou. \u201cCada vez \u00e9 mais dif\u00edcil para os agricultores sobreviverem devido aos baixos pre\u00e7os e \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es dos mercados. \u00c9 um paradoxo, para os consumidores \u00e9 cada vez mais caro e os produtores n\u00e3o podem recuperar o investimento\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cQuem fica com a diferen\u00e7a? Os imp\u00e9rios da comida\u201d, assegurou o professor. \u201cO mercado est\u00e1 cada vez mais dominado por conglomerados comerciais industriais como Ahold, Nestl\u00e9, Cargill e muitos outros que controlam a produ\u00e7\u00e3o, o processamento, a distribui\u00e7\u00e3o e o consumo de alimentos\u201d, explicou. \u201cEles manipulam os mercados e espremem a riqueza do campo. Nesse contexto, pequenos desequil\u00edbrios nos mercados se traduzem em grandes flutua\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os\u201d, afirmou. Os imp\u00e9rios n\u00e3o costumam controlar os recursos, mas as redes.<\/p>\n<p>\u201cProdutores e consumidores dependem de seus pontos de venda. Fixam os padr\u00f5es e os pre\u00e7os\u201d, disse Jan-Douwe. Pedem aos governos que n\u00e3o distor\u00e7am os mercados e liberalizem o com\u00e9rcio, mas s\u00e3o os imp\u00e9rios que os distorcem. \u201cSe lhes conv\u00e9m aumentar o pre\u00e7o do aspargo, do frango, do feij\u00e3o ou das flores nos pa\u00edses pobres, o fazem, mesmo que a popula\u00e7\u00e3o morra de fome\u201d, lamentou. N\u00e3o \u00e9 necessariamente mau, disse Anoesjka Aspeslagh, porta-voz da divis\u00e3o de supermercados da multinacional Ahold. \u201cNossa demanda cria milhares de empregos e renda para as pessoas nos pa\u00edses exportadores. Em especial porque colaboramos com os produtores para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e o padr\u00e3o de vida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Contudo, o professor Jan-Douwe destaca os efeitos secund\u00e1rios do sistema imperante. \u201cO Peru, por exemplo, se converteu no maior exportador de aspargo. Mas \u00e9 um pa\u00eds muito des\u00e9rtico e os agricultores locais perdem o valioso recurso h\u00eddrico. Al\u00e9m disso, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel. Agora a produ\u00e7\u00e3o se desloca para a China\u201d, disse. Anoesjka discorda dessa opini\u00e3o. \u201cN\u00e3o somos t\u00e3o poderosos como as pessoas pensam. N\u00e3o fixamos os pre\u00e7os nem outros padr\u00f5es, estamos t\u00e3o sujeitos ao mercado e \u00e0s normas governamentais como qualquer outro. Nos conv\u00e9m manter uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel com os produtores e entrarmos em acordo sobre os pre\u00e7os. Se a China passa a ser mais barata, n\u00e3o nos mudamos em seguida. N\u00e3o \u00e9 assim que funciona\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, os supermercados se converteram nos atores mais poderosos do imp\u00e9rio dos alimentos\u201d, afirmou Myriam Vander Stichele, do Centro de Pesquisas sobre Corpora\u00e7\u00f5es Multinacionais, com sede em Amsterd\u00e3. \u201cPassaram a ter um papel muito forte como guardi\u00f5es de consumidores e da ind\u00fastria de alimentos processados. At\u00e9 as multinacionais da banana tiveram que aceitar pre\u00e7os baixos e contratos de curto prazo\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, muitos supermercados agora tamb\u00e9m produzem, o que os deixa mais poderosos\u201d, ressaltou Myriam. Seu poder n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico. \u201cExercem enorme press\u00e3o contra os r\u00edgidos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores. Realmente, h\u00e1 uma falta de regulamenta\u00e7\u00e3o nos contratos entre supermercados e outras companhias\u201d, acrescentou. O poder dos imp\u00e9rios aliment\u00edcios \u00e9 preocupante, alertou o professor Jan-Douwe, porque s\u00f3 lhes interessa o fluxo de dinheiro. \u201cT\u00eam de pagar suas d\u00edvidas, contra\u00eddas para adquirir outras empresas e monopolizar grandes segmentos da cadeia de fornecimento mundial. Expans\u00e3o \u00e9 a palavra-chave\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cA d\u00edvida fez algumas empresas quase sucumbirem sob o pr\u00f3prio peso, como ocorreu com a Parmalat\u201d, explicou. O imp\u00e9rio italiano ficou com uma d\u00edvida de US$ 19,5 bilh\u00f5es. O regime imperial, ou corporativo, do setor de alimentos tamb\u00e9m prejudica os agricultores. Os imp\u00e9rios dos alimentos preferem a agricultura industrial em grande escala por seus resultados previs\u00edveis e padronizados. As fazendas industriais costumam ser menos produtivas e menos eficientes do que as pequenas que substituem, e tamb\u00e9m s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis \u00e0s varia\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>\u201cAs corpora\u00e7\u00f5es dependem muito da estabilidade, da disponibilidade de cr\u00e9dito e do crescimento cont\u00ednuo\u201d, disse Jan-Douwe. \u201cQuando isso desaparece, quebram\u201d, acrescentou. Governos e pesquisadores se apressam em cobrar inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para melhorar a produ\u00e7\u00e3o, em especial nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. \u201cSuas solu\u00e7\u00f5es simplistas s\u00e3o quase autistas. N\u00e3o se d\u00e3o conta de que os sistemas com tecnologia de ponta s\u00e3o a raz\u00e3o de a competi\u00e7\u00e3o prejudicar os produtores\u201d, lamentou. \u201cFelizmente, cada vez mais agricultores reconhecem que sua atividade \u00e9 algo al\u00e9m do que produzir mercadoria. Pensam assim a partir de um enfoque integrado e multifuncional e se tornam menos dependentes de recursos artificiais\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Utrecht, Holanda, 20\/10\/2010 &ndash; Esque\u00e7am os especuladores e os agrocombust\u00edveis. A verdadeira causa da cont\u00ednua crise alimentar s\u00e3o as corpora\u00e7\u00f5es do setor, porque espremem a agricultura, disse o professor holand\u00eas Jan-Douwe van der Ploeg. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/mundo\/corporacoes-geram-crise-alimentar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":834,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[21],"class_list":["post-7289","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/834"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7289\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}