{"id":734,"date":"2005-06-27T00:00:00","date_gmt":"2005-06-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=734"},"modified":"2005-06-27T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-27T00:00:00","slug":"guantnamo-onu-possui-relatrios-confiveis-sobre-torturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/guantnamo-onu-possui-relatrios-confiveis-sobre-torturas\/","title":{"rendered":"Guant&acirc;namo: ONU possui relat&oacute;rios confi&aacute;veis sobre torturas"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 27\/06\/2005 &ndash; Quatro especialistas em direitos humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas investigar&atilde;o todos os aspectos relacionados com a base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, onde est&atilde;o detidas sem acusa&ccedil;&atilde;o cerca de 500 pessoas, apesar da repugn&acirc;ncia de Washington quanto &agrave; sua visita a essa pris&atilde;o militar. Os especialistas disseram que o governo norte-americano h&aacute; um ano deixa de responder ao pedido que fizeram para visitar Guant&acirc;namo, onde Washington mant&eacute;m, desde o in&iacute;cio de 2002, aqueles que define como &quot;combatentes inimigos&quot;, sem reconhecer-lhes status de prisioneiros de guerra, sem apresentar acusa&ccedil;&otilde;es e sem permitir-lhes defesa legal. <br \/> <!--more--> <br \/> O pedido de visita baseou-se em informa&ccedil;&otilde;es de fontes confi&aacute;veis sobre torturas, tratamentos cru&eacute;is, desumanos e degradantes, deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias e viola&ccedil;&otilde;es dos direitos &agrave; sa&uacute;de e ao devido processo, afirmaram os especialistas da ONU. Apesar da falta de colabora&ccedil;&atilde;o das autoridades norte-americanas, os investigadores se prop&otilde;em uma investigar todos os aspectos relacionados com o centro de deten&ccedil;&atilde;o de Guant&acirc;namo. Eles apelar&atilde;o para informa&ccedil;&otilde;es e provas obtidas de fontes com credibilidade. Os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o apresentados na pr&oacute;xima sess&atilde;o da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU, que deve acontecer em mar&ccedil;o e abril do pr&oacute;ximo ano. <\/p>\n<p> A declara&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica foi feita pelos especialistas Leandro Despouy, da Argentina, relator especial sobre a independ&ecirc;ncia dos ju&iacute;zes e advogados, e Paul Hunt, da Nova Zel&acirc;ndia, relator especial sobre o direito &agrave; sa&uacute;de. Tamb&eacute;m subscreveram o documento Manfred Nowak, da &Aacute;ustria, relator especial sobre a tortura e outros tratamentos ou castigos cru&eacute;is, desumanos e degradantes, e a argelina Leila Zerrougui, presidente e relatora do Grupo de Trabalho sobre Deten&ccedil;&otilde;es Arbitr&aacute;rias. <\/p>\n<p> A reclama&ccedil;&atilde;o ocorre um ano e meio depois que estes quatros investigadores enviaram uma solicita&ccedil;&atilde;o &quot;en&eacute;rgica e urgente&quot; ao governo do presidente George W. Bush para que convidasse os mecanismos especiais da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos a visitar Guant&acirc;namo e outros centros de deten&ccedil;&atilde;o controlados por esse pa&iacute;s, em particular no Iraque e no Afeganist&atilde;o, recordou Nowak. &quot;At&eacute; esta data, n&atilde;o recebemos nenhuma resposta definitiva de Washington referente, ao menos, &agrave; visita a Guant&acirc;namo&quot;, mas tampouco uma negativa, disse o relator sobre tortura. Os mandatos dos quatro especialistas mant&ecirc;m estreita rela&ccedil;&atilde;o com as principais preocupa&ccedil;&otilde;es sobre Guant&acirc;namo: condi&ccedil;&otilde;es de deten&ccedil;&atilde;o, dura&ccedil;&atilde;o da mesma sem processos judiciais e as possibilidades de estarem atuando comiss&otilde;es militares, afirmou Nowak. Despouy disse que essas pessoas j&aacute; est&atilde;o h&aacute; mais de tr&ecirc;s anos detidas. &quot;Aceitar isso significa aceitar uma regress&atilde;o do Estado de direito no mundo&quot;, afirmou o jurista argentino.<\/p>\n<p> Nowak disse que recebeu numerosas den&uacute;ncias de advogados de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais sobre torturas e maus-tratos contra presos em Guant&acirc;namo. Mas a pr&aacute;tica estabelece que para realizar uma investiga&ccedil;&atilde;o objetiva se requer levar em conta tanto as informa&ccedil;&otilde;es de fontes da sociedade civil quanto dos governos. Zerrougui afirmou que a preocupa&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho sobre Deten&ccedil;&otilde;es Arbitr&aacute;rias se concentra nas pessoas presas h&aacute; mais de tr&ecirc;s anos e meio. &quot;N&atilde;o se sabe qual &eacute; o contexto legal em que se encontram, nem se podem ser consideradas detidas em um processo administrativo ou em um processo judicial. Outro motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; a exist&ecirc;ncia de interrogat&oacute;rios e a possibilidade de n&atilde;o existirem acusa&ccedil;&otilde;es contra as pessoas presas&quot;, disse a especialista argelina.