{"id":740,"date":"2005-06-28T00:00:00","date_gmt":"2005-06-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=740"},"modified":"2005-06-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-28T00:00:00","slug":"luta-contra-a-fome-apenas-poucos-passos-em-um-longo-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/luta-contra-a-fome-apenas-poucos-passos-em-um-longo-caminho\/","title":{"rendered":"Luta contra a fome: Apenas poucos passos em um longo caminho"},"content":{"rendered":"<p>Roma, 28\/06\/2005 &ndash; Transcorridos quase nove anos desde que os chefes de Estado e de governo de 186 pa&iacute;ses reunidos na C&uacute;pula Mundial sobre Alimenta&ccedil;&atilde;o (CMA) em Roma, em 1996, manifestaram solenemente seu compromisso de erradicar a fome e estabeleceram o objetivo de reduzir o n&uacute;mero de subnutridos &agrave; metade at&eacute; 2015. Na C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio, realizada em setembro de 2002, os chefes de Estado e de governo de mais de 155 pa&iacute;ses assumiram o objetivo da CMA. Para mim &eacute; motivo de grande pesar ter de admitir hoje que n&atilde;o progredimos o suficiente rumo &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o do objetivo da CMA.<br \/> <!--more--> <br \/> Em tr&ecirc;s das quatro regi&otilde;es em desenvolvimento, havia mais pessoas subnutridas em 2000-2002 do que em 1995-1997. Apenas na Am&eacute;rica Latina e no Caribe se conseguiu uma modesta redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de pessoas famintas. Nossos c&aacute;lculos indicam que em 2000-2002 havia 852 milh&otilde;es de pessoas subnutridas, das quais 815 milh&otilde;es se encontravam em pa&iacute;ses em desenvolvimento, 28 milh&otilde;es nos pa&iacute;ses em transi&ccedil;&atilde;o e nove milh&otilde;es nos pa&iacute;ses industrializados. Em geral, os progressos decididamente muito lentos escondem tanto novidades positivas quanto negativas. &Eacute; positivo que mais de 30 pa&iacute;ses em desenvolvimento, com uma popula&ccedil;&atilde;o total superior a 2,2 bilh&otilde;es de pessoas, tenham reduzido a preval&ecirc;ncia da subnutri&ccedil;&atilde;o em 25%. Estas na&ccedil;&otilde;es mostram que &eacute; poss&iacute;vel fazer r&aacute;pidos progressos e nos permitem conservar a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p> Outro aspecto positivo, inclusive se excluirmos China e &Iacute;ndia, que contribu&iacute;ram de maneira significativa para os progressos globais durante os anos 90, &eacute; que os demais pa&iacute;ses em desenvolvimento em conjunto registraram uma estabiliza&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de pessoas subnutridas durante a segunda metade da &uacute;ltima d&eacute;cada, depois de registrarem aumento de quase sete milh&otilde;es de pessoas por ano durante a primeira metade da d&eacute;cada passada. Ao mesmo tempo, a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas subnutridas nesses pa&iacute;ses baixou de 20% para 18%. &Eacute; particularmente animador observar que a mudan&ccedil;a mais acentuada das tend&ecirc;ncias ocorreu na &Aacute;frica subsaariana. De fato, durante a segunda metade da d&eacute;cada anterior o ritmo de aumento do n&uacute;mero de subnutridos na regi&atilde;o caiu de cinco milh&otilde;es para um milh&atilde;o ao ano, e a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas subnutridas baixou de 36% para 22%. Mantida essa tend&ecirc;ncia na regi&atilde;o, logo poder&aacute; come&ccedil;ar a haver uma diminui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m do n&uacute;mero de subnutridos na sub-regi&atilde;o. <\/p>\n<p> Embora estas novidades positivas justifiquem um cauteloso otimismo, n&atilde;o devemos esquecer que um grande n&uacute;mero de pa&iacute;ses n&atilde;o progrediu e, inclusive, em algumas ocasi&otilde;es registraram agravamento da fome desde o per&iacute;odo de refer&ecirc;ncia da CMA. A persist&ecirc;ncia de n&iacute;veis elevados de subnutri&ccedil;&atilde;o em todo o mundo n&atilde;o constitui somente uma situa&ccedil;&atilde;o moralmente intoler&aacute;vel, mas tamb&eacute;m cobra um alto pre&ccedil;o. A fome e a subnutri&ccedil;&atilde;o reduzem a capacidade dos