{"id":7388,"date":"2010-11-11T11:09:06","date_gmt":"2010-11-11T11:09:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7388"},"modified":"2010-11-11T11:09:06","modified_gmt":"2010-11-11T11:09:06","slug":"melhorar-cultivos-para-atenuar-a-desnutricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/mundo\/melhorar-cultivos-para-atenuar-a-desnutricao\/","title":{"rendered":"Melhorar cultivos para atenuar a desnutri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 11\/11\/2010 &ndash; A biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como medida para abordar a defici\u00eancia de micronutrientes nos alimentos consumidos pela popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pobres, e s\u00f3 agora come\u00e7a, literalmente, a dar frutos. <!--more--> Quando a revolu\u00e7\u00e3o verde lan\u00e7ou suas ra\u00edzes, nos anos 1960 e 1970, a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos bi\u00f3logos era aumentar o rendimento dos cultivos alimentares b\u00e1sicos para a popula\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Isto tinha sentido: dessa forma aumentaria a quantidade de alimentos para os pobres do mundo, reduzindo a fome. Em termos gerais, isso aconteceu. Entretanto, o que teria acontecido se tais cultivos tivessem car\u00eancia de vitamina A, ferro ou zinco, necess\u00e1rios para a sa\u00fade do corpo?<\/p>\n<p>Na \u00c1frica subsaariana, muitas pessoas, especialmente em \u00e1reas rurais, dependem de alimentos b\u00e1sicos como a batata doce branca ou o milho branco, que podem carecer de quantidades suficientes dos nutrientes que seus organismos necessitam. A falta de vitamina A, por exemplo, faz com que pelo menos 250 mil crian\u00e7as fiquem cegas a cada ano, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. E metade delas morre no ano seguinte.<\/p>\n<p>As quantidades necess\u00e1rias podem ser encontradas em outros alimentos consumidos em outras partes do mundo. Em lugar de assumir a herc\u00falea tarefa de mudar dietas e tradi\u00e7\u00f5es, os que buscavam melhorar os cultivos come\u00e7aram a desenvolver variedades de cor laranja destes alimentos que foram adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>As pesquisas com a batata doce laranja come\u00e7aram em meados da d\u00e9cada de 1990. Em 2005, envolveu-se no estudo uma organiza\u00e7\u00e3o chamada HarvestPlus, com sede em Washington, que \u00e9 financiada por governos, funda\u00e7\u00f5es e institutos cient\u00edficos e parte do grupo Consultivo para a Pesquisa Agr\u00edcola Internacional (CGIAR). Assim foram fixados objetivos claros: aumentar em 1.500% a quantidade de provitamina A na batata doce com as quais se alimentava a popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica oriental.<\/p>\n<p>Em 2007, esse tub\u00e9rculo foi introduzido em Uganda, em meio a uma campanha publicit\u00e1ria complementar para divulgar a mensagem de que as variedades de cor laranja eram sin\u00f4nimo de sa\u00fade e que a popula\u00e7\u00e3o deveria escolher plant\u00e1-las. No prazo de 18 meses foram comprovados os impactos nutricionais na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a car\u00eancia de vitamina A era enorme e a batata doce laranja a cont\u00e9m em abund\u00e2ncia, foi usada uma pequena quantidade deste tub\u00e9rculo para atender a ingest\u00e3o di\u00e1ria recomendada para uma crian\u00e7a pequena, disse Jan Low, que lidera o trabalho da HarvestPlus sobre a batata doce.<\/p>\n<p>Enquanto prev\u00ea introduzir novas variedades de milho, arroz, mandioca e outros cultivos produzidos para serem mais nutritivos, esta organiza\u00e7\u00e3o iniciou, no dia 9, uma confer\u00eancia sobre biofortifica\u00e7\u00e3o, em Washington, Estados Unidos. Este encontro, que termina hoje, \u00e9 a primeira reuni\u00e3o internacional sobre como a agricultura pode atacar a desnutri\u00e7\u00e3o por falta de micronutrientes, afirma a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A HarvestPlus est\u00e1 pronta para difundir v\u00e1rios cultivos nos pr\u00f3ximos anos, mas esse passo exigir\u00e1 fundos adicionais. \u201cO custo inicial da pesquisa sobre melhoramento de cultivos \u00e9 relativamente baixo, mas quando se aproximam as etapas finais de desenvolvimento os custos aumentam\u201d, disse aos jornalistas o diretor da organiza\u00e7\u00e3o, Howarth Bouis.