<\/p>\n<p> Hunt relatou a urg&ecirc;ncia de serem realizadas visitas em vista de informes persistentes de viola&ccedil;&otilde;es do direito &agrave; sa&uacute;de dos presos, capturados pelos Estados Unidos no Afeganist&atilde;o, Iraque e outros pa&iacute;ses, no contexto de sua &quot;guerra contra o terror&quot;. Os informes &quot;d&atilde;o conta de uma preocupante deteriora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental de numerosos presos. H&aacute; den&uacute;ncias de que as tentativas de suic&iacute;dio entre os detidos chegam a dezenas. Outras fontes afirmam que o pessoal m&eacute;dico participou da formula&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de interrogat&oacute;rios, que utilizam m&eacute;todos como priva&ccedil;&atilde;o do sono e outras formas coercitivas&quot;, disse Hunt. &quot;A melhor maneira que tenho para verificar a veracidade dessas e de outras den&uacute;ncias referentes &agrave; sa&uacute;de dos presos &eacute; atrav&eacute;s de uma visita, para conversar em particular com essas pessoas e para discutir com os m&eacute;dicos e outros profissionais dos estabelecimentos de deten&ccedil;&atilde;o&quot;, disse o investigador neozeland&ecirc;s.<\/p>\n<p> Hunt disse estar decepcionado, pois ap&oacute;s espera de quase 18 meses e ap&oacute;s v&aacute;rios pedidos, as autoridades norte-americanas n&atilde;o est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de garantir a permiss&atilde;o de visitar Guant&acirc;namo. No final de maio, ao apresentar o relat&oacute;rio anual da Anistia Internacional, sua secret&aacute;ria-geral, Irene Khan, se referiu &agrave; rede de centros de deten&ccedil;&atilde;o estabelecidos por Washington em territ&oacute;rios estrangeiros como o &quot;gulag de nossos tempos&quot;, numa alus&atilde;o ao sistema carcer&aacute;rio e de trabalho for&ccedil;ado que existiu na extinta Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Parece que a Anistia baseou suas afirma&ccedil;&otilde;es nas &quot;palavras e acusa&ccedil;&otilde;es de pessoas que foram mantidas presas, as quais odeiam os Estados Unidos&quot;, respondeu Bush, pouco depois.<\/p>\n<p> &quot; Sejam boas ou m&aacute;s, o imp&eacute;rio da lei tamb&eacute;m os alcan&ccedil;a, pois s&atilde;o seres humanos&quot;, disse Hunt diante dos que argumentam que os presos s&atilde;o pessoas m&aacute;s. &quot;Isso &eacute; o que distingue um sistema baseado no Estado de direito de um que tem por base o exerc&iacute;cio arbitr&aacute;rio do poder&quot;, acrescentou. &quot;O imp&eacute;rio da lei n&atilde;o pode ser aplicado de maneira seletiva. Um Estado n&atilde;o pode respeitar a lei em um lugar, e deixar de faz&ecirc;-lo em outro&quot;, insistiu Hunt. Por seu lado, Despouy disse que desde o come&ccedil;o de seu mandato, h&aacute; tr&ecirc;s anos, se ocupa do problema das pessoas em deten&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-reconhecidas, uma quest&atilde;o grave e preocupante no plano internacional, explicou. O mandato do especialista argentino se refere ao direito de toda pessoa ser julgada por um tribunal ordin&aacute;rio ou por um juiz imparcial, natural e ordin&aacute;rio, explicou. As pessoas em deten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-reconhecida, normalmente sob condi&ccedil;&atilde;o militar, encontram-se sem aplica&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; defesa, sem as comunica&ccedil;&otilde;es das acusa&ccedil;&otilde;es que pesam contra elas e com uma s&eacute;rie de priva&ccedil;&otilde;es ao direito elementar de um processo justo, afirmou Despouy. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 27\/06\/2005 &ndash; Quatro especialistas em direitos humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas investigar&atilde;o todos os aspectos relacionados com a base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, onde est&atilde;o detidas sem acusa&ccedil;&atilde;o cerca de 500 pessoas, apesar da repugn&acirc;ncia de Washington quanto &agrave; sua visita a essa pris&atilde;o militar. Os especialistas disseram que o governo norte-americano h&aacute; um ano deixa de responder ao pedido que fizeram para visitar Guant&acirc;namo, onde Washington mant&eacute;m, desde o in&iacute;cio de 2002, aqueles que define como &quot;combatentes inimigos&quot;, sem reconhecer-lhes status de prisioneiros de guerra, sem apresentar acusa&ccedil;&otilde;es e sem permitir-lhes defesa legal. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/guantnamo-onu-possui-relatrios-confiveis-sobre-torturas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-734","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=734"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/734\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}