{"id":7345,"date":"2010-11-02T11:44:07","date_gmt":"2010-11-02T11:44:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7345"},"modified":"2010-11-02T11:44:07","modified_gmt":"2010-11-02T11:44:07","slug":"reportagem-liberada-pesca-em-aguas-com-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/ambiente\/reportagem-liberada-pesca-em-aguas-com-petroleo\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Liberada pesca em \u00e1guas com petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p>NOVA ORLEANS, Estados Unidos, 02\/11\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O petr\u00f3leo que flutua nas \u00e1guas norte-americanas do Golfo do M\u00e9xico \u00e9 um remanescente do vazamento da empresa British Petroleum (BP). Mas ali \u00e9 poss\u00edvel pescar.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7345\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/499_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7345\" class=\"size-medium wp-image-7345\" title=\"As \u00e1guas marinhas cobertas pelo petr\u00f3leo derramado pela BP perto de Southwest Pass, em Louisiana. - Erika Blumenfeld\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/499_1.jpg\" alt=\"As \u00e1guas marinhas cobertas pelo petr\u00f3leo derramado pela BP perto de Southwest Pass, em Louisiana. - Erika Blumenfeld\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7345\" class=\"wp-caption-text\">As \u00e1guas marinhas cobertas pelo petr\u00f3leo derramado pela BP perto de Southwest Pass, em Louisiana. - Erika Blumenfeld\/IPS<\/p><\/div>  Enormes manchas de petr\u00f3leo aparecem \u00e0 simples vista, sobrevoando o delta do Rio Mississippi. Mas as autoridades do Estado de Lousiana autorizam a pesca em boa parte dessa \u00e1rea. O Terram\u00e9rica percorreu a \u00e1rea em avi\u00e3o no dia 23. Quatro dias antes, o coordenador federal da limpeza do vazamento causado pela multinacional British Petroleum (BP), Paul Zukunft, declarou que havia pouco petr\u00f3leo recuper\u00e1vel na superf\u00edcie do Golfo do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo come\u00e7ou a vazar no dia 20 de abril, quando a plataforma de explora\u00e7\u00e3o Deepwater Horizon, que a BP arrendava da empresa su\u00ed\u00e7a Transocean, explodiu e, dois dias depois, afundou. Apenas em julho foi poss\u00edvel deter o vazamento. Para alguns, foi o mais grave da hist\u00f3ria, embora ainda seja dif\u00edcil estimar quanto petr\u00f3leo se misturou \u00e0s \u00e1guas.<\/p>\n<p>A East Bay e a West Bay s\u00e3o duas ba\u00edas que, como indicam seus nomes, ficam a leste e oeste do Southwest Pass, o principal canal de navega\u00e7\u00e3o na desembocadura do Mississippi, no Golfo do M\u00e9xico. Entre as duas, s\u00e3o cerca de 112 quil\u00f4metros quadrados de \u00e1guas. Enquanto East Bay est\u00e1 fechada para a pesca, West Bay estava aberta quando o Terram\u00e9rica divisou a mancha, embora um dia antes o pessoal de limpeza da BP tivesse informado a um jornal local que ali havia petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cLiteralmente, v\u00e3o pescar petr\u00f3leo\u201d, disse durante o voo o ativista Jonathan Henderson, da Gulf Restoration Network, ao ver alguns camaroneiros trabalhando na \u00e1rea coberta de petr\u00f3leo. Tamb\u00e9m preocupa o efeito dos dispersantes t\u00f3xicos que a BP empregou para mandar o combust\u00edvel para as profundezas.