{"id":7301,"date":"2010-10-22T12:22:40","date_gmt":"2010-10-22T12:22:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7301"},"modified":"2010-10-22T12:22:40","modified_gmt":"2010-10-22T12:22:40","slug":"brasil-saida-para-pacifico-desenvolvimento-e-integracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/brasil-saida-para-pacifico-desenvolvimento-e-integracao\/","title":{"rendered":"BRASIL: Sa\u00edda para Pac\u00edfico: desenvolvimento e integra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Rio Branco, Brasil, 22\/10\/2010 &ndash; Acre, o pequeno Estado do Brasil que simboliza a luta para preservar a Amaz\u00f4nia, enfrenta agora o desafio de tornar sustent\u00e1vel o desenvolvimento imposto por duas estradas que cortam seu territ\u00f3rio e conduzem tanto ao Atl\u00e2ntico quanto ao Pac\u00edfico.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7301\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82568.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7301\" class=\"size-medium wp-image-7301\" title=\"Oceano Pac\u00edfico a 1.470 quil\u00f4metros, indicam as placas da estrada BR-317. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/82568.jpg\" alt=\"Oceano Pac\u00edfico a 1.470 quil\u00f4metros, indicam as placas da estrada BR-317. - Mario Osava\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7301\" class=\"wp-caption-text\">Oceano Pac\u00edfico a 1.470 quil\u00f4metros, indicam as placas da estrada BR-317. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  No ano que vem, ser\u00e1 conclu\u00edda a pavimenta\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos trechos da rodovia BR-364, que cruza o norte do Estado, inclui cinco grandes pontes em constru\u00e7\u00e3o e abre caminho para uma futura conex\u00e3o com a regi\u00e3o central do Peru.<\/p>\n<p>Obras semelhantes no pa\u00eds vizinho assegurar\u00e3o acesso r\u00e1pido a portos no sul peruano, pelas estradas que se ligam com a BR-317, a via j\u00e1 asfaltada do leste do Acre, terminando na fronteira brasileira com Bol\u00edvia e Peru. Este pequeno Estado, o mais distante do Oceano Atl\u00e2ntico que banha a costa brasileira, agora \u00e9 visto como sua porta para o Pac\u00edfico, o que reorienta seu desenvolvimento. Todas as exporta\u00e7\u00f5es para a \u00c1sia do Estado do Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, e da agr\u00edcola Rond\u00f4nia sair\u00e3o por terra rumo ao Pac\u00edfico, prev\u00ea Carlos Bantel, engenheiro florestal e especialista em recursos naturais da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Isso permitir\u00e1 economizar entre dois mil e quatro mil quil\u00f4metros por terra e meia volta \u00e0 Am\u00e9rica do Sul para chegar ao Pac\u00edfico, atrav\u00e9s do canal do Panam\u00e1 ou do Estreito de Magalh\u00e3es. A sa\u00edda para o Pac\u00edfico \u00e9 um longo sonho brasileiro, que s\u00f3 agora tem raz\u00f5es determinantes, quando a China se transforma na maior importadora de produtos nacionais, avan\u00e7a a integra\u00e7\u00e3o sul-americana e o oeste do pa\u00eds se consolida como pot\u00eancia agr\u00edcola.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se justifica uma economia brasileira exclusivamente voltada para o Atl\u00e2ntico, concordam todos. Com 700 mil habitantes e escassa produ\u00e7\u00e3o, o Acre ter\u00e1 um papel protagonista nesta transforma\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m sofrer\u00e1 o maior impacto. Ser\u00e1 o centro da circula\u00e7\u00e3o de riquezas desproporcionais \u00e0 sua pequena economia, que n\u00e3o alcan\u00e7a a autossufici\u00eancia alimentar e cujas exporta\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram apenas US$ 21 bilh\u00f5es em 2008.<\/p>\n<p>O Acre conserva 88% de sua cobertura vegetal original, segundo dados do governo, porque \u00e9 \u201cfinal de linha\u201d da expans\u00e3o econ\u00f4mica brasileira, disse Missias Lopes, funcion\u00e1rio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), especializado em hist\u00f3ria econ\u00f4mica. A maioria de sua popula\u00e7\u00e3o chegou da regi\u00e3o Nordeste, de onde emigrou para extrair borracha das seringueiras (Hevea brasiliensis), principalmente no in\u00edcio do S\u00e9culo 20 e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o governo mobilizou jovens para fornecer l\u00e1tex \u00e0s tropas aliadas, diante do bloqueio das fontes asi\u00e1ticas pelo Jap\u00e3o, inimigo naquela luta. Eram proibidos de produzir qualquer outra coisa que n\u00e3o fosse l\u00e1tex, provocando \u201ca perda da cultura\u201d agr\u00edcola, como \u201caconteceu com meu pai, um dos \u2018soldados da borracha\u2019 procedentes do Nordeste\u201d, contou Missias.<\/p>\n<p>O Acre se desviou para a atividade pecu\u00e1ria nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, o que, junto com a constru\u00e7\u00e3o de rodovias, desmatou vastas extens\u00f5es. Por\u00e9m, a resist\u00eancia dos seringueiros e ambientalistas conteve esse processo e recuperou a economia extrativista do l\u00e1tex, acrescentou. Como resultado desse movimento surgiram \u201creservas extrativistas\u201d, \u00e1reas p\u00fablicas de conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel de recursos naturais, sob a lideran\u00e7a de Chico Mendes, assassinado em 1988 e her\u00f3i dos \u201cpovos da floresta\u201d e ambientalistas.