{"id":7387,"date":"2010-11-10T15:49:22","date_gmt":"2010-11-10T15:49:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7387"},"modified":"2010-11-10T15:49:22","modified_gmt":"2010-11-10T15:49:22","slug":"g-20-rumo-ao-fim-da-globalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/america-latina\/g-20-rumo-ao-fim-da-globalizacao\/","title":{"rendered":"G-20: Rumo ao fim da globaliza\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 10\/11\/2010 &ndash; Uma \u201cgrave regress\u00e3o\u201d da economia mundial, com um foco generalizado de barreiras alfandeg\u00e1rias e ao fluxo de capitais, \u00e9 um resultado poss\u00edvel diante da previs\u00edvel incapacidade do Grupo das 20 maiores economias (G-20) de encontrar solu\u00e7\u00f5es para a crise atual. <!--more--> O mais prov\u00e1vel \u00e9 que o G-20 comece a sofrer um \u201cprogressivo desmantelamento\u201d em sua c\u00fapula de Seul, dias 11 e 12 deste m\u00eas, porque se assenta em \u201ccoaliz\u00f5es que n\u00e3o se sustentam\u201d e seus membros vivem conflitos insol\u00faveis, segundo Fernando Cardim, professor da brasileira Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Apenas \u201cuma diplomacia surpreendente\u201d poderia neste momento produzir algum entendimento que abra caminho para \u201cuma solu\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, que \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda para a crise econ\u00f4mica mundial, afirmou o professor. \u201cTomara que a vis\u00e3o do abismo\u201d estimule o esp\u00edrito colaborador dos governantes, acrescentou.<\/p>\n<p>O G-20 re\u00fane as principais pot\u00eancias industriais e de economias emergentes de car\u00e1ter muito diferente: \u00c1frica do Sul, Alemanha, Ar\u00e1bia Saudita, Argentina, Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, M\u00e9xico, R\u00fassia, Turquia e a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>De Seul sair\u00e1 apenas \u201cvento\u201d afirmou Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio e ex-diretor do Banco Central brasileiro. Ele prev\u00ea um per\u00edodo de \u201cestagfla\u00e7\u00e3o\u201d mundial, com paralisa\u00e7\u00e3o ou desacelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica nos pa\u00edses emergentes que vinham crescendo, agravando a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de globaliza\u00e7\u00e3o, o sistema produtivo de bens e servi\u00e7os est\u00e1 mundialmente integrado\u201d e sofreria uma s\u00e9ria desordem se um foco de protecionismo travar os fluxos comerciais e de investimentos, afirmou Mariano Laplane, diretor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas, no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para Cardim, isto representaria \u201co caos\u201d para os pa\u00edses asi\u00e1ticos \u201cque dependem muito das exporta\u00e7\u00f5es\u201d e afetaria gravemente as na\u00e7\u00f5es latino-americanas vulner\u00e1veis ao com\u00e9rcio externo, como Argentina, Chile e M\u00e9xico. O Brasil, por seu grande mercado interno e uma relativa autossufici\u00eancia, poderia sofrer menos, concordam Cardim e Freitas. Isto \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 \u201cgordura acumulada\u201d pelo pa\u00eds, cujo crescimento econ\u00f4mico cairia de 5% para 3% ao ano, disse Freitas.<\/p>\n<p>O pessimismo se acentuou depois que o banco central dos Estados Unidos (FED) anunciou que comprar\u00e1 t\u00edtulos do Tesouro no valor de US$ 600 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos oito meses, inundando o mercado de d\u00f3lares e desvalorizando a moeda ainda mais. A rea\u00e7\u00e3o geral ser\u00e1 maior controle do fluxo de capitais, como \u201cprimeiro passo\u201d e, se isto n\u00e3o der resultado, vir\u00e1, ent\u00e3o, uma onda de protecionismo comercial, provocando uma \u201cdesacelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica\u201d nos pa\u00edses emergentes que est\u00e3o sustentando a economia mundial, afirmou Freitas.