seres humanos para aprender, para desenvolver suas aptid&otilde;es e trabalhar. O &uacute;ltimo relat&oacute;rio da FAO sobre o Estado da inseguran&ccedil;a alimentar no mundo-2004 deixa claro que a subnutri&ccedil;&atilde;o e as car&ecirc;ncias de vitaminas e minerais essenciais causam a morte de mais de cinco milh&otilde;es de crian&ccedil;as por ano. <\/p>\n<p> A experi&ecirc;ncia dos 30 pa&iacute;ses que conseguiram um r&aacute;pido progresso proporciona ensinamentos &uacute;teis. Uma caracter&iacute;stica comum &agrave; maioria deles &eacute; uma taxa de crescimento agr&iacute;cola consideravelmente superior &agrave; m&eacute;dia dos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Nestas na&ccedil;&otilde;es, o produto interno bruto agr&iacute;cola aumentou &agrave; taxa m&eacute;dia anual de 3,2%, durante os anos 90, em compara&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dia de 2,2% no conjunto dos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Isto demonstra a import&acirc;ncia de se dar prioridade absoluta ao crescimento agr&iacute;cola sustent&aacute;vel, e em particular aumentar a produtividade dos pequenos produtores. A agricultura e os setores rurais afins formam a espinha dorsal da maioria dos pa&iacute;ses em desenvolvimento e s&atilde;o o principal sustento para muitas das pessoas pobres.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, garantir os direitos humanos e democr&aacute;ticos b&aacute;sicos, a boa governabilidade e a participa&ccedil;&atilde;o nas esferas pol&iacute;tica, social e econ&ocirc;mica s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es essenciais para a estabilidade pol&iacute;tica e para a aplica&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias eficazes de erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e da inseguran&ccedil;a alimentar. Embora a responsabilidade principal de enfrentar a pobreza continue sendo responsabilidade dos pr&oacute;prios pa&iacute;ses em desenvolvimento, seus esfor&ccedil;os somente poder&atilde;o dar resultado positivo em um contexto internacional favor&aacute;vel. As medidas que devem ser adotadas no plano internacional incluem a cria&ccedil;&atilde;o de um contexto comercial internacional justo e eq&uuml;itativo, redu&ccedil;&atilde;o e cancelamento da d&iacute;vida dos pa&iacute;ses em desenvolvimento mais pobres e aumento da assist&ecirc;ncia internacional para o desenvolvimento de acordo com os compromissos internacionais pertinentes, bem como a invers&atilde;o da tend&ecirc;ncia negativa no tocante aos recursos destinados ao setor agr&iacute;cola, para buscar, em especial, a realiza&ccedil;&atilde;o de investimentos adequados na regulamenta&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas e na infra-estrutura rural.<\/p>\n<p> O an&uacute;ncio recente por parte dos ministros de Finan&ccedil;as do G-8 sobre a redu&ccedil;&atilde;o de US$ 40 bilh&otilde;es da d&iacute;vida dos pa&iacute;ses mais pobres, de acordo com a proposta do primeiro-ministro brit&acirc;nico, Tony Blair, &eacute; um passo na dire&ccedil;&atilde;o certa. Temos de aplicar com urg&ecirc;ncia medidas inovadoras para reduzir as amplas diferen&ccedil;as entre os compromissos de redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e a fome contra&iacute;dos, e assim assegurarmos que os objetivos fixados na CMA e na C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio sejam alcan&ccedil;ados at&eacute; 2015. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Jacques Diouf &eacute; diretor-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, 28\/06\/2005 &ndash; Transcorridos quase nove anos desde que os chefes de Estado e de governo de 186 pa&iacute;ses reunidos na C&uacute;pula Mundial sobre Alimenta&ccedil;&atilde;o (CMA) em Roma, em 1996, manifestaram solenemente seu compromisso de erradicar a fome e estabeleceram o objetivo de reduzir o n&uacute;mero de subnutridos &agrave; metade at&eacute; 2015. Na C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio, realizada em setembro de 2002, os chefes de Estado e de governo de mais de 155 pa&iacute;ses assumiram o objetivo da CMA. 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