{"id":729,"date":"2005-06-24T00:00:00","date_gmt":"2005-06-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=729"},"modified":"2005-06-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-24T00:00:00","slug":"sade-transporte-limpo-reduz-mortes-prematuras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/sade-transporte-limpo-reduz-mortes-prematuras\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: Transporte limpo reduz mortes prematuras"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 24\/06\/2005 &ndash; Uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o causada pelo transporte nas grandes &aacute;reas metropolitanas do Brasil poderia economizar US$ 50 bilh&otilde;es nos pr&oacute;ximos 20 anos, ao evitar a morte prematura de 47 mil pessoas e enfermidades em centenas de milhares. A estimativa da Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo se baseia nos resultados da primeira fase do Programa de Controle da Contamina&ccedil;&atilde;o do Ar por Ve&iacute;culos Automotores (Proconve), adotado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente em 1986. O programa reduziu entre 80% e 90% as emiss&otilde;es contaminantes de ve&iacute;culos novos, evitando 4.500 mortes prematuras entre 1997 e 2000 e economizando entre US$ 3 bilh&otilde;es e US$ 4 bilh&otilde;es em custos sanit&aacute;rios, segundo o estudo da Faculdade de Medicina.<br \/> <!--more--> <br \/> Estes s&atilde;o dados destacados na IV Confer&ecirc;ncia Internacional de Emiss&otilde;es Veiculares, realizada quarta e quinta-feira desta semana em Bras&iacute;lia, para troca de informa&ccedil;&otilde;es entre especialistas, autoridades ambientais e empres&aacute;rios de v&aacute;rios pa&iacute;ses e, tamb&eacute;m, para impulsionar pol&iacute;ticas de redu&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o urbana. As emiss&otilde;es por parte do transporte (part&iacute;culas em suspens&atilde;o, chumbo, &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio, di&oacute;xido de sulfuro, mon&oacute;xido de carbono e oz&ocirc;nio) podem provocar graves danos &agrave; sa&uacute;de, desde transtornos neurol&oacute;gicos e redu&ccedil;&atilde;o do coeficiente intelectual em crian&ccedil;as, at&eacute; doen&ccedil;as respirat&oacute;rias cr&ocirc;nicas, hipertens&atilde;o, irrita&ccedil;&atilde;o na vista e inclusive morte prematura.<\/p>\n<p> O M&eacute;xico &eacute; um exemplo de que se pode melhorar rapidamente o meio ambiente nas grandes cidades com medidas de controle, disse &agrave; IPS o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Fabricantes de Equipamentos para o Controle de Emiss&otilde;es Veiculares na Am&eacute;rica do Sul (Afeevas), Roberto Pereira, organizadora da confer&ecirc;ncia. Em poucos anos, o M&eacute;xico deixou de ser um pa&iacute;s dos mais atrasados para liderar a regi&atilde;o em mat&eacute;ria de controle dessa fonte de contamina&ccedil;&atilde;o, com leis reguladoras baseadas no modelo norte-americano, informou Pereira. A ind&uacute;stria resistiu, mas o governo se imp&ocirc;s, acrescentou. Por isso, para exportar autom&oacute;veis para o M&eacute;xico a ind&uacute;stria brasileira tem de cumprir exig&ecirc;ncias mais rigorosas do que as do mercado interno. A tecnologia mais avan&ccedil;ada encarece a produ&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, uma tributa&ccedil;&atilde;o menos elevada do que a brasileira compensa os custos, explicou o especialista.<\/p>\n<p> O Chile tamb&eacute;m avan&ccedil;ou muito nessa &aacute;rea. Mas se trata de um pa&iacute;s importador de ve&iacute;culos e combust&iacute;vel, que pode exigir produtos adequados, disse &agrave; IPS Paulo Macedo, coordenador do Proconve. Em um pa&iacute;s como o Brasil, o processo exige avan&ccedil;os coordenados no &quot;tri&acirc;ngulo formado por regulamenta&ccedil;&atilde;o, ind&uacute;stria automobil&iacute;stica e combust&iacute;veis&quot;, por isso o governo &quot;n&atilde;o imp&otilde;e, negocia a regulamenta&ccedil;&atilde;o com todos os setores envolvidos&quot;, explicou. Al&eacute;m dos progressos nessa &aacute;rea, o Brasil disp&otilde;e de uma vantagem &quot;que nenhum outro pa&iacute;s possui&quot;, que &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;lcool combust&iacute;vel a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car, menos contaminante do que os derivados de petr&oacute;leo por ser oxigenado, em que &eacute; utilizado em uma mistura de 25% com a gasolina ou sozinho, como combust&iacute;vel completo, destacou Macedo.