{"id":7337,"date":"2010-11-01T11:34:33","date_gmt":"2010-11-01T11:34:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7337"},"modified":"2010-11-01T11:34:33","modified_gmt":"2010-11-01T11:34:33","slug":"remedios-falsos-matam-um-milhao-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/economia\/remedios-falsos-matam-um-milhao-ao-ano\/","title":{"rendered":"Rem\u00e9dios falsos matam um milh\u00e3o ao ano"},"content":{"rendered":"<p>Bucareste, Rom\u00eania, 01\/11\/2010 &ndash; A regi\u00e3o da Europa central e oriental enfrenta \u201csignificativos desafios\u201d para combater um multimilion\u00e1rio e muitas vezes letal tr\u00e1fico de rem\u00e9dios falsificados, afirmaram especialistas. <!--more--> A regi\u00e3o foi identificada como uma rota-chave no com\u00e9rcio il\u00edcito desses medicamentos, que cresce rapidamente. A cada ano s\u00e3o contrabandeados milh\u00f5es de cartelas e drogas adulterados, alguns contendo elementos letais. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que 50% dos rem\u00e9dios vendidos via Internet s\u00e3o falsos.<\/p>\n<p>Embora alguns pa\u00edses da Europa oriental adotem severas leis e procedimentos para combater os contrabandistas, suspeita-se que grupos criminosos da regi\u00e3o estariam trabalhando com grupos internacionais para enviar os produtos falsos atrav\u00e9s de outras entradas da Uni\u00e3o Europeia (UE). \u201cV\u00ea-se que h\u00e1 pessoas nos pa\u00edses-membros da UE na Europa central e oriental trabalhando com bandos organizados em pa\u00edses vizinhos para trazer medicamentos falsificados\u201d, disse \u00e0 IPS Gabriel Turcu, da organiza\u00e7\u00e3o europeia contra a falsifica\u00e7\u00e3o React. \u201cEste \u00e9 um significativo desafio para a regi\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Estima-se que a ind\u00fastria de medicamentos falsificados gera dezenas de milhares de milh\u00f5es de euros para os grupos criminosos, e cresce aceleradamente. O Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra as Drogas e o Crime estima que este ano o mercado ilegal de medicamentos falsos rende mais de 75 bilh\u00f5es de euros para os contrabandistas, aumento de 92% em rela\u00e7\u00e3o a 2005.<\/p>\n<p>For\u00e7as policiais afirmam que os rem\u00e9dios falsos, \u00e0s vezes t\u00e3o bem feitos e empacotados que podem enganar inclusive profissionais da sa\u00fade, s\u00e3o despachados nos mesmos carregamentos ilegais de narc\u00f3ticos. Os grupos, depois, os vendem a atacadistas inescrupulosos ou diretamente ao p\u00fablico, via Internet. Especialistas em sa\u00fade estimam que medicamentos falsificados causam mais de um milh\u00e3o de mortes ao ano, e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas afirmou que contribuem para gerar no organismo humano resist\u00eancia aos rem\u00e9dios verdadeiros.<\/p>\n<p>Kristian Bartholin, que trabalha na reda\u00e7\u00e3o de uma conven\u00e7\u00e3o do Conselho da Europa (organiza\u00e7\u00e3o regional de 47 pa\u00edses) sobre medicamentos falsificados, disse \u00e0 IPS que \u201ceste com\u00e9rcio \u00e9 potencialmente letal, e a situa\u00e7\u00e3o em geral \u00e9, provavelmente, pior do que pensamos. Grande parte do com\u00e9rcio acontece na Internet. H\u00e1 muitas \u00e1reas negras envolvidas, onde \u00e9 dif\u00edcil ter informa\u00e7\u00e3o clara\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Suspeita-se que \u00cdndia e China sejam a principal fonte das falsifica\u00e7\u00f5es, e oficiais de aduanas na Europa central e oriental disseram que estas chegam pelas mesmas rotas usadas para o tr\u00e1fico de pessoas e narc\u00f3ticos: os B\u00e1lc\u00e3s. A falta de recursos e os baixos sal\u00e1rios que alimentam os altos n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o entre funcion\u00e1rios de aduana foram identificados como os fatores que permitem a a\u00e7\u00e3o de bandos criminosos nas porosas fronteiras