<\/p>\n<p>Nessa luta tamb\u00e9m se destacou Marina Silva, a candidata a presidente do Partido Verde, que obteve 19,3% dos votos no dia 3 de outubro, for\u00e7ando a realiza\u00e7\u00e3o do segundo turno para escolher o novo presidente do Brasil. O governador que deixar\u00e1 o cargo e o que assumir\u00e1 anunciaram que o Estado n\u00e3o ser\u00e1 simples rota de exporta\u00e7\u00e3o de terceiros e buscar\u00e1 a industrializa\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias mat\u00e9rias-primas, como madeira e carne, inclusive para venda ao exterior.<\/p>\n<p>Uma Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 sendo constru\u00edda em Senador Guiomard, um munic\u00edpio pr\u00f3ximo \u00e0 capital Rio Branco, receber\u00e1 a partir de janeiro empresas que pagar\u00e3o baixos impostos se exportarem 80% ou mais de sua produ\u00e7\u00e3o. Contudo, a esperada avalanche de investimentos aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o dos ambientalistas. As estradas s\u00e3o \u201co pior predador ambiental\u201d, disse Carlos Bantel, tamb\u00e9m professor do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Acre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a atividade madeireira tem o v\u00edcio da ilegalidade, porque os baixos pre\u00e7os do mercado n\u00e3o compensam os custos adicionais dos cuidados ambientais, acrescentou Carlos. A Secretaria Florestal do Acre assegura que 95% da madeira do Estado vem do manejo sustent\u00e1vel, sem o desmatamento do passado. A exporta\u00e7\u00e3o estimular\u00e1 a pecu\u00e1ria, em um Estado que havia contabilizado 2,45 milh\u00f5es de bovinos em 2006, o triplo de dez anos antes e equivalente a quatro cabe\u00e7as pro habitante.<\/p>\n<p>Isso se reflete na mon\u00f3tona paisagem de pastagens ao longo das BR-314 e BR-317, onde o gado \u00e9 o maior fator de desmatamento amaz\u00f4nico. A rede rodovi\u00e1ria ser\u00e1 importante para a integra\u00e7\u00e3o do Acre com o Peru e para sua integra\u00e7\u00e3o interna. A BR-364, uma vez asfaltada, gerar\u00e1 um transporte perene entre munic\u00edpios at\u00e9 agora isolados durante, aproximadamente, oito meses ao ano, devido \u00e0s chuvas que deixam intransit\u00e1veis as estradas de terra.<\/p>\n<p>Zenildo de Freitas n\u00e3o depende da estrada, mas navega por tr\u00eas horas pelos rios Purus e Iaco para vender suas ab\u00f3boras e frutas em Sena Madureira, a 150 quil\u00f4metros de Rio Branco. Por isso n\u00e3o vende vegetais, que s\u00e3o perec\u00edveis, e calcula que \u201c80% do que \u00e9 comercializado no mercado local chega por rio\u201d. A precariedade do abastecimento, especialmente na esta\u00e7\u00e3o das chuvas, \u00e9 um argumento a favor das rodovias asfaltadas e da integra\u00e7\u00e3o com o Peru, excelente mercado para a carne acreana.<\/p>\n<p>Do outro lado da fronteira, acredita-se que a integra\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria \u201cbeneficiar\u00e1 somente o Brasil, que ambiciona chegar ao Pac\u00edfico sem passar pelo Panam\u00e1\u201d e que, como pot\u00eancia industrial, \u201cquer pegar tudo\u201d, disse Grimaldo Taboada, derrotado candidato \u00e0 prefeitura da pequena I\u00f1apari. Nessa cidade come\u00e7a a parte peruana da Rodovia Interoce\u00e2nica Sul e \u00e9 onde empresas brasileiras constroem v\u00e1rios trechos da estrada no vizinho pa\u00eds, o que parece corroborar com a opini\u00e3o do dirigente do opositor Partido Nacionalista.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 muito protecionista\u201d, acrescentou sua filha, Maritza Taboada, que criticou as barreiras alfandeg\u00e1rias, fitossanit\u00e1rias e normas t\u00e9cnicas que impedem a entrada de produtos t\u00edpicos peruanos pela fronteiri\u00e7a regi\u00e3o Madre de Dios, como os que ela produz. Quanto ao turismo, pai e filha reconhecem que o Peru sair\u00e1 favorecido, porque a estrada aumentar\u00e1 o fluxo de brasileiros a Cusco e Machu Pichu.<\/p>\n<p>A estrada dinamizar\u00e1 o com\u00e9rcio em I\u00f1apari e \u201ctalvez fa\u00e7a o governo nos dar mais aten\u00e7\u00e3o\u201d, disse a peruana Baldina Coila. \u201cMuitas crian\u00e7as de I\u00f1apari estudam em escolas brasileiras\u201d, da vizinha cidade de Assis Brasil, porque s\u00e3o de gra\u00e7a e \u201caqui se paga para iniciar, por m\u00eas e inclusive por reuni\u00e3o de que n\u00e3o se participa\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio Branco, Brasil, 22\/10\/2010 &ndash; Acre, o pequeno Estado do Brasil que simboliza a luta para preservar a Amaz\u00f4nia, enfrenta agora o desafio de tornar sustent\u00e1vel o desenvolvimento imposto por duas estradas que cortam seu territ\u00f3rio e conduzem tanto ao Atl\u00e2ntico quanto ao Pac\u00edfico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/america-latina\/brasil-saida-para-pacifico-desenvolvimento-e-integracao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-7301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}