<\/p>\n<p> N&atilde;o por coincid&ecirc;ncia os tr&ecirc;s pa&iacute;ses mencionados, os mais preocupados com o problema, possuem as metr&oacute;poles mais povoadas da regi&atilde;o: S&atilde;o Paulo, Cidade do M&eacute;xico e Santiago do Chile. No Brasil, o Proconve promoveu uma boa melhora nos ve&iacute;culos, que cada vez poluem menos, e nos combust&iacute;veis, o que evitou o agravamento das condi&ccedil;&otilde;es ambientais das grandes cidades. Mas a quantidade de ve&iacute;culos no Pa&iacute;s duplicou entre 1990 e 2003, passando de 18 milh&otilde;es para 36 milh&otilde;es, o que amea&ccedil;a a sa&uacute;de dos 182 milh&otilde;es de brasileiros, especialmente nas regi&otilde;es metropolitanas. A grande batalha agora &eacute; melhorar o &oacute;leo diesel, consumido principalmente por grandes ve&iacute;culos como &ocirc;nibus e caminh&otilde;es, segundo Gabriel Branco, consultor t&eacute;cnico da Afeevas.<\/p>\n<p> &quot;Era mais f&aacute;cil melhorar a gasolina e os motores que a utilizam, por isso o Proconve se dedicou inicialmente com sucesso a esses produtos&quot;, explicou Branco &agrave; IPS. Agora a meta do programa &eacute; reduzir a emiss&atilde;o de enxofre, que provoca chuvas &aacute;cidas, e tamb&eacute;m a contamina&ccedil;&atilde;o urbana mais grave no momento, o oz&ocirc;nio. O diesel brasileiro ainda emite muito enxofre. O que &eacute; vendido nas regi&otilde;es metropolitanas tem propor&ccedil;&atilde;o de 2.000 partes por milh&atilde;o e o empregado no interior do pa&iacute;s 3.500 ppm. A meta &eacute; conseguir a partir de 2009 uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica para chegar a 50 ppm. Essa &eacute; uma qualidade indispens&aacute;vel que o combust&iacute;vel deve ter para que a ind&uacute;stria possa melhorar seus ve&iacute;culos, com a instala&ccedil;&atilde;o de catalisadores compat&iacute;veis para reduzir as emiss&otilde;es, equipamentos que s&atilde;o danificados por uma presen&ccedil;a maior de enxofre, ressaltou Branco. <\/p>\n<p> Segundo o especialista, 80% do &oacute;xido de nitrog&ecirc;nio, origem do oz&ocirc;nio, s&atilde;o emitidos pelos ve&iacute;culos movidos a diesel. O oz&ocirc;nio &eacute; produzido pela intera&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos e &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio sob a influ&ecirc;ncia da luz solar. Sem novas t&eacute;cnicas de refino n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel atingir a meta. Para isso, a Petrobr&aacute;s decidiu investir US$ 3,3 bilh&otilde;es em suas refinarias at&eacute; 2010. Mas a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; satisfat&oacute;ria, porque a substitui&ccedil;&atilde;o do diesel ser&aacute; gradual, come&ccedil;ando com 10% do total, o que criar&aacute; um problema de distribui&ccedil;&atilde;o, lembrou Pereira. Outras empresas e pequenas refinarias ainda n&atilde;o aderiram ao programa.<\/p>\n<p> Os progressos no controle das emiss&otilde;es ter&atilde;o de ser intensificados, porque dentro de duas ou tr&ecirc;s d&eacute;cadas a contamina&ccedil;&atilde;o urbana se agravar&aacute; devido ao aumento de ve&iacute;culos em circula&ccedil;&atilde;o e mesmo adotando as medidas preventivas, advertiu Pereira, que al&eacute;m de presidir a Afeevas &eacute; diretor no Brasil da empresa belga Umicore. A Afeevas &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos de 15 empresas multinacionais que produzem equipamentos e tecnologia para controle da contamina&ccedil;&atilde;o por parte dos ve&iacute;culos. Seu objetivo &eacute; fornecer informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica a favor de pol&iacute;ticas nacionais e internacionais que melhorem a qualidade do ar e da vida.<\/p>\n<p> As novas tecnologias implicam maiores custos, mas as doen&ccedil;as provocadas pela contamina&ccedil;&atilde;o custam mais e &quot;uma vida n&atilde;o tem pre&ccedil;o&quot;, argumentou. As metr&oacute;poles brasileiras tamb&eacute;m sofrem devido ao grande aumento no n&uacute;mero de motocicletas como novo fator de contamina&ccedil;&atilde;o. Mas este ano teve in&iacute;cio uma produ&ccedil;&atilde;o com melhores tecnologias para reduzir as emiss&otilde;es, e estes ve&iacute;culos mais tarde ser&atilde;o inclu&iacute;dos em programas similares ao dos autom&oacute;veis, disse Macedo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 24\/06\/2005 &ndash; Uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o causada pelo transporte nas grandes &aacute;reas metropolitanas do Brasil poderia economizar US$ 50 bilh&otilde;es nos pr&oacute;ximos 20 anos, ao evitar a morte prematura de 47 mil pessoas e enfermidades em centenas de milhares. A estimativa da Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo se baseia nos resultados da primeira fase do Programa de Controle da Contamina&ccedil;&atilde;o do Ar por Ve&iacute;culos Automotores (Proconve), adotado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente em 1986. 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