<\/p>\n<p>\u201cO colapso do ecossistema causado pelo uso de dispersantes ter\u00e1 efeitos imediatos e de longo prazo para as tradicionais comunidades pesqueiras do Golfo do M\u00e9xico\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Clint Guidry, da Associa\u00e7\u00e3o de Camaroneiros da Lousiana. \u201cDesde o primeiro dia, h\u00e1 uma opera\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para diluir a responsabilidade da BP. O departamento de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas disse que a \u00e1rea \u00e9 segura para pescar e que \u00e9 seguro comer o que for pescado, mas essa n\u00e3o \u00e9 a realidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As \u00e1guas de East e West Bay est\u00e3o sob jurisdi\u00e7\u00e3o do Departamento de Vida Silvestre e Pesca da Louisiana (LDWF), enquanto a \u00e1rea mais afastada da costa pertence \u00e0 \u00f3rbita federal. No mesmo dia em que o Terram\u00e9rica avistou a mancha de combust\u00edvel, um piloto do LDWF havia sobrevoado a \u00e1rea e afirmado que n\u00e3o havia petr\u00f3leo. Este funcion\u00e1rio \u201cdeveria ter fechado a ba\u00eda para pesca\u201d e n\u00e3o o fez, disse Henderson. \u201cN\u00e3o entendo como pode ter sobrevoado a \u00e1rea e n\u00e3o ver a mancha. \u00c9 um ato criminoso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Terram\u00e9rica tentou, sem \u00eaxito, comunicar-se com o funcion\u00e1rio do LDWF. A resposta foi que \u201cn\u00e3o estava dispon\u00edvel para dar declara\u00e7\u00f5es\u201d. O site do LDWF tem um n\u00famero de telefone para informar o encontro de restos de petr\u00f3leo. Quando o Terram\u00e9rica ligou, a resposta veio de um centro de chamadas da BP. No dia 23 de outubro, a guarda-costeira indicou que a subst\u00e2ncia que flutuava em uma extensa \u00e1rea de West Bay era um \u201cbanco de algas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA guarda-costeira deveria mudar a cor de seu uniforme, porque trabalha para a BP. Sabemos disso desde que tudo come\u00e7ou. Ningu\u00e9m acredita em nada do que dizem sobre este desastre petroleiro\u201d, disse Dean Blanchard, dono da empresa pesqueira Dean Blanchard Seafood Inc., de Grand Isle. \u201cEu recolhi um pouco de \u00e1gua e tinha aspecto de petr\u00f3leo, parecia petr\u00f3leo, tinha um vermelho amarronzado, como todo petr\u00f3leo que vimos misturado \u00e0 \u00e1gua\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o pescador David Arenesen, de Venice.<\/p>\n<p>A camada de petr\u00f3leo \u201ctinha espessura de, pelo menos, 2,5 cent\u00edmetros e se estendia por milhas\u201d, acrescentou. O pescador Gary Robinson, que se dedica \u00e0 captura de cavala nas proximidades de Venice, disse ao Terram\u00e9rica que nunca vira uma mancha como essa, que, segundo ele, tinha mais de 12 cent\u00edmetros de espessura. A \u00e1rea de East Bay parece estar coberta por um petr\u00f3leo degradado em v\u00e1rias cores.<\/p>\n<p>Em uma viagem de cruzeiro de um m\u00eas, pesquisadores do Estado da Georgia detectaram petr\u00f3leo no fundo marinho, supostamente do vazamento da BP. Embora funcion\u00e1rios do governo duvidem que haja combust\u00edvel no leito do mar, os cientistas disseram que as amostras exalavam o mesmo cheiro de \u201cuma oficina mec\u00e2nica\u201d. Os pesquisadores pegaram 78 amostras de sedimentos, e apenas cinco continham organismos vivos. Todas deveriam ter formas de vida, disse a cientista Samantha Joye, da Universidade da Georgia. A \u00e1rea afetada \u00e9 um \u201ccemit\u00e9rio de macrofauna\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOVA ORLEANS, Estados Unidos, 02\/11\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O petr\u00f3leo que flutua nas \u00e1guas norte-americanas do Golfo do M\u00e9xico \u00e9 um remanescente do vazamento da empresa British Petroleum (BP). 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