{"id":7322,"date":"2010-10-27T14:58:14","date_gmt":"2010-10-27T14:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7322"},"modified":"2010-10-27T14:58:14","modified_gmt":"2010-10-27T14:58:14","slug":"r-d-congo-basta-de-violencia-diz-sociedade-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/10\/africa\/r-d-congo-basta-de-violencia-diz-sociedade-civil\/","title":{"rendered":"R.D. CONGO: Basta de viol\u00eancia, diz sociedade civil"},"content":{"rendered":"<p>Kivu do Sul, R. D. Congo, 27\/10\/2010 &ndash; A sociedade civil da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) est\u00e1 decidida a realizar um acompanhamento do ocorrido no conflito entre 1993 e 2003, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do controvertido informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas que documenta terr\u00edveis viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. <!--more--> Nesse per\u00edodo de conflitos, os atores em confronto recorreram \u00e0 viol\u00eancia sexual de forma sistem\u00e1tica e indiscriminada. No contexto da campanha de terror, os combatentes cometeram viola\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, em grupo, obrigaram as pessoas a manterem rela\u00e7\u00f5es incestuosas, mutilaram os \u00f3rg\u00e3os genitais das pessoas e praticaram canibalismo contra a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>O informe divulgado pelo escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos tamb\u00e9m aponta a necessidade de processar os respons\u00e1veis dos grupos em luta e criar uma inst\u00e2ncia de concilia\u00e7\u00e3o. O conte\u00fado do documento vazou em agosto e deu lugar a uma dura condena\u00e7\u00e3o dos governos de Ruanda e Uganda, cujas for\u00e7as armadas est\u00e3o implicadas nos crimes documentados.<\/p>\n<p>Uma coaliz\u00e3o de 220 organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos congolesas divulgou no dia 3 de setembro uma declara\u00e7\u00e3o de apoio ao informe e reclamando a implementa\u00e7\u00e3o de um sistema para processar e condenar os respons\u00e1veis. O conte\u00fado do informe n\u00e3o \u00e9 novo, mas o trabalho feito por uma equipe de investigadores em todo o pa\u00eds durante v\u00e1rios meses oferece uma documenta\u00e7\u00e3o detalhada.<\/p>\n<p>A sociedade civil organiza uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es para realizar um acompanhamento das den\u00fancias. \u201cA comiss\u00e3o do Grupo de Coordena\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil de Kivu do Sul analisa p\u00e1gina por p\u00e1gina\u201d, disse Dieudonn\u00e9 Sango, um de seus integrantes. \u201cAp\u00f3s lermos todo o documento, faremos recomenda\u00e7\u00f5es ao governo e \u00e0 ONU\u201d, acrescentou. Buscamos fundos para traduzir o documento para os dialetos desta prov\u00edncia para que todos possam ler\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cNossos membros far\u00e3o uma viagem pelos oito territ\u00f3rios do pa\u00eds, demoraremos v\u00e1rias semanas para ler o informe e pedir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que apresente suas pr\u00f3prias recomenda\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma oportunidade para que nunca mais estes crimes voltem a ocorrer\u201d, afirmou Dieudonn\u00e9.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o do informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) coincidiu com a prepara\u00e7\u00e3o do encontro Marcha Mundial das Mulheres, realizado entre os dias 13 e 17 deste m\u00eas na cidade de Bukavu, nesta prov\u00edncia, afirmou Solange Lwashiga, secret\u00e1ria-executiva do Grupo de Mulheres pela Paz de Kivu do Sul.<\/p>\n<p>Uma das atividades realizadas foi visitar o lugar onde 15 mulheres foram enterradas vivas em novembro de 1999 ap\u00f3s serem torturadas, violentadas e submetidas a tratamentos cru\u00e9is, desumanos e degradantes, diz o documento. A Marcha Mundial das Mulheres \u00e9 um movimento internacional que luta contra as desigualdades e a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Os tribunais da RDC n\u00e3o t\u00eam autoridade para fazer justi\u00e7a \u00e0s milhares de v\u00edtimas, devido \u00e0 dimens\u00e3o dos crimes documentados, sua complexidade e seu car\u00e1ter transnacional, disse Solange. \u201cPor isso, pedimos \u00e0 comunidade internacional, com apoio das autoridades congolesas, que se mobilizem para fazer justi\u00e7a para as v\u00edtimas esquecidas dos diferentes conflitos que ensanguentaram este pa\u00eds e contribuir para o fim do ciclo de impunidade e inseguran\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 reunir as mulheres com vistas \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2011, disse Agn\u00e8s Sadiki, vice-presidente da Afem, uma associa\u00e7\u00e3o de jornalistas local que se prop\u00f5e a reclamar mecanismos judiciais pr\u00e1ticos e confi\u00e1veis, repara\u00e7\u00e3o pelos crimes cometidos no pa\u00eds e impedir a elei\u00e7\u00e3o de toda pessoa que n\u00e3o esteja disposta a participar do processo. \u201cO informe ajuda porque \u00e9 a forma com que a comunidade internacional reconhece o grande sofrimento das mulheres. \u00c9 preciso celebrar o chamado da ONU, embora chegue tarde\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cEm certo sentido, j\u00e1 se sabe. Mas as mulheres refor\u00e7ar\u00e3o os argumentos percorrendo a prov\u00edncia, conversando com as pessoas que n\u00e3o saibam ler nem escrever e pedindo que assinem a peti\u00e7\u00e3o para dizer basta e que \u00e9 hora de o mundo se envolver e ajudar a p\u00f4r fim ao ciclo de viol\u00eancia\u201d, disse Agn\u00e8s, que trabalha para o canal estatal RTN. A Coaliz\u00e3o Congolense de Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o organizar\u00e1, em fevereiro de 2011, uma confer\u00eancia internacional em apoio ao informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kivu do Sul, R. D. 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