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos buscam solucionar sua crise transferindo os custos para o resto do mundo. A pol\u00edtica adotada pelo FED entre 1979 e 1981, elevando aos poucos as taxas de juros para mais de 20% ao ano para vencer a infla\u00e7\u00e3o, submergiu grande parte do mundo em uma crise que custou uma ou duas \u201cd\u00e9cadas perdidas\u201d aos pa\u00edses endividados. Agora, o \u201csinal inverteu\u201d, tenta-se superar a recess\u00e3o e desvalorizar o d\u00f3lar para aumentar as exporta\u00e7\u00f5es, em detrimento dos demais. Mas \u201cos pa\u00edses emergentes hoje possuem meios para se defender\u201d, disse Laplane.<\/p>\n<p>O Brasil, por exemplo, adquiriu elevadas reservas cambiais que se aproximam dos US$ 300 bilh\u00f5es, pagando um custo brutal para mant\u00ea-las devido \u00e0 sua elevada taxa b\u00e1sica de juros, atualmente em 10,75%. Como n\u00e3o conseguiu deter a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar frente ao real, passou a gravar alguns capitais estrangeiros com taxas que aumentaram de 2% para 6%.<\/p>\n<p>O governo ter\u00e1 que adotar \u201coutras medidas de sele\u00e7\u00e3o\u201d de capitais, sem excluir a exig\u00eancia de que permane\u00e7am no pa\u00eds por determinado tempo, como faz o Chile, afirmou Laplane, reconhecendo, por\u00e9m, que \u201ctudo ser\u00e1 insuficiente diante da avalanche\u201d causada pela medida do FED em rela\u00e7\u00e3o a um Brasil muito atraente por sua taxa de juros e seu crescimento econ\u00f4mico. Estados Unidos e China t\u00eam suas raz\u00f5es para manterem desvalorizadas suas moedas, mas as na\u00e7\u00f5es emergentes contam com \u201cuma for\u00e7a moral nada desprez\u00edvel\u201d, pois buscam evitar um \u201cretrocesso econ\u00f4mico\u201d desastroso para todos, que daria lugar a uma guerra comercial e ao fechamento do mercado de capitais, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cEm algum momento prevalecer\u00e1 a sensatez\u201d em defesa de um \u201csistema econ\u00f4mico aberto e integrado\u201d que o G-2 (China e Estados Unidos) \u201cest\u00e1 tornando invi\u00e1vel\u201d, previu Laplane. Na realidade, todos os pa\u00edses sempre \u201cprocuram transferir problemas internos para fora\u201d, mas s\u00e3o muito diferentes os efeitos da a\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias, e \u201choje todos reagem\u201d, o que abre \u201cum per\u00edodo muito perigoso, com um potencial ilimitado de conflitos\u201d, disse Cardim.<\/p>\n<p>Em 2009, houve um \u201cclima de coopera\u00e7\u00e3o\u201d diante do medo de uma depress\u00e3o econ\u00f4mica mundial. Contudo, superado o \u201cp\u00e2nico\u201d, voltou a tradi\u00e7\u00e3o de \u201clan\u00e7ar os custos sobre os ombros dos demais\u201d, disse Cardim. Al\u00e9m disso, o fortalecimento opositor nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares dos Estados Unidos impede o governo de moderar seu apetite. \u201cEvitar um colapso\u201d como o de 1930 foi positivo, mas \u201cs\u00f3 Deus sabe o que vir\u00e1 depois do G-20, e ser\u00e1 um tempo de tens\u00e3o e regress\u00e3o\u201d, concluiu Cardim.<\/p>\n<p>No momento acontece a guerra cambial, express\u00e3o criada pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega. O futuro \u201cdepende de at\u00e9 onde chegar a pol\u00edtica monet\u00e1ria norte-americana\u201d, porque, se a infla\u00e7\u00e3o subir muito, for\u00e7ar\u00e1 \u00e0 alta de juros, desarmando a armadilha da crescente desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, segundo Freitas.<\/p>\n<p>A chuva de d\u00f3lares gerada pela decis\u00e3o norte-americana acentuar\u00e1 a alta dos pre\u00e7os de produtos agr\u00edcolas e minerais, pela especula\u00e7\u00e3o que tende a se refor\u00e7ar e retomar os n\u00edveis de 2007. A infla\u00e7\u00e3o e a fome se somar\u00e3o ao desemprego como amea\u00e7as do novo formato que est\u00e1 assumindo a crise econ\u00f4mica mundial. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 10\/11\/2010 &ndash; Uma \u201cgrave regress\u00e3o\u201d da economia mundial, com um foco generalizado de barreiras alfandeg\u00e1rias e ao fluxo de capitais, \u00e9 um resultado poss\u00edvel diante da previs\u00edvel incapacidade do Grupo das 20 maiores economias (G-20) de encontrar solu\u00e7\u00f5es para a crise atual. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/america-latina\/g-20-rumo-ao-fim-da-globalizacao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-7387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}