da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora essas fronteiras tenham sido fortalecidas ap\u00f3s o acesso dos pa\u00edses da Europa oriental \u00e0 UE em 2004 e 2007, ainda h\u00e1 temor de que os contrabandistas possam explorar a debilidade em alguns controles. Steven Allen, diretor de seguran\u00e7a global na gigante farmac\u00eautica Pfizer, disse \u00e0 IPS que \u201cos pa\u00edses da Europa oriental t\u00eam, em geral, uma grande liberdade de movimento entre eles, bem como com outros pa\u00edses vizinhos. Isto sup\u00f5e desafios para acompanhar de perto o movimento de qualquer artigo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m vale a pena recordar que o tema das falsifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o se relaciona apenas com o contrabando. \u00c9 poss\u00edvel que as falsifica\u00e7\u00f5es sejam fabricadas quase em qualquer lugar, incluindo a Europa oriental\u201d, afirmou Steven. A Pfizer apresentou um informe no come\u00e7o deste ano dizendo que o mercado dos rem\u00e9dios falsos na Europa chegava aos 10,5 bilh\u00f5es de euros ao ano. Habitantes da Alemanha e da It\u00e1lia gastaram 3,6 bilh\u00f5es e 2,7 bilh\u00f5es de euros, respectivamente, em medicamentos adulterados.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios da UE disseram que, em um per\u00edodo de dois meses no ano passado, foram apreendidos 34 milh\u00f5es de cartelas falsas por funcion\u00e1rios da alf\u00e2ndega, enquanto o Conselho da Europa disse que, em algumas partes do continente, os rem\u00e9dios adulterados eram entre 6% e 20% do mercado. A consci\u00eancia p\u00fablica dos riscos tamb\u00e9m \u00e9 baixa, segundo a pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cUm estudo que fizemos demonstrou que uma em cada cinco pessoas na Europa ocidental n\u00e3o tinha problemas para comprar rem\u00e9dios sem receita e n\u00e3o estavam conscientes dos potenciais perigos. N\u00e3o temos detalhes sobre os pa\u00edses (da Europa oriental e central), mas acreditamos que a conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito semelhante\u201d, disse Steven \u00e0 IPS. Embora as penas por tr\u00e1fico de drogas ou pessoas sejam severas, no caso de rem\u00e9dios falsos s\u00e3o mais leves.<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses, a produ\u00e7\u00e3o e venda de medicamentos adulterados n\u00e3o s\u00e3o consideradas crime, e em muitos pa\u00edses ocidentais s\u00f3 h\u00e1 pouco foi proibida. \u201cPor muito tempo era visto como um delito econ\u00f4mico ou um assunto de viola\u00e7\u00e3o aos direitos de propriedade intelectual. Essa atitude est\u00e1 mudando agora. Pela primeira vez, considera-se grave, \u00e0s vezes letal, e portanto muitos pa\u00edses est\u00e3o mudando sua legisla\u00e7\u00e3o\u201d, disse Kristian.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es da Europa oriental come\u00e7aram a implementar penas mais severas para os contrabandistas. Na Rom\u00eania, por exemplo, v\u00e1rios traficantes foram condenados \u00e0 pris\u00e3o. Mas especialistas legais, laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos e organiza\u00e7\u00f5es internacionais querem leis mais claras que reflitam a gravidade do delito. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bucareste, Rom\u00eania, 01\/11\/2010 &ndash; A regi\u00e3o da Europa central e oriental enfrenta \u201csignificativos desafios\u201d para combater um multimilion\u00e1rio e muitas vezes letal tr\u00e1fico de rem\u00e9dios falsificados, afirmaram especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/economia\/remedios-falsos-matam-um-milhao-ao-ano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":175,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11,7],"tags":[18],"class_list":["post-7337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","category-saude","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}