{"id":738,"date":"2005-06-28T00:00:00","date_gmt":"2005-06-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=738"},"modified":"2005-06-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-28T00:00:00","slug":"direitos-humanos-dez-anos-de-impunidade-no-mxico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/direitos-humanos-dez-anos-de-impunidade-no-mxico\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Dez anos de impunidade no M&eacute;xico"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 28\/06\/2005 &ndash; &quot;V&atilde;o morrer todos pelos revoltosos, filhos da puta&quot;, gritou um procurador segundos antes de os policiais dispararem contra um grupo de camponeses do Estado mexicano de Guerrero, matando 17 deles. Dez anos depois desse massacre, que foi gravado em v&iacute;deo, seus autores intelectuais permanecem impunes. &quot;N&atilde;o encontramos justi&ccedil;a, e os que mandaram disparar contra n&oacute;s andam livres e tranq&uuml;ilos&quot;, lamentou Mauro Hern&aacute;ndez, que dirigia a caminhonete que transportava os camponeses que naquele 28 de junho de 1995 foram assassinados em uma zona rural conhecida como &Aacute;guas Claras.<br \/> <!--more--> <br \/> Sob uma chuva de tiros acompanhada de insultos, os camponeses, contr&aacute;rios ao ent&atilde;o governante Partido Revolucion&aacute;rio Institucional (PRI), foram caindo um a um, segundo se pode ver em um v&iacute;deo feito por agentes policiais. Uma vers&atilde;o editada desse material foi exibida primeiro pelos acusados para poderem alegar que dispararam em defesa pr&oacute;pria, mas a grava&ccedil;&atilde;o completa, divulgada posteriormente por meios de comunica&ccedil;&atilde;o, mostra claramente que se tratou de um massacre de camponeses indefesos. Treze dos autores materiais desse crime, na maioria policiais, est&atilde;o presos h&aacute; 10 anos, mas permanecem livres os que s&atilde;o apontados como seus autores intelectuais, que s&atilde;o colaboradores e o pr&oacute;prio governador na &eacute;poca de Guerrero, Rub&eacute;n Figeroa, do PRI, o partido que governou o M&eacute;xico entre 1929 e 2000.<\/p>\n<p> &quot;A impunidade prevalece e isso causa indigna&ccedil;&atilde;o quando a evid&ecirc;ncia &eacute; t&atilde;o contundente contra o ex-governador e outros ex-funcion&aacute;rios&quot;, disse &aacute; IPS David Velazco, diretor do n&atilde;o-governamental Centro de Direitos Humanos Miguel Agust&iacute;n Pro Juarez, que responde &agrave; Companhia de Jesus, a ordem cat&oacute;lica dos jesu&iacute;tas. &quot;Dez anos depois de &Aacute;guas Claras, as marcas dos autores intelectuais continuam ali para quem quiser v&ecirc;-las&quot;, disse o diretor do grupo, que junto com outras pessoas apresentou o caso na Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos, que em 1998 pediu ao governo do M&eacute;xico um aprofundamento nas investiga&ccedil;&otilde;es e no castigo aos respons&aacute;veis por ordenarem o crime.<\/p>\n<p> Hern&aacute;ndez, o motorista do ve&iacute;culo em que viajava os camponeses, em sua maioria simpatizantes da Organiza&ccedil;&atilde;o Camponesa da Serra do Sul, grupo opositor ao PRI, afirmou que no local ouvi claramente o ent&atilde;o subprocurador de Guerrero, Rodolfo Sotomayor, gritar: &quot;v&atilde;o morrer todos pelos revoltosos, filhos da chingada (filhos da puta)&quot;. Sotomayor morreu no ano passado em um acidente de motocicleta. Em abril, e pela primeira vez desde 1928, assumiu o governo do Guerrero um pol&iacute;tico alheio ao PRI, fato que deu esperan&ccedil;as aos grupos que pedem justi&ccedil;a por diversos fatos cometidos pela repress&atilde;o relatados nesse Estado, entre eles o de &Aacute;guas Claras. Trata-se de Zeferino Torreblanca, do esquerdista Partido da Revolu&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica.<\/p>\n<p> &quot;Houve esperan&ccedil;as com o novo governador, mas o desencanto chegou logo, pois com o argumento de n&atilde;o gerar conflitos e para haver conc&oacute;rdia, Torreblanca sepultou qualquer possibilidade de reativar as investiga&ccedil;&otilde;es sobre &Aacute;guas Claras e outros casos&quot;, disse o diretor de Agust&iacute;n Pro Juarez. Guerrero &eacute; um territ&oacute;rio com 3,1 milh&otilde;es de habitantes, 43,3% dos quais vivendo em zonas rurais e em sua maioria na pobreza, marcado pela presen&ccedil;a de insurgentes, m&aacute;fia de madeireiros, cultivos de drogas e poderosos latifundi&aacute;rios ligados ao PRI, partido acusado de exercer a repress&atilde;o desmedida contra seus opositores nessa regi&atilde;o. Nas serras de Guerrero, 11 de seus 17 munic&iacute;pios ind&iacute;genas s&atilde;o catalogados por estudos oficiais como altamente marginalizados e um deles como o mais pobre desse pa&iacute;s de 103 milh&otilde;es de habitantes.<\/p>\n<p> Um ano depois da matan&ccedil;a de &Aacute;guas Claras apresentaram-se nesse lugar pessoas armadas e com os rostos cobertos dizendo serem membros do Ex&eacute;rcito Popular Revolucion&aacute;rio. Fizeram discursos em favor da revolu&ccedil;&atilde;o, do socialismo e da tomada do poder pelas armas e pediram justi&ccedil;a pela matan&ccedil;a dos camponeses. O grupo, que depois se limitou a realizar algumas a&ccedil;&otilde;es de propaganda e alguns ataques menores a guarni&ccedil;&otilde;es policiais, sofreu desde ent&atilde;o divis&otilde;es e, segundo o governo federal do presidente Vicente Fox, agora &eacute; marginal e n&atilde;o representa nenhuma amea&ccedil;a. O ex-governador Figueroa assegurava que ele e sua equipe de colaboradores eram v&iacute;timas de grupos extremistas e que em &Aacute;guas Claras aconteceu uma a&ccedil;&atilde;o defensiva por parte dos policiais. Para sustentar essa tese, apresentaram como argumento um v&iacute;deo cujo conte&uacute;do havia sido editado, segundo se constatou depois.<\/p>\n<p> Nessa grava&ccedil;&atilde;o apareciam corpos de camponeses empunhando armas de alto poder de fogo, o que era parte de uma montagem. O caso foi considerado em seu momento exemplo de corrup&ccedil;&atilde;o e abuso de poder. Em 1996, a Corte Suprema de Justi&ccedil;a concluiu em uma senten&ccedil;a n&atilde;o vinculante que os culpados pela matan&ccedil;a, &quot;sem d&uacute;vida&quot;, foram os policiais e funcion&aacute;rios. Mas embora a repercuss&atilde;o pol&iacute;tica e social dessa matan&ccedil;a tenha sido muito contundente, as investiga&ccedil;&otilde;es foram mantidas sempre nas m&atilde;os da Procuradoria de Guerrero, que at&eacute; de abril era manejada pelo PRI e, segundo a qual, os policiais dispararam por conta pr&oacute;pria.<\/p>\n<p> Apesar de algumas das testemunhas e autores do crime terem acusado o ex-governador Figueroa e seus subalternos por ordenarem a matan&ccedil;a, inclusive com a presen&ccedil;a do subprocurador no local, a justi&ccedil;a n&atilde;o p&ocirc;de process&aacute;-los e o novo governador de Guerrero se nega a reabrir o caso. Grupos humanit&aacute;rios e os familiares dos camponeses assassinados exigem, at&eacute; agora sem &ecirc;xito, que o governo de Fox e o governador Torreblanca nomeiem um promotor especial que volte a analisar o ocorrido em &Aacute;guas Claras. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 28\/06\/2005 &ndash; &quot;V&atilde;o morrer todos pelos revoltosos, filhos da puta&quot;, gritou um procurador segundos antes de os policiais dispararem contra um grupo de camponeses do Estado mexicano de Guerrero, matando 17 deles. Dez anos depois desse massacre, que foi gravado em v&iacute;deo, seus autores intelectuais permanecem impunes. &quot;N&atilde;o encontramos justi&ccedil;a, e os que mandaram disparar contra n&oacute;s andam livres e tranq&uuml;ilos&quot;, lamentou Mauro Hern&aacute;ndez, que dirigia a caminhonete que transportava os camponeses que naquele 28 de junho de 1995 foram assassinados em uma zona rural conhecida como &Aacute;guas Claras.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/direitos-humanos-dez-anos-de-impunidade-no-mxico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}