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Howarth considera que os doadores est\u00e3o mais interessados em investir em nutri\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de usar a agricultura como ferramenta para melhor\u00e1-la. \u201cNo passado, os que trabalhavam em temas de nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o viram de fato a agricultura como um meio b\u00e1sico para melhorar a nutri\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou, ressaltando que t\u00eam prefer\u00eancia os complementos e a pr\u00e1tica de fortificar com micronutrientes alimentos preparados ou embalados.<\/p>\n<p>Essas pr\u00e1ticas se centram mais nos consumidores urbanos. Para chegar aos indigentes, que se encontram predominantemente em \u00e1reas rurais, foi considerado necess\u00e1rio que eles mesmos melhorassem os cultivos, mas por vias convencionais, que evitassem tanto os obst\u00e1culos regulat\u00f3rios e culturais quanto as preocupa\u00e7\u00f5es sobre a seguran\u00e7a e a engenharia gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa que a HarvestPlus rejeite o potencial dos cultivos geneticamente modificados. A organiza\u00e7\u00e3o participa da pesquisa de uma variedade transg\u00eanica de arroz rico em ferro e zinco, e Howarth disse que, se no futuro for mais f\u00e1cil criar e introduzir variedades transg\u00eanicas, ser\u00e1 feito. Alex Johnson, que trabalha na variedade de arroz, afirma que \u00e9 de vital import\u00e2ncia que as plantas que desenvolvem produzam sementes vi\u00e1veis, ao contr\u00e1rio das plantas patenteadas por corpora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>No caso da batata doce, nem mesmo \u00e9 preciso semente. Os agricultores simplesmente passam os galhos aos seus vizinhos, no que Jan considera um dos processos de dissemina\u00e7\u00e3o mais informais que se pode imaginar. No entanto, aumentar a quantidade de vitaminas e nutrientes que os cultivos podem ter, possui um limite.<\/p>\n<p>\u201cFazer confluir as necessidades de nutrientes de toda a popula\u00e7\u00e3o em um ou dois gr\u00e3os e esperar que isso solucione seus problemas tem s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es\u201d, disse Doug Gurian-Sherman, da Uni\u00e3o de Cientistas Comprometidos. \u201cIsto realmente tem de ser visto como uma medida provis\u00f3ria \u2013 talvez muito importante \u2013 mas n\u00e3o como uma solu\u00e7\u00e3o em si mesmo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No entanto, deu as boas-vindas \u00e0 \u00eanfase que a HarvestPlus d\u00e1 aos m\u00e9todos convencionais de melhoramento de cultivos. Em geral, estes \u201ctiveram muito sucesso durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, mas seu financiamento diminuiu ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o verde, e muitos projetos para melhorar os cultivos foram direto ao enfoque transg\u00eanico\u201d, afirmou. \u201cPor\u00e9m, organiza\u00e7\u00f5es como a HarvestPlus redescobriram que em muitas situa\u00e7\u00f5es a melhoria \u00e9 mais efetiva do que a engenharia gen\u00e9tica\u201d, acrescentou Doug. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 11\/11\/2010 &ndash; A biofortifica\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como medida para abordar a defici\u00eancia de micronutrientes nos alimentos consumidos pela popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pobres, e s\u00f3 agora come\u00e7a, literalmente, a dar frutos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/mundo\/melhorar-cultivos-para-atenuar-a-desnutricao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4],"tags":[14,21],"class_list":["post-7388","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-mundo","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7